Batman - A Loucura do Morcego
6 Capitulo 6
Notas iniciais
O corredor escuro se iluminara por alguns segundos graças a um relâmpago. Tempo o suficiente para que Coringa visse a face de Batman. Barba por fazer, cortes grossos na pele, olhos inchados e avermelhados. O capuz e o resto do uniforme estavam em frangalhos. O ex-heroi e agora assassino em massa aparentava está bem mais magro que o costume. Mesmo assim ele sorria. Coringa finalmente estava vendo o resultado de seu ultimo grande crime. Ele sentia algo que achava que nunca mais iria sentir a bastante tempo. Arrependimento.
— Você está ótimo. Trocou a loção pós-barba? – Coringa suava frio.
Batman nada falou. Dois segundos depois soltou uma gargalhada de ecoou pelo corredor. Seus dentes estavam podres.
— Essa foi boa, C. Vou lembrar de usar em outra ocasião.
Coringa deu um sorriso forçado. Prendia a respiração diante do hálito mal cheiroso de Batman. – Então. O que faz aqui? Veio ver a explosão do Arkham de perto? Hehe...
— Não. Vim por outro motivo. – Batman apertou mais ainda a gola da camisa de Coringa. – Vim por você.
O palhaço parecia que estava engolindo uma bola de tênis. O suor frio evoluiu para frases gaguejantes.
— É me-mesmo?...
— Sim. Antes do fim eu tenho que lhe dizer uma coisa. – Batman aproximou seu rosto mal tratado ao de Coringa. Os olhos do vilão se arregalaram.
— Obrigado. – disse o morcego.
Coringa piscou. E piscou de novo. E piscou mais uma vez.
— Obrigado? – repetiu ele. Pelo que?
Batman deu um largo sorriso.
— Ano após ano eu persegui você. Você cometeu todo tipo de crime e barbaridades. No começo eram coisas pequenas e infantis, apesar de perigosas. Mas você não se satisfazia e seus atos ficaram cada vez pior. Você machucou pessoas. Matou pessoas. Pessoas que eu amava. E eu sempre o pegava e o prendia. Mas isso não adiantava, nunca adiantava. E você sabia e ria de mim pelas costas. Certa vez você queria me ensinar uma lição. De que qualquer bom cidadão enlouqueceria tendo um dia terrível. Na ocasião eu provei que você estava errado. Mas olha só a que ironia cósmica chegamos. Você conseguiu. Conseguiu me quebrar. Não meu corpo, como Bane fez. Mas minha mente. E foi exatamente a parte que me segurava até então para não ultrapassa a linha. A linha que você sempre queria que eu ultrapassasse. Para que eu visse como o mundo era de verdade. Um grande fosso cheio de esterco até a borda. Essa parte eu inventei agora. Mas você queria me mostrar algo assim. Algo que para que eu visse que meus métodos eram em vão.
E vejamos só. Não é que você estava certo desde o inicio. Em menos de um ano acabei com quase 90% da criminalidade de Gotham. O resto perecera esta noite.
— Mas só se o código não for decifrado. N-não é? – interrompeu Coringa.
Batman suspirou.
—É mesmo. Tem esse detalhe. – disse ele, olhando para o lado. – Se Charada não resolver, estará tudo perdido.
Mais um momento de silencio.
— Nossa, veja só a hora! – Batman olhava um relógio de pulso no seu braço esquerdo. Coringa reparou que ele era de ponteiros e que tinha um desenho do Pernalonga. – Falta sete minutos para meia-noite. Hora de ir.
Batman foi em direção a uma janela aberta. Olhou alguns segundo para a chuva torrente do lado de fora. Depois virou-se para Coringa.
— Espero você no topo da Torre Wayne, em meia-hora. Não se atrase.
Coringa ficou confuso.
— Na Torre Wayne? C-como assim? Você não veio me matar pessoalmente?
Batman deu uma risadinha.
— Não, seu estupido. Você não prestou atenção que eu vim lhe agradecer por tudo que me fez? Não o quero morto, ainda. Não antes de você ver o grã-finale. – Ele olhou pela janela de novo. – Ele já deve estar vindo. – Voltou sua atenção ao palhaço. – Siga até o final desse corredor e encontrará uma saída de emergência. Não se preocupe com a policia. Matei os guardas que estavam vigiando a saída. Até!
Com um pulo Batman atravessa a janela e some na noite chuvosa. Coringa estava sem reação. Tentava processar em sua mente nada sã o que acabara de acontecer. De repente lembrou dos poucos minutos que tinha antes da provável explosão do Arkham. Disparou pelo corredor iluminado pela luz dos relâmpagos que entravam pelas janelas. Ao mesmo tempo pensava se, talvez, o código que desativava a explosão não teria sido já decifrado.
DBCVN. Charada não parada de olhar as cinco letras que brilhavam no tablete. E elas o estavam irritando muito. Já havia tentado mais de cem combinações das letra nos cinco espaços que estavam disponíveis para a resposta que desativaria a bomba. Mas só o que conseguiu foi uma dor constante na cabeça. A bateria do aparelho indicava que estava perto do fim, e o a hora na outra ponta da tela indicava que, realmente, o fim estava próximo. Quatro minutos para meia-noite.
— Droga. Como pode esse maldito Batman ter feito um código assim?! Isso não é um anagrama. Essas letras não formam palavra nenhuma que eu conheço! Não tem nem se quer uma vogal. Essa porcaria é uma mentira, não tem solução. Esta tudo fora de ordem!!!
Algo nesta ultima frase fez com que Charada sentisse um choque no fundo da mente. Seus olhos se arregalaram e sua boca se abriu em um largo sorriso.
— É isso!
As escadas de metal rangiam e faziam um barulho que ecoava. Coringa descia o mais rápido que suas pernas franzinas podiam aguentar. Suava como nunca havia suado desde que esse inferno na terra trazido por Batman começou. E ele tinha um mal pressentimento de como iria terminar. De qualquer modo não queria terminar em vários pedaços daqui a poucos minutos. Finalmente o ultimo degrau foi alcançado. E, poucos metros à frente, uma porta com os dizeres SAIDA. Finalmente ele sorriu de alegria. Fazia semanas que não sentia isso. Disparou até a porta. Chegando nela reparou em dois policiais táticos deitados no chão. Uma poça de sangue se espalhava de cada um. Coringa segurou a maçaneta da porta e deu uma piscada para a dupla de cadáveres.
— Boa noite pessoal. Digam adeus à Gordon por mim.
Ele gira a maçaneta e abre a porta com fúria. Um punho cerrado vai em sua direção afundando o seu nariz e o mandando pro chão com força.
— Seu desgraçado. – Jim Gordon olhava para Coringa, sua mão fechada na frente do corpo.
Ele entra e vê a cena brutal dos dois policiais mortos. A fúria sobe sua cabeça e ele saca a arma apontando para o caído Coringa.
— Não fui eu. Juro! Não fui eu!
— Desgraçado! Como fugiu?! Como os matou?! – ele levanta coringa com a mão esquerda. A direita apontava a arma para sua cabeça. – Deus. Por isso eles não respondiam no rádio! Maldito! Hoje você não escapa! Nunca mais!
— FOI O BATMAN! FOI O BATMAN! – berrou Coringa.
A face furiosa de Gordon se mesclou com uma expressão de confusão. Ele empurrou o cano da arma na têmpora do vilão.
— Explique! Onde está ele?! Ele está aqui?! RESPONDA!
— Ele me soltou da cela e matou os guardas para eu fugir. Disse que queria me agradecer por mostrar a ele a “verdade”. Eu juro! JURO!
Gordon olhava para o chão e respirava ofegante. Pensava varias coisas ao mesmo tempo. Olhou novamente para Coringa.
— A bomba! Ele falou algo da bomba?
— Não. Não disse nada!
— Tem certeza?! Se estiver me escondendo algo eu juro que...!
A arma agora pressionava com força a testa do tremeluzente Coringa.
— JURO! Ele só disse que seria uma pena se o código não fosse decifrado. Foi só isso!
Gordon pressionava a arma com toda a sua fúria no olhar. Mas só o que ele via era um vilão covarde e sem, mas nada a dizer. Ele respirou fundo e recuou a arma da testa de Coringa. Virou o vilão na direção da escadaria de incêndio e começou a empurra-lo com força.
Droga. Tão perto, pensava Coringa. Ele começava a lacrimejar.
De repente Gordon parou de andar. Sua expressão mudou radicalmente. Seus olhos se arregalaram, como se tivesse visto outra cena chocante fora a de poucos minutos. Coringa nada entendeu.
— O que foi? – perguntou o palhaço.
— Você disse que Batman falou que seria uma pena se o código fosse decifrado?
— Sim. Foi isso. Quer que eu juro quantas vezes mais?
A expressão surpresa de Gordon não mudou.
— E por que ele falaria isso?
Coringa pensou por um segundo.
— Talvez vá sentir falta dos nossos amigos. A Hera Venenosa, o Espantalho, o Chapeleiro Louco...
— Não idiota! Ele os quer todos mortos. Não percebeu ainda? Meu Deus!!! – Gordon soltou Coringa e disparou para a escada acima. Coringa olhava o policial subindo os lances de escada como um desesperado. Ainda não estava entendendo nada. Mas isso pouco importava agora. Porque atrás dele estava a porta de sua liberdade.
— É isso que ele queria! É ISSO QUE BATMAN QUERIA O TEMPO TODO! – Gordon agora corria por um dos corredores de Arkham.
Charada sorria como uma criança e seu novo brinquedo nas mãos.
— Batman idiota. Achou mesmo que eu não resolveria isso? DBCVN. Está mais claro que água agora. As letras não formam palavra nenhuma porque não são as letras certas. Você simplesmente pegou a palavra de cinco letras e substituiu cada letra pela letra seguinte do alfabeto. Fazendo o inverso a letra D vira a letra C. A letra B vira A. E assim por diante. Que patético, e bem genial, admito. Vejamos, substituindo as letras a maldita palavra é... — Charada fez uma expressão torta. — CABUM. O que isso significa?
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