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8 Capítulo 8 - David


Após Tina me confrontar no baile, decidi que não iria contar nada para proteger Camille. Olívia foi me buscar e fiquei a esperando no estacionamento.

— Olívia o que aconteceu? Por que demorou? O para-choque do carro está todo amassado – digo

— Eu bati em um cervo ali na estrada, estava escuro e eu não vi, mas está tudo bem, nada aconteceu comigo, nem com o bichinho.

— Que horror, ainda bem que Deus nos protege nesses momentos

Ao chegar em casa liguei várias vezes para Peggy mas ela não me atendeu, deixei milhões de recados na caixa postal, após as tentativas decidi dormir.

— Christine, acorde – diz meu pai batendo na porta logo de manhã

— Oi pai, o que foi?

— Tem um oficial de polícia na porta, você precisa ir à delegacia, prestar esclarecimentos.

Eu não sabia do que se tratava, ninguém sabia e foi um choque quando soube

— Então senhorita Williams, sua amiga Peggy está desaparecida, achamos o celular dela perto colégio, o celular estava com a tela quebrada mas conseguimos dar uma olhada e recolher digitais, e a última pessoa que ela ligou foi você, além dos seus inúmeros recados na caixa postal, a senhorita sabe me dizer onde estaria Peggy Daniels?

— O que? Ela sumiu desde quando?

— Ontem à noite, como dissemos, foi a última que ela contatou.

— Eu não sei onde ela está, na ligação ela disse que iria embora para casa, ela ficou brava no baile após uma conversa com Jayden

— Jayden? Jayden Brown?

— Sim

— Recolhemos as digitais dele e precisamos das suas também, pra ver se combina com as digitais achadas no celular.

— Claro, vou dar minhas digitais

— Jayden Brown, também deixou mensagens na caixa postal dela, sabe me dizer o que aconteceu ontem senhorita?

Após contar tudo que sabia, e toda a história, os policiais começaram a investigar e me liberaram, meu pai me deixou em casa e foi para o trabalho.

— Oh querida, eu soube que sua amiga sumiu, saiba que se precisar eu estarei aqui, posso te levar onde quiser para tentar achá-la, ela era tão legal, uma linda modelo plus size – diz Olívia me abraçando

— Obrigada Olívia, mas agora eu preciso tomar um banho para tentar entender tudo isso, e depois acho que vou até a casa dos pais dela.

Enquanto eu estava tomando banho ouvi conversas lá embaixo. Ao sair do banheiro me deparo com meu pai ali parado e Olívia sem reação nenhuma.

— Pai, o que aconteceu?

— Eu fui trabalhar, mas quando cheguei na construção, os funcionários tinham achado algo no meio da escavação, chamamos a polícia e... eu sinto muito Christine, era o corpo da sua amiga.

Me sento no chão e choro incontrolavelmente, Peggy havia morrido, ninguém sabia como, ou porque, mas eu sei que eu deveria estar com ela, se eu não tivesse deixado ela ir embora, se eu não tivesse deixado ela sair do ginásio, nada disso teria acontecido.

Sou chamada novamente na delegacia, e claro, o desaparecimento tinha se tornado um homicídio, precisavam de novos depoimentos para montar um caso, e eu faria de tudo para ajudar. No caminho da delegacia, faço uma oração, para minha mãe me ajudar e Deus me mostrar uma luz para a resolução do caso.

— Ok senhorita Williams, aqui novamente, vamos fazer simples perguntas, não fique nervosa. Quem você acha que seria capaz de matar sua amiga, ela tinha algum inimigo? – me pergunta o policial

— Bom, como eu te disse mais cedo, havia Nia Brown que competia com ela no coral, Valentina Rodriguez que está grávida do ex de Peggy, e Jayden Brown o ex dela com quem ela conversou pessoalmente por último, fora isso o resto era distante, tinha Penélope Casanova mas elas nunca chegaram a ter um conflito direto, não acho que ela faria.

— Bom, anotamos os nomes, e vamos procurar investigar. Agora, o corpo foi encontrado na construção de seu pai David Williams, milhares de km do colégio, você já foi ao local, conhecia?

— Não exatamente, eu vi fotos, mas nunca fui.

— O horário das chamadas diz que você falou no telefone com Peggy as 21:54, o crime foi cometido algum tempo depois, pode me dizer aonde você estava depois desse horário?

— Eu conversei um tempo com Jayden e Valentina cerca de 5 minutos e depois esperei minha madrasta Olívia no estacionamento por cerca de uns 30 a 40 minutos

— Alguém viu você nesse tempo? Pode provar?

— Espera, vocês não acham que sou suspeita, acham?

— Você disse que conversou com Jayden e Valentina, mas relatou pouco atrás que eram inimigos seu e de Peggy, então por que estaria conversando com eles?

— Sobre a gravidez, ela não queria contar para ninguém e eu sabia

— Como a senhora sabia da gravidez, se não tinha contato com eles?

— Pela minha madrasta Olívia e minha irmã Camille, Camille é próxima de Tina.

— Como eu perguntei antes, alguém pode provar que a viu no horário?

— Tem câmeras no colégio, eu devo aparecer nelas.

— Ok, vamos checar, por enquanto, obrigado.

— Eu queria saber... como foi a morte dela?

— Não sabemos a causa da morte ainda, o laboratório está analisando, mas pelo jeito que foi encontrada com o vestido rasgado e sem calcinha, aparentemente morta e estuprada, não havia sinal de sangue no estupro, então me parece que ela foi estuprada depois de morta, o estado dela era horrível, várias pancadas na cabeça e no rosto, seu rosto estava quase deformado e seu tórax tinha ossos quebrados, seja quem fez isso, estava com muita raiva.

Dias se passaram, como a construção era cena de crime, meu pai não podia trabalhar, então foi quando ele conseguiu transformar o tal escritório no meu próprio quarto, no dia que ficou pronto eu entrei nele e não sai mais, e nem vi Camille mais também. Eles ainda não haviam dado nenhuma resposta, e concidentemente ou não, a câmera do estacionamento que estava virada para mim, era a única que não estava funcionando aquela noite, então eu ainda era uma suspeita.

— Christine, tem um amigo seu na porta – me chama Olívia

— Jayden? – digo chocada ao vê-lo

— Precisamos da resposta para esse caso – me diz ele com uma expressão desesperadora

— Eu já tenho ela, foi você

— Não foi eu, eu jamais a machucaria.

— Ela foi estuprada, você era o único homem próximo dela.

— Ela não foi estuprada, o corpo estava posicionado para que parecesse um estupro, mas não foi, mataram ela a pancadas.

— Como você sabe de tudo isso?

— Meu pai perguntou a um amigo dele que está trabalhando no caso e ele falou que não haviam sinais de estupro na autopsia, eu sei todas as informações, então se quiser a resposta tanto quanto eu, vai precisar de mim.

— E por que você precisa de mim? Se já sabe tudo?

— Por que você era a pessoa mais próxima dela

— E se tiver sido eu?

— Não foi você, não mataria uma mosca.

— Eu fico estonteantemente ofendida, mas é verdade.

Jayden e eu começamos a juntar as provas e pensar nas probabilidades, eu estava desconfiando dele, mas o mesmo tempo precisava de ajuda, então precisava confiar nele também.

— O que eu sei até agora é, o corpo foi encontrado na construção do seu pai dentro de um buraco, espancado e posicionado para parecer que foi estupro. – diz ele

— Meu pai disse que naquele dia, o buraco seria tampado com concreto, então se não tivessem visto o corpo antes, teria sido ocultado para sempre. – Digo

— Alguém então sabia sobre a obra, e essa pessoa provavelmente saberia que o concreto seria jogado lá, mas quem poderia saber?

— Qualquer pessoa, desde os funcionários aos engenheiros...

— Camille sabia disso?

— Não, ela não conversava com meu pai, além de ela nunca ter ido lá.

— Christine, temos que pensar nela como uma provável suspeita, não adianta defender ela. Sabe pelo menos onde ela estava no horário do crime?

— Não. E você sabe aonde Tina, Nia e Penélope estavam?

— Tina estava comigo, as outras eu não sei.

— Acha que pode ter sido Nia e Penélope? — pergunto

— Eu não sei, talvez, Nia parece estar meio assustada esses dias, se ela não está envolvida, ela sabe de alguma coisa.

— Tentou perguntar?

— Esse é o problema, ela não fala nada, mas tem as mesmas informações que eu, se ela for a suspeita, está um passo à frente da polícia e pode encobrir o assassino.

— Como tem certeza que é um assassino e não assassina?

— Minha irmã e as amigas têm dinheiro, podiam ter contratado alguém, além de que, uma mulher não conseguiria carregar o corpo sozinha.

— Espera, acharam o corpo na construção, que é longe do colégio, então um veículo foi usado.

— Mas fomos todos para o baile de limosine

— Quem contratou a limosine?

— Penélope, duh! – responde ele revirando os olhos

— O pai dela não é mafioso? E se o motorista da limosine foi quem realizou o crime? O trabalho de motorista pode ter sido fachada para ele realizar o crime enquanto vocês estavam no baile.

— Christine, será que achamos o nosso assassino?

—Eu não sei, mas enquanto as digitais do celular? – pergunto

— Eles colheram de todas as meninas e dos pais de Peggy, mas nenhuma digital no banco de dados bateu com a do celular.

— E como funciona essa coisa do banco de dados?

— As únicas digitais cadastradas no banco de dados são as de pessoas que tem ficha na polícia e pessoas que trabalham pro governo, então a pessoa é inexperiente e nunca cometeu nenhum crime...

— Ou, é experiente demais pra não ser pego.