A Torre Wayne é o edifício mais alto de Gotham City. E não era por menos. Já que é nele que se concentra o centro administrativo das Industrias Wayne. Ela possui quase cem andares, repletos de laboratórios e escritórios para todo o tipo de negócios que as Industrias Wayne comandam. Como a Wayne Tech, Wayne Aerospace, Wayne Biotech, entre outros. No topo do edifício se encontra um heliporto exclusivo dos altos executivos da empresa. Principalmente para seu proprietário, Bruce Wayne. Quem deseja ir ao heliporto partindo do térreo terá que pegar o elevador e esperar quase vinte minutos (se não houver paradas) até chegar ao terraço. Já aqueles que se aventurarem em ir pelas escadas terá que ter muito folego e força nas pernas para subir os cem andares por quase uma hora e meia. E é isto que o infeliz Coringa está fazendo agora.

Ele já estava no 52º andar, ou era 53º? Ele já não sabia mais dizer. Os elevadores do prédio não funcionavam mais. Nada mais funcionava ali. O prédio estava abandonado. Nenhum dos empregos das Industrias Wayne restava ali. Tudo estava uma desordem. Como se as pessoas tivessem abandonado o prédio ás pressas e deixado tudo para trás. Apenas as luzes de emergência dos geradores restavam. Em cada andar as cenas eram parecidas. Moveis virados, vidros quebrados e papeis e mais papeis espalhados. Em outros tempos a entrada de Coringa no prédio seria a causa disso tudo. Mas, desta vez, ele não é o culpado.

E, depois de mais alguns andares e centenas de degraus, o cansaço o vence. Ele entra em um dos andares pela porta que leva acesso as escadas. Ali parecia ser a parte mais administrativa do prédio. Em tropeços e se arrastando, com o corpo cansado ele procura entre as gavetas das mesas no local. Até que acha o que procurava ansiosamente. Uma barra de cereal. Coringa se senta numa cadeira de rodinhas e mastiga vorazmente a barra. Para ele era um banquete. Depois de saciar um pouco sua fome ele se encosta numa das janelas no escritório. Agora ansiando por uma brisa que esfrie o seu rosto suado. Mas a única coisa que o vento noturno de Gotham lhe trais são cinza e enxofre. Olhando pela janela, no horizonte leste da cidade, uma coluna de fogo ilumina a cidade sitiada por um homem só. Aquela coluna de fogo esta aonde a poucas horas se encontrava o Asilo Arkham. Antes de ser explodido por uma bomba que foi ativada após um jogo traiçoeiro. E Coringa está indo justamente ao encontro do criador desse jogo.

Algum tempo e muitos andares depois, Coringa chega à cobertura da Torre. Exaustivamente cansado. Intensamente abalado. Cada respiração fazia arder seus pulmões. Seu coração batia num ritmo violento. Lá em cima o cheiro do enxofre trazido pelo vento era mais forte. O céu estava escuro, mas não era por nuvens. Simplesmente não haviam estrelas brilhando. Coringa se soltou da porta que dava acesso à cobertura, e aos tropeços conseguiu dar dois passos para frente. No terceiro ele caiu. O cansado o vencerá. Sua vista estava escura. Não sabia se era pelo céu de Gotham ou se estava desmaiado, ou se, finalmente morrido. E tudo se silenciou.

— Espero que me perdoe por isso. – disse uma voz.

Lentamente Coringa abre os olhos. A visão estava embaçada, mas voltava aos poucos. Percebeu que não estava mais deitado aonde havia caído. Estava encostado contra uma das muretas de proteção do terraço. Ao seu lado havia um pequeno monte de barras de chocolate e uma garrafa d’agua. Sem nem pensar ele as devorou.

— Fique à vontade. Você merece. – disse de novo a voz.

Com a boca entupida de chocolate, Coringa olha para a direção dela. Batman estava do outro lado do terraço olhando para o horizonte de Gotham. Coringa se engasgou no mesmo instante.

— Pode comer com calma. – disse Batman, suavemente. – Você deve estar com todas as suas forças para contemplar o está noite. A ultima noite de Gotham.

Coringa bebeu metade da garrafa de água num gole só. Pigarreou e se levantou.

— O que quer dizer? Vai explodir a cidade toda também? – perguntou.

— E não seria bom?

Coringa pensou que não sabia mais o que era bom nem mal naquele momento.

— Venha, se aproxime. – disse Batman. – Quero lhe mostrar uma coisa.

A cada passo que dava Coringa sentia as suas forças voltarem lentamente. Mas quanto mais se aproximava de Batman aquele pavor que estava sentindo nas últimas semanas retornava. Ele se posiciona no parapeito da mureta, ao lado de Batman, sem ter coragem de encara-lo observa a cidade lá embaixo. E algo chama sua atenção. Espalhados em toda Gotham estavam vários pontos de incêndio. Pela altura que estavam eles poderiam ser comparados a fogueiras. Mas era visível que cada foco de incêndio representava um quarteirão de Gotham.

— F-foi você que fez isso? – perguntou Coringa.

— Não. Foram os piores vilões de Gotham. – disse Batman. Coringa olha sem querer na direção dele e vê que seu rosto estava pior do que anteriormente. Visivelmente pálido e ossudo. A máscara jazia folgada na sua cabeça. – Os ditos “cidadãos de Gotham” que fizeram isso. Estão destruindo a própria cidade, como os animais que antes temiam e eu eliminei.

Coringa não sabia o que falar. Além da imagem terrivelmente abatida, Batman também demonstrava uma aura de tristeza e decepção. Coringa podia ouvir ao longe os gritos nas ruas. Eram como condenados do fim do mundo, sem nada mais a perder.

— Acho que eles começaram isso porque você explodiu Arkham com parte da Policia dentro. Inclusive o Gordon... Quero dizer, eu não gostava muito dele. Até tentei matar ele algumas vezes. E teve aquela vez que atirei na filha dele deixando ela paralitica e tentei fazer ele ficar louco. Mas explodir mais da metade da polícia é algo que nunca pensei. Que droga...

— Eu avisei a Gordon pra não tirar nenhum dos criminosos de Arkham. Os policiais poderiam ter saído quando quisessem e terem deixados aqueles vermes queimarem. Mas ele preferia morrer ao lado deles. Que assim seja. – respondeu, Batman.

Coringa ficou olhando-o de novo sem saber o que falar. Batman apenas olhava o horizonte da cidade. Coringa reparou em seus olhos. Ainda estavam vermelhos, mas mais fundo e cansados. Entretanto eles não estavam mirando a cidade lá embaixo. Pareciam estar olhando mais para cima.

— Bem... E o que pretende fazer agora? E por que me mandou vir aqui. V-vai me matar de vez? – perguntou Coringa.

Batman, subitamente, sorriu. – Não, não o chamei aqui para mata-lo ou feri-lo. Chamei você aqui para ser a testemunha.

— Testemunha? De que?

O sorriso de Batman sumiu do mesmo jeito que apareceu.

— Eu estou cansado, Coringa. Aliás, eu estou cansado a muito, muito tempo. Desejei desistir dessa vida inúmeras vezes. Mas sempre voltava e era sempre em vão. Porque caras como você sempre tem algo novo para provar que essa vida não vale a pena e o mal não tem fim. Pois bem, quero partir deste mundo. Mas quero partir deixando a minha marca. A maior de todas. A que nenhum outro homem fez.

— Qual. – perguntou Coringa.

De repente um estrondo no ar explode vindo da direção de onde Batman olhava. Foi tão alto que parecia um avião quebrando a barreira do som. Coringa se agachou tampando os tímpanos. Batman não se moveu.

Após alguns segundos a audição de Coringa voltava rapidamente, e ele pôde destampar os ouvidos. Estava confuso, se perguntando que diabos foi aquilo? Outra das bombas de Batman? Impossível! O que mais ele teria para destruir? Coringa se levante lentamente e quando olha para a cidade tentando achar o local da explosão, ele vê que era algo bem pior.

— Já chega! – disse Superman. Ele pairava no ar observando Batman sorrir com desdém. – Você não tem mais jeito. Todos tentaram me avisar antes, mas eu sempre confiei em você e os ignorava. Você se tornou aquilo que passamos anos tentando impedir.

— Bla bla bla. – caçoou, Batman. – Esse velho papo de escoteiro. Não seja hipócrita. Quantas vezes você não tomou as rédeas do mundo e tentou concerta-lo na força? E quem estava lá pra te trazer de volta da megalomania? Eu. O irônico é que agora eu me arrependo disso e percebi que você estava fazendo o certo. Talvez isso tudo nem teria acontecido se você ainda fosse um ditador. – Ele deu um olhar para a cidade arrasada. Seu sorriso sumiu.

— Mas ainda pode haver tempo para o resto do mundo. Se você se juntar a mim. Você sempre me considerou seu melhor amigo. Isso porque você percebia que meu jeito de pensar era o mais próximo do seu. Apesar de nossos métodos serem bem diferentes. – ele ergue a mão em direção ao céu, aonde Superman estava. – Então, velho amigo. Se junte a mim e vamos concertar de vez este mundo ruído.

Coringa olhou ansioso para Superman. Mas ele nada falou. Continuou parado no ar e observando, pensando. De repente desceu em direção a mureta da cobertura e ali pousou. Olhando firmemente para Batman, que mantinha a mão estendida, ele disse:

— Não.

De repente ele dispara um supersopro. Batman que atingido com força e voa vário metros para trás. Coringa escapou por pouco do forte vento porque ainda estava agachado e foi protegido pela mureta. Superman desce dela e fica ao lado dele.

— Minha nossa! – disse o palhaço. – Você quase me atingiu. Eu ia virar panqueca.

— Saia daqui. – mandou, Superman.

— Com certeza eu vou. Mas antes me diz. Por que você foi dar as caras agora que a cidade foi arrasada?

Superman suspirou como se fosse um pesar.

— Cometi um grande erro. Achei que tudo isso poderia ter sido a obra de um de vocês. Que esse Batman insano era uma armação. E que o verdadeiro estava caçando-o. Me comuniquei com ele. E foi mais ou menos isso que ele disse. Não queria ajuda de jeito nenhum. Foi tudo bem planejado. Mesmo insano ele ainda é um gênio.

— Tem razão. – disse Coringa. – Você cometeu um baita erro.

Batman começava a se levantar de onde havia caído.

— Cuidado. Ele pode ter aquela pedrinha verde que você tem alergia. – alertou Coringa.

— Eu não vou mais cometer erros. – respondeu Superman. Seus olhos começaram a brilhar em um tom azul. Estava ativando sua visão de raio-x. E o que viu por baixo da vestimenta o espantou. Batman estava pior internamente do que por fora. Vários ossos fraturados, o coração batia de forma irregular, inflamações nos músculos e tendões partidos. Ele não duraria cinco minutos nem com o mais desleixado capanga. Mas um outro detalhe o surpreendeu ainda mais.

— Estranho. – sussurrou.

— O que? – perguntou, Coringa.

— Ele não tem Kriptonyta nenhuma escondida. Olhei em cada centímetro do seu corpo. E ele está... morrendo.

Coringa arregalou os olhos, boquiaberto. Olhou para Batman e percebeu como ele parecia exausto e pálido. Entretanto seus punhos estavam cerrados, como se preparado para o combate.

— Então o que ele pretende? – questionou, Coringa.

— Eu não sei... – Superman, apesar de atento, olhava Batman com um certo pesar. – A Mulher- Maravilha uma vez disse que todo guerreiro de verdade só deseja uma coisa.

Ele começou a caminhar em direção a Batman. Seu semblante de pena sumiu.

— Uma boa morte em batalha.

Notas finais
Heeyy. Beleza pessoal?!! Sei que no capitulo anterior eu disse que esse séria o ultimo. Mas quando começo a escrever eu acabo estrapolando. E como não queria deixar esse capitulo muito grande eu decidi terminar no proximo. Sim com certeza. Espero que estejam gostando e até o proximo e último (sim, com certeza) capítulo! o/