Consequências

Hermione estava sentada em uma poltrona de tecido puído. O lugar fedia um pouco a mofo, mas ela acostumou-se demais àquele cheiro para reclamar. Olhava para seus dedos trêmulos, perguntando-se quando ela conseguiria sair dali como uma garota livre, e não como uma recompensa por serviços prestados.

Apesar de ser um prêmio de um Comensal da Morte, ela estava bem alimentada, de banho tomado e com as notícias do mundo bruxo em dia. Ela respirou fundo, sentindo o cheiro do mofo misturado ao cheiro da madeira que estalava dentro da lareira.

Foi quando escutou o barulho da porta se abrindo.

Sem pensar duas vezes, ela se levantou e correu até lá, praticamente jogando-se em Snape e sacudindo-o em desespero.

- O que aconteceu? Você foi chamado por Greyback. Eu sei que Ginny está lá. O que aconteceu com ela?

Fez a última pergunta quase gritando e Snape gesticulou com a mão em um gesto claro de impaciência.

- Acalme-se, Granger.

Ele jogou sua capa preta em um sofá e sentou-se em uma cadeira, passando as mãos no rosto. Hermione percebeu que ele parecia cansado, e não precisou pensar muito para saber o motivo. Snape havia saído daquela casa na parte da manhã e já era madrugada. A dupla identidade sempre fora seu disfarce perfeito, mas parecia que aquilo era um pouco mais cansativo quando ele tinha que se mostrar a todo tempo para Comensais da Morte, e não para estudante de Hogwarts.

Ele a olhou com atenção.

- Greyback feriu a Weasley. – antes que a sabe-tudo começasse a fazer perguntas irritantes, ele a calou com um gesto de mãos. – Ele passou dos limites, fez com que ela quebrasse as costelas. Ela teve uma hemorragia interna. Mas agora já esta medicada. O Lorde das Trevas foi claro quanto a mais sangue dela derramado.

Hermione fez uma careta. Não gostava quando Snape chamava Voldemort por aquele nome, mas sabia que ele não tinha escolhas, e o chamava assim mais por costume do que por respeito.

- Você precisa ajudá-la de alguma forma...

Ela não tinha a mínima ideia de como Snape iria fazer aquilo. Sua mente brilhante não trabalhava do mesmo modo que antes, e ela desconfiava de que era porque estava enfurnada naquele buraco por meses. Mas ela não podia reclamar, tirando a inconveniência de ter que jogar um feitiço para emagrecer no corpo e usar roupas imundas quando Comensais da Morte visitavam Snape, e tirando também a falta de paciência que ele tinha com ela, Hermione era bem tratada.

Ela podia estar no lugar de Ginny. E só a ideia disso a fazia estremecer.

- Você precisa tirá-la de lá, Snape. Ginny corre perigo. – ela frisou. – Está sob o mesmo teto que Fenrir Greyback!

- Ginny Weasley tem até sorte. Ela só cuida da casa. Não é com ela que temos que nos preocupar! – ele aumentou o tom de voz – E sim com os outros Comensais da Morte e o que eles estão fazendo com seus amigos sangue-ruins!

Hermione se calou no mesmo momento. Não havia respostas para aquilo. E ela concordava com ele em partes. Se Ginny sofrera um espancamento hoje, como estaria Neville nas mãos de Bellatrix? E como estaria Luna e Cho Chang?

- Não tem como pelo menos tirar Ginny das mãos de Greyback?

- E ir contra a vontade do Lorde das Trevas? Eu não posso salvar todos os Weasley de uma vez, Granger! – ele pontuou – Não há corpos, os Comensais da Morte estão procurando por cada ruivo da Inglaterra!

Ele gritou a última frase e ela apenas fechou os olhos, esperando ele se calar e a paz voltar ao cômodo.

- Ginny sabe que a família dela está viva?

- Não e vai continuar assim. – ele fitou a lareira. — Vamos torcer para que Greyback não fique criativo como Yaxley ficou com Cho Chang.

Hermione estremeceu.

[...]

Ginny acordou na manhã do dia seguinte, abrindo os olhos rapidamente como se temesse que Snape estivesse ao seu lado como na noite anterior. Ela respirou fundo ao perceber que estava sozinha, sentando-se na cama e procurando por algo anormal no quarto. Mas não havia nada, para sua tranquilidade. Apenas seu café da manhã, que estava pousado na mesinha prateada, como de costume.

Ginny sentiu seu estômago roncar e saiu de debaixo das cobertas, caminhando lentamente para a mesinha. Sentou-se ali perto e começou a comer, sentindo-se enjoada e tonta. A dor em sua costela já não estava mais presente, mas parecia que ela havia dado espaço para a fraqueza. Seus lábios estavam secos e sua língua áspera. E mesmo que sua costela estivesse emendada, seu corpo estava levemente dolorido. A primeira mordida foi difícil, mas à medida que ela comia, seu apetite dava os primeiros sinais de que estava começando a ser saciado.

Um estalo a fez se assustar. Ginny deixou a torrada cair e tremeu ligeiramente, mas era apenas um elfo doméstico, que sorria para ela como se tivesse entrado em seu quarto pedindo licença e anunciando sua presença.

- Bom dia!

Ele desejou, sorrindo como se ele tivesse desejando a ela feliz aniversário. Ginny forçou um sorriso.

- Bom dia.

O sorriso dele aumentou e ele pareceu quicar com a emoção de receber um cumprimento como aquele. Enfiou a pequena mão na fardinha puída e suja que usava e pegou dali de dentro um frasquinho com um conteúdo arroxeado, colocando-o ao lado do prato dela.

- Você precisa beber isso.

Ela sabia que era a poção que ela precisava tomar para se curar. Sem pensar duas vezes, retirou a tampinha do frasco e jogou o líquido na boca, bebendo-o. Uma sensação gostosa percorreu todo o seu corpo, deixando os músculos menos doloridos, o cérebro mais atento e acabando com a tonteira.

O elfo permaneceu ali, olhando-a com calma enquanto Ginny voltava a comer. Ele parecia esperá-la terminar de comer para recolher o prato.

- Onde está Greyback?

Ela perguntou, temendo pela resposta. O elfo deu de ombros.

- O mestre não está em casa. Está cuidando de negócios. Mas estará aqui na parte da noite.

A última frase a deixou inquieta, mas de qualquer maneira ela assentiu, tentando permanecer indiferente. Não queria vê-lo, mas sabia que seria inevitável. Um silêncio desconfortável se instalou no quarto.

- Como vocês conseguem servi-lo? — ela perguntou, indignada, mas o elfo não respondeu. – Ele é uma criatura ruim. Uma criatura asquerosa. E nojenta...

Ela sentiu que seus olhos começavam a embaçar. Enfiou o último pedaço de torrada na boca e tentou ficar calma.

- Ele não foi sempre assim. – o elfo respondeu, relutante. – O mestre já foi outra pessoa.

Aquilo a deixou curiosa. Não sabia do que o elfo estava falando. Não sabia se Fenrir Greyback mudara quando recebera a mordida ou se fora por outro fator ainda mais importante. Ela sabia que ser lobisomem não era sinônimo de ser um assassino cruel. Lupin não era daquela maneira. Aquilo era baseado em uma escolha.

- O que aconteceu?

Ela perguntou, sentindo seu coração bater de forma mais forte com a expectativa da resposta, mas o elfo apenas gesticulou negativamente com a cabeça, e parecia começar a entrar em desespero com a pergunta dela.

- Não posso falar... não me pergunte nada!

Ela concordou antes que ele saísse correndo dali. Terminou de comer e o elfo pegou o prato dela rapidamente, olhando-a com carinho.

- Você não pode fazer movimentos pesados durante uma semana, mas o mestre foi categórico quanto a você servi-lo no jantar, como sempre. Descanse pelo dia, mas durante a noite se apronte e desça para a cozinha.

Ele pediu gentilmente, meio que se desculpando pelas palavras com o olhar. Ginny assentiu e com um estalo, o elfo sumiu.

Ela aproveitou o seu tempo para se levantar e ir até a janela, observando como o tempo estava lá fora. Ela sabia que estava ventando muito, conseguia observar os galhos das árvores ao longe se agitando. Poderia jurar que fora do castelo estava frio, julgando que dentro do castelo a temperatura havia caído muito para não ser percebida.

Ela não queria descansar durante o dia. Ela queria sair dali. O quarto a deixava claustrofóbica. Mas sabia que não tinha outra opção senão esperar a noite cair. Não queria arriscar-se a sair dali e dar de cara com aquele lobisomem, mesmo sabendo que ele não estava no castelo. Ela achou que ele também não estava no dia anterior, e agora sentia no corpo as consequências daquilo.

Respirou fundo, fechando os olhos e apoiando a cabeça na pedra da parede.

[...]

A noite caíra na velocidade de um feitiço. Por mais que não quisesse admitir, não queria que aquele momento chegasse, o momento em que fitaria aquele monstro depois de ele praticamente tê-la matado. Mas ela sabia que era inevitável fugir de sua obrigação.

Ela permanecia calada na cozinha, esperando os elfos montarem a bandeja que ela ia servir. Mesmo estando quieta, ela sentia um tremor leve em seu corpo, e perguntava-se a todo o momento se era porque sentia medo, ansiedade ou se era simplesmente pela falta da poção. Sabia que tinha que tomar uma dose antes de dormir, mas não ousara falar e pedir nada aos elfos.

Eles gesticularam para que ela pegasse a bandeja e ela respirou fundo, tentando manter a calma que já estava ínfima.

Foi até a sala de jantar. Greyback estava sentado de qualquer maneira na cadeira, mas não a olhou quando a garota pousou a bandeja diante dele, apenas endireitou o seu corpo imenso e começou a comer.

Ela sentiu-se um pouco incomodada com a indiferença dele. Ela esperava pelo menos uma provocação ou uma ameaça depois daquilo que ele havia feito, mas ele apenas enfiava o garfo na boca, engolindo rapidamente a carne mal passada.

Ele não a dispensou, e ela não ousou sair dali. Juntou as mãos diante do corpo, sentindo o tecido grosso do vestido que usava roçar em sua pele. Ela o observou, aproveitando-se de que ele não a olhava.

Os movimentos dele estavam mais selvagens, como se o lobisomem estivesse impaciente e até mesmo irritado. Ela quase sorriu, sabia que ele não poderia machucá-la mais, e algo lhe dizia que sua irritação não era por causa dela. Um seguidor de Voldemort irritado sempre era algo bom de ver. Algo de errado poderia estar acontecendo lá fora.

De repente uma leve tonteira se apoderou dela e ela fechou os olhos, retirando as mãos de frente do corpo e passando-as pelo rosto. Ela não havia comido nada e também não tinha bebido sua poção. Ela sabia que era Greyback que tinha acesso às doses das poções dela, e perguntou-se se ele enviaria um elfo para lhe entregar o frasco quando ela fosse jantar.

Fenrir percebeu o desconforto dela, mas terminou de comer sua comida vagarosamente, para depois gesticular com a mão e dispensá-la, sem nem ao menos olhar para a garota.

[...]

Ginny estava sentada em sua cama e fitava com atenção as chamas da lareira que ficava ali perto. A tonteira havia piorado, então ela se recusava a deitar-se e esperar pelo jantar, pois sempre quando fechava os olhos a sensação de que estava caindo triplicava.

Ela escutou a porta se abrindo e virou-se rapidamente, observando o elfo entrar. Ela procurou por uma bandeja ou algum prato, animando-se de que finalmente ia jantar. Mas algo estava errado. Ele não carregava nada consigo e ainda estava embaixo do batente da porta.

- O mestre quer ver você.

Ginny estremeceu. Se havia algo que tinha aprendido ali dentro era que, se a rotina era quebrada de alguma forma, nunca era por um bom motivo. Mas ela sabia que não tinha outra opção senão atender ao pedido, ou mais especificamente, à ordem do lobisomem.

Ela andou até a porta e fechou-a quando o elfo gesticulou para que ela o seguisse. Eles andaram por longos corredores, virando em alguns específicos até chegarem a uma escada que Ginny nem sabia que existia. Só conhecia o primeiro andar do castelo porque precisava varrê-lo e limpá-lo todos os dias, e vagamente o segundo andar porque era o andar que seu quarto ficava. Mas a escada era enorme, seguindo o padrão da escada do primeiro andar.

O terceiro andar era mais escuro do que o restante do castelo, mas ainda assim limpo e organizado. Todas as portas estavam fechadas, e o elfo a levou diretamente para um corredor largo.

- O quarto do mestre é aquele ali.

Ele apontou para uma porta grande de madeira escura.

- Qua-quarto?

Ela perguntou, mas o elfo já havia sumido. De repente ela odiou elfos domésticos. Eles sempre apareciam quando ela menos esperava e sumiam quando ela menos queria. Ela estremeceu, engolindo em seco e andando em direção à porta. Não queria entrar no quarto daquele monstro.

A tonteira havia piorado um pouco, talvez pelo nervosismo dela ou pelo esforço de subir as escadas, ela não sabia. Ergueu o braço para bater na porta, mas essa se abriu automaticamente antes que sua mão pudesse alcançar a madeira.

Com relutância, ela entrou.

O quarto de Greyback estava escuro, mas ela conseguiu correr os olhos pelo cômodo e observar tudo a sua volta. Era imenso, talvez o dobro do tamanho que o dela possuía. Apesar de a imensa lareira estar acesa, o lugar estava frio. O chão era coberto por alguns tapetes escuros e macios de se pisar. Havia alguns móveis bonitos ali, mas alguns estavam arranhados. Uma cama imensa de dossel muito parecida com a sua enfeitava a parede a sua esquerda.

Ela demorou algum tempo para conseguir achá-lo. Estava sentado em uma poltrona grande e negra que ficava em frente à lareira. Seu rosto estava iluminado pelas chamas do fogo, e os olhos cinzentos pareciam possuir calor quando a olhavam. Mas ela sabia que era apenas uma ilusão por causa da iluminação das chamas.

Ela se aproximou, tentando não fitá-lo diretamente. Mas ao contrário da hora do jantar, ele parecia não querer perder nenhum movimento dela. Ginny parou quase em frente a ele, mantendo uma distância segura e saudável. Seus olhos claros correram pelo lobisomem, observando que ele vestia apenas um short rasgado de tecido escuro, a blusa também escura estava aberta, exibindo todo o tronco largo que ele possuía.

Ela engoliu em seco.

- Você deseja algo?

Ela perguntou de forma relutante, no qual ele respondeu com um pequeno sorriso estranho. Ela percebeu dois frascos pousados em uma mesinha que ficava ao lado da poltrona. Um possuía um líquido arroxeado, o outro possuía um líquido muito escuro, quase negro. Um pertencia a ela, claramente.

- Sabe qual é essa poção, garota?

Ele perguntou, quebrando o silêncio do quarto. Ela se remexeu.

- É a minha poção.

- Eu me refiro à outra.

Ela gesticulou negativamente de forma sincera. Não tinha a mínima ideia qual poção era aquela, mas Greyback estava disposto a tirar a dúvida dela.

- Snape começou um estudo dessa poção quando estávamos em guerra, e conseguiu chegar a um resultado até mesmo satisfatório quando a guerra acabou. O Lorde das Trevas pediu para Snape fazer essa poção para mim...

Ela permaneceu calada. Uma poção criada por Snape. Por que ela não estava surpresa? Ele voltou a falar.

- Essa poção faz com que eu fique menos selvagem. Ou pelo menos tenta fazer... a lua cheia está chegando.

O rosto dele foi percorrido por um sorriso maldoso. Ela prendeu a respiração. A lua cheia estava chegando... é claro! Era por isso que ele estava cada dia mais impaciente, era por isso que a carne do seu jantar estava mais mal passada a cada refeição servida. O seu lado animal estava querendo sair definitivamente do corpo dele.

De repente ela se sentiu desanimada. Achava que a falta de paciência dele era porque o lado das trevas estava tendo problemas.

- Você me testou de uma forma anormal ontem. Agradeça a Snape, se eu não estivesse bebendo essa poção, eu teria a matado.

Ela não respondeu. Sentiu uma leve dor no corpo e a tonteira voltou rapidamente, deixando-a sem equilíbrio. Ela fechou os olhos em um gesto automático, mas se arrependeu no mesmo momento. Aquilo sempre piorava.

- Você quer isso, não quer?

Ele estava com o frasco que continha a poção dela nas mãos, balançando-o suavemente para que o líquido arroxeado mexesse. Ginny quase estendeu a mão, mas percebeu que ele não parecia disposto a entregar o frasco tão facilmente para ela.

- Mas você precisa merecer isso. Você me estressou muito ontem. Hoje irá me acalmar.

Ela franziu o cenho, não entendendo o que ele pretendia.

- Ajoelhe-se.

Ele ordenou. De repente ela se alarmou, sua mente correndo por vários pensamentos, cada um pior que o outro. Ele ainda estava a fitando, e parecia esperá-la fazer o ordenado. Com relutância, ela se ajoelhou diante dele.

- Eu quero uma massagem.

Ela quase respirou de alívio. Uma massagem era melhor do que o que ela estava pensando. Mas ela não estava satisfeita em colocar as mãos naquele homem.

- Ande logo com isso, garota.

Ela não sabia por onde começar. Mas julgando que ele pedira para ela se ajoelhar, ela pousou as mãos de forma relutante nas panturrilhas dele, sentindo a pele quente que ele possuía. Começou a massageá-las, sabendo que enquanto não fizesse aquilo, não teria a sua poção.

Ela tinha que admitir para si mesma, esperava mais pelos pelo corpo dele. Não que ele não tivesse, mas ela esperava algo... diferente. A pele dele era coberta por cicatrizes, umas pequenas, outras mais visíveis, ela sentiu algumas na parte de trás da panturrilha esquerda quando correu a mão ali, fazendo a pressão necessária para massageá-la.

De repente ela percebeu que ele não era um animal. Parecia com um, tinha gestos e instintos de um. Mas ele não era praticamente um lobo fisicamente, como todos descreviam. O perigo de Fenrir Greyback ser o que era, era que o lobisomem estava dentro dele, e não fora. Ele era selvagem, mas a parte mais selvagem dele era sua mente. O instinto assassino e a fome de carne que ele possuía eram maiores do que os pelos do corpo e do rosto dele.

Ela arriscou-se olhar para ele. Ele estava de olhos fechados, com a cabeça apoiada na poltrona. Parecia relaxar à medida que as mãos dela corriam pela pele dele. O peito largo subia e descia de forma compassada, demonstrando que sua respiração estava tranquila. O abdômen era definido, assim como o resto do corpo, os braços fortes estavam tombados na poltrona. Ela subiu mais um pouco, encontrando as coxas do lobisomem. Eram grossas e musculosas, seguindo o padrão de tudo. Suas mãos apertavam a carne perto dos joelhos dele quando ele fez o pedido.

- Suba mais um pouco, garota.

Ela não acreditou que ele estava pedindo aquilo. Temia subir demais e acabar tocando lugares que ela não queria tocar. Com um cuidado extremo, ela subiu as mãos, sentindo completamente a carne das coxas dele. Não demorou muito tempo para Fenrir ficar excitado, e Ginny percebeu isso rapidamente.

- Devo dizer, suas mãos fazem um trabalho belíssimo quando não estão fincando uma tesoura no meu braço.

Ela achou no mínimo nojenta a observação dele. Sem pensar duas vezes, apertou com força e raiva a carne das coxas dele, mas o lobisomem apenas rosnou. Não de raiva, mas de satisfação.

A tonteira voltou ao corpo dela dessa vez de forma insuportável e ela deixou as mãos escorregarem para cima sem conseguir se refrear, ainda apertando as coxas dele. Greyback arqueou as duas sobrancelhas, tirando sua cabeça do encosto e olhando-a com atenção.

- Sente-se mal?

Ela gesticulou afirmativamente e ele pegou o frasco que continha a poção, entregando-o para ela, que bebeu o líquido rapidamente. A tonteira sumiu em um passe de mágica, deixando o corpo dela revigorado.

Depois de conseguir enxergar com um pouco mais de clareza e respirar sem dificuldade, ela percebeu que seu rosto pegava fogo, e não soube o motivo disso.

Greyback sorriu ligeiramente.

- Vá dormir, garota. Amanhã quero ver você novamente.

O corpo de Ginny se arrepiou, e ela não quis pensar em um motivo para aquela reação. Apenas assentiu, como uma boa escrava.

E saiu, sentindo suas pernas trêmulas e as palmas de suas mãos ligeiramente quentes.