Believe In Magic: Um novo começo.
15 Capítulo 14
As férias de Natal estavam acabando e os pais de Amélia não haviam lhe mandado uma só coruja, o que estava deixando a garota preocupada e todos ao seu redor podiam perceber e, aparentemente, perceberam.
Jorge só a largava para quando iam dormir ou ao banheiro. Fred a mesma coisa, mas normalmente ele levava Lucky junto. Gina sempre contava suas piadas e histórias para Amélia e Hermione na hora de dormir.
Mione parecia disposta a ajudar a amiga em tudo como se Amélia estivesse muitíssimo doente. Até a Sra. Weasley estava tentando lhe distrair dando comidas deliciosas, chegou até mesmo a perguntar se a garota gostaria de aprender a cozinhar. Rony e Harry não estavam ajudando em nada, era até possível sequer tenham percebido a amiga mais cabisbaixa.
Harry estava tão concentrado no estranho bom humor de Monstro, o elfo doméstico de Sirius, que tudo parecia estar envolto naquele problema.
— Deixe ser besta Harry, o elfo só está feliz. Talvez tenha percebido que ninguém quer lhe fazer mal — Amélia disse tentando fazer o amigo deixar aquilo para lá.
A medida que se aproximava o dia da partida a Hogwarts, Sirius foi se tornando mais inclinado ao que a Sra. Weasley chamava de "macambuzice", quando ficava taciturno e resmungão e muitas vezes se retirava para o quarto de Bicuço durante horas. Sua tristeza infiltrava-se na casa, por baixo das portas, como um gás venenoso, e infectando a todos.
Amélia estava com a impressão que o resto de ano não seria dos melhores e, pela primeira vez, não estava contando os dias que faltavam para regressar a Hogwarts, além do mais voltar à escola significava colocar-se mais uma vez sob a tirania de Dolores Umbridge, que, sem dúvida, conseguirá passar à força mais uma dúzia de decretos na ausência dos garotos; pelo menos agora havia as partidas de quadribol pelas quais ansiar; havia toda a probabilidade de que a carga de deveres de casa aumentasse à medida que os exames se aproximavam; e tinha ainda as reuniões da AD.
Então, no último dia de férias, aconteceu uma coisa que Amélia teve que se esforçar muito para entender e acreditar.
— Harry, querido — disse a Sra. Weasley, metendo a cabeça no quarto que ele ocupava com Rony, onde os dois estavam jogando xadrez de bruxo observados por Amélia, Hermione, Gina, Lucky e Bichento -, pode vir à cozinha? O Prof. Snape quer dar uma palavrinha com você.
Harry não registrou imediatamente o que ouvira; uma de suas torres estava travando uma violenta batalha com um peão de Rony, e ele o incentivava com entusiasmo.
— Achata ele... achata ele, é só um peão, seu idiota. Desculpe, Sra. Weasley, que foi que a senhora disse?
— O Prof. Snape, querido. Na cozinha. Gostaria de lhe falar.
O queixo de Harry caiu de terror. Olhou para os amigos, todos igualmente boquiabertos para ele. Bichento, a quem Hermione vinha contendo com dificuldade nos últimos quinze minutos, saltou alegremente sobre o tabuleiro fazendo as peças correrem para se proteger, guinchando a plenos pulmões.
— Snape? — repetiu Harry sem entender.
— Professor Snape, querido — corrigiu a Sra. Weasley. — Vamos logo, depressa, ele diz que não pode se demorar.
— Que é que ele quer com você? — indagou Rony, parecendo nervoso quando a Sra. Weasley se retirou do quarto. — Você não fez nada, fez?
— Não! — retrucou Harry indignado.
— Eu vou com você — Rony falou, surpreendentemente corajoso
Quando Harry e Rony passaram pela porta, os gêmeos aparataram.
— Olá para vocês — falaram junto e Jorge beijou Amélia, parando só porque começaram a rir do barulho que os outros três faziam.
— Vocês são nojentos — falou Gina fazendo careta.
— Como se você nunca tivesse beijado antes, né Ginevra? — Amélia perguntou apertando suas bochechas.
— E eu acho bom que ela não tenha... — começou Jorge.
— Você não acha nada, Jorginho — Amélia falou, ficando de volta a sua posição anterior. — Muito menos você, Fred.
Os dois a olharam como se fosse uma criminosa procurada pela polícia. Mione e Gina riram como se a amiga tivesse acabado de contar uma piada muitíssimo engraçada.
— Você está namorando uma garota que às vezes dá uma de Molly Weasley, Jorge — falou Gina, ainda rindo. Amélia lhe mostrou a língua.
— Vocês são doidos — falou Hermione rindo.
— NÃO — ouviram Harry berrar lá de baixo, interrompendo a conversa e fazendo com que todos se encarassem, assustados.
— Você está me chamando de covarde? — berrou Sírius, e, de novo, se encaram.
— Papai está lá na porta — falou Rony e correu de volta para o andar abaixo, todos saíram atrás dele.
Quando chegaram lá, o Sr. Weasley recebia o carinho de toda sua família, Amélia e Hermione ficaram encolhidas num canto, só os acompanhamos até a cozinha, felizes pelo mais velho estar de volta.
— Curado! — anunciou animadamente para todos na cozinha. — Completamente curado!
Amélia, Hermione e os Weasley ficaram paralisados à porta, contemplando a cena na cozinha, também suspensa, em que Sirius e Snape olhavam para a porta com as varinhas apontadas uma para a cara do outro e Harry, imóvel entre os dois, tentando separá-los.
— Pelas barbas de Merlim! — exclamou o Sr. Weasley, o sorriso desaparecendo do rosto, assim como o de todos. — Que é que está acontecendo aqui?
Sirius e Snape baixaram as varinhas. Harry olhou de um para outro. Ambos tinham no rosto uma expressão de extremo desprezo, contudo a entrada repentina de tantas testemunhas pareceu tê-los chamado à razão. Snape embolsou a varinha e atravessou a cozinha, passando por todos sem fazer comentário. À porta, olhou para trás.
— Seis horas da tarde, segunda-feira, Potter.
E foi-se embora. Sirius seguiu-o com um olhar mal-humorado, a varinha segura ao lado do corpo.
— Que é que estava acontecendo? — tornou a indagar o Sr. Weasley.
— Nada, Arthur — respondeu Sirius, ofegante como se tivesse acabado de correr uma longa distância. — Só uma conversa amigável entre dois velhos amigos de escola. — Aparentemente com imenso esforço, ele sorriu. — Então... está curado? Ótima notícia, realmente ótima.
— Não é? — disse a Sra. Weasley, conduzindo o marido até uma cadeira. — Enfim o Curandeiro Smethwyck fez sua mágica, encontrou um antídoto para o que quer que fosse que a cobra tinha nas presas, e Arthur aprendeu a lição de não se meter com medicina de trouxas, não foi querido? — acrescentou ela um tanto ameaçadoramente.
— Foi, Molly, querida — disse o Sr. Weasley, com humildade.
A refeição daquela noite deveria ter sido muito alegre com a volta do Sr. Weasley. Amélia via que Sirius procurava fazer com que assim fosse, mas o bruxo não se esforçava para dar gargalhadas com as piadas de Fred e Jorge nem oferecia aos outros mais comida; seu rosto se fechara numa expressão melancólica e reflexiva. Amélia ficou o tempo todo ao lado de Hermione, as duas se sentindo estranhamente deslocadas, ainda que sentisse todo o amor daquela família. Depois de um tempo, Harry chamou Amélia, Rony e Hermione para cochichar sobre a ordem que recebera de tomar aulas de Oclumência com Snape.
— Dumbledore quer evitar que você tenha aqueles sonhos com Voldemort — disse Hermione imediatamente. — Bom, você não vai lamentar se não os tiver, vai?
— Aulas particulares com Snape? — exclamou Rony perplexo. — Eu preferia ter os pesadelos!
Os adolescentes deveriam regressar a Hogwarts de Nôitibus no dia seguinte, acompanhados por Tonks e Lupin, que já se achavam tomando café da manhã na cozinha quando Amélia desceu acompanhada de Harry, Rony e Mione. Os adultos pareciam estar cochichando quando abriram a porta; todos olharam depressa e se calaram.
Depois de um café da manhã apressado, vestiram os casacos e cachecóis para se protegerem da gélida manhã de janeiro. Apesar de conhecer pouco Sirius, Amélia não queria se despedir dele, teve uma sensação ruim com relação a essa despedida, mas acabou se distraindo, rindo enquanto a Sra. Weasley tentava persuadir os gêmeos a usar luvas de tricô.
— Vamos, então — disse Sirius, dando uma palmada no ombro do afilhado e sorrindo triste, e antes que qualquer um pudesse dizer mais alguma coisa, já haviam subido e parado à porta da frente, cheia de trancas, cercados pelos Weasley.
— Adeus, Harry, cuide-se — disse a Sra. Weasley abraçando-o. E depois foi até Amélia.
— Adeus, Amélia, querida, cuide dessa cabeça oca do seu namorado ouviu? — a garota riu, mas concordou quando sentiu Jorge a abraçar por trás.
— Quem tem que cuidar dela sou eu, ela ainda é um bebê.
— Cala a boca, Weasley — Amélia respondeu dando um beliscão no seu braço e fazendo a Sra. Weasley rir.
— Meu casal favorito — falou o Sr. Weasley chegando mais perto. — Amélia, querida, cuide desse garoto, sim?
A garota e a Sra. Weasley riram e Jorge fez uma careta.
— Quem é o bebê, Jorge? — ele bateu -levemente- na cabeça da namorada, fazendo com que ela risse e o puxasse pela mão até Sirius, que abraçava Harry. — Tchau Sr. e Sra. Weasley.
— A garota que quer meu autógrafo — falou Sirius e Amélia lhe lançou um sorriso triste.
— É uma pena você ter que ficar aqui e uma pessoa como Umbridge está à solta — falou quando o abraçou, quando se separaram, ele lhe lançou um sorriso verdadeiro.
— Eu gosto de você, de verdade.
— Mas você é muito velho para ela — falou Jorge, voltando a abraçar a namorada.
— Sabe, acho que esqueci a ração do Lucky lá dentro, você pode ir buscar pra mim, Jorge? — Amélia perguntou e ele concordou, saindo correndo. — Me desculpe por isso, ele é meio sem noção.
— Eu sei como é, já tive essa idade.
— Eu achei que você era pegador.
— Não conte para ninguém, muito menos ao Lupin, mas eu acabei gostando de uma garota quando tinha a sua idade.
Amélia arregalou os olhos, surpresa com a notícia, mas feliz por ele ter compartilhado com ela.
— Acho melhor você ir.
Amélia deu mais um abraço em Sirius e, dessa vez, um beijo na bochecha também.
— Obrigado por me receber na sua casa.
No momento seguinte, se viu sendo conduzida para o inverno gélido lá fora, com Tonks, hoje disfarçada de mulher alta e magra da aristocracia rural, com cabelos grisalhos, apressando a garota a descer os degraus.
A porta do número doze bateu às costas do último a sair e os garotos acompanharam Lupin. O número doze foi encolhendo rapidamente ao mesmo tempo em que as casas laterais se ampliavam para o seu lado, fazendo-o desaparecer de vista. Uma piscadela de olhos depois, já não existia.
— Vamos, quanto mais depressa entrarmos no ônibus melhor — disse Tonks, e Amélia achou que havia nervosismo no olhar que ela lançou pela praça. Lupin esticou o braço direito.
BANG.
Um ônibus violentamente roxo de três andares materializou-se, tirando um fino do poste de iluminação mais próximo, que saltou para trás para sair do caminho. Um rapaz magro, de orelhas de abano e espinhas, trajando um uniforme também roxo saltou para a calçada e disse:
— Bem-vindos ao…
— Sei, sei, já sabemos — disse Tonks brevemente. — Subam, subam, subam…
E ela empurrou Harry em direção aos degraus, para além do motorista, que arregalou os olhos quando o garoto passou.
— É... é Arry...!
— Se gritar o nome dele faço você perder a memória — murmurou Tonks, ameaçando-o, e empurrando Amélia para dentro, sendo seguida por Mione e Gina.
— Eu sempre quis andar nesse ônibus — disse Rony alegre, juntando-se a Harry e examinando tudo.
Mas Amélia não estava tão feliz, da última vez que havia andado naquilo vomitou duas vezes seguidas.
O local estava mobiliado com uma variedade de cadeiras desemparelhadas e dispostas a esmo em torno das janelas. Algumas pareciam ter tombado quando o ônibus parou abruptamente no largo Grimmauld; uns poucos bruxos e bruxas ainda estavam se levantando, resmungando, e a saca de compras de alguém deslizara por toda a extensão do veículo: uma mistura de ovas de sapo, baratas e cremes de ovos espalharam-se pelo chão.
— Parece que vamos ter de nos separar — disse Tonks brevemente, procurando poltronas vazias. — Fred, Jorge, Amélia e Gina, vão para aquelas poltronas lá no fundo... Remo pode ficar com vocês.
— Sim, senhora — Amélia bateu continência e todos riram, menos ela, que só lhe lançou um olhar divertido.
Tonks, Harry, Rony e Hermione subiram para o último andar, Lalau Hunpike, o condutor, os acompanhou pressurosamente até lá.
Depois que o condutor desceu e cada um dos passageiros novos pagaram onze sicles, o ônibus tornou a partir, balançando sinistramente. Contornou ruidosamente o largo Grimmauld, subindo e descendo pelas calçadas, depois, com outro BANG estrondoso, os passageiros foram atirados para trás; a poltrona de Amélia quase virou, e Gabe reclamou com um pio fino, Lucky, que estava no colo de Fred, latiu alto. Jorge acabou caindo e levando Gina com ele, que ficou muito irritada e ficou de cara amarrada até chegarem. Parecia que a única coisa que o Nôitibus fazia era ganhando velocidade até...
BANG.
E estavam rodando por uma Hogsmeade coberta de neve. Amélia pode ver de relance o Cabeça de Javali na rua lateral, o letreiro com a cabeça cortada rangendo ao vento invernoso. Flocos de neve batiam na enorme janela dianteira do ônibus. E finalmente pararam nos portões de Hogwarts.
Lupin e Tonks os ajudaram a desembarcar com as bagagens, e então desceram também para se despedir.
— Vocês estarão seguros quando entrarem — disse Tonks, lançando um olhar cauteloso para a estrada deserta. — Um bom trimestre, o.k.?
— Cuidem-se bem — recomendou-lhes Lupin, apertando as mãos de todos.
— Escute, Amélia — cochichou Tonks quando a abraçou -, não estou com um bom pressentimento em relação aos seus pais, eles não responderam nenhuma das minhas cartas, eles lhe responderam?
— Não. — Amélia disse já preocupada. Nenhum pressentimento de Tonks, até agora, foi errado. — Será que aconteceu alguma coisa com eles?
— Vá conversar com Dumbledore, talvez eu esteja errada.
— Certo, até mais.
Os seis subiram penosamente a estrada escorregadia até o castelo, arrastando os malões. Hermione já estava falando em tricotar uns gorros para elfos antes de dormir, mas Amélia não conseguia pensar em nada que não fosse seus pais e a preocupação que começava a crescer.
A primeira coisa que fez no dia seguinte foi ir até o Corujal, mandar mais uma coruja para os pais e se eles não respondessem até o anoitecer, Amélia procuraria Dumbledore e perguntaria se ele poderia investigar o que estava acontecendo.
Mas o que a garota menos esperava aconteceu, estava na biblioteca fazendo a atividade de Porções quando Hermione e Rony sentaram-se à mesa que Amélia dividia com Lisa.
— Cadê o Harry? — perguntou distraída.
— Cho — respondeu Mione e as duas rimos.
— Eu não acredito — Amélia falou já largando a atividade -, será que ele vai finalmente convidá-la para um encontro?
— Eu espero que…
— Srta. Belmont? — perguntou a Profa. McGonagall aparecendo do nada.
— Sim?
— Dumbledore está lhe chamando na sala dele.
Amélia não sabia como, mas sentiu. Sentiu no fundo do peito que algo muito grave tinha acontecido com os seus pais. Acompanhou a Profa. McGonagall sem excitar.
— O que foi? — perguntou Jorge, quando a encontrou no meio do caminho.
— Dumbledore está me chamando.
— Você fez alguma coisa?
Amélia negou com a cabeça e fez uma expressão de quem iria chorar, nervosa demais.
— Eu vou com você.
— Sr. Weasley, acho que você está atrasado para sua próxima aula — falou a Profa. Minerva tocando no ombro dele.
— Deixa ele ir comigo, por favor.
Ela suspirou e se virou: — Me acompanhem, por favor.
Jorge segurou a mão de Amélia e juntos foram até o escritório do diretor. Assim que entraram na sala viram Tonks sentada na cadeira em frente à mesa e ela chorava. Como se tivesse recebido um balde de água gelada na cabeça, Amélia parou onde estava, sentia seus pés grudados no chão, o coração batendo rápido. Sentia as suas pernas perdendo força e começando a ceder ao seu peso.
— Eu sinto muito, de verdade — falou Dumbledore.
— O q-que acon-conheceu? — perguntou entre soluços, só então percebendo que estava chorando.
— Aparentemente, eles encontraram alguns Comensais da Morte.
— Quando?
— Encontramos os corpos na manhã de ontem.
Amélia foi amparada por Jorge quando estava prestes a cair, chorando com a cabeça apoiada no peito do namorado que a abraçava.
— Ao que tudo indica, eles estavam protegendo alguns trouxas — ouviu a voz de Tonks, distante. — Mas eu sinto muito, Amélia, gostaria de ter os ajudados.
Amélia não sabia como, também não se importava em descobrir, mas acordou, na manhã seguinte, deitada em uma cama que não era sua. O quarto estava vazio a não ser por Jorge, sentado em uma cadeira, olhando pela janela.
— Que horas são? — Amélia perguntou com a voz rouca.
— Tarde. Já é quase hora do almoço.
— Tive um sono terrível. Dumbledore dizia que meus pais estavam mortos.
Ele ficou desconfortável, sem conseguir olhar nos olhos da namorada.
— Sobre isso…
— Ai meu Merlin, não foi um sonho, não é? — ele negou com a cabeça e Amélia voltou a chorar. Jorge foi até ela.
— Minerva falou que você pode ir para o enterro e, se quiser, pode me levar — ainda chorando, concordou com a cabeça. Eram seus pais, tinha ir. — Estão todos preocupados com você, mas não sabem o que houve.
— Você contar a eles por mim? Não quero ver ninguém.
— Minerva falou com os outros garotos, essa semana eles vão dormir divididos em alguns quartos. Ela também trouxe seu café.
— Não quero nada.
— Esqueci de te falar, mas o seu primo, Alexandre, perguntou a Lisa, ao Rony e ao Fred sobre você.
— Podemos só ficar calados? — a garota perguntou, sua voz abafada. — Eu só quero chorar até essa dor diminuir.
Ela sabia que chorar não iria melhorar em nada sua dor e que ele também sabia disso, mas agradeceu mentalmente quando ele só concordou e a abraçou forte. Passaram o dia todo ali, mas a noite, Benjamin, Fred, Lisa e Hermione entraram no quarto.
— O que está acontecendo com você, Mel? — perguntou Lisa chegando próximo da cama, mas Jorge levantou rápido e a impediu de se aproximar mais.
— Mel, olha para mim — falou Jorge e a garota o encarou -, fica calma e tenta dormir, tudo bem? Vou buscar alguma coisa para você comer e quando voltar lhe acordo.
Ela concordou com a cabeça e voltou a se acomodar na cama enquanto Jorge guiava, sobre protestos, os quatro para fora. Ele fechou a porta, mas Amélia ainda podia ouvir o que eles falavam, já que ainda estavam encostados nela.
— O que você acha que está fazendo? — Benjamin perguntou.
— Ela precisa de um tempo, esses dias estão sendo muito difíceis para ela.
— Por isso deveríamos estar lá dentro — ouviu Mione falar
— Desculpa, mas é nosso pai que é atacado e quase morto, e ela que fica triste?
— Pelo menos ele ainda está vivo.
— Como assim? — perguntou Lisa.
— Os pais dela estavam defendendo um casal trouxa e seus dois filhos de um ataque dos Comensais quando foram mortos.
— Ai meu Merlin! — exclamaram junto.
— Ela só quer ficar sozinha e chorar. Dumbledore nos deixou faltar às aulas de hoje e de amanhã.
— Ela precisa sair desse quarto — Amélia ouviu Lisa falar e abraçou ainda mais o travesseiro, sabendo que ela estava certa -, os pais dela não vão ressuscitar se ela continuar chorando, vou falar com ela.
— Qual foi a parte do "ela só quer ficar sozinha" que você não entendeu? — Jorge levantou a voz. — Eu gosto de você, Oliver, mas se a minha namorada quiser ficar naquele quarto até o próximo ano, ela vai ficar, não me faça a impedir de vê-la.
Com medo daquela conversa se transformar numa briga, Amélia levantou da cama meio fraca, tentando lembrar quando foi sua última refeição, foi até a porta e a abriu, assustando os cinco.
— Você está certa, Lis — falou com a voz rouca — e Jorge, muito obrigado, mas ficar deitada naquela cama, chorando, não vai trazê-los de volta, muito menos diminuir minha dor.
— Tudo bem, mas vá se sentar, você não come nada desde ontem.
— Eu estou bem — e como se seu corpo quisesse dizer o contrário, Amélia ficou tonta e para não cair se apoiou no namorado.
Os segundos seguintes foram muito rápidos, todos perguntaram se a garota estava bem ao mesmo tempo, Jorge a pegou no colo e a levou de volta para cama, ouviu Fred falando, distante, que iria pegar comida. Mas seus olhos estavam se fechando devagar e as vozes deles iam ficando mais longe, como se estivesse em um sonho.
Na manhã seguinte, quando Amélia acordou estava na cama dela. As cortinas nas janelas estavam abertas e o céu estava nublado lá fora, o que a fez lembrar que era hoje o dia do enterro dos seus pais, e apesar de ainda se sentir fraca e confusa, se vestiu e desceu para o Salão Comunal, encontrando ali Lisa e Jorge, aparentemente brigando de novo, juntos com Benjamin, Hermione e Caleb, que foi o primeiro a notar a presença da garota.
— Bom dia, Mel — falou, indo ajudá-la a terminar de descer as escadas.
— Me acompanha até o Salão Principal? — perguntou e ele confirmou com a cabeça, se virando para falar com os outros. — Não avise a eles, quero ficar distante de brigas.
Juntos, andaram em silêncio até o Grande Salão e assim que entraram viram algumas cabeças virarem para ele. Amélia viu, também, a Profa. Minerva e Alexandre andando em sua direção.
— Bom dia, Srta. Belmont — falou a professora assim que chegou perto o bastante. Alexandre apenas acenou com a cabeça.
— Bom dia — respondeu automaticamente.
— Quando estiver pronto, me avisa para irmos.
Ela se virou e saiu, mas Alexandre ainda ficou ali, encarando a prima.
— Lia…
— Não me chame assim, você perdeu todo o direito faz três anos.
— Escute, eu só quero pedir desculpa, tá? Não fiz por mal, eu era uma criança sem noção do que estava fazendo.
Quando foi responder ao primo, uma garota apareceu entre eles como se tivesse nada mais importasse além dele.
— Você está bem? — ele acenou com a cabeça, ainda olhando a prima. — Quando vamos?
— Por que não vai comer e depois…
— Você não vai, garota! — Amélia falou e ela virou para encará-la, mas Belmont não olhava mais para ela quando tornou a falar. — Se você acha que vai usar o enterro dos meus pais para ficar com garotas, Rosier, está muito enganado.
Nessa hora, os outros quatro que tinham ficado no Salão Comunal apareceram e parecendo notar que aquilo era uma briga, Jorge correu até a namorada.
— Tudo bem por aqui? — perguntou ficando ao seu lado e a olhando.
— Eu não posso levá-la, mas você pode levar esse dai? — Alexandre quase gritou.
— Pelo menos eu não vou jogá-lo fora depois, ele é meu namorado — viu o rosto do primo se contorcer em uma careta — e o que essa garota é sua?
— Namorada — Amélia ficou surpresa por ter sido ela quem falou e porque parecia ser realmente verdade e que todos ali pareciam saber disso. — Sou namorada dele já fazem dois anos.
— Isso... — sentindo todo o cansaço voltar e a barriga exigir comida, os ombros de Amélia caíram. — Isso não é da minha conta, me desculpem.
Virou e sentiu Jorge a abraçar de lado, Amélia só conseguia se questionar como uma vida tão boa pode desmoronar tão rápido como a dela.
— Você está bem? — Jorge perguntou. Ela negou com a cabeça antes de falar:
— Nunca estive tão confusa, estou sentindo tanta falta deles.
— Eu não sei, mas imagino — ele suspirou. — Umbridge está olhando para cá, acho melhor irmos comer.
— Quem é você e o que fez com meu namorado maroto? — Amélia perguntou tentando fazer graça.
— Ah, sabe como é né, às vezes ele tira umas férias e eu assumo — ele fez piada dando de ombros e a garota riu — Eu gosto do seu sorriso.
Ele falou quando sentou ao seu lado na mesa.
— Qual é — falou Rony, arrancando algumas risadas fracas dos amigos -, se vocês não perceberam, eu estou comendo.
Mas Amélia não ligou, porque naquele momento se deu conta de que seus amigos agora eram as coisas mais importante que tinha, e olhando para o primo, na outra mesa, percebeu que apesar de brigar com ele, também o amava e sentia sua falta, quem sabe não fosse a hora de conversarem.
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