Battle Cry
33 capítulo 32
Derek estava no carro do lado de fora do outro lado da rua. Lydia ao lado de Stiles, não havia aberto a boca para falar nada além de o dizer que ele estava atrasado. Os dois estavam procurando por gavetas ou algum tipo de baú em que servisse a chave que Silvia deixou para Stiles, mas estava difícil.
Stiles ainda se sentia estranho andando na loja e na casa de Silvia sem a cartomante ali o xingando por mexer nas coisas e o precavendo sobre acontecimentos que ainda iriam acontecer. E Lydia toda silenciosa ao lado dele o estava deixando nervos.
Stiles sentiu uma brisa gelada passar por sua nuca e pulou assustado ao levar uma mão ao pescoço e esfregar o local enquanto olhava para os lados no corredor escuro.
—Eu não gosto de ficar aqui Lydia, eu tenho a impressão de que tem alguém me vigiando.- Estremeceu Stiles se aproximando da última porta no corredor e perdendo o rolar dos olhos de Lydia que andava atrás dele.
—Não seja idiota Stiles, não tem ninguém aqui além de nós. — Afirmou Lydia empurrando Stiles pra dentro do quarto quando percebeu que este não sairia da porta se alguém não o ajudasse para dentro. O adolescente tropeçou pra dentro do cômodo e virou uma careta irritada para a garota. Lydia apenas torceu o nariz para ele antes de bater a mão no interruptor na parede para acender a luz.
O quarto era pequeno, assim como os outros cômodos da casa. Tinha a cama box com uma cabeceira de madeira em uma parede, uma janela média com cortinas em tom marfim na parede de frente para a porta, e um guarda roupa grande na parede contrária a cama. O guarda roupa era escuro e parecia ter saído de uma novela de época com os detalhes esculpidos nas portas e... Trincas.
Stiles franziu o cenho e chegou mais perto do guarda roupa enquanto tirava o chave do bolso. Ele olhou da chave em sua mão para a fechadura da porta algumas vezes, tentando medir com os olhos o tamanho das duas antes de tentar colocar a chave no buraco.
A chave encaixou e ele virou a mesma, ouvindo o "clak" da trava abrir e então parou. Ele esperou alguma outra coisa acontecer, como um vendaval, ou uma luz do além ou até mesmo um raio. Uma porta secreta teria sido legal também, mas nada aconteceu. O que Stiles achou anticlimatico, mas tudo bem.
Ele abriu a porta do armário para encontrar três cobertores dobrados na parte de baixo e uma prateleira em cima com algumas caixas de papelão e um vaso branco de porcelana no meio. Um vaso idêntico aos que foram quebrados na loja.
Ele olhou por cima do ombro para encontrar Lydia que olhava sem piscar, o vaso inocente guardado ali.
—É o vaso.- Afirmou a ruiva, e Stiles engoliu saliva nervosamente.
—Você tem certeza de que-
—É o vaso, Stiles. Eu tenho certeza. Eu não sei como eu sei disso, mas eu posso sentir...- Lydia deu um passo para trás e franziu levemente o cenho. -Apenas pegue ele de uma vez e vamos embora. Esse lugar está começando a me dar calafrios.- Apontou a ruiva, e Stiles se apressou em pegar o vaso, quase derrubando o mesmo no chão quando Lydia rissou para ele ter cuidado.
Os dois se apressaram para fora do quarto, andando a passos largos pelo corredor até a entrada da loja e de lá para fora.
Derek que estava encostado no camaro, olhou os dois adolescentes saírem apressados e de olhos arregalados de dentro da loja, e arrumou a postura, preocupado com a cara deles.
—O que aconteceu?- Perguntou o alfa quando os dois chegaram mais perto e seguiu com os olhos Lydia andar até o carro dela que estava estacionado atrás do Camaro e entrar no veículo. Ele voltou um olhar questionador para Stiles que parecia estar mais branco que o normal.
—Não aconteceu nada, não se preocupe. É só que é realmente estranho entrar lá sem a Sílvia, e sei lá... É estranho.- Derek esfregou as costas de Stiles com uma mão, tentando acalmar o mais novo que segurava um vaso branco contra o peito.
—Era isso o que você estava procurando? — Ele perguntou ao olhar o vaso e Stiles seguiu seu olhar antes de erguer as sobrancelhas de forma surpresa como se estivesse esquecido do vaso.
—Ah, sim, sim, é esse o vaso. Estava guardado dentro do guarda roupa.
—Você acha que ela colocou ele lá de propósito?- Questionou Derek apontando com o queixo o vaso enquanto direcionava Stiles para o lado do passageiro com uma mão baixa em sua coluna. Ele abriu a porta para o adolescente e esperou ele entrar no carro para então fechar a porta e correr para o lado do motorista.
—Eu acho que ela sabia que iria ser assassinada.- Explicou Stiles lutando com o cinto de segurança enquanto tentava não derrubar o vaso. Derek tentou segurar um sorriso carinhoso ao se mover para ajudar o adolescente colocar o cinto. -Eu não sei por que ela não disse nada, a gente podia ter tentado alguma coisa pra ajudar ela...
—Talvez a morte dela fosse algo que não pudesse ser evitado. Se ela realmente sabia o que iria acontecer e mesmo assim não te disse nada, eu acho que é porque não tinha nada que você pudesse fazer pra ajudar... Talvez ela só quisesse te previnir de se sentir mal por não poder fazer nada.- Explicou Derek olhando Stiles abraçar o vaso e franzir o cenho.
—Eu ainda acho que eu poderia ter feito alguma coisa...
Derek ficou em silêncio dessa vez, apenas ligando o carro e saindo da vaga para seguir o caminho de volta pra reserva, o carro de Lydia os seguindo de perto.
*********
—Okay, nós temos o vaso,- Apontou Stiles com um gesto de sua mão a cerâmica no meio do quarto e então acenou na direção de Lydia. — E nós temos a bruxa. — Lydia ergueu uma sobrancelha e colocou as mãos na cintura. Stiles a ignorou para olhar Peter sentado na cadeira ao lado da cama de Cora. — O que a gente faz agora?
—Você disse alguma coisa sobre um exorcismo, não foi? Bom... — Peter deu de ombros e Stiles rolou os olhos.
—Mais pesquisa então. A não ser que alguém aqui saiba alguma coisa sobre exorcismo? — Questionou esperançoso o adolescente olhando de Peter para Lydia mas os dois apenas o olharam de volta e ele suspirou cansado. -Eu vou pegar os livros na sala.
Passar o resto da tarde e da noite pesquisando sobre exorcismo não era algo que Stiles esperava fazer algum dia em sua vida, mas foi o que ele fez.
Peter em algum momento da noite saiu do quarto para deixar Derek atendendo Cora e desceu para a sala ajudar na pesquisa.
Em algum momento no meio da madrugada, Stiles estava quase dormindo debruçado sobre um livro no sofá, e então se arrepiou quando ele sentiu o ar mudar pra algo mais gelado e viu pelo canto dos olhos, Lydia, ficar tensa e erguer a cabeça do Notebook que ela usava. Stiles se virou para ela e ouviu Peter levantar devagar do sofá.
—Lydia?- Chamou Stiles num tom cuidadoso, mas a ruiva nem ao menos se virou para o olhar. -Lydia, o que aconteceu?
—Ela está aqui.- Avisou Lydia em voz baixa e Stiles sentiu um arrepio subir por sua nuca. Ele pareceu finalmente perceber o quão silenciosa a casa estava, nem mesmo o vento nas árvores lá fora era possível ser ouvido. Era como se o tempo tivesse parado e ele estava repentinamente consciente de sua própria respiração.
Stiles tentou se focar para ouvir qualquer outro som que não fosse o estralo em sua garganta quando ele engoliu a seco, e então ele percebeu um som estranho no ar. Era como se alguém estivesse sussurrando alguma coisa longe o suficiente para ele ouvir a voz mas não entender as palavras.
Eles ouviram um barulho na escada, e Lydia finalmente olhou por cima do ombro na direção de Stiles.
—Ela está aqui.- Avisou ela outra vez antes deles ouvirem Derek chamar pelo nome de Cora e então Stiles e Lydia se levantaram e Peter já estava correndo escada a cima.
Lydia se aproximou do vaso de porcelana ao lado do sofá mas não o pegou. Stiles então se apressou para o lado dela, pegando o vaso e a olhando ancioso.
—Você encontrou alguma coisa no bestiário?- Perguntou Stiles preocupado, observando Lydia olhar para cima como se pudesse ver através do teto o que estava acontecendo no quarto no andar de cima. A ruiva confirmou com uma aceno de cabeça antes de voltar seu olhar arregalado para Stiles.
—Eu achei, mas não está completo. Tem uma parte que eu ainda não consegui traduzir...
—Lydia, essa pode ser nosso única chance. Nós não sabemos quando a encontraremos de novo. -Apontou Stiles nervoso e Lydia mordeu o lábio inferior o olhando incerta antes de voltar para a frente do Notebook. Stiles olhou para cima quando ouviu alguma coisa quebrar no outro andar e quase derrubou o vaso em seus braços quando Lydia o puxou pra baixo para que ele se sentasse ao lado dela.
—Não se preocupe com eles, eles estão bem. Preste atenção aqui. — A ruiva apontou com um dedo uma parte do texto na foto da página amarelada de um livro na tela do Notebook, e Stiles apertou os olhos contra a luz da tela tentando fazer sentido das frases em Latin. -Está vendo? Essa parte aqui diz que: "apenas aquele com a habilidade de navegar o corpo conseguirá saltar do Purgatório."- Leu Lydia antes de voltar um olhar preocupado para Stiles. -Eu não entendo o que isso significa. Eu acho que estou traduzindo de forma errada... Talvez eu esteja sendo literal demais? — Ela voltou a olhar a tela e Stiles olhou pra cima outra vez ao ouvir Peter chamar seu nome.
—Bom, nós podemos tentar descobrir isso depois, sim? Agora nós temos de salvar Cora. Você sabe o que fazer para prender a Hag?- Perguntou Stiles levantando do chão e apressando Lydia a o seguir.
—Sim, sim eu sei. Eu acho que não vai ser difícil... Mas tem um pequeno problema.- Stiles parou no meio da escada para se virar lentamente para Lydia que o olhava preocupada. -O exorcismo não é bem um exorcismo... — Stiles piscou os olhos na direção da garota.
—O que, exatamente, você quer dizer com isso?
—Não sou eu quem irei prender a Hag exatamente. Tem de ser outra pessoa, alguém que consiga segurar o recepiente. — Explicou Lydia apontando o vaso que Stiles segurava contra o peito. -O meu papel aqui é apenas transferir a Hag de um corpo para o outro.
—Mas como-
—A Hag é um espírito vingativo, Stiles. Teoricamente falando, ela já está morta, o que me faz sensível a presença dela, mas eu não posso prende-la, minha habilidade não funciona desse jeito, eu sou apenas uma condutora. Você vai ser quem irá prende-la.
—Mas como eu irei fazer isso?!- Exasperou-se Stiles e Lydia fez uma careta.
—Eu disse que minha tradução não estava completa. Mas como você também já disse: nós podemos tentar descobrir isso depois". — Terminou a ruiva dando uns tapinhas no rosto de Stiles antes de passar pelo adolescente que tinha a boca aberta.
Não demorou muito para Stiles seguir Lydia escada a cima e correr para o quarto de Cora.
Stiles estava tentando ignorar o sussurro no ar que ele ainda podia ouvir, o que foi mais fácil de fazer ao chegar perto do quarto de Cora e ouvir Peter chingando e Derek tentando acalmar Cora. Quando o adolescente entrou no cômodo, ele viu a cama quebrada ao meio e Derek e Peter em cima do colchão tentando manter Cora deitada. Peter olhou irritado para eles quando os dois adolescentes entraram no quarto.
—Vocês terminaram de conversar, ou será que querem mais um tempinho a sós? -Lydia ignorou o tom de Peter para se aproximar mais de Cora pelo outro lado, e se sentou ajoelhada ao lado de Peter. Stiles sorriu sem graça tentando ignorar a visão de Cora se remexendo e tentando se soltar do agarre dos dois lobisomens ali, mas era difícil manter os olhos longe da Lupina que estava meio transformada e rosnando no meio do quarto.
Stiles ficou parado perto da porta sem saber realmente o que fazer ali enquanto Lydia esticava um braço e deixava sua mão mais perto do rosto de Cora. A ruiva virou o rosto para olhar irritada Stiles.
—O que você está fazendo aí? Vem aqui de uma vez!- mandou impaciente Lydia, e Stiles se apressou em obedecer. Ele se sentou do outro lado de Lydia, mais perto de Derek que segurava os ombros de Cora, e Lydia agarrou um de seus braços antes de finalmente tocar a testa de Cora. Instantaneamente Stiles sentiu seu corpo cair e ele abaixou a cabeça, apertando os olhos fechados para tentar se recuperar da tontura. Era como se sua pressão tivesse diminuído repentinamente, e ele sacudiu a cabeça tentando afastar a sensação esquisita. Assim que ele ergueu a cabeça, ele parou todos seus movimentos porque ele não estava mais no quarto de Cora.
Ele olhou lentamente para os lados, e percebeu que estava na reserva perto da mansão. Ele podia ver a casa por entre as árvores a sua direita, mas não tinha sinal nenhum de que mais alguém estava ali.
As luzes de fora da casa estavam apagadas, então Stiles só enchergava o vulto da mansão graças a luz que a lua crescente estava jogando na reserva.
Como ele havia parado ali fora? Quer dizer, um momento ele está no quarto e no outro ele está do lado de fora da casa. O que aconteceu? Ele não lembrava de ter feito nada de diferente.
Stiles se levantou do chão, finalmente notando que não tinha mais o vaso em mãos, e bateu em suas calças para tirar as folhas secas que se recusavam a se soltar. Ele olhou mais uma vez ao seu redor antes de começar a voltar o caminha até a mansão.
Subindo os poucos degraus até a varanda, Stiles ainda tentou notar alguma diferença a sua volta, mas tudo parecia normal a não ser pelo fato de ele estar do lado de fora da casa.
Ele chegou em frente a porta, colocou a mão na maçaneta e parou.
O silêncio ali parecia estar mais pesado, e Stiles tinha a impressão de estar enchergando o vulto de alguém em sua visão periférica. Ele virou o rosto para olhar para o lado e então por cima de seu ombro, mas não havia ninguém ali além dele mesmo. O adolescente voltou a olhar para a porta, ele piscou, e o vulto voltou a aparecer em algum lugar quase em sua visão.
Stiles engoliu a seco ao sentir alguém respirar perto de seu pescoço e tentou enchergar alguma coisa pelo canto dos olhos, mas o que quer que fosse aquilo ali nunca ficava diretamente em sua linha de visão. Ele voltou sua atenção para a porta e apertou a maçaneta em sua mão antes de vira-la e empurrar a porta.
Stiles sentiu seu corpo tensionar e ele prendeu a respiração ao se deparar com a cena a sua frente. Ele tentou respirar e o ar saiu trêmulo de sua boca. Ele olhou uma última vez por cima de seus ombros, a reserva continuava ali a alguns metros da varanda da mansão, e então voltou a olhar para dentro da casa.
Finalmente o som voltou a fazer parte de tudo, e o primeiro "bip" da máquina que controlava os batimentos cardíacos do paciente se fez ouvir.
Ele deu um passo para dentro do quarto para o qual a porta abriu, e Claudia, sua mãe que parecia dormir na cama acordou. Abrindo os olhos lentamente e virando o rosto para o olhar entrar no quarto.
Stiles não entendia realmente o que estava acontecendo. Quer dizer, ele abriu a porta de entrada da mansão, e então ele estava ali. O quarto era o mesmo o qual ele lembrava de sua infância de quando ele visitava sua mãe no hospital. As paredes brancas, a cama no meio do quarto, uma poltrona de um lado, uma cadeira ao lado da cama perto do criado mudo, a tv pequena na parede de frente para a cama e a outra porta para o banheiro. Sua mãe estava ali, com todos os aparelhos que ela usou quando no fim de seu tratamento. O aparelho que a ajudava a respirar, as bolsas de soro penduradas no tripé do outro lado da cama e o aparelho que controlava os batimentos cardíacos. Haviam outras coisas ali dentro, mas assim como em sua infância, Stiles não conseguia realmente se focar em algo que não fosse sua mãe e a aparência frágil dela. Os olhos e bochechas fundos. A boca craquelada e pele opaca. O sorriso que ela abriu para ele era pequeno, como se ela não tivesse força o suficiente para sorrir, e Stiles sentiu seu peito doer e apertar com a cena.
Ele mordeu o lábio inferior ao senti-lo começar a tremer, mas não conseguiu segurar as lágrimas que já embaçavam sua vista e faziam o quarto mexer em sua visão.
—Mãe?
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