Asco

Como estava praticamente proibida de fazer trabalhos pesados, Ginny tinha a sua tarde livre para ser preenchida da forma que ela quisesse. Ela escolheu perambular pelo castelo. Na noite anterior, percebera que não conhecia muito os corredores daquele lugar, e agora ela explorava cada pedacinho que o segundo andar possuía. Todas as portas estavam fechadas, e ela, por ousadia, tentara até mesmo abrir algumas, sem obter sucesso.

Respirou fundo, descendo as escadas para o primeiro andar. Sabia que não podia tentar abrir todas as portas ali. Ela vira Greyback sair pela parte da manhã, mas não confiava que estava sozinha no castelo. A última vez em que o vira sair, tentara fugir e foi presenteada com a presença dele rapidamente no momento em que mais precisava estar só.

Saiu pela porta principal e foi novamente agraciada com os raios de sol, que não estavam tão fortes. O dia estava frio e o vento cortava o rosto dela, entrando com facilidade pelo tecido do vestido que ela usava e fazendo-a se arrepiar.

Ela caminhou em direção ao jardim, observando as rosas que já estavam começando a brotar. Sorriu, olhando para sua criação, mas quando correu os olhos novamente pelo local, seu sorriso morreu. Ela andou até onde antes ficava a grade em que pulara. A grade sumira, dando espaço para um muro alto e impossível de ser escalado. A pedra era fria quando Ginny encostou a palma da mão delicadamente sobre ela.

Uma lágrima teimosa fugiu de seus olhos, correndo pela pele de seu rosto. Sua única chance de fugir dali... desperdiçada.

- Eu disse que você sofreria as consequências.

A voz dele chegou aos seus ouvidos em um momento delicado, e ela assustou-se ao escutá-la naquele lugar. Ela virou-se rapidamente, observando o lobisomem que estava ali perto. Era tão estranho vê-lo ali... ele parecia destoar de tudo o que o lugar possuía e representava. Era errado.

Fenrir a observava com atenção. Ginny percebeu que ele parecia ainda mais monstruoso à luz do dia, os olhos eram mais amarelados e os pelos do seu rosto mais visíveis. Ele parecia ainda mais selvagem, e a fitava como se ela fosse, literalmente, um pedaço de carne.

Ela estremeceu.

- Só estava olhando as rosas... o que fez com as flores que estavam nas grades?

Ela sentira falta daquelas flores. Havia as regado todas as vezes em que visitara aquele lugar, e de flores secas e quebradiças elas se tornaram flores vivas e azuladas. Fenrir deu de ombros.

- Joguei-as fora.

O rosto dela foi percorrido por uma tristeza visível. Ele captou aquilo com facilidade, mas nada disse. Retirou as mãos enormes dos bolsos da caça que usava.

- Não vou jantar aqui hoje. Mas quero você no meu quarto no mesmo horário que ontem.

Sem esperar uma resposta, ele virou-se de costas e saiu rapidamente, deixando-a só.

Ginny fechou os olhos, pedindo paciência e coragem a Merlin. Até quando ele exigiria aquele tipo de serviço dela?

De repente sentiu saudade de varrer o chão.

[...]

Ela caminhava pelo segundo andar da mansão novamente, os corredores começavam a ficar mais escuros, o crepúsculo se aproximava. Ginny andou até uma porta qualquer e girou a maçaneta, surpreendendo-se quando a porta se abriu.

Era uma biblioteca. E era enorme. Ela nunca fora fã de bibliotecas, mas aquele lugar lembrou-lhe facilmente Hermione, fazendo com que seus olhos lacrimejassem. O cheiro dos livros e do couro fazia com que a biblioteca fosse quase igual à biblioteca de Hogwarts. Quase. Nada era igual aos lugares de Hogwarts. E ali não havia calor como na biblioteca de sua antiga escola.

Não havia poeira ali, mas ela sabia que aquilo era por causa do trabalho impecável dos elfos domésticos. Estava mais que claro que a biblioteca não era usada. Os livros estavam meticulosamente arrumados nas prateleiras. Ela andou até uma em específico, correndo os olhos com desinteresse pelos títulos.

Havia de tudo ali, mas os livros de Artes das Trevas predominavam em boa parte das estantes. Ela procurou um livro que chamasse sua atenção e com muito custo achou um que falava sobre bruxos e Quadribol.

Deitou-se em um sofá ali perto, abrindo o livro e tentando focar a sua atenção no que as palavras estavam lhe dizendo. Mas não conseguiu se concentrar muito, logo o crepúsculo deu espaço para a noite, deixando a biblioteca consideravelmente fria e escura. Ela não queria acender a lareira.

Pegou-se pensando sobre as noites de lua cheia que estavam por vir e estremeceu, perguntando-se como Greyback passaria aquelas noites. Na certa iria se trancar em algum lugar ou se embrenhar em um mata para procurar vítimas? Ela não fazia ideia do que poderia acontecer, estava claro que ele não era um lobisomem comum. Lupin fora mordido por Greyback e só mostrava seu lado animal nas noites de lua cheia. Greyback não, o lobisomem parecia morar no homem vinte e quatro horas por dia, todos os dias. A licantropia havia o afetado a ponto de transformar até mesmo sua aparência.

Seu coração se acelerou com os pensamentos.

Por que aquilo tudo? Por que tomar certas atitudes? O que Fenrir Greyback estava escondendo de todos?

Sentiu-se inquieta e colocou o livro no sofá, levantando-se e andando pela biblioteca. Foi quando algo lhe chamou a atenção. Havia um armário pequeno ali, entre as estantes. Parecia colocado estrategicamente para que ninguém o visse com muita facilidade. Era de vidro e estava fechado. Ela se aproximou, correndo os olhos pelos títulos. Ali dentro havia uma quantidade considerável de livros que abordavam o assunto da licantropia.

Com certo atrevimento, ela tentou abrir o armário, e ficou surpresa quando a porta cedeu com facilidade. Mas antes que sua mão pudesse alcançar um livro, ela escutou um estalo vindo atrás de si, assustando-se e recolhendo a mão na mesma hora. Virou-se para ver quem era, colocando a mão no peito e sentindo o coração bater fortemente.

- Peço desculpas, mas a senhora precisa se alimentar e tomar um banho antes ir até o mestre.

Pela primeira vez em toda sua vida, Ginny sentia apenas a necessidade de colocar suas mãos no pescoço daquele elfo e enforcá-lo, mas contentou-se com uma careta, respirando fundo e saindo da biblioteca com ele em seu encalço.

Ela poderia voltar ali outra hora, de qualquer maneira.

[...]

Mesmo que soubesse que aquele momento ia chegar, ela relutou quando se deu de frente com a porta do quarto dele. Ela respirou fundo, levantando o braço para bater antes de entrar, mas antes que sua mão pudesse tocar a madeira, a porta se abriu, do mesmo modo que havia feito na noite anterior.

Com relutância, ela entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, conseguindo encontrar o lobisomem rapidamente dentro do cômodo. Ele estava no mesmo lugar que estivera na noite anterior, sentado na mesma poltrona. Ela observou o frasco com a sua poção ao lado dele.

Ela andou até onde ele estava, parando em frente à poltrona e o observando com cuidado. Ele estava calado, e não a olhava diretamente. Ginny engoliu em seco e ajoelhou-se em frente a ele, mas quando estendeu as mãos para iniciar a massagem, foi interrompida.

- Não se mexa.

Ele ordenou e ela estremeceu, recolhendo as mãos e pousando-as com cuidado nos próprios joelhos. Fenrir inclinou-se em direção a ela.

- Aproxime-se. Quero observá-la melhor.

Ela se aproximou um pouco mais dele e sentiu os olhos amarelados de Fenrir sobre si. Ele estendeu o braço, passando com estranho cuidado as costas da mão pelo rosto dela, para logo depois correr os dedos pelos cabelos ruivos. Fenrir descobriu que apreciava muito aquela cor. O vermelho estava mais intenso agora que ela tinha se recuperado fisicamente, e brilhava à medida que a claridade das chamas da lareira lambiam os fios. Os dedos dele foram em direção ao pescoço dela, passando ali rapidamente até chegar ao colo, onde ele sentiu a pele daquele lugar vagarosamente.

Ginny queria ignorar o toque dele, xingou-se mentalmente quando seu corpo foi percorrido por um forte arrepio. Mas ela tentou enfiar em sua cabeça que aquela era apenas uma reação de medo. Ou pelo menos ela queria acreditar nisso. Nunca sentiria desejo por um homem como aquele. Sentiria?

A mão de Fenrir foi em direção aos seios dela e Ginny se alarmou, tomando a coragem para se levantar rapidamente e o olhar com fúria.

- Não.

Ela disse, convicta. Fenrir apenas sorriu maliciosamente para ela.

- Não me contrarie, garota. Estou nos meus piores dias. Lembre-se disso.

Ele disse, mas ela não moveu um músculo, e faria de tudo para manter aquela distância. Mas Greyback não parecia estar com os mesmos planos que ela. Sua mão enorme envolveu o pulso dela com facilidade e ele a puxou para seu corpo, fazendo-a desequilibrar-se e cair no colo dele.

Os rostos estavam pertos demais para ser saudável. Ela era leve como pluma e ele podia sentir cada músculo da garota tremer. Ele se aproximou dela vagarosamente, pousando o nariz no pescoço dela e aspirando o aroma delicioso e doce que ela possuía. Ginny fechou os olhos.

- Por favor... isso não... – implorou.

- Não vou lhe morder.

Ele respondeu, correndo o nariz pelo pescoço dela e aspirando mais uma vez. O sangue dela corria rapidamente ali, ele podia farejá-lo. Ginny estremeceu, sua respiração começando a ficar acelerada.

- Não tenha medo, garota. O medo é pior. O medo me excita.

Aquilo foi uma escolha de palavras terrível aos olhos dela. O medo dela simplesmente triplicou, e ela percebeu vagamente o lobisomem se aproximar do rosto dela, capturando os lábios trêmulos dela com os seus.

Ginny ficou estática, apenas esperando o que ele iria fazer. Mas ele não aprofundou aquilo, apenas abriu levemente os lábios e sugou com lasciva o lábio inferior dela. Ele soltou um rosnado leve, e o corpo dela foi percorrido novamente por aquele arrepio forte e estranho. Ela temeu a reação. O que estava acontecendo com ela?

Mas antes que ela pudesse achar uma resposta, sentiu os lábios de Fenrir a deixando, e se surpreendeu que foi ele a tomar aquela atitude, e não ela. Ficou um pouco desnorteada com aquela conclusão. Ele a fitou com intensidade, e ela encontrou uma série de sentimentos nos olhos dele, desejo, fome... e algo que ela não conseguiu distinguir.

Ele desviou os olhos um pouco para baixo.

- Eu ainda quero a minha massagem.

Ela demorou alguns segundos para entender o que ele estava dizendo. Sentiu seu rosto pegar fogo, e logo depois saiu do colo dele, abaixando o rosto para que ele não visse como ela estava ruborizada. Nem mesmo ela sabia o motivo disso, então decidiu não pensar muito no assunto e concentrou-se em massagear as panturrilhas dele, sentindo as cicatrizes que ele possuía naquele lugar em específico.

Demorou alguns segundos para que passasse as mãos nos joelhos dele, indo timidamente até a parte inferior das coxas. Ela sentiu os músculos deles se contraindo, mas logo ele relaxou. Ginny permaneceu com as mãos onde estava, apertando levemente a carne ali.

- Suba um pouco, garota.

Ela respirou fundo, deslizando as mãos com timidez pela pele quente dele. As coxas dele tremeram levemente quando ela subiu um pouco mais.

- Suba mais um pouco.

Ela parou as mãos, olhando-o com atenção e raiva. Fenrir manteve o olhar com facilidade.

- Você sabe o que eu quero, garota. Está na hora de você ser mais útil aqui.

Ela não se moveu.

- Não me contrarie. Ou Snape terá que fazer poção para você a vida inteira.

Ele falava sério, ela sabia disso. Por mais que os músculos dele estivessem relaxados, Ginny sabia que ele estava excitado e começava a ficar impaciente com a demora dela. Ela teve vontade de chorar, de sair correndo, de xingá-lo e esperar pela surra, que na certa era melhor do que aquilo que ela ia fazer. Mas acovardou-se. Ter um homem daquele tamanho a olhando como ele estava naquele momento ajudou-a a tomar sua decisão.

Ela subiu as mãos pelas coxas dele, até sentir o cós do short que ele usava. Os dedos estavam trêmulos quando ela enfiou-os por debaixo do tecido leve, encontrando-o com facilidade devido à sua excitação. Ela o envolveu com delicadeza, e escutou-o rosnar levemente.

Fenrir sentiu-se mais relaxado no momento em que a pele quente dela fez contato com o seu membro. Seu rosto foi percorrido por um sorriso quase cínico, e ele pousou a cabeça no encosto do sofá, apenas sentindo o que aquela ruiva com um cheiro delicioso estava lhe proporcionando.

Os movimentos que ela fazia estavam tímidos, a mão estava trêmula, mas depois de um tempo, ela começou a intensificar os movimentos, como se quisesse acabar de uma vez com aquilo. Fenrir sabia que aquele era o objetivo dela, e ela estava obtendo sucesso naquele objetivo.

Ela fechou os olhos e apenas continuou os movimentos, e depois de algum tempo o lobisomem soltou um gemido e um rosnado mais gutural, ela pôde sentir com a mão que estava pousada na coxa dele, os músculos de suas pernas se contraírem quando ele chegou ao seu prazer.

E quando Ginny sentiu a essência dele em sua mão, percebeu tarde demais que aquilo poderia significar um caminho sem volta.