Beautifully Grotesque
17 Descoberta
Descoberta
Estavam deitados há horas naquele tapete, o fogo da lareira ainda estava alto, uma cortesia de feitiços para que ele nunca acabasse. Ela estava com a cabeça pousada no peito largo dele, uma perna sua estava sobre as pernas dele. Não conversavam. Nunca conversavam.
Mas ela apreciava demais o toque dele para reclamar da falta de palavras. Ele enfiara os dedos nos cabelos ruivos delas, acariciando os fios ali vagarosamente, como se estivesse passando o tempo, e não fazendo carinho em alguém.
Cada um convivia com o seu próprio pensamento. Os de Ginny vagavam pelos dias que passara naquele castelo e como sua vida havia mudado desde que entrara ali. No dia em que fora comercializada, nunca imaginaria que estaria caindo nos braços de uma pessoa que estava ligada a ela de uma forma mais forte. Nunca imaginaria que o homem que praticamente a farejou naquele dia e a deixara com uma sensação horrível de medo e asco, seria o mesmo homem que ela se entregaria com tanta facilidade, o mesmo homem que agora acariciava seus cabelos, mesmo que de forma relutante, como se fazê-lo fosse algo errado.
Ginny imaginou o que sua família iria pensar caso estivesse viva. Em como todos os Weasley iriam reagir ao saberem que a querida filha caçula, a única mulher, estava predestinada a ser de um lobisomem cruel, um homem que não tinha escrúpulos quando o assunto era assassinato e tortura. E violência.
Pensar em sua família fez com que uma sensação desconfortável de saudade percorresse seu corpo. Ela se se remexeu ali, sentindo os dedos de Greyback pararem momentaneamente o toque, para depois continuar. Sua visão ficou embaçada e ela não conseguiu conter as lágrimas que correram livremente pelo rosto dela. As gotas caíram no peito dele. Mas ele já sabia que ela estava chorando. Podia sentir aquilo.
– Por que está chorando?
Ele perguntou, tentando não soar muito preocupado. Ela fungou brevemente e sua perna mexeu-se levemente em cima das pernas dele.
– Sinto saudade da minha família.
Silêncio. Instalou-se de uma forma desconfortável no ambiente. Ginny tentou quebrá-lo.
– Sinto falta de como meus irmãos gêmeos eram terríveis e deixavam minha mãe louca. Sinto falta da comida da minha mãe. Dos gostos estranhos do meu pai. Até mesmo dos ciúmes dos meus irmãos mais velhos. De Rony...
Ela deixou no ar. Os pensamentos dela voltaram à família, mas ela decidiu deixá-los apenas para ela, sabendo que ele não ia gostar de ouvi-la se lamentar pelos parentes.
Fenrir não gostou do que ela disse. Sabia que a família Weasley estava viva, mas nada disse a ela. Nunca diria. E sabia também que, além da família Weasley, muito outros que lutaram ao lado de Potter estavam desaparecidos. Aquilo era um sinal claro que uma resistência começava a se formar. E de que o Lorde das Trevas não tinha o controle total do poder, como todos diziam.
Ginny percebeu o silêncio dele, mas nada disse. Ficou se perguntando se Greyback um dia tivera uma família comum. Uma família que ele sentava-se à mesa na companhia dela e tomava um grande café da manhã. Ou uma família que sentira orgulho dele quando a carta de Hogwarts chegou ao castelo. Perguntou-se se ele se lembrava da família dele, ou se apagara qualquer vestígio dela igual havia feito com parte da sua humanidade.
– Sente falta da sua família?
Ela ousou perguntar, tentando fazer com que ele pelo menos soltasse algo. Mas ele permaneceu em silêncio. Ela até esperou alguns minutos, mas a resposta não veio, então nem procurou insistir, sabia que quando ele ficava daquele modo, o melhor era ficar calada.
Ela começou a acariciar o abdômen dele com os dedos e vez ou outra com as unhas, sentindo as marcas dos músculos dele ali. Um leve rosnado saiu da garganta dele, fazendo o peito tremer. Ginny adorou aquele som. Ainda não estava acostumada com o modo como ele mexia com ela. Antigamente, tudo o que ele representava para ela a fazia sentir nojo. Mas agora aquilo havia mudado, drasticamente. Tudo o que o representava a fazia sentir-se ainda mais excitada.
Tentou sair do rumo daqueles pensamentos, ou senão aquilo a levaria a algo diferente do que ela queria realmente abordar com ele.
– Hermione irá voltar?
Ela perguntou, retirando a cabeça do peito dele e o olhando com calma. Os olhos cinzentos dele a fitaram com intensidade. Os cabelos dela estavam levemente desarrumados, os lábios um pouco inchados por causa dos beijos que haviam trocado horas atrás. E o cheiro dela parecia estar cada dia mais forte. Cada minuto. Cada segundo. Os olhos dela voltaram a ter aquele brilho que ele descobrira gostar. E agora ela o fitava com curiosidade e ao mesmo tempo vulnerabilidade. Tão frágil...
– Ela pode voltar. Algumas vezes. Poucas. Se você quiser.
Ele disse pausadamente, como se mudasse de opinião a cada segundo. Ginny não conseguiu conter o sorriso, e aquele sorriso fez com que um estremecimento estranho percorresse o corpo dele. Ela conseguia ficar ainda mais bela sorrindo. Aproximou-se dela, beijando-a levemente nos lábios e logo depois se afastando.
– Eu preciso sair.
O sorriso dela morreu no mesmo momento. Virou-se para ele, tentando conter a curiosidade. Mas não obteve sucesso com isso.
– Para onde? – ela perguntou.
Fenrir estava em pé e de costas, mas virou o rosto para ela, pensando um pouco na ousadia da pergunta. Mas não se sentiu impaciente com isso como se sentiria dias atrás.
– Reunião de Comensais da Morte.
Ginny fez uma careta sem conseguir se conter. Observou-o por longos minutos, tentando ignorar a nudez do lobisomem, mas descobriu-se apreciando as curvas do corpo dele. E como as curvas ficavam ainda mais acentuadas por causa da iluminação da lareira. Não queria que ele fosse, mesmo sabendo que ele fazia parte daquela corja. Queria ele ali, de preferência onde estava, com o corpo imenso entrelaçado ao dela.
Ao observá-lo, percebeu a ausência da Marca Negra.
– Você não tem a Marca Negra.
Ele estava vestindo a roupa quando respondeu.
– Ele não me deu a marca, garota. – enfiou de qualquer maneira uma blusa e jogou o casaco de couro por cima. – Mas faço parte de tudo isso.
Ele disse, colocando um ponto final na pequena discussão e assentindo para ela, que entendeu o recado e se calou. Sabia que continuar aquilo era equivalente a ultrapassar um limite. Ele saiu rapidamente do quarto, deixando-a só.
Minutos depois, ela ainda estava no tapete, e pegou-se chorando. Mas sabia o motivo. Greyback sempre estaria do lado errado e perigoso, ao lado de Voldemort. Ele sempre seria ruim.
E ela estava entrelaçada com ele para sempre.
[...]
Greyback observava quase com enfado todos os Comensais ali. Estavam sempre do mesmo modo. Lucius Malfoy sempre pomposo e dando mais valor à aparência do que ao orgulho próprio. Bellatrix com sua expressão de maníaca gravada no rosto. Snape parecendo indiferente a tudo, mas atento como um falcão. E os outros com os rostos baixos, temendo até mesmo olhar para o bruxo que eles chamavam de Lorde e líder.
Já ele, nunca se sentava à mesa. Não tinha esse direito. Fenrir sabia exatamente o lugar dele em meio àquilo tudo. Era apenas um animal sem controle, que o Lorde das Trevas usava para alcançar certos objetivos. Em recompensa, ele ganhava crianças e carne fresca.
Havia muito tempo que isso não acontecia.
E ele não reclamava. Com a guerra terminada, poucas crianças sangue-ruim sobreviveram e as outras estavam sob proteção do Ministério, como se fossem crianças que seriam criadas e educadas com os ensinamentos que o Lorde das Trevas achava digno.
De qualquer maneira, a falta de recompensa não incomodava Greyback. O que estava o deixando inquieto era o assunto daquela reunião.
– Não temos certeza disso, meu Lorde.
Bellatrix disse. Era a única que tinha coragem o suficiente de dizer o que realmente pensava. Os olhos do homem pálido pousaram brevemente na sua Comensal favorita, mas depois voltaram a fitar a mesa como um todo.
– Espero que não esteja me questionando, Bellatrix. Tenho certeza de que possíveis resistências estão se agrupando e que em breve teremos uma revolta de sangue-ruins.
Silêncio. Ninguém ousava interrompê-lo, mesmo que ele tivesse terminado de falar. Contudo, ele continuou.
– Quero olhos atentos a cada rumor. Investiguem tudo. Quero que alguns Comensais comecem agora. Os outros, quero vê-los dentro de meia hora.
Encerrou, dispensando quase todos com a mão. Os Comensais sabiam quais deveriam ficar. Eram os superiores, os que o Lorde das Trevas confiava mais. Ou desconfiava menos. Greyback estava no canto de uma parede, parte do seu corpo oculto por uma cortina pesada. Saiu de onde estava diretamente para a porta que dava para a saída do local onde estavam.
– Você fica, Greyback.
Escutou a voz do Lorde das Trevas atrás de si e parou, voltando ao seu lugar com visível indiferença. Não ousou olhar para Snape, nem mesmo para o Lorde das Trevas. Sabia que ele era bom em ler mentes, e não gostaria de uma possível visita na sua.
Além do mais, ele odiava aquela cobra.
[...]
– Você não vai deixar Ginny dentro da mansão de Greyback por mais tempo, vai?
Hermione questionou Snape sem conseguir se conter. Ele estava imerso em pensamentos, e fitava a lareira com desinteresse.
– Preciso deixá-la lá por mais tempo. Ele precisa criar laços mais sólidos com ela. Isso pode fazer a diferença.
Hermione não concordava com aquilo. Achava no mínimo estúpido deixar Ginny ali dentro com aquela desculpa ínfima e sem sentido.
– Eu acho que não há laço mais sólido do que uma profecia e uma ligação de companheirismo lupino. – ela opinou.
Snape virou-se para ela com visível falta de paciência.
– Você acha. Mas a essa altura, já deveria ter descoberto que mesmo sendo uma sabe-tudo irritante, falha nas horas mais importantes. – ele voltou a olhar para lareira. – Não podemos arriscar a tirar a Weasley do castelo e dele nesse momento.
– Os Weasley merecem ter a filha de volta. A família dela merece isso. Incluindo Ginny. – ela insistiu. – Não podemos esperar. Todos querem sair dos esconderijos e voltar para a guerra. E quando essa guerra recomeçar, Ginny vai querer lutar também.
– Não se engane com o amor de Greyback, se é que podemos chamar aquilo de amor. Ele não irá escolhê-la acima da causa do Lorde das Trevas. Ele só tem a perder se ficar contra os Comensais da Morte e contra o líder deles.
Hermione não soube o que responder, mas ficou satisfeita no modo como Snape se referiu a Voldemort. Como líderes de Comensais, e não líder dele. Snape continuou observando a lareira. Precisava tomar uma atitude, e rápido. Por mais que o Lorde das Trevas tivesse dispensado os Comensais da Morte inferiores, os de ordem superiores teriam que estar novamente na próxima reunião dentro de uma hora. Ao contrário dos outros que já estavam lá, ele tivera a chance de voltar ali para pegar uma receita de poção que o Lorde das Trevas estava interessado. Mas seu tempo estava acabando.
Suas oportunidades estavam ficando mais escassas, assim como suas possiblidades e seus planos.
Não sabia o que poderia fazer mais.
[...]
Ginny estava na biblioteca. Fora para lá a fim de pegar algum livro e ler para se distrair, mas sabia que aquilo seria uma tentativa inútil. E fora. O livro que pegara quarenta minutos atrás estava tombado no sofá, e ela andava de um lado para o outro da biblioteca.
Estava ansiosa. Se uma reunião estava acontecendo com Comensais da Morte, algo também estava acontecendo pelo mundo bruxo. Algo que Voldemort não apreciava. A ponto de convocar seus seguidores praticamente de madrugada.
As madeiras na lareira estalaram, fazendo um som de chiado estranho percorrer o silêncio da biblioteca. Ela parou de andar, olhando diretamente para as chamas. Quase enfartou ao ver a cabeça de Hermione aparecer ali. Ela colocou a mão na boca para não gritar e se aproximou da lareira, olhando a amiga com atenção. Ela parecia aflita, como se estivesse fazendo algo errado. E estava.
– Hermione, o que aconteceu?
– Não tenho muito tempo, Ginny. Estou me aproveitando da ausência de Snape para fazer isso.
– Ele está em uma reunião, não está?
Hermione assentiu, olhando de um lado para o outro e se certificando de que ninguém estava por perto.
– Olha... uma rebelião está acontecendo. Snape faz parte dessa rebelião. Ele está do nosso lado, Ginny.
A garota olhou novamente para o lado. A ruiva franziu o cenho.
– Se Snape está do nosso lado, por que está tão aflita?
Sabia que sua amiga não gostava de contrariar regras e o que ela estava fazendo enfiando a cabeça ali na lareira era algo bem errado, mas aquilo não era compatível com a aflição que ela sentia. Hermione suspirou, olhando para Ginny com atenção.
– Ginny, há uma profecia... com o seu nome. E o de Greyback.
No momento em que escutou aquilo, Ginny sentiu suas pernas cederem. Sem conseguir se conter, sentou-se na mesinha de centro de madeira que estava ali, espalhando alguns livros e objetos e fazendo cair mais alguns. Ela não tinha boas lembranças de uma profecia. Havia perdido um noivo quando uma dizia que ou Harry ou Voldemort podiam viver nesse mundo.
Hermione tomou a dianteira.
– A profecia diz que você está destinada a Greyback de um modo que nem mesmo o companheirismo de vocês pode explicar. Entende? Mesmo que vocês não fossem companheiros, vocês estariam entrelaçados pelo destino. A profecia diz que vocês devem ficar juntos. Estando vivos... ou mortos.
Ela disse de uma vez, temendo que, se parasse, não tivesse coragem para terminar. Ginny empalideceu. Uma sensação estranha de que já tinha vivido aquilo percorrendo o seu corpo. Por que profecias nunca profetizavam algo bom? Se Greyback morresse, ela morreria também?
– Eu... eu não sei o que dizer... Não sei nem se eu realmente acredito nisso.
Hermione revirou os olhos.
– Não há tempo para acreditar, Ginny. Olha, sei que é muita informação para você. Mas eu ouvi a profecia. – Hermione voltou a olhar para os lados. – Snape quer deixar você aí com o intuito de Greyback criar laços com você para, caso haja uma revolta, ele ter o lobisomem do nosso lado. – ao ver a expressão incrédula no rosto de Ginny, adicionou. – Snape acha que Greyback faria a diferença na guerra.
Disso Ginny não tinha dúvidas. Greyback era um ótimo duelista, e um assassino anormal. Depois de pensar um pouco sobre aquilo. Tudo se encaixava. Ela um dia perguntara a Snape o motivo de ele cuidar dela, como se ele se preocupasse com a saúde dela. Ele a queria viva para que ela conseguisse trazer Greyback para o lado certo da guerra.
Aquilo era um absurdo.
– Há algo que você precisa saber também.
O coração de Ginny disparou. O que poderia ser pior do que uma profecia e descobrir que estava sendo cuidada como se fosse um objeto que seria doado a alguém?
– Snape me matará quando souber que te contei. – Hermione mordeu o lábio. – Mas sou mais leal a você do que a ele.
– Por Merlin, Hermione! Conte!
Hermione a olhou com atenção. Ginny achava que estava preparada para tudo. Depois de descobrir tudo o que descobrira sobre si e sobre seu destino, nada iria piorar o seu modo de ver o mundo. Mas certamente a notícia que recebera a deixou totalmente sem rumo.
– Ginny, a sua família está viva.
[...]
Ginny andava de um lado para o outro, mas dessa vez estava em seu quarto. Sentia suas pernas tremerem, assim como todo o seu corpo. Mas naquele momento, tremia não por motivos tolos como medo e excitação. Tremia de raiva. De fúria.
Depois do que Hermione lhe contara, sabia que tudo ia mudar. Sua família estava viva. Em algum canto daquele mundo, aquelas pessoas que ela amava e que nem sequer sonhara em voltar a ver, estavam escondidas apenas esperando uma oportunidade para voltar ao mundo como pessoas dignas.
E ainda havia aquela profecia maldita. Pensando melhor no assunto, tudo se encaixava. Ela tinha certeza de que algumas pessoas além de Hermione e Snape já sabiam da profecia. Quem poderia ser? Os elfos daquele castelo? Ela não duvidava daquilo, aquelas criaturas eram espertas. Ela teria que tomar cuidado em confiar nelas novamente. O homem daquele quadro... ele se abriu no momento em que escutou o nome dela. Ele já sabia quem ela era mesmo antes de Ginny pesquisar sobre companheirismo.
Greyback sabia da profecia? Aquela pergunta martelava em sua mente de minuto em minuto. Snape dera os livros para ela, para que ela começasse a se acostumar com seu destino. O destino de estar ao lado de um lobisomem, e, para a sorte de Snape, de tentar conquistá-lo.
Sentiu-se traída e manipulada. Uma profecia era algo muito forte. Ela se lembrava de Harry. O moreno não havia conseguido fugir do seu destino, sucumbindo no momento em que Voldemort vencia. A profecia havia se concretizado de uma forma que o destino não estava nas mãos de ninguém, apenas nas mãos de Harry e Voldemort.
E o destino dela era estar ligada a Greyback. Mesmo que isso significasse morrer com ele.
Em um acesso de fúria, ela pegou um vaso de porcelana que ficava ali em um móvel e o jogou na parede. O objeto se espatifou, quebrando de forma grotesca o silêncio do quarto. Ela não parou apenas no vaso. Pegou todos os enfeites daquele quarto, sendo eles de vidro, cristal, porcelana e barro e os jogou na parede.
Naquele momento, Fenrir abriu a porta, fitando a garota de forma assustada. Mas ela não percebeu sua presença, continuou a lançar objetos nas paredes, tentando por meio disso diminuir a sua raiva.
– Ficou louca?
Ele perguntou, quase gritando. Precisou fazê-lo. O barulho da porcelana quebrando estava alto. Ginny olhou para quem havia feito a pergunta, percebendo pela primeira vez a presença dele ali. Sem pensar duas vezes, jogou um vaso naquele homem, quase o acertando. Fenrir se desviou no último momento, e quando percebeu a tentativa dela de acertá-lo, rosnou, aproximando-se.
– NÃO SE APROXIME DE MIM!
Ela gritou de forma furiosa. Uma forma que ele ainda não havia conhecido. Ela parecia possuída por algo. E parecia perigosa pela primeira vez desde que entrara naquele castelo. Ele conseguiu compará-la até mesmo com o símbolo da casa dela em Hogwarts. A Weasley parecia um leão. Ou melhor, uma leoa.
– O que deu em você?
Ginny tentou lançar outro objeto nele, mas Fenrir se desviou como da última vez. Ela se virou para ele, praticamente espumando. Ele achou que ela parecia até mesmo mais alta. Os olhos azuis estavam sérios quando ela fez a pergunta.
– Há quanto tempo sabe que minha família está viva?
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