Retorno

Ginny tomava um banho calmo e prazeroso. Seu corpo estava submerso na água perfumada da banheira há horas. Seus cabelos dançavam graciosamente ao redor do corpo dela. Ela mexia na espuma que os sais aromáticos faziam, enfiando os dedos na espuma e fechando-os para que ela sentisse as pequenas bolhas estourarem. Por mais que tudo à sua volta estivesse colaborando para que ela se sentisse relaxada, ela não estava.

A última lua cheia fora na noite anterior, e a qualquer momento Greyback poderia entrar pelo castelo, gritando algo para os elfos ou até mesmo para ela. Ela sabia o que esperar. O humor dele estaria horrível, e o lobisomem faria de tudo para jogar a raiva em cada pessoa ou criatura que se aproximasse.

Ela deu de ombros, tombando a cabeça na porcelana fria da banheira. Respirou fundo, sentindo o cheiro delicioso de flores ao seu redor. Pensou em tudo o que havia feito na noite anterior e por parte da manhã, como se estivesse calculando que fizera tudo certo. Ela guardara os livros nas estantes dentro do cofre. Por sorte, achara o homem do quadro quando voltara da sua excursão pelos jardins na noite anterior, e ele abriu-se novamente para ela guardar os livros. Ela teve uma pequena oportunidade de conversar com ele, e perguntou ao homem da tela como ele sabia o nome dela. Mas ele não respondeu. Sumiu no mesmo momento, de uma forma conveniente demais para ele.

Ela sabia que tinha sido arriscado demais ficar com os livros até na noite anterior. Snape havia lhe dito para fazer as pesquisas no começo da semana, para que Greyback não sentisse o cheiro dela pelo quarto. Mas o homem do quadro não havia voltado, e era praticamente impossível e inimaginável ela ficar com aqueles livros para si. Então ela precisou esperá-lo. Precisou ter paciência. Mas Ginny passou no quarto de Greyback com algumas velas aromáticas e produtos de limpeza, tentando tirar o máximo do cheiro dela dali. Caso o lobisomem perguntasse algo, ela poderia dizer que havia dormido ali uma semana atrás, e por isso o seu cheiro estava pelo quarto. Não poderia?

Não sabia responder. Emergiu da banheira, sentindo sua pele se arrepiar devido ao frio peculiar que aquela noite estava fazendo. Ela passou bons minutos dentro do enorme banheiro, apenas secando seus cabelos e escovando os dentes. Voltou para o quarto a fim de colocar uma roupa. Ginny sentia falta de calças de sarja e blusas. Ali só havia vestidos. Ela colocou um de manga comprida, tentando por meio disso espantar o frio.

Foi nesse momento que um elfo apareceu no seu quarto, como se estivesse apenas esperando a garota deixar de estar nua. Ele parecia nervoso ao olhar para ela. Fez uma reverência rápida e logo apontou para a porta.

– O mestre está aqui. Ele quer vê-la.

Ela sentiu todo o seu corpo se arrepiar e corresponder à informação no mesmo momento. Ele estava ali novamente, enfim. Ela assentiu e o elfo gesticulou para que ela o acompanhasse. Ao contrário do que Ginny pensou, a criatura não a conduziu para o quarto de Greyback, mesmo que tivessem subido as escadas, mas gesticulou para uma porta grande e escura. Ela assentiu e ele desapareceu. Ela nunca havia entrado por aquela porta. Respirou fundo e envolveu a maçaneta com a mão trêmula, virando-a e abrindo a porta para entrar no cômodo.

Era uma sala grande, mas ali não possuía muitos móveis. Apenas algumas estantes e um sofá pequeno. Ele estava sentado ali, de frente para a lareira, que era a única fonte de luz do cômodo. Mas a sala estava muito clara, Ginny sabia que a lareira era encantada para que isso acontecesse. Dois elfos estavam em volta dele, um passava uma gaze em um dos cortes do braço dele e outro estendia um frasco com uma poção transparente. Greyback bebeu tudo rapidamente.

Ela se aproximou do sofá, ficando um pouco afastada dos elfos. Mas estava próxima o suficiente para perceber como Greyback estava. Ela arfou, seus olhos correndo por toda a pele dele. Havia cortes ali. Muitos. Alguns pequenos e superficiais. Outros mais profundos e maiores. Ele parecia ter dificuldade para respirar, e pela primeira vez parecia cansado.

Acenou brevemente com o braço.

– Deixe-nos.

Ordenou aos elfos, que fizeram uma reverência e com um estalo desapareceram do cômodo, deixando os dois a sós depois de uma semana.

– Aproxime-se, garota. – ele ordenou novamente.

Ginny se aproximou, observando-o melhor daquela vez. Os olhos cinzentos haviam voltado, assim como a expressão maliciosa e ruim. Ela não quis pensar muito nisso. Ele gesticulou para o frasco de poção vazio.

– Tomei a poção da cura para que os ferimentos se fechassem rapidamente. Infelizmente, até mesmo essa poção demora a fazer efeito no meu corpo... – ele a olhou atentamente. – Ent...

– Merlin, você está horrível.

Antes que ele pudesse terminar a frase, ela o interrompeu. Pela primeira, ela o interrompeu. Ela se aproximou dele, sentando-se ao lado dele no sofá. Suas mãos foram decididas em direção ao frasco onde continha o líquido que ela devia passar nos ferimentos. Ela encharcou um pequeno pano que estava ali e começou a pressioná-lo no braço dele levemente e com uma delicadeza surpreendente.

Fenrir achou aquilo no mínimo estranho. Ia ordenar para que ela fizesse justamente o que ela estava fazendo. Mas ela se adiantou. Ele não proferiu uma palavra, deixando o momento extremamente desconfortável por causa do silêncio. Mas ela não parecia se dar conta daquilo, sua atenção estava focada apenas em pressionar o pano nos cortes dele, como se ela estivesse verdadeiramente preocupada com a situação que ele estava e com os machucados que estavam no seu corpo.

Ele ficou imóvel, apenas sentindo os dedos dela pressionarem o braço dele. E foi aí que ele sentiu. Algo bem estranho e extremamente novo. Seu corpo relaxou vagarosamente e ele pegou-se apreciando o contato que a mão dela fazia em sua pele. Como se os dedos dela estivessem acariciando o seu braço. Ele se repreendeu com o que sentiu, e automaticamente puxou levemente o braço, tentando sair do toque dela.

Ginny retirou as mãos em um segundo, o olhando atentamente no processo. Achou que tinha o machucado. Ele percebeu isso.

– Continue.

Ele ordenou, sentindo-se mais no controle da situação com aquilo.

Ela voltou a tocá-lo, encharcando novamente a flanelinha e a pressionando no braço dele. Percebeu a poção da cura fazendo efeito. Alguns cortes menos profundos já estavam se fechando, formando apenas uma linha fina e esbranquiçada, para depois sumirem completamente. Os cortes mais profundos estavam demorando mais a fechar, mas logo ela sabia que eles tomariam o mesmo caminho que os cortes pequenos.

Ela retirou a mão do braço dele, correndo a flanelinha para o peito largo, pressionando os cortes maiores ali. Ginny sentiu seu corpo estremecer. Era praticamente digno de pena alguém se submeter a isso todo mês. A respiração dele ficou mais ruidosa, como se ele estivesse sentindo dor. Mas ela não tirou o pano dos cortes. Tampouco o olhou. Sentia os olhos cinzentos cravados em si, e temia olhá-lo e descobrir algo por trás daquelas orbes maliciosas.

Fenrir apenas a observava. Sentia seus cortes se fechando por causa do efeito quase imediato da poção. Mas os cortes mais profundos insistiam em permanecer abertos. Doía, mas era uma dor suportável, e felizmente ele estava acostumado demais com ela. Os dedos da ruiva também faziam um belo trabalho, acariciando-o levemente enquanto as mãos pressionavam partes do peito dele. A sensação estranha voltou ao corpo dele e ele achou que não iria suportar aquilo novamente.

Levantou-se em um salto, assustando-a.

– Vou tomar um banho.

Ele caminhou até a porta, saindo do cômodo. Ginny deixou tudo ali onde estava, seguindo-o rapidamente. Os dois entraram no quarto quase no mesmo momento. Greyback fechou os olhos e respirou profundamente quando entrou no cômodo. Ela fechou a porta atrás de si.

Ele se aproximou da cama, fazendo um movimento com o rosto como se estivesse literalmente farejando algo. Depois o rosto dele foi percorrido por um sorriso malicioso. Ele virou-se para ela, olhando-a com atenção e ironia.

– Sentiu tanta a minha falta, garota?

Ele apontou levemente para a cama e Ginny sentiu todo o seu corpo estremecer. Mas naquele momento, Greyback ficou imóvel, seu rosto virou-se levemente em direção ao quadro que ficava ali perto, e ele respirou profundamente. Ela achou que ia enlouquecer. Não restavam dúvidas de que ele captara o aroma dela ali, mas parecia farejar um pouco para ter certeza, ou não queria acreditar no que estava sentindo.

– O seu banho já está pronto.

Ela disse, tentando tirar a atenção que ele estava dando ao redor do quadro. Ele virou-se novamente para ela. Ela esforçou-se para permanecer indiferente.

– Me espere aqui.

Ele ordenou. Ela assentiu, sem pestanejar. Quando ele entrou no banheiro e fechou a porta atrás de si, ela permitiu-se respirar fundo e passar as mãos nos cabelos lisos. Não sabia o que fazer. Na certa o cheiro dela ali estava mais forte do que ela esperava, senão ele não teria sentido com tanta facilidade.

Ela permaneceu onde estava, apenas esperando o lobisomem sair do banheiro. Andou de um lado para o outro, evitando se aproximar novamente do quadro. O homem da tela não estava lá. E parecia estar ausente por dias. Na verdade, depois de pensar com cuidado, ela percebeu que era raro vê-lo ali, dentro da moldura.

Quando Ginny escutou o clique da porta, virou-se em direção a ela. Greyback saía do banheiro, apenas uma toalha negra amarrada debaixo da sua cintura cobria o seu corpo. O cabelo dele estava molhado, algumas gotas de água corriam pelo peito, chegando até o tecido da toalha, outras caíam do braço diretamente para o chão.

Por mais que o corpo dele fosse imenso e algo difícil de ignorar, não foi isso que chamou a atenção dela. Os cortes pareciam terem piorado por ele ter ficado tanto tempo na banheira.

– Você está todo machucado.

Ela disse. Fenrir percebeu o pesar por entre as palavras dela, como se ela estivesse triste por ele estar daquele jeito. Achou aquilo extremamente estranho. Ela se aproximou dele, ficando a centímetros do corpo imenso. Com certa relutância, ergueu o braço e tocou timidamente com os dedos um corte no abdômen dele que estava quase fechado, formando uma linha fina e esbranquiçada. Talvez uma nova cicatriz.

O corpo de Fenrir estremeceu levemente. Não de dor. Já não sentia mais dor. Mas de desejo. Desejo por ela. Ginny retirou a mão no mesmo momento, achando que o estremecimento fora de dor.

– Me desculpe. Você precisa passar uma pomada nos cortes.

Ela pautou, virando-se a fim de ir até ao outro cômodo e pegar uma pomada na cesta onde estavam os remédios. Mas antes que ela pudesse dar os primeiros passos, sentiu a mão forte dele envolver o pulso dela. Relutantemente, temendo que ele pudesse ter juntado as peças e descoberto que ela estivera ali fuçando nas coisas dele, ela se virou, fitando-o com atenção.

– A pomada pode esperar.

Ele disse. E o que ele fez a pegou totalmente desprevenida. Ele a puxou tão rapidamente de encontro ao corpo dele que ela se desequilibrou, mas os braços fortes dele a impediram que ela caísse no chão. Ele a pegou no colo com extrema facilidade, como se ela pesasse não mais que uma pluma.

Ginny circulou a cintura dele com as pernas, no mesmo momento em que ele caminhava em direção à cama, sustentando-a com uma mão enquanto a outra desatava o nó da toalha que estava amarrada em seu corpo.

Ele a jogou na cama com violência e sem nenhum cuidado. Mas ela apenas sentiu o contato rápido e forte de suas costas com o colchão fofo. Ele se aproximou, suas mãos enormes correndo pelas pernas trêmulas dela, subindo o vestido dela no processo. Ela começou a sentir seu coração bater mais rapidamente dentro do peito e fechou os olhos quando o tecido do vestido foi rasgado com facilidade, junto com o tecido da lingerie.

Greyback não era um homem paciente, principalmente quando queria tanto tomar um corpo. E ele a queria com tanta intensidade naquele momento que se assustou. O corpo nu e delicado dela apenas fez com que ele salivasse, e ele não pensou duas vezes antes de se aproximar dela, que abriu as pernas automaticamente para recebê-lo. Ele encaixou-se ali, como se pertencesse àquele lugar, e deixou um pouco do seu peso cair sobre ela, no mesmo momento que movimentava o quadril fortemente e a penetrava sem pudor.

Ginny fechou os olhos, entreabrindo os lábios e sentindo o membro dele preenchê-la depois de tanto tempo. Não havia percebido como sentira falta daquele corpo, como sentira falta do cheiro peculiar que ele tinha, mesmo depois de um banho demorado. Como sentira falta do peso dele e dos braços enormes a abraçá-la sem nenhum traço de afetividade. Dos lábios dele devorando cada parte da pele dela que ele conseguia alcançar, no mesmo momento em que ele mexia o quadril vorazmente.

Ela espalmou as mãos no peito dele, forçando-o para cima. Com um pouco de relutância ele cedeu, e virou-se na cama, deixando-a por cima dele. Permaneceram ali por alguns minutos. Os olhos cinzentos dele a fitavam com real surpresa e interesse, mas ela conseguia observar como as orbes estavam em fogo. Timidamente, ela começou a mexer o quadril.

As mãos dele apertaram de forma rude as coxas dela, e à medida que ela se entregava totalmente, mexendo os quadris de acordo com o seu próprio prazer, ela sentia os dedos dele se fecharem em sua carne, a ponto de machucá-la. E não se importava com aquilo.

Ela não precisava pensar muito para saber que era o seu lado companheira falando naquele momento. A necessidade de sentir o corpo dele, a excitação ao sentir o membro dele penetrá-la. Tudo aquilo estava a deixando louca. Ela se entregava a ele sem medo daquela vez, sentindo-se menos culpada por saber que aquela atração absurda e suja era comandada por um instinto que não estava no controle de ambos.

– Sabe um ponto positivo dos dias após a lua cheia, garota?

A voz dele saiu rouca, como se ele tivesse se concentrado demais para conseguir terminar a frase. Com ela ali, mexendo-se sensualmente em cima dele, Fenrir precisou de todas as suas forças para ao menos tentar abrir a boca e falar. Ela o olhou com atenção.

– Não...

Ela parou de fazer os movimentos, temendo que ele iniciasse uma brincadeira maldosa e perigosa demais para ela naquele momento. Mas ele apenas se sentou, abraçando-a no processo. A boca dele foi em direção ao ouvido dela.

– Usei todo o meu lado lobisomem ontem. – ele mordiscou levemente a pele do pescoço dela, fazendo-a se arrepiar. – Posso mordê-la à vontade, sem temer que você vire alguém da minha espécie.

Antigamente, dizer que aquilo a excitou seria algo absurdo, mas naquele momento parecia tão certo, tão comum. Ela gemeu levemente e ele entendeu aquilo como um convite. Ginny tombou a cabeça, expondo totalmente o pescoço. Fenrir não pensou duas vezes antes de encostar seus lábios ali, mordendo-a fortemente no processo.

Ela arqueou-se de encontro a ele, retomando vagarosamente os movimentos do quadril. Ele sentiu uma onda elétrica e até mesmo perigosa correr o corpo dele, como se mordê-la fosse sinônimo de marcá-la. Marcá-la como sua. Ele lambeu a parte da pele onde havia mordido. Ela sentiu a pele arder, mas não se importou com isso, seus movimentos ficaram mais intensos, no mesmo momento em que ele a prensava de encontro ao corpo enorme dele, uma das mãos entrando facilmente pelos fios ruivos, enquanto outra apertava a carne da cintura delicada.

E chegaram ao prazer no mesmo momento. Ela sentindo todo o seu corpo se eletrificar, ele também. Mas ela sabia que aquilo era devido à ligação que ela tinha com ele. Uma ligação que ela nunca poderia controlar. Ele achou que tal sensação forte em seu corpo era apenas pelo fato de estar sem tocá-la por tanto tempo. Mas não pensou muito nisso.

Não se importavam. Estavam completos.

E satisfeitos.