Being A Happy Family
62 Cap. 61 | Lima, Ohio | 2012 | Life sucks!
– Ok, então, Ms. Matthews, os resultados dos seus exames acabaram de chegar, parece que o seu bebê está saudável, só temos alguns problemas que eu acredito que teremos que monitorar... — o médico ruivo entregou os exames para Katherine, que estava sentada na cadeira e o olhava atentamente enquanto Finn ao seu lado brincava com uma caneta. — que é a sua pressão, que está relativamente alta, vou passar uma dieta controlada e algumas vitaminas e comprimidos para controlar isso. — Kate chutou a perna do namorado por debaixo da mesa, o que o fez se sobressaltar e bater o joelho com força no vidro da mesa do médico.
Finn olhou para a namorada e corou com o olhar serio dela e prestou atenção no que o médico dizia, suas mãos estavam suando e ele entendeu pela primeira vez como Puck se sentiu no segundo ano, ser pai realmente era uma coisa difícil, ele estava pronto, ele sentia isso, mas não poderia criar uma criança tendo apenas 18 anos.
– Ei – Kate o chamou pela primeira vez desde o momento que saíram do consultório – Você parece pensativo – disse enquanto segurava sua mão, Finn suspirou.
–Eu... Eu sinto que estou pronto sabe? Para ser pai, levar a criança para a escola, dar carinho, contar histórias – Finn disse e sentiu a garota ficar tensa ao seu lado – Podemos ser uma família. – adicionou enquanto a olhava.
– Ainda estamos no ensino médio, você sabe. – Kate disse e suspirou – Já falamos sobre isso, Finn. – disse e voltou a ficar em silêncio.
– Eu posso... Cuidar dele pra você, já conversei com a minha mãe sobre isso, ela acha que vou me arrepender, e eu acho que nós dois vamos... E não é como se fosse impossível, quer dizer, olha só a Quinn, ela teve uma filha aos 16 e até pensou em dá-la, mas hoje ela está feliz e tenho certeza que não se arrepende de ter mantido a Beth, mas enfim, minha mãe me disse, que eu e ela poderíamos tomar de conta do bebê e você pode visitá-lo, só se quiser, eu te amo, Kat, e ele te ama também, ele é seu filho, nós podemos esperar até que você esteja pronta, quer dizer, você pode não querê-lo, mas eu quero, então... Eu quero que você... Me dê... Meu filho, até que possa criá-lo, quer dizer... Você já pretendia dá-lo para uma família qualquer, então... O pai dele seria bem melhor. — Finn disse em um só fôlego, fazendo os olhos azuis de Katherine se encherem de lágrimas, ela limpou o nariz com a manga da camisa e o olhou nos olhos.
– É uma menina. — revelou, chorosa. — você está certo, ela é sua filha... Mas eu não quero que me esperem, você tem todos os direitos de criá-la se quiser, mas não quero que ela e nem você sofram me esperando para algo que provavelmente nunca estarei pronta para ser, se você quiser, ela é sua, mas eu não terei contato, prefiro assim.
Finn apenas assentiu e a abraçou fortemente enquanto lhe tava um beijo na testa enquanto segurava as lágrimas.
– Seria estúpido dizer que já posso imaginar uma garotinha correndo por ai? – Perguntou e Kate riu baixou contra seu peito – Vai ficar tudo bem. Ok? – O Rapaz disse com um meio sorriso.
–Ok – a morena respondeu e o abraçou fortemente.
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– E Então? – Santana perguntou enquanto Charlie tinha seus olhos fixos na bolsinha de pano – estou esperando sua resposta – adicionou, seria e Charlie engoliu em seco.
– Eu não usei nada, San... Eu juro. — a loira olhou no fundo dos olhos castanhos e Santana pôde ver um pouco de angústia e também sinceridade naqueles orbes verdes, aquilo fez seu coração derreter um pouco e ela se inclinar para mais perto de Charlie. — eu só... Um amigo me deu... E eu... Eu guardei no bolso... Não sei porquê estava andando com isso, mas juro que não usei.
– Eu acredito em você... Só... Só jogue isso fora, ok? — a morena fechou os olhos e empurrou o pacote de volta para a loira. — não consigo imaginar um mundo em que você se machuque dessa forma, Char... Eu nunca me perdoaria.
– Eu n-nunca faria algo assim – Charlie disse enquanto brincava com os próprios dedos e evitava olhar para Santana – eu aprendi na primeira vez – adicionou e Santana assentiu
–Por que fez isso? – Santana perguntou e Charlie a olhou – Você sabe... A Maconha... – Esclareceu e Charlie tentou pensar numa resposta.
– eu não sei – Charlie disse e Santana franziu o cenho – Só queria algo para aliviar esse vazio que eu sinto – adicionou e Santana sentiu uma imensa e inesperada culpa lhe atingir.
– O que você quer que eu faça, Char? — a morena acariciou a bochecha rosada da garota abaixo de si, se aproximando um pouco mais para olhar melhor nos seus olhos.
– Me ame. — os olhos verdes da loira se encheram de lágrimas e ela colocou as mãos nos braços morenos. — me ame como eu te amo, fique comigo.
– Por que você quer isso, Charlie? — a latina sentiu uma lágrima cair de seus olhos e a secou com rapidamente com as costas da mão. — eu vou morrer, você não entende?! Eu prometi nunca te magoar e agora eu vou te magoar de uma forma que provavelmente nunca vai se recuperar, eu sou bulímica, eu sou explosiva, eu não me sinto sequer como se fosse um ser humano ás vezes, Char... Como é que algum dia você pode receber de uma pessoa como eu tudo isso que você precisa, Charlie?
– Você é o que eu preciso, eu quero você, eu amo você – Charlie disse enquanto segurava o rosto de Santana em suas mãos – eu não posso mais ficar sem você – completou.
– Eu vou morrer... Eu... Eu não posso te deixar sozinha, Char... – Santana disse com os olhos lacrimejados, Charlie respirou fundo.
–Eu não posso viver em um mundo onde você não exista – Charlie disse baixinho e Santana franziu o cenho, não entendendo seu tom de voz.
– Espere, Charlie... Você quer dizer?
– Se algo acontecer com você eu não sei o que eu faço! – a loira disse ofegante, quase em pânico – eu não posso viver se você não estiver aqui...
–Charlie... Me escuta – tentou chamar a atenção da loira, ela não estava planejando o que ela estava pensando, não é? Charlie não faria algo assim. — Eu gostaria de fazer mais por você... — a morena se inclinou e beijou os lábios de Charlie delicadamente, fechando os olhos ao sentir a pele clara e macia dos lábios rosados da loira. — Não faça nada disso, está bem, Char? — a voz da morena era apenas uma fração de sussurro, tão baixa que Charlie quase não ouviu, passando as mãos levemente pelas costas da latina, tentando acalmá-la, a mão espalmada na pele para sentir o calor. — Eles precisarão de você.
– eles vão precisar de você também – Charlie disse com os olhos lacrimejados – eu não quero ficar sem você – disse e abraçou a latina fortemente. – eu não quero viver sem você.
–Me escuta – Santana disse mais uma vez e segurou o rosto de Charlie – Lembra quando o George morre em as relíquias da morte?
–Quem morre é o Fred – Charlie corrigiu e fungou em seguida. Santana sorriu.
–Isso! Se você morrer, Quinn vai se sentir como George quando perdeu o Fred, Entende? – A Latina perguntou e Charlie pareceu pensativa – É Como se todo espelho fosse... Um espelho de Ojesed pra ela – completou
– Ela tem a Rachel, se ela me tiver também, ela vai ter a Rachel e a mim, mas eu não vou ter ninguém porque você não vai mais estar aqui e aí eu não vou servir para nada porque não serei mais eu, porque eu não sou ninguém sem você. — o lábio inferior de Santana tremeu enquanto ela olhava nos olhos verdes angustiados, parou de apagar as lágrimas e as deixou correr livremente pelo seu rosto, algumas sendo enxugadas pelos dedos pálidos de Charlie. — você é o Fred do meu George, se você morrer, todo espelho será um espelho de Ojesed para mim. — a morena se agarrou ao pescoço da loira e pela primeira vez desde o diagnóstico, chorou como quem está encarando a morte de frente, Charlie pegou a jaqueta que tinha jogado no chão e cobriu seu corpo moreno, a abraçando com força. — eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo... — ela repetia no ouvido da garota enquanto a puxava para seu colo e a balançava para frente e para trás.
Charlie deitou lentamente com Santana e elas ficaram lá, em silêncio enquanto tentavam pensar em qualquer coisa que não fosse ficar uma sem a outra.
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Voltar para Lima foi a pior parte para Santana, primeiro por começar com o tratamento sendo que ela só estava querendo ficar em casa e esperar pela morte, a segunda coisa seria ter que contar a todos o que estava acontecendo com ela e aquilo estava lhe deixando nervosa.
Principalmente Brittany, a loirinha merecia saber e o simples fato de pensar em dar uma notícia como aquelas para uma pessoa tão inocente e otimista como Britt partia sem coração em milhões de pedacinhos, seu pai passava agora noites e noites em claro no seu escritório, procurando por formas de salvar sua única filha, lendo e pesquisando sobre tudo que fosse possível ser feito, Charlie não havia dormido durante nenhum dos dias da viagem, ela apenas abraçava Santana e ficava lá, olhando-a dormir, tentando ao máximo decorar cada pequeno detalhe de seu rosto para se nunca mais pudesse vê-la novamente, a latina decidiu que pediria a Mr. Schue para chamar todo o Glee Clube menos Charlie e Brittany, assim ela poderia dar a notícia com mais calma para Brittany mais tarde, e não achava que Charlie fosse forte o suficiente para ouvir suas chances mais uma vez.
Quando ela entrou na sala e viu todos aqueles olhos a encarando, sentiu que não seria nada fácil, todos pareciam preocupados e ela mal conseguia olhá-los nos olhos, então decidiu explodir a bomba de uma vez.
– Eu tenho câncer. — falou, limpando uma lágrima que começava a sair enquanto todos assumiam uma expressão de susto. — é um melanoma raro, e está em estágio avançado, existem 5 estágios de câncer, no primeiro e no segundo, os médicos falam, não para você, pois segundo meu pai, médicos não devem dar esperanças, porque sempre há reviravoltas, e dar esperanças quando não há mais jeito é cruel, eles falam: "seremos agressivos e essa pessoa ficará boa", no segundo e no terceiro eles falam: "isso é uma corda bamba, mas esse paciente é forte e vai conseguir", e no quarto e quinto eles falam: "coloquemos o tratamento mais fraco, temos que deixar o paciente confortável, as chances são baixas. E as minhas são de exatamente cinco por cento...
Todos pareciam processar as novas informações, Quinn segurava a mão de Rachel e parecia prestes a chorar, até Puck, que estava no fundo da sala, tinha os olhos levemente marejados, mas ainda ostentava a expressão seria. Finn estava... Ele estava realmente chorando enquanto Katherine tinha uma mão em seu ombro.
– Isso não é nem um pouco justo – Puck disse, fazendo todos o olharem – a vida é uma merda – completou enquanto respirava fundo, seus olhos estavam brilhando por conta da lágrimas não derramadas.
– Sim, ela é. — a latina disse cabisbaixa, olhando para todos os rostos ali e então para as cadeiras vazias de Charlie e Brittany, sentindo seu coração apertar.
– Bem, acredito que essa será uma ótima oportunidade de mostrarmos nosso apoio para um de nossos membros, quero que vocês apareçam com músicas e a dediquem para Santana, músicas que a ajudem nesse momento tão difícil. — Mr. Schue falou, pegando o seu pincel e escrevendo "músicas sobre morrer" no quadro, então todos começaram a falar ao mesmo tempo, fora Rachel, Quinn, Kurt e Blaine, que apenas encaravam a morena parada ali, até que ela se virou e foi embora, sem nem mesmo que eles notassem, andou pelos corredores vazios até as arquibancadas, se sentou lá e ficou olhando para o campo, a imensidão verde.
– Hey... — olhou para o lado e Kurt estava ali, parado com um pequeno sorriso para ela. — sinto muito por aquilo tudo lá dentro, não foi muito legal da parte deles.
– Parecia que eu já estava morta. — a morena constatou, enxugando uma lágrima em sua bochecha e abraçando o próprio corpo enquanto o garoto sentava ao seu lado. – Eu não quero machucar ninguém – completou enquanto cobria o rosto com as mãos.
–Nós não podemos escolher quem vamos machucar ou não, Santana – Kurt disse, sério – é algo que acontece sem que nós percebamos, Mas quero dizer que você não esta sozinha – A Garota o olhou, seus olhos vermelhos e as lagrimas correndo livremente pelo seu rosto – Você tem amigos, família, uma namorada e pelo jeito que o Puck estava quase chorando, você também tem a ele – comentou, fazendo a garota rir e abraçá-lo, seu riso se transformou em um choro desesperado e ele a abraçou forte enquanto sentia o corpo dela tremente e os soluços aumentarem.
– Você é legal, Lady Hummel. — primeiro ele franziu o cenho para o apelido, mas logo depois a apertou contra si quando um soluço escapou de sua boca, percebendo que era apenas uma forma de se proteger quando ela se sentia vulnerável.
Mais tarde, Brittany foi até a casa dos Lopez, sentou-se na cama de lençóis escuros e ouviu em silêncio a tudo o que a pequena latina tinha a dizer, o quarto parecia abafado, o silêncio, as lágrimas, a tristeza, tudo parecia demais para as duas, Santana apenas a abraçou e as duas dormiram abraçadas na cama, Brittany não conseguira chorar, nem mesmo uma lágrima descera de seus olhos azuis, ela não conseguia acreditar que aquela menina sorridente, cheia de vida e linda teria que passar por isso, só não conseguia, e durante a noite, a loira apenas encarou as estrelas brilhantes coladas no teto do quarto, apertando a latina para o mais perto de si quanto podia.
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