Believe In Magic: Um novo começo.
16 Capítulo 15
— Celina e Adam Belmont.— começou Andrômeda, olhando para os corpos estendidos nos caixões e depois para Amélia. — Eles se conheceram ainda em Hogwarts, eu costumava brincar que havia sido paixão à primeira vista, mas o amor deles, na verdade, foi construído ao longo do tempo e da amizade deles. Estiveram juntos por todo o tempo que se conheceram, dividiram sonhos, desejos e discussões. Ah, houveram tantas discussões. Mas um sempre estava disposto a ouvir e entender o lado do outro— ela olhou novamente para o casal deitado, imóveis. — Celina foi a primeira garota a falar comigo e lembro de ficar encantada pelo seu jeito, sua disposição a ajudar. Adam era reclamão— ela riu, parecendo reviver todos os momentos que passaram juntos -, mas era o primeiro a fazer alguma piada, mesmo que fosse na pior hora. Os dois se completavam e quando os dois me convidaram para ser madrinha daquela bebê que o amor deles tinha colocado no mundo, me senti tão sortuda. Eles eram meus melhores amigos, padrinhos da minha filha, minha família. — ela parou e respirou, as lágrimas tomando conta do rosto.
Apesar de torcer para que isso nunca acontecesse, Amélia sempre soube que, um dia, todos morreriam, não importa se a pessoa tem o elixir da vida ou qualquer outra coisa parecida, ela sempre vai morrer. Mas todas as vezes que a mãe tocará naquele assunto, a garota não ouvia, afinal, quem quer ouvir sua própria mãe falando que um dia ela vai morrer?
Amélia levantou da cadeira, meio tonta, e sentiu a maioria dos olhares virados para si. Jorge levantou também, mas a garota apenas negou com a cabeça, caminhando primeiro até o caixão da mãe e simplesmente o fechando, indo na direção do corpo do pai, também fechando. Sabia que estava sendo observada por todos ali presente, até mesmo os Tonks a observavam.
— Obrigada pela presença de todos, mesmo que alguns de vocês só estejam aqui porque o remorso é maior que qualquer outra dor que estejam sentindo.
Amélia virou e começou a se distanciar do grupo, sentiu alguém lhe seguindo, e olhou por cima do ombro, dando de cara com o seu primo, então parou perto de uma árvore. Antes que ele pudesse falar qualquer coisa, Amélia suspirou, ainda tonta e com uma tremenda vontade de voltar a chorar.
— Olhar aquelas pessoas, vindo dar o último adeus para eles sem nem ao menos ter os conhecido de verdade. É errado desejar que eles não estivessem lá? Quer dizer que eu desejava a morte daquela família?
Ele, hesitante, a abraçou antes de responder:
— Você não deseja a morte deles, só queria que todos estivessem bem, vivos.
Amélia concordou com a cabeça, as lágrimas escorrendo por suas bochechas e molhando a camisa do primo. Ficaram em silêncio por algum tempo até a menina voltar a falar.
— Eu só queria, sabe, me desculpar pelo o que eu disse mais cedo, sobre sua namorada…
— Ah, a Charlie? — Amélia concordou com a cabeça e ele riu. — Não estamos chateados, eu te conheço, sei que só está nervosa, confusa, e ela conhece nossa história, eu contei tudo quando começamos a namorar.
— Ela parece ser uma boa garota e se preocupa com você — falou olhando por cima do seu ombro para a Charlotte e o Jorge, que conversavam. — Você tem sorte, já ela...
Eles se separam, rindo. A cumplicidade que a muito tempo não tinham refletindo em seus olhos.
— Sabe, estou a algum tempo tentando falar com você, me desculpar, sabe?! — ele olhou para os sapatos cobertos de lama e grama. — Eu queria me desculpar pelo o que eu fiz, não tem explicação, eu sei, mas eu quero minha prima chata e irritante na minha vida de novo.
Amélia o abracei, pegando-o de surpresa, mas ele logo retribuiu. Mesmo que se lembrasse do modo como o primo havia agido quando brigaram, das brincadeiras idiotas com os nascidos trouxas e de como estava sempre com ar superior, sabia que Alex havia se afastado dos antigos amigos sonserinos, que as palavras que Amélia havia dito lhe acertou como um tapa bem dado, ou, talvez, pudesse ter sido o soco. O que sabia agora é que ele era sua única família e que havia o perdoado fazia muitos anos.
Só se soltaram quando ouviram alguém próximo coçar a garganta, quando olharam deram de cara com dois ruivos sorrindo para eles. Jorge foi o primeiro a falar alguma coisa, mas Amélia ficou surpresa por não ter sido para ela.
— Acho bom você não magoá-la novamente, porque agora ela tem um namorado — apesar dele falar grosseiramente, eles se abraçaram, dando pequenas tapinhas nas costas e rindo.
— Sabe, me desculpe por mais cedo — Amélia falou para a ruiva na sua frente e ela sorriu com seus dentes extremamente brancos.
— Vou lhe desculpar, mas só porque sou bastante legal — enquanto falava, ela jogou os cabelos para trás fazendo cara de menina mimada e os quatro gargalharam, levando alguns olhares horrorizados e foi aí que Amélia percebeu que todos já estavam indo embora.
— Você deveria ir até lá — Jorge falou, a abraçando por trás e olhando na direção dos túmulos, a garota simplesmente concordou com a cabeça e foi até lá, assistindo aos funcionários terminarem de colocar a areia por cima dos caixões, logo depois colocando as coroas de flores que haviam trazido.
— Oi— falou quando já estava sozinha, ajoelhada aos pés dos túmulos — ou talvez eu deva dizer tchau?— soluçou, mas nenhuma lágrima saiu dos seus olhos. — Eu estou com tanta saudades, queria ter ido passar o natal com vocês, queria ter pelo menos avisado sobre tudo, apesar de acreditar que vocês já sabiam, eram amigos de Tonks e de Dumbledore.
Ela parou, sentindo um nó se formar na garganta. Se eles sabiam da Ordem, esconderam da garota por todo aquele tempo, talvez estivessem em uma missão, mas Dumbledore teria lhe dito, certo?
— Estou tão confusa, queria que estivessem aqui, ao meu lado, mas não, vocês estão aí, mortos.
Amélia suspirou, não tinha que descontar seus sentimentos confusos nos corpos cobertos de terra dos seus pais, então depois de olhar para a lápide de cada um, levantou e virou às costas, caminhando de volta.
— Eu quero ir embora — sussurrou quando Jorge a abraçou e sentiu as lágrimas voltarem a escorrer pelas bochechas. Estava cansada de tudo.
Sentiu o garoto mexer a boca, mas não ouviu nenhum ruído antes de tudo escurecer; teve a impressão de estar sendo fortemente puxada em todas as direções pela segunda vez no dia; não conseguia respirar, tiras de ferro envolviam seu peito, a comprimindo; suas órbitas estavam sendo empurradas para o fundo da cabeça; seus tímpanos entravam crânio adentro; então aspirou grandes golfadas do ar frio de fim de tarde e abriu os olhos lacrimejantes. Passaram-se alguns segundos até entender que estavam em frente aos grandes portões de Hogwarts, se soltou dos braços de Jorge e ficaram apenas de mãos dadas. Algum tempo depois já estavam passado pelo quadro da Mulher Gorda.
— Aonde você vai?
— Pegar meus livros, tenho aula depois do almoço, não quero me atrasar — Amélia falou e depois subiu até o dormitório, pegando seus matérias e voltando para o Salão Comunal, vendo Jorge, Fred, Lisa, Benjamin e Caleb conversando aos sussurros, parando assim que a viram terminar de descer as escadas.
— Vocês são tão discretos quanto o casaco rosa da Umbrigde!
Assistiu as expressões de surpresa e preocupação deles se transformarem em uma de divertimento e alivio, para logo depois todos estarem rindo de alguma piada desnecessária dos gêmeos.
Os seis desceram para o Salão Principal rindo alto e conversando besteiras. Por onde passavam chamavam as atenções e, sempre que isso acontecia, Jorge e Fred faziam alguma piada, os fazendo rir de novo.
Quando chegaram no Salão Principal sentaram perto do trio de ouro e ficaram conversando até a hora da aula. No caminho para a aula, Charlie e Alex pararam Amélia no corredor.
— Como você está?
— Melhor do que achei que estaria quando meus pais morressem — falou, se soltando dos braços do primo e indo para o lado de Harry.
— Te vejo mais tarde? — Amélia concordou com a cabeça e se despediram, cada um indo para o seu lado.
Aquele poderia ter sido o seu pior dia, mas, pelo menos, Amélia ainda tinha os amigos ao seu lado, e ela agradeceria pelo resto da vida por isso.
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