Belanote

5 Capítulo 5 - Artífice.


Notas iniciais
Não se esqueça de ler os outros capítulos antes.

A confecção de armamento militar era um trabalho muito mal visto. Assim como os defensores deviam manter suas identidades em sigilo, os artesãos também tinham. Existiam dois motivos principais: O primeiro era o mais obvio, as pessoas não queriam que você fizesse armas para seus algozes. Segundo, as pessoas queriam que se fizesse armas para elas.

O que acontecia na maioria das vezes quando a identidade de um artesão era descoberta ele acabava morto ou sequestrado. Grupos mais radicais os transformavam em escravos, os obrigando fazer todo tipo de arma e melhoria para os mais diversos mecanismos de combate.

Dês do começo da venda em massa das cápsulas de Belanote, e principalmente após o início da ditadura de Bashkim, as armas de fogo convencionais não surtiam mais efeitos. No início tentaram melhorá-las, mas após testes e testes perceberam que a pele de aço durante o frenesi tinha uma resistência, quase invulnerabilidade, a perfuração de qualquer tipo. Cortes e principalmente contusões pareciam surtir muito mais efeito. Nada impedia de um soldado em frenesi segurar uma .50 para tentar ferir outros, mas uma lamina era muito mais barata e sutil, sem contar o dano à propriedade privada que uma .50 podia fazer era brutal, e ninguém quer se responsabilizar pelo prejuízo. .

James estudava as propriedades da pele de aço, assim buscando brechas que pudessem ser exploradas. Ficava claro que a pele era resistente ao calor, uma chama apenas se dissipava e espalhava, ela não a absorvia e se queimava. Ao contrário da eletricidade que passava por todo seu corpo procurando uma saída, a eletricidade em si não tinha poder de matar um homem em frenesi, a corrente elétrica não o queimava e também não causava danos internos. Porem os músculos se contraiam, até a eletricidade encontrar um terramento, a pessoa eletrocutada estaria impedida de mover seu corpo voluntariamente.

A arma de taser que a polícia Pre-Bashkim usava para controlar indivíduos tinha a mesma lógica, funcionava perfeitamente para pessoas normais, mas bastava tomarem uma cápsula de Belanote que a potência do taser não era suficiente nem para assustá-los. Sendo assim James bolava uma forma de usar os Licht-Box para capturar raios em vez de luz, um raio podia neutralizar muitos indivíduos de uma vez. Ele constatou que o problema não era prender aquela força da natureza no interior do cilindro de chumbo e sim liberá-lo, a energia era muito instável, não era simplesmente mirar e comandar o raio a acertar o alvo desejado. A eletricidade sempre busca o caminho mais fácil até o solo.

James trabalhou em uma solução, trocando a íris, ela não serviria de nada já ele estava trabalhando com uma corrente elétrica e não com a luz. Sem a íris o Licht-Box ficava bem menor, o cilindro de chumbo apesar do tamanho e do material não era muito pesado já que tinha que ser oco para que a energia desejada ficaria em seu interior, decidiu colocar um temporizador no cilindro. E com isso ele acabava de criar uma granada de raio.

Ela uma grosseira, porem eficaz. Para ser carregada ela tinha de ser atingida por um raio, o que rapidamente ocorria ao ser colocado em um pára-raios. A perola de Belanote se encarregava de transportar a energia do raio para seu interior. Depois de selecionar o tempo desejado na interface começava uma contagem regressiva, também tinha a opção: “por impacto”, transformava o cilindro em uma verdadeira granada. Ao ser acionada a granada de raio liberava a energia armazenada em seu interior pela entrada aonde ela tinha sido capturada, como já disse, o raio e uma força instável então quando ele saia ele se espalhava em todas as direções causando estrago. A potência era poderosa o suficiente para neutralizar quais quer um sobe o frenesi de Belanote e para fritar quaisquer coisas normais.

A oficina de James ficava convenientemente no último andar do prédio. La ele subia uma escada e ia para cobertura, o local tinha um enorme para-raios aonde ele havia instalado a granada de luz para a carregar.

O procedimento tinha de ser rápido, tinha de ser feito enquanto o céu estava limpo, assim evitando o perigo de ser acertado por um raio durante o momento que colocava o cilindro de chumbo no pára-raios.

Era uma espera tediosa, James não gostava de estar há mercê da natureza. Ele achava um pecado um homem tão inteligente ter de esperar um raio cair sabe sei lá quando. Mas não tinha escolha, afinal, era sua melhor chance se fuga.

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Ela estava catatônica sem saber o que fazer, seus olhos arregalados fixavam-se em direção aquela poça vermelha. De joelhos ela buscava uma desculpa ou explicação, algo que pudesse facilitar aquela sensação estranha de saber que fez algo horrível, mas não ter remorso nenhum.

Silencio.— ela pensou, olhando para suas mãos encharcadas daquele liquido vermelho e morno – Apenas queria aquele garoto fica-se quieto, sua voz a perturbava. – Ela fechou os olhos e apreciou a quietude.

Agora ele estaria em silencio para sempre.

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Outro projeto de James havia trabalhado no passado era, a já conhecida, Vibro-Katana. Ele não a criou, apenas estudou e aplicou melhorias. Basicamente, a lamina da Katana era feita para vibrar em uma freqüência extremamente alta, assim possibilitando penetrar a armadura e na carne como uma faca quente na manteiga.

A melhoria desejada parecia simples, poder esconder a lamina inteira no cabo da espada. Usando seus conhecimentos de quebra molecular, James foi capaz não só de dobrar a lamina como uma folha de papel, mas também diminuir sua espessura.

Sua obra prima era nada menos que uma espada cuja a lamina tinha uma molécula de espessura.

Não era nem um pouco fácil fazer aquela lamina. Sua confecção era puramente manual, assim como as clássicas Katanas aonde seu aço deveria ser levado ao fogo, moldado e esfriado centenas de vezes. A sua espada especial foi criada átomo a átomo, um processo impossível se não fosse a tecnologia atual. Mesmo assim demorou meses de trabalho escondido.

Quando questionado o que estava fazendo ele arrumava uma explicação. Quando queriam algo de pressa ele era obrigado a pausar sua confecção e atender os pedidos. De vez em quando alguém era mandado para vigiá-lo e isso acabava atrasando seus planos.

Ele tinha liberdade de ir ao terraço uma hora que quisesse, já que testes deveriam ser feitos ao ar livre. Ele sabia o que aconteceria com ele se alguma de suas armas dessem problema na hora H.

James conhecia todos os pontos cegos de sua oficina, todos os lugares aonde as câmeras não alcançavam. La ele guardava seus segredos.

Ele tinha 5 horas e 15 minutos. Esse era seu tempo diário de sono, que ele separava 2 e 15 minutos hora para treinar. Quando ele foi jogado naquela oficina escura há 436 dias ele era um jovem homem, com uma mente brilhante e um corpo fraco.

Agora era um homem, de mente brilhante, corpo forte e sede de vingança. Essa e uma mistura perigosa.

E quando o Quadringentésimo trigésimo sétimo dia chegou ele já estava preparado.

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A câmera de segurança filmava artesão N° 29 sentado sobre suas pernas, em que lembrava uma posição de meditação.

Na sala de vigilância havia dois guardas, ou pelo menos se achavam guardas. Não usavam uniforme ou farda. Jogavam cartas e falavam palavrões.

— Paulo seu animal – trovejou um dos guardas – a rainha vale mais que o valete no 21.

— Não, não, não, não! – Indignou-se Paulo — Você está me roubando!

— A gente nem apostou nada, seu maluco. – Fechou a cara em quanto virava para a tela de vigilância – Olha lá, que será que aquele idiota está fazendo? – Apontou para a tela aonde a câmera filmava um homem meditando.

— Trabalhando que não e – Paulo se levantou e pegou seu machado de mão que estava apoiado na beirada da mesa – Melhor eu colocar ele na linha antes que o patrão descubra.

— Vai lá. Só não demora, quero terminar o jogo. – Completou antes que Paulo batesse a porta – E a rainha vale mais sim!

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James sabia que alguém viria colocar ele para trabalhar a força, já acontecera antes, e ele contava com isso.

Obviamente não dispunha das cápsulas de Belanote. O primeiro guarda será o mais complicado— concluiu para si – tinha de ser rápido.

Alguns minutos se passaram e ele escutou um barulho de porta destrancando, após isso ela foi escancarada com um chute por um carcereiro muito bravo. James reparou na respiração do homem, nas pupilas dilatadas e na pele brilhosa, ele estava sobre os efeitos do Belanote, não seria fácil.

James se levantou com calma, tentado manter-se o menos ameaçador possível. O homem na porta não iria hesitar em avançar se fosse ameaçado. – Pensou — James, o mais devagar possível, levou o cabo da Katana acima de sua cabeça, ficando em posição de ataque.

O carcereiro parecia atordoado com o quão absurdo era a cena. Aquele homem careca e barbudo o encarando com o cabo sem lamina como se representasse alguma ameaça. Primeiro riu, riu alto e em bom som, gargalhadas fartas como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Depois parou de rir, aqueles olhos não paravam de encará-lo.

— Você e retardado ou o que?! – Trovejou o guarda, apontado o machado de mão para James – Quer morrer, oriental de merda?

Avançou sobre ele em uma investida enfurecida.

Desceu o punho da espada girando um pouco, foi o suficiente para que a iluminação precária acertasse o ângulo certo, fazendo brilhar aquele ínfimo filete de lamina, algo quase imperceptível.

O carcereiro pareceu ter percebido antes do fim. O que acabou por formar um sorriso por debaixo da barba espessa de James.

— Kirei ni katto. – Disse James Kashikoidesu, enquanto atravessava a porta de sua oficina, deixando apenas um corpo para traz.

Notas finais
Capítulo 6 já postado.