Being A Happy Family
69 Cap. 68 | Lima, Ohio | 2012 | I don't wanna lose
Santana abriu os olhos lentamente e olhou em volta, para as paredes brancas do quarto, estava no hospital, Ela havia piorado nas últimas duas semanas, seu corpo estava ficando cada vez mais fraco, assim como as suas esperanças de sobreviver, olhou para o lado e vira Charlie dormindo na cadeira abraçada com um livro de Harry Potter, o que a fez sorrir fracamente.
Estendeu a mão para ajeitar os cabelos como um reflexo e se sentiu ainda mais triste ao sentir a cabeça nua, ela tinha preferido raspar o cabelo logo para não ficar perdendo e ficando cada vez mais deprimida.
– Santy? — a voz de Ricardo veio da porta, ele sorriu de lado para Charlie dormindo na cadeira e fitou a filha.
–Ei – Santana disse com um sorriso forçado, tossiu um pouco – Veio tentar me animar mais uma vez? – Perguntou ironicamente e Ricardo suspirou enquanto ia até a filha, sentando na beira da cama.
–Sei que essa situação toda é horrível, meu amor – Ricardo respondeu – Mas você não pode nunca desistir de lutar – Pediu, os olhos lacrimejando.
– Sinto falta de casa, da minha cama, da Drizzle, você se lembrou de alimentá-la hoje? — perguntou a latina, fitando o pai, ele estendeu a mão e acariciou a testa da filha.
– Claro que sim, princesa, só mais alguns dias aqui e poderá voltar para casa por uns dias, se melhorar. — informou, olhando novamente para Charlie. — ela deve estar desconfortável.
– Já tentei fazê-la ir para casa, é inútil. — suspirou a morena, deitando a cabeça no travesseiro e fitando a loira, com um sorriso triste no rosto, era tão deprimente que não conseguisse mandá-la para casa, ela imaginou se algum dia Charlie deixaria o seu lado mesmo que ela morresse.
Ricardo olhou para Charlie que dormia profundamente, ele sorriu levemente, ele sentia o amor que aquela garota sentia por Santana, era algo forte e verdadeiro e sabia que Santana estaria em boas mãos com Charlie.
–Me pergunto se isso não é demais pra ela – Santana murmurou, fazendo com que o pai a olhasse – Que tipo de garota quer ficar o dia inteiro na cadeira de um hospital por que sua namorada não pode ser como as outras pessoas? – Perguntou, enquanto sentia um nó na garganta.
–Ela ama você, Santana. – Ricardo respondeu e segurou a mão da filha – Amor é colocar as necessidades de outra pessoa antes das suas – disse e olhou para Charlie novamente que se remexeu um pouco – e é isso que ela esta fazendo.
–Eu não quero que ela se machuque por minha causa. – Santana respirou fundo e fechou os olhos – Eu já a machuquei demais – completou amargamente.
– Se coloque no lugar dela, Sant. — Ricardo pediu, segurando a mão da filha. — se fosse ela, aqui nessa cama, você não iria querer estar ao seu lado? — a morena não tinha resposta para isso, apenas sorriu de lado e fitou a menina, com as pernas sobre a poltrona, joelhos no peito e abraçando o livro com força. — tenho que ir atender alguns pacientes agora, qualquer coisa chame as enfermeiras.
– Ok. — Santana falou, enquanto o homem beijava sua testa, ela ficou ali por alguns segundos antes que ouvisse alguém bater na porta de leve e levantasse os olhos para encontrar Kurt ali parado.
–Oi – Cumprimentou Kurt enquanto se aproximava – Como se sente? – Perguntou com um sorriso solidário, Santana retribuiu.
–Melhor do que antes – afirmou e viu Kurt olhar para Charlie e franzir o cenho – não me pergunte... Ela se nega a sair – disse antes que ele pudesse dizer algo. Ele riu um pouco. – E Vocês... Como estão lidando com todas essas coisas de Nacionais e... Você sabe, faculdade – disse, ela ainda não tinha dito a Kurt ou mesmo Rachel que havia passado para NYADA.
–Estamos lidando bem com isso, Mas o que realmente queria saber é de você – Ele respondeu, serio, seus olhos foram para onde o cabelo de Santana deveria estar e a Latina se encolheu diante do olhar dele que segurou sua mão firmemente – Você sabe que pode contar conosco... Cada um de nós – garantiu.
– Eu... Fui aceita na faculdade que queria... Papi pediu um processo judicial para que eu pudesse freqüentá-la quando melhorar sem que seja considerada desistência. — explicou, pegando um lenço na mesa de cabeceira e começando a amarrá-lo na cabeça, ela não gostava de sentir-se tão exposta.
– Oh, mas isso é ótimo. — sentou-se no canto da cama e fitou a garota. — pra qual você passou?
Santana olhou para Kurt por alguns segundos e mordeu o lábio inferior.
–... NYADA – respondeu calmamente e viu o garoto arregalar os olhos parecendo extremamente surpreso.
–N-NYADA? Sério? – Perguntou e Santana assentiu – Mas... Desde quando você se interessa por teatro? – perguntou, confuso e Santana apenas deu de ombros enquanto dava um sorriso forçado para Kurt que riu levemente. – Parabéns – ele finalmente disse enquanto inclinava-se para abraçá-la.
– Obrigada. — ela pediu, corando, sabia que estava mais visível do que antes, os remédios a deixavam extremamente pálida.
– Minha garota é incrível, né? — os dois se assustaram ao ouvir uma voz, mas se acalmaram ao perceber que era apenas Charlie, que falou isso com os olhos fechados.
–Yeah, Ela é bastante talentosa – Kurt comentou enquanto via Charlie abrir os olhos e se espreguiçar enquanto fazia uma careta de dor, talvez por estar naquela posição por muito tempo.
–Hummel, você a fez corar – Charlie disse com um sorriso enquanto via Santana ficar mais vermelha, o que fez Kurt rir também. — Own, você é a coisa mais adorável que já vi na vida! — a loira afirmou, se inclinando e beijando os lábios da morena, acariciando suas bochechas magras.
– Não, eu estou feia... Eu sei. — resmungou, fazendo Charlie bufar e passar os dedos pela sua nuca.
– Você nunca seria feia, o que passou te faz ser ainda mais linda. — afirmou, beijando as bochechas de Santana e seu queixo até que ela começasse a rir.
–Ai meu Deus, vocês são estupidamente adoráveis! – Kurt disse, chamando a atenção das duas que riram, ele olhou para Charlie enquanto se perguntava como ela estava lidando com aquilo, era como se as esperanças dela aumentasse cada vez mais, Kurt queria se sentir assim, mas sempre que via Santana, sentia como se fosse a última vez. – E Você Charlie, já sabe pra qual faculdade vai? – perguntou, curiosamente.
–Eu não vou pra faculdade – Santana lhe bateu de leve na barriga – Ai! – Resmungou e revirou os olhos para o olhar serio dela – Eu fui aceita na Carlisle, mas isso não quer dizer nada – disse, fazendo pouco caso.
– Mas ela vai conhecer o campus, e tenho certeza que vai amar! — Santana disse, puxando a loira para sentar perto de si e se aninhando em seu peito, beijando o pescoço da mais alta delicadamente.
– Espero que sim, seria maravilhoso ter as duas na mesma cidade conosco. — Kurt observou, olhando as duas com carinho, elas eram tão adoráveis, ás vezes ele se perguntava se Charlie sobreviveria caso Santana morresse e duvidava muito.
– Só espero que ela não me troque por nenhuma oferecida quando for pra faculdade – Santana resmungou enquanto levantava o rosto, olhando para Charlie que riu levemente a apertou em seus braços, lhe dando um beijo na testa – Anda, Charlotte, Eu quero que você confirme que não vai me trocar... – Disse e a loira a olhou, Incrédula.
–Santana, claro que não vou te trocar! – Zombou – Kurt, o Blaine também é assim com você? – Perguntou divertidamente enquanto indicava Santana.
– Um pouco, depende do humor. — o garoto avisou, sorrindo docemente.
– Charlotte, mamãe me mandou vir te arrastar para casa. — Quinn entrou em rompante, olhando os três com irritação.
– Estou ocupada agora – Charlie retrucou e Quinn arqueou a sobrancelha para a irmã que fez o mesmo. – Não ta vendo?
– Anda logo, Charlotte, eu não tenho tempo pra suas birras – Disse irritada. Charlie revirou os olhos.
–Eu não vou e nem quero ir! – Exclamou, irritada. Santana segurou sua mão.
–Ei, ela tem razão, você tem que ir pra casa – Disse e Charlie a olhou com seu rosto de cachorrinho chutado que fez com que seu coração apertasse.
–Mas San... – Disse parecendo triste.
– Nada de "mas, San..." eu to te expulsando daqui pra tomar um banho e pegar outro livro, já deve ser a quinquagésima vez que lê esse. — a morena mandou, fazendo Charlie a olhar, incrédula.
– Você ta me expulsando, San? — perguntou, mas nesse momento, latina se curvou contra o outro lado da cama, puxou o balde azul e vomitou ruidosamente. – Viu? Eu quero ficar aqui cuidando de você! – Ela disse em seguida enquanto passava as mãos para cima e para baixo nas costas de Santana que tossiu um pouco depois de vomitar.
–Ei, Estou no hospital cercada de médicos e enfermeiras... Eu vou ficar bem – Santana disse calmamente e Charlie apenas assentiu – Você precisa ir pra casa e dormir na sua cama quem com certeza é bem mais confortável que a cadeira – Sorriu levemente e segurou o rosto de Charlie. – Eu te amo...
–Eu também te amo – Charlie disse e lhe deu um beijo na testa – Eu vou voltar mais tarde – avisou – Nem adianta fazer essa cara – Adicionou ao ver o olhar serio de Santana.
Quinn apenas observava as duas, séria enquanto tinha os braços cruzados, Ela estava triste por Santana estar naquela situação e não parava de estar preocupada com a irmã, ela não queria que aquilo terminasse com Charlie de coração partido.
–Anda logo, Charlie – Quinn resmungou, emburrada, fazendo a irmã bufar enquanto se afastava de Santana que apenas sorriu levemente pra ela.
– Cadê a Bethany? Não era pra ela estar com você? — Charlie perguntou, saindo do hospital em direção ao carro vermelho da irmã.
– Tá com a Rachel, elas tão assistindo musicais. — explicou Quinn, enquanto elas entravam no veículo, quando o motor estava funcionando e elas saíam do estacionamento, Quinn olhou o rosto de Charlie e franziu o cenho. — Char... Você já pensou no que vai fazer se... — parou no meio da frase, sem conseguir concluí-la, fazendo a mais nova a fitar em confusão, para só então compreender e parar de respirar, em choque.
– Nada vai acontecer! – A Loira disse, seria enquanto Quinn suspirava – Não acredito que perdeu as esperanças, Quinnie! É a sua amiga naquele quarto de hospital! – exclamou, irritada. Quinn parou o carro e olhou para Charlie.
–Eu sei disso! – Quinn respondeu – Mas antes dela eu penso em você – Explicou – Você sempre saiu por ai correndo atrás da Santana e eu apenas fiquei olhando isso tudo, mas você não é mais uma criança Char, a probabilidade dela morrer agora, enquanto estamos aqui conversando existe! E eu não quero pensar que você pode desistir de tudo por isso, machuca saber que posso perder minha melhor amiga – Quinn respirou fundo e apertou o volante com força – Mas não quero perder minha irmã.
– V-você nunca vai me perder, Lucy. — Charlie sussurrou, olhando das mãos para Quinn. — juntas começamos, e juntas vamos terminar, eu te amo.
– Eu também te amo, Char. — a loira mais velha se sentia como naquela manhã no quarto da irmã quando ela a confessou que gostava de Santana, nem tinha idéia de quantos problemas aquilo lhe traria, mas era só ela e a sua irmãzinha, de novo. Enfim.
– Mas... Eu a amo, ela... Santana é o meu mundo e se ela morrer, eu não posso prometer que vou ficar bem porque nem eu mesma sei.
Quinn olhou nos olhos de Charlie e a abraçou forte, como se fosse à última vez, Charlie retribuiu o braço enquanto controlava a vontade de chorar.
– isso deveria ser mais fácil — Quinn disse — Iríamos para a faculdade, você namoraria com outra pessoa ou continuaria com Santana enquanto eu seguiria minha vida com Rachel e Beth — A loira fungou contra o ombro da irmã — Eu não quero que você sofra, Char... Eu quero que você seja feliz, faça vários amigos, namore, vá nessas coisas de nerd que você gosta... — Charlie riu levemente e apertou Quinn no abraço.
– Acho que coisas fáceis não são pra mim, Quinn — Charlie respondeu. — Santana é o amor da minha vida e mesmo que isso me faça mal, Eu vou estar ao lado dela ate o fim do mesmo jeito que eu sei que você estaria do da Rachel.
– Queria que não tivesse que ser assim. — Quinn sussurrou contra o ombro da irmã, apertando sua camiseta branca com força.
– Nós duas, Quinnie. — sussurrou, limpando uma lágrima em sua bochecha e beijando a da irmã com carinho.
As duas se afastaram e sorriram uma para a outra.
– Okay, vamos pra casa, você precisa de um banho – Quinn resmungou enquanto fazia uma careta para Charlie que a olhou incrédula, lhe empurrando pelo ombro, fazendo Quinn rir. A Loira ligou o carro e acelerou, elas ficaram alguns segundos em silêncio e pelo canto do olho Charlie podia ver que Quinn parecia incomodada com algo. – Char...
–O Que? – Perguntou enquanto olhava para Quinn que mantinha os olhos na estrada.
–Eu... – Começou e respirou fundo em seguida – Rachel me pediu em casamento – disse rapidamente.
– Oh... — o rosto de Charlie estava completamente chocado, ela levou uma mão á boca e então viu o anel no dedo de Quinn. — Oh meu deus! Que anel lindo! Parabéns, Quinn! — gritou, animada, jogando os dois braços em volta do pescoço da irmã.
– O quê?! — a mais velha perguntou, chocada, tentando dirigir o carro sendo abraçada pela irmã. — achei que você fosse ser contra me casar tão nova.
– Quinn, você sabe que eu teria me casado com a San aos treze anos, e tenho a mais absoluta certeza que não teria me arrependido, o jeito que você olha para a Rach é o mesmo que eu olho para ela, podemos ser jovens, mas ou isso é amor ou uma doença muito grave. — a loira falou, apertando Quinn ainda mais.
– Obrigada por me apoiar, Charlie — Quinn respondeu com um leve sorriso.
–Ah! Eu ate imagino vocês duas com o vestido de noiva — Quinn riu da animação de Charlie com o casamento, seus olhos estavam brilhando de animação. — A Beth e o Liam podiam ir até o altar, o Liam leva as alianças e a Beth joga as pétalas, ia ser lindo! — a mais nova falava, com empolgação, Quinn mordeu o lábio e a fitou.
– Na verdade... Err... A gente não queria fazer isso agora, sabe? Talvez daqui a um ano... — explicou, e o sorriso de Charlie se fechou. — tudo bem, né?
– Claro, claro... O casamento é de vocês, afinal... — ela parecia cabisbaixa e meio triste. — é só que... Santana pode não poder ir até lá... Quer dizer... O pai dela pode não deixá-la sair do hospital e tudo mais...
–Ei — Quinn chamou — Nada de perder as esperanças, lembra? — Quinn sorriu levemente para Charlie — Agora... Eu fiquei sabendo que você vai pra Carlisle — Disse e Charlie suspirou.
– Santana já te contou? — Charlie resmungou enquanto Quinn estacionava em frente à mansão dos Fabray. Charlie desceu do carro, meio triste e correu para o seu quarto, York e Hugo estavam dormindo na cama abraçados (Hugo fora o único filhote que a loira ficara), tomou um banho e caiu na cama, realmente estava exausta de dormir naquela cadeira.
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