Movimentação

A minúscula casa onde a família Weasley estava se escondendo conseguiu ficar ainda mais apertada com o número de bruxos que recebeu durante a semana. Alguns não eram conhecidos, mas conheciam amigos de época diferentes e estavam foragidos assim como eles, e queriam vingança pelos entes queridos e parentes mortos na guerra. Tinham se voluntariado a lutar ao lado da rebelião para que, pela última vez, o mundo bruxo pudesse ser livre do preconceito e de uma massa opressiva.

A família Weasley tinha recebido todos com bom humor e hospitalidade de primeira. Mas mesmo que a casa estivesse cheia de pessoas caladas e pensativas, podia-se sentir com facilidade a inquietação dos presentes. Estavam cansados de se esconder, de morar em lugares pequenos e aglomerados como se fossem ratos ou pessoas indignas. Queriam sair dali e lutar de uma vez. Acabar com aquela ansiedade e dúvida.

Snape percebeu aquilo no momento em que entrou na casa com Hermione em seus calcanhares.

A hora se aproximava e ele não iria conseguir retardar e conter aquelas pessoas por muito tempo, mesmo que estivesse disposto a tentar. Com o Lorde das Trevas atento a tudo, uma possível rebelião poderia se tornar uma carnificina. Ele percebeu também que cada hora passada ali dentro, seria uma desvantagem. A cada minuto passado, o Lorde das Trevas tinha mais sujeição a ganhar. Os Comensais da Morte estavam atentos e buscavam por possíveis focos da rebelião.

Snape até mesmo quase esbarrou com um ou dois ao tentar entrar ali. Sabia que era arriscado, mas precisava ver como tudo estava andando.

Molly se aproximou do antigo professor de Hogwarts, olhando-o com determinação. Ele conhecia vagamente aquele olhar. Ela colocou as mãos na cintura, gesto característico dela. E ele percebeu que se ela fosse tomar uma atitude, ele nunca poderia ser contrário a ela.

– Vou buscar a minha filha, Snape. Nem que para isso eu precise entrar no castelo de Greyback sozinha.

Falou com convicção. Snape respirou fundo, gesticulando brevemente com as mãos.

– Quanto a isso, vocês precisam ter paciência. Não é qualquer um que consegue entrar no castelo de Greyback. Principalmente se o lobisomem estiver atento a tudo que está acontecendo, o que eu lhe asseguro que está.

Hermione, que observava tudo com extrema atenção, interrompeu.

– Não se ele estiver atento a outras coisas.

Alguns Weasley que estavam por perto, assim como Molly e Snape voltaram-se para ela, pedindo com os olhares uma explicação plausível para a divagação da garota. Hermione se adiantou.

– Greyback está frequentando as mesmas reuniões de Snape. Ele não fica dentro do castelo o dia inteiro. – ela lembrou a todos. – Se ele estiver fora, temos uma chance de entrar lá e tirar Ginny daquele castelo.

Um burburinho começou entre os presentes, mas Snape logo tratou de tirar as esperanças de todos ali.

– O castelo é cercado por um labirinto que poucos conseguem passar. Gostaria de saber como vocês fariam isso em tão pouco tempo.

– Você já entrou ali, Snape. – Molly o lembrou. – Não se faça de tolo. Você pode nos ensinar a passar, ou entrar ali a qualquer momento.

– E arriscar o meu pescoço? – ele perguntou. – Se Greyback descobre que usei do meu conhecimento para invadir seu castelo e roubar Ginny Weasley dele, estou morto. Tanto pela varinha dele como pela varinha do Lorde das Trevas.

– Eu vou.

A voz chegou decidida aos ouvidos de todos os presentes, assustando até mesmo os que estavam divagando ali perto. Um silêncio desconcertante se instalou no cômodo da casa. Snape olhou para Hermione com visível confusão. Ela não voltou atrás em sua decisão.

– Eu tiro Ginny de lá. Apenas me diga quando será a próxima reunião.

Molly até tentou dizer algo, mas Snape a interrompeu com um gesto de mãos e olhou atentamente para Hermione.

– Você tem certeza disso? – ele perguntou.

– Absoluta.

[...]

Ginny acordou na manhã do dia seguinte, e antes de abrir os olhos, a primeira coisa que percebeu foi o corpo de Greyback perto do seu, do mesmo modo que ele estava na noite anterior, a abraçando fortemente como se ela fosse fugir a qualquer momento.

Estremeceu. Por mais que tentasse, ainda não havia se acostumado com a presença dele. Principalmente daquela forma, tão íntima e inédita. Greyback era tudo o que representava o perigo e o medo. O corpo dele era enorme, os gestos eram pesados e ele era selvagem demais no modo de falar e de agir.

Aquilo contrastava com ela de uma forma absurda. Ela era frágil, quieta e fazia de tudo para ser a pessoa mais tranquila ali.

Com relutância, ela se desvencilhou do braço forte dele, tentando não acordá-lo com isso. Ela escutou o lobisomem rosnar levemente, como se o corpo dele soubesse que a companheira estava tentando sair de perto dele. Mas ele não acordou. Ela respirou fundo, sentindo-se aliviada.

Com passos pequenos e silenciosos, ela foi até o banheiro e fechou vagarosamente a porta atrás de si, trancando-a e tentando fazer o mínimo de barulho possível. Caminhou até a banheira e abriu a torneira para que ela se enchesse. Enquanto a água corria pela porcelana, ela andou até a pia grande e escovou os dentes, jogando água fria no rosto para espantar o resto de sono que insistia em ficar ali. Amarrou o longo cabelo ruivo em um coque, colocando-o para cima.

Antes que ela retirasse a camisola, um elfo apareceu timidamente ali, fazendo uma reverência e a olhando como se pedisse desculpas pela falta de privacidade.

– Percebemos que a senhora já estava acordada. Deseja que sirvamos o café?

Ginny sorriu para o elfo. Por mais que desconfiasse que as criaturas sabiam da profecia desde o primeiro momento em que ela colocou o pé ali, ela não conseguia odiá-las. Ela assentiu delicadamente com a cabeça, agradecendo-o logo depois. O elfo sumiu na mesma rapidez em que apareceu

Ela retirou a camisola rapidamente, andando até a banheira e mergulhando o corpo na água quente. Sentiu-se em paz no mesmo momento. O elfo voltou a aparecer, como se tivesse esperado a garota estar coberta pela espuma da banheira.

– O seu café está servido no quarto.

Antes que ele pudesse sumir, ela perguntou.

– Greyback já acordou?

O elfo gesticulou afirmativamente com a cabeça.

– Sim, minha senhora. Mas ele não está no quarto.

Ela assentiu, sentindo-se mais aliviada por aquilo. O elfo desapareceu. Ela não sabia o motivo de se sentir inquieta quando o lobisomem estava tão próximo dela, mas também não perdeu seu tempo procurando aquela resposta. Ao se sentir só novamente, relaxou o corpo na banheira, pousando a cabeça no encosto fofo que ficava na borda e fechando os olhos.

Cerca de vinte minutos depois, ela sentiu uma presença no banheiro. Não precisou abrir os olhos para saber quem era. E não tinha ideia de como ele entrara com a porta trancada. Contudo, ele podia aparatar, ou usar a varinha.

– Você precisa parar com isso.

Ela abriu os olhos e fitou Greyback em frente a ela.

– Parar com o que? – ele perguntou.

– Parar de aparecer dessa maneira, silenciosamente.

O rosto dele foi percorrido por um sorriso contido. Ginny continuava o fitando. O lobisomem estava vestido apenas com uma calça de cor negra. O peito forte dele estava nu, os músculos dos braços pareciam contraídos, mesmo que ela soubesse que ele estava na sua forma mais relaxada possível. Ela tentava tirar os olhos do corpo dele, mas não conseguia tal feito.

Fenrir percebeu isso, e percebeu que ela correu os olhos pelas mãos dele quando ele começou a desamarrar a corda da calça, os dedos fortes trabalhando com rapidez para tirar a única peça de roupa que ele usava.

Ginny engoliu em seco no momento em que o viu nu, tão perto dela, de uma forma que nunca esteve. Ele entrou na banheira com ela, que tinha espaço o suficiente para os dois. Ele relaxou o corpo ao sentir a água quente encontrar sua pele.

Fitou-a com atenção. Ela não o olhava, os olhos estavam fixos na espuma da banheira. O cabelo ruivo estava amarrado para cima. A espuma acumulada ali batia no corpo dela e se fixava levemente nos seios, cobrindo-os parcialmente. Mas a visão de Fenrir era boa demais para que ele não os enxergasse do mesmo modo.

Permaneceu em silêncio por breves minutos, até que ele resolveu iniciar a conversa.

– Ficarei ausente por dois dias. – avisou-a.

Ele percebeu que ela ficou atenta às palavras dele. Dessa vez os olhos o fitaram com atenção.

– Posso saber o motivo?

Fenrir deu de ombros.

– Fui designado a caçar algumas pessoas.

A hostilidade apareceu no rosto dela com a rapidez de um feitiço.

– Não comece. – ele pediu.

– Não comece o quê? Você acha que vou aceitá-lo sempre? Você acha que concordo com essa carnificina?

Ela perguntou, sentindo-se irritada e de repente não querendo mais a presença dele ali.

– Não sei por que você se importa com os sangues sujos. Há muitos no planeta.

– Sim, inclusive o seu.

A resposta chegou rápida e inconsequente nos ouvidos de Fenrir. Ginny havia dito sem pensar duas vezes e em um momento de raiva. Não se arrependera do que respondeu, porém, preocupou-se um pouco com sua ousadia.

Os olhos dele escureceram levemente e ele a olhou com visível fúria. Mas ele não respondeu nada, o que a deixou ainda mais furiosa. Sem pensar duas vezes, ela continuou.

– Se você for olhar por esse ponto, o seu sangue não é puro. Você possui a licantropia. Ou acha que Voldemort não lhe deu a Marca Negra por qualquer motivo?

– Cuidado. – ele a alertou.

Ela deu de ombros, aproximando-se dele e sentindo coragem para levar aquele assunto até o fim. Devia isso a todos os seus amigos trouxas e mestiços. Inclusive Hermione, que ele fez questão de chamar de sangue-ruim na presença da ruiva.

– Vamos, me bata novamente. É sua única maneira de se defender. – ela respondeu, visivelmente irritada. – Mas você sabe que eu estou certa. Eu te aceitei, Greyback. Como você é. Eu não perguntei do que seu sangue era feito ou de onde você veio. Eu gosto de você de qualquer maneira. Do jeito que você é.

Ele não respondeu, tampouco a bateu. Os olhos cinza escuros continuavam a fitá-la, o rosto dele continuou coberto pela fúria, mas ele apenas permaneceu em silêncio, pensativo.

– Está confusa, garota. Ontem mesmo disse-me que me odeia.

Aquilo a desarmou completamente. Ela não soube o que responder, e de repente permaneceu quieta do mesmo modo que ele estava. Os olhos estavam fixos na espuma da banheira, mas foram timidamente correndo pela água até pousarem no peito forte nele, onde correram até que ela o fitasse novamente nos olhos.

Ela deu de ombros, visivelmente confusa.

– Eu realmente não sei. Acho que te odeio e gosto de você ao mesmo tempo.

Em outra ocasião, Fenrir ia rir da garota, mas conteve-se, pois sabia que aquela atitude sempre a magoava. Ele se surpreendeu em pensar daquela forma, mas não sentiu que era errado se importar. Pela primeira vez.

Ele se aproximou dela na banheira vagarosamente, seu braço foi em direção ao rosto dela e Ginny fechou os olhos em um gesto automático, temendo o toque dele depois do que havia falado. Mas ela não sentiu dor, nem mesmo um contato mais brusco. A mão dele foi em direção ao cabelo dela, soltando-o do nó que ela havia feito e fazendo-o cair como cascata, as pontas rapidamente entrando na água.

Ele a puxou de encontro ao corpo dele, obrigando-a a se desencostar e sentar-se no colo dele.

– Agora cale a boca, garota. – ele mordiscou levemente o pescoço dela. – Vou ficar dois dias fora. — aproximou-se do ouvido dela. – Preciso que me ajude em algo.

Ele não precisou pedir duas vezes. Os lábios se buscaram com a mesma rapidez e vontade. A língua dele a invadiu facilmente no mesmo momento que os braços fortes corriam em volta do corpo dela, abraçando-a com uma possessividade que ela nunca havia visto nele.

Ela automaticamente colou-se ao corpo dele, sentindo o peito forte dele pressionar seus seios. Fenrir terminou o beijo de forma relutante, mordiscando levemente o lábio dela no mesmo momento em que seus lábios iam em direção ao pescoço dela, lambendo a pele ali, experimentando-a de um jeito que ele adorava experimentar desde que descobrira como ela poderia ser deliciosa de várias maneiras.

Ginny gemeu, sentindo o membro dele pressionando o sexo dela, as mãos fortes pegaram a cintura dela e a conduziram na direção certa, onde ele a soltou, fazendo com que ela fizesse o movimento final e ele a penetrasse com isso.

Ela arfou, correndo os braços frágeis e trêmulos pelo pescoço dele e o abraçando com isso. Os lábios foram em direção ao ombro largo dele, mordendo a pele dele ali. A reação de Fenrir foi positiva, sentiu-se mais excitado no mesmo momento, soltando um rosnado um pouco mais alto no mesmo momento que suas mãos movimentavam a cintura dela para que ela se mexesse de acordo com o que ele queria.

E ela deixou-se ser manipulada daquela forma tranquilamente, sentindo-se extremamente excitada com o toque dele, sentindo-se tomada de todas as maneiras. Por estarem dentro da água, os corpos faziam movimentos lentos e leves, o que impedia Fenrir de tomá-la da forma que ele sempre tomava, com voracidade e violência.

Mas nenhum dos dois reclamou disso, pelo contrário, pela primeira vez pegaram-se realmente apreciando o corpo um do outro de uma forma completamente nova, mas não menos prazerosa. Ela se mexia como uma ninfa em cima dele, ele a tomava como o lobisomem selvagem que era, mas lentamente. E lentamente, através dos movimentos, dizia a ela que ele era o dono dela, e que mesmo que ele matasse as pessoas que ela amava, que ele fosse um assassino e que ela o odiasse, ela seria dele, e a possuiria de todas as formas que ele quisesse.

E ela não tinha como escapar disso.

Ele não precisava dizer isso em voz alta, dizia apenas com os gestos, e Ginny aceitou isso de bom grado, entregando-se a ele e aumentando o movimento do quadril o máximo que a água permitia. Sentiu os músculos de Fenrir ficarem mais tensos à medida que o prazer aumentava. Ela ainda o abraçava, temendo olhá-lo nos olhos e ver a crueldade que eles possuíam, a crueldade que ele usaria no momento em que saísse daquele castelo.

As mãos dele apertaram fortemente a carne da cintura dela no momento em que ele chegou ao seu prazer. Ela não demorou muito a encontrar o seu próprio, e juntos ficaram ali por muito tempo, apenas sentindo o corpo um do outro, a temperatura quente que possuíam, os batimentos cardíacos acelerados devido ao esforço físico.

E ela se surpreendeu quando a mão enorme dele pegou a nuca dela e a puxou em direção ao rosto dele. Fenrir beijou-a. Quase ternamente. Quase. Fora um beijo bem diferente dos beijos que ele estava acostumado a lhe dar. Um beijo mais intenso, como se ele estivesse se despedindo dela de alguma forma.

Mesmo que fosse apenas uma impressão, ela sabia que aquilo era da cabeça dela.

De qualquer maneira, ela nunca iria imaginar que seriam separados em breve.

[...]

Ele havia acabado de sair da mansão, e ela estava na biblioteca, uma tentativa nula de vê-lo cortar o gramado em frente à entrada. Mas ele não cruzou aquele gramado. Parecia usar outro meio para sair dali.

Ginny sentiu-se só no mesmo momento. Sem Greyback por perto, aquele castelo parecia realmente uma prisão. O queria de volta no momento em que ele falara que devia ir, deixando-a só no quarto dela.

Repreendeu-se com isso no mesmo momento. Ela não podia sentir aquilo. Ela precisava se sentir furiosa em relação à saída dele. Greyback poderia ter ido para qualquer lugar a fim de matar algum conhecido dela ou até mesmo um ente querido. Um parente.

Percebeu que estava tempo demais trancada ali. A noção do perigo e do que era certo e errado parecia estar se dissolvendo na mente dela à medida que os dias se passavam.

Surpreendeu-se quando a lareira começou a chiar. Virou-se com expectativa, apenas esperando quem iria aparecer. E ficou contente em ver Hermione, mesmo que fosse por entre as chamas. Com as reuniões e o mundo bruxo sendo preparado para uma nova guerra, Greyback nunca havia cumprido sua promessa de deixar sua amiga voltar àquele castelo.

Ginny abriu a boca para falar, mas Hermione a interrompeu.

– Não tenho muito tempo, Ginny. Snape e eu estamos trabalhando para tirá-la daí. – ela olhou em volta. – Ele usa uma lareira que fica em um cômodo do terceiro andar para entrar na mansão.

– Mas e o portão da frente?

Hermione gesticulou negativamente com a cabeça.

– Snape usou uma lareira perto da floresta para entrar pelo portão da frente quando eu lhe visitei. Eu estava vendada, e não consegui ver o caminho que ele fez. De qualquer maneira, o labirinto muda de forma todos os dias. Nem mesmo Greyback consegue sair por ali. A lareira que Snape usou está vetada. Acabamos de verificar. Greyback a liberou apenas naquele dia. É a única lareira que nos transporta para perto do portão do castelo.

Ginny acompanhava o raciocínio de Hermione com atenção.

– Talvez eu vá te buscar pela lareira do terceiro andar. – ao ver que a ruiva ia interrompê-la, se adiantou. – Eu sei que é arriscado, Ginny. Mas é a nossa única chance. Tudo bem?

Ginny pensou por um momento. Era arriscado. Aquilo era um fato. Mas era sua única chance de sair. Ela precisava correr esse perigo. De qualquer maneira, se conseguisse fugir, faria de tudo para que a distância de um furioso Greyback e dela ficasse enorme.

Ela assentiu com cabeça firmemente, olhando para Hermione, que sorriu.

– Amanhã você verá sua família, Ginny.