Battle Cry

32 capítulo 31


#FLASH BACK ON

Silvia abriu seu guarda roupas, ouvindo as portas rangerem e tateou o móvel a procura da prateleira mais alta onde haviam algumas caixas com coisas antigas. Ela sentiu o espaço ao lado das caixas e então encaixou o vaso que ela tinha em mãos ali. Depois disso ela fechou o guarda roupas, encostando a mão na porta e sentindo a trava virar antes de voltar seu caminho pela porta e para dentro da loja.

Ela estava terminando de regar um dos vasos de plantas quando sentiu o arrepio em sua nuca.

A ruiva descansou o regador silenciosamente ao lado do vaso e voltou-se para a presença que ela sentia a suas costas.

—Eu imaginei que você viria... Mas não tinha certeza do tempo. As cartas nunca me dizem a data. — Disse Silvia calmamente, piscando os olhos e esperando pela resposta que nunca veio. — Eu sei o que você quer fazer, — Continuou ela no mesmo tom. — Mas o garoto é esperto, ele não precisa da minha ajuda. Não mais.

Silvia esperou mais um pouco por alguma resposta, mas nenhuma veio. O silêncio na loja era tal que se não fosse pela presença que Silvia conseguia sentir ela pensaria que estava sozinha.

A respiração dela prendeu em sua garganta quando Silvia sentiu algo atravessar seu estômago uma, duas, três vezes seguidas antes de cair de joelhos no chão, derrubando o vaso as suas costas. Ela levou suas mãos ao seu estômago onde ela conseguia sentir seu sangue quente encharcar rapidamente sua camiseta e escorrer para sua calça. Silvia tentou respirar, mas se afogou e começou a tossir sentindo o gosto de sangue na boca.

—Você... — Tentou Silvia depois de cuspir o sangue em sua boca. A voz rouca e baixa. -Você não irá vencer. — A ruiva sentiu seu corpo começar a tremer, e tentou engolir o sangue que ela sentia subir lentamente por sua garganta. -Você não irá vencer.

Silvia não sentiu realmente quando seu corpo terminou de cair no chão. Assim como ela já não sentia mais a presença dentro da loja. Ela nem percebeu as lágrimas que começaram a se acumular em seus olhos que já não viam nada há muitos anos.

#FLASH BACK OFF

Stiles estava sentado em um dos bancos de espera na delegacia. Ele estava naquela mesma posição desde o momento em que ele foi liberado depois de dar seu depoimento. O adolescente ainda não estava entendendo o que exatamente havia acontecido. Quer dizer, Silvia foi morta, a facadas de acordo com a polícia, até o momento ninguém sabia como exatamente isso aconteceu ou porque. A loja estava intacta a não ser por alguns vasos quebrados. Ninguém levou o dinheiro que estava no caixa, ou nenhum dos aparelhos eletrônicos na casa de Silvia no fundo da loja, estava tudo no mesmo lugar, era como se uma fantasma tivesse aparecido ali, nem mesmo no corpo de Silvia eles encontraram algum tipo de vestígio, não tinha marcas ou qualquer outra coisa que indique que Silvia lutou ou tentou se defender de alguma forma do ataque. A arma do crime também não estava lá e ninguém podia dizer com certeza por que ela foi morta já que ela não tinha inimigos na cidade. Não haviam suspeitos, não havia pistas, não havia nada.

—Stiles... — O adolescente ergueu o olhar do chão e encontrou com o rosto preocupado de Derek a sua frente. O alfa se aproximou mais depois de receber a atenção do garoto e se abaixou um pouco para poder passar uma mão pelo rosto dele. Stiles fechou os olhos ao sentir a carícia na lateral de seu rosto e deixou um suspiro escapar.

—Derek... — Stiles voltou a abrir os olhos ao sentir a outra mão de Derek segurar o outro lado de seu rosto e olhou diretamente o alfa nos olhos. -O que está acontecendo? Por que...? Eu não sei mais o que fazer... — Stiles sentiu seus olhos queimarem com o início de um choro, mas antes que suas lágrimas começassem a cair, Derek aproximou mais seu rosto para deixar um beijo suave em cada um de seus olhos fechados, e então ele sentiu um beijo igualmente suave em sua testa e depois um beijo mais demorado em sua própria boca. Ele abriu os olhos devagar, Derek ainda estava ali. Perto e quente e calmo, e Stiles pode respirar fundo.

—Nós vamos resolver isso, nós sempre damos um jeito, não é mesmo? — Stiles concordou com a cabeça sentindo as mãos de Derek subirem por seu rosto para passar por seu cabelo antes de o trazer mais perto para outro beijo demorado. Eles se separaram quando ouviram alguém pigarrear ao lado deles e olharam ao mesmo tempo para o lado. Xerife Stilinski estava ali com uma expressão estranha no rosto e uma carta em mãos.

—Nós estávamos olhando por pistas na casa dela quando encontramos isso. — o xerife apresentou o envelope para Stiles e o adolescente olhou o papel confuso. Derek ajudou Stiles a se levantar e os dois se aproximaram do xerife. -Tem seu nome, então eu acho que é pra você.

Stiles pegou o envelope das mãos de seu pai, vendo seu nome no verso e franzindo o cenho ainda mais. Ele passou sua mão livre por seus olhos para tirar as últimas lágrimas dali e abriu o envelope. Ele olhou dentro do envelope antes de voltar a olhar para seu pai e então para Derek. Stiles virou o envelope em sua mão e observou uma chave pequena cair em sua palma.

—Uma chave? — Stiles ignorou a pergunta de seu pai para tentar lembrar de onde era aquela chave. Ele tinha certeza de que já tinha visto ela em alguma lugar, mas onde? -Stiles?

—Eu já vi essa chave com ela... Mas eu não consigo lembrar o que essa chave abre...

—Está tudo bem Stiles, você só precisa descansar um pouco. — Racionalizou Derek de forma calma e Stiles concordou com a cabeça ainda perdido em suas lembranças.

—Aliás, eu sei que esse não não é um bom momento, mas eu tenho uma má notícia para vocês. — Começou o xerife sem graça e Stiles e Derek mudaram suas atenções para o mais velho. — Melissa me ligou a uns minutos atrás me avisando que eles receberam três garotas com as mesmas características e condições de Cora essa tarde. Eu perguntei se elas tinham a marca da qual vocês estavam falando, e as três tinham.

E agora essa. O dia deles só parecia piorar e Stiles podia sentir uma dor de cabeça chegando.

Qual era o problema dessa Hag? Ela já não matou pessoas o suficiente?

Stiles ficou tenso ao se sentir ser abraçado, mas logo relaxou ao perceber que era Derek quem estava o apertando com um abraço quente. O adolescente tentou respirar fundo e pensar calmamente.

O que eles sabiam até ali? Eles sabiam com o que eles estavam lidando e sabiam como parar a criatura. Okay, mas pra isso eles precisavam de alguém específico e um recipiente específico. Eles ainda não conheciam a pessoa, mas eles sabiam qual era o recepiente. Um vaso. Agora que Stiles pensa no assunto, ele se lembra que Silvia tinha vários desses vasos de porcelana no balcão do caixa e ela nunca deixava ninguém mexer neles, sempre apontando que eles eram especiais. O problema alí era que a polícia reportou que os vasos haviam sido quebrados, o que os levava de volta ao início do problema. Onde eles arrumariam outro vaso? Primeiro de tudo no momento seria conversar com Peter. Sim, eles também precisavam encontrar essa bruxa que tem afinidade com a morte para fazer o exorcismo, talvez ela saiba onde encontrar mais desses vasos especiais.

—Eu posso praticamente ouvir você pensando. — Apontou Derek em voz baixa, apertando ainda mais seu abraço e Stiles aproveitou para esconder seu rosto no pescoço dele antes de o apertar pela cintura. — O que você quer fazer?

—Eu preciso conversar com Peter...

—Okay...

Eles ficaram mais um momento abraçados antes de Stiles erguer a cabeça para olhar Derek nos olhos. O Alfa parecia cançado, os olhos verdes tinham um toque triste e Stiles só queria que tudo desse certo e que eles pudessem ficar felizes e despreocupados.

O adolescente deixou um beijo rápido nos lábios do alfa antes de se afastar do abraço.

—Vamos, nós precisamos terminar com essa história rápido. — Derek concordou com a cabeça antes de se aproximar para também deixar um beijo rápido na boca de Stiles fazendo o adolescente sorrir um pouco antes de o puxar pela mão.

Eles se despediram do xerife que parecia sem graça com a demonstração de afeto deles e sairam da delegacia. Derek levou Stiles até o carro dele, abrindo a porta do Camaro para que o adolescente entrasse no lado do passageiro antes de andar até o outro lado e entrar no carro.

*****

Peter estava ao lado de Cora, sentado em uma cadeira e lendo um livro enquanto a garota continuava a dormir. O lobo mais velho ergueu seu olhar das páginas de seu livro e ergueu uma sobrancelha na direção de Stiles que estava parado no portal da porta. O garoto parecia incerto.

—O que aconteceu dessa vez?

—É a Silvia... Ela, ela foi assassinada.

Peter franziu o cenho, piscando algumas vezes antes de marcar a página com um marcador e fechar o livro. Ele arrumou sua postura na cadeira e Stiles deu um passo a mais para dentro do quarto.

—Quando...?

—Eu não sei... Eu cheguei a loja pro meu turno e encontrei ela morta.- Peter ignorou a falha na voz do adolescente para mudar seu olhar para Cora que as vezes retesava durante o sono.

—Você acha que a morte dela tem algo a ver com o que está acontecendo com Cora."- Afirmou Peter e Stiles concordou com um aceno de cabeça.

—Silvia tinha o vaso que nós precisávamos. Eu acho que ela tinha pelo menos. Mas agora, ela morreu e os vasos na loja foram as únicas coisas destruídas. Quem a matou sabia sobre os vasos.- Eles ficaram um momento em silêncio, apenas tentando entender o que estava acontecendo.

—Você não veio aqui só pra me contar isso, não é?- Perguntou Peter com uma careta, e Stiles deu um sorriso amarelo.

—Eu acho que não tem uma forma discreta ou sútil pra perguntar sobre isso, então eu apenas serei direto, okay?

—Por favor.

—Como você conseguiu voltar dos mortos?- Perguntou rapidamente Stiles e Peter ergueu suas sobrancelhas em surpresa.

—Bom, eu usei magia. Eu pensei que você já soubesse disso.- Stiles chegou mais perto e franziu o cenho.

—Eu sei disso, mas, como exatamente você conseguiu voltar? Você teve a ajuda de alguém, não teve? Alguma bruxa com ligação ao mundo dos mortos.- Tentou Stiles parecendo ligeiramente desesperado e Peter franziu o cenho confuso.

—Bom, sim, eu tive ajuda de uma bruxa com ligação ao mundo dos mortos.

—Quem?

—Stiles, não me diga que você ainda não descobriu quem?! Você sabe que pra voltar a vida eu não precisava apenas de uma bruxa, mas essa bruxa também tinha de ter algum tipo de ligação a mim.- Apontou Peter com uma expressão estranha no rosto e Stiles bufou irritado.

—Peter, eu não estou pra brincadeira hoje! Será que você pode me dizer de uma vez quem é essa pessoa?

—Eu não estou brincando Stiles, é só que vocês nessa pressa toda esqueceram desse pequeno detalhe aparentemente. Vocês conhecem a bruxa, Derek apontou o que ela fez, lembra? Você sabe quem ela é.

—Eu sei quem ela é...

—Stiles, pense: quem foi a pessoa que me ajudou na época? Fica olhando pro nada como se conseguisse ver vultos, mais inteligente do que parece ser realmente, fala latin perfeitamente, adolescente ruiva... Percebe alguma semelhança?- Stiles franziu o cenho por um minuto, relembrando os acontecimentos do ano retrasado e tentando fazer sentido nas palavras de Peter. E então sua ficha caiu.

—Não... Você não pode estar falando da... Não. Quer dizer, se ela fosse uma bruxa eu saberia, não é? Quer dizer, ela nem mesmo usa feitiços ou prepara poções ou pragas... Não pode ser.

—Sim Stiles, é ela mesma. Senhorita Lydia Martin, a própria.- Peter cruzou os braços e se deixou divertir com as expressões estranhas passando pelo rosto do adolescente.

—Mas... Como...

—Quando eu mordi Lydia, eu devo ter ativado algo no sangue dela. Caso você não lembre, ela não se transformou em lobisomem e nem morreu. Vocês disseram que ela era imune, o que ela é porque ela já é uma criatura e por causa disso não pode se transformar em outra.- Explicou Peter abrindo seu livro de volta na página que ele marcou mais cedo e voltando a sua leitura, ignorando o garoto e sua boca aberta.

Stiles ainda ficou mais um tempo apenas parado alí, encarando o nada e tentando fazer sentido das coisas. Seus pensamentos correndo e se atropelando em sua cabeça.

Ele piscou algumas vezes, e então deu meia volta, andando rápido para fora do quarto e tirando apressado o celular do bolso.

—Lydia?- Ele perguntou assim que a chamada foi atendida.

O que aconteceu dessa vez Stiles?

—Eu descobri como acabar com a criatura que está atacando Cora.- Ele desceu as escadas encontrando com Derek na sala que já o esperava com a chave do Camaro na mão.

—O quê? Como?

—Eu preciso que você me encontre na loja de chá em quinze minutos, você consegue?

—É melhor você estar lá em dez, Stilinski.— E com isso ela encerrou a ligação e Stiles voltou o celular no bolso.

—O que você pretende fazer?"- Questionou Derek parecendo sério e decidido, e Stiles apenas tirou a chave que ele ganhou do outro bolso e a apertou em sua própria mão.

—Primeiro eu irei descobrir pra que essa chave serve.- Explicou Stiles saindo pela porta e seguindo para o carro que Derek destravou com o controle do alarme na chave.

—E depois?- Perguntou o alfa entrando no carro atrás do volante e olhando Stiles sentar no bando do passageiro, fechar a porta e então o olhar confiante.

—E depois, eu vou acabar com essa Hag ou seja lá o que essa coisa é.

—----------sterek end cap 31--