Notas iniciais
Oi você, oi menines! Peço perdão pela demora a postar, foi por causa das aulas! Eu tenho que fazer um anúncio publicitário e preciso fazer sessão fotográfica. E como eu queria ter um Ezra Miller particular para pode fotografar sempre ♥ Enfim, agora que estou de folga, trago a vocês mais um capítulo! Queria dedicar ele a todos vocês que me apoiam com comentários, favoritos e as recomendações. Muito obrigada, eu me sinto extremamente lisonjeada com a graça de vocês!

O sol sequer aparecera no céu e Bruce já estava de pé. Acabava de sair do banheiro, secando o rosto com uma folha de papel, quando reparou no céu ainda escuro. Não havia uma pessoa no terreno, tudo estava silencioso e escondido na penumbra. Ele ajeitou o cadarço da calça de moletom preto e jogou a blusa preta e fina, de mangas compridas, sobre os ombros, permanecendo sem camisa. Às vezes, gostava de sentir o vento frio sobre o tronco musculoso. Costumava fazer a mesma coisa quando estava em casa, acordar mais cedo que o habitual e sentir a brisa do fim da madrugada. Lembrava-se das vezes que Margot o encontrava no jardim, apenas divagando, e o abraçava.

Sua noite não foi presenteada pelo sono. Dormiu muito pouco, mas não se sentia cansado. Seus pensamentos o perturbaram a noite toda, impedindo que seu cérebro se desligasse por um segundo. E ele ainda não havia parado de pensar. Sentia uma falta tremenda de Margot e queria poder revê-la, tocar seu rosto e dizer que estava com saudade. Queria poder tocar sua barriga inchada e conversar com Pietro. Aquilo estava afetando seu emocional. Não estava acostumado a ficar tanto tempo longe dela e sentia estar sendo testado. Por isso, decidiu que da próxima vez que a visse, não lhe daria motivo para discussões.

Entretanto, havia a outra parte dos pensamentos de Bruce que não se focavam em Margot, mas no garoto de família desestruturada, ou melhor, sem família alguma. Tudo o que Oliver contou na noite anterior, gerou uma preocupação intensa em Bruce. Não gostava de imaginar, mas se perguntava tudo o que ele passou. Achava-o extremamente corajoso por continuar admitindo a própria condição, mesmo depois de tudo. Bruce o admirava por isso. Não sabia se teria a mesma coragem que ele, de continuar se aceitando como é depois de tanta dor.

Ele suspirou enquanto caminhava pelo terreno. Quando o vento frio pareceu incomodar sua pele, ele vestiu a blusa justa. Enfiou as mãos nos bolsos frontais do moletom e tornou a divagar, pensando em Oliver. Ainda estava preocupado com tudo o que aconteceu, se ele ainda estaria exausto ou fraco. Lembrou da breve luta que tiveram e meneou, reprovando aquilo. Sabia que ele fazia aquelas coisas por carência, mas que não era a escolha certa naquele lugar. Se ele estivesse lidando diretamente consigo, Bruce não veria problema, mas era Terrence quem regia aquele lugar e isso o preocupava bastante.

Seus pensamentos deixaram de lhe perturbar por um instante. Ele observou o dia amanhecer e pela primeira vez desde a noite anterior, Bruce esqueceu todos os problemas que o rodeavam. Por um momento, esqueceu que teria de lidar com Terrence e poupar Oliver de suas punições exageradas. No entanto, escutou a porta do gabinete dele ser aberta.

Reparou que ele estava sem a farda, usando o moletom cinza no lugar. Ele notou sua presença e antes que pudesse lhe cumprimentar, mesmo de longe, Bruce deslocou-se até ele. Vendo a aproximação, ele ajeitou o cadarço da calça e pôs uma touca preta sobre a cabeça.

— Eu preciso conversar com você, é sobre...

— O Oliver, eu sei. — Terrence cortou-o, fechando o zíper do casaco. — Pode desistir, Rogers, não quero mais ter esse tipo de conversa com você.

— O que quer dizer com isso? — ele franziu o cenho.

— Quis dizer que não vou mais intervir nessa palhaçada de vocês dois! Se você gosta de ter aquele moleque chupando suas bolas, você que se vire. Só não fique chateado se, mais para frente, tiver que prendê-lo de novo. O que, obviamente, é o que vai acontecer! — informou, começando a andar.

Bruce o seguiu apressado. Sentia-se um tanto aliviado com aquilo, mas havia outro assunto incomodando-o.

— E quanto a Maxwell? — insistiu.

Terrence parou repentinamente, encarando Bruce.

— Quanto a ele? Pelo que eu reparei, o garoto tem uma conduta melhor que a do seu protegido! — arqueou as sobrancelhas.

— Sabe que a questão não é essa...

O homem o interrompeu, segurando seu ombro.

— Não me faça ter essa conversa de novo, Rogers. O garoto está aqui e é aqui que ele vai ficar! — concluiu, afastando-se quando a sineta despertadora tocou. — Agora, vá fazer o seu trabalho!

Bruce se distanciou, seguindo na direção oposta a dele. Observou a fila que começava a se formar para a revista e seguiu Roy até lá. Então, retornaram a rotina.

Oliver bocejou e se espreguiçou do modo mais exagerado que pode. Ainda sentia o corpo reclamar de cansaço, mas era algo tolerável. Seu maxilar doía pela pancada que recebera de Bruce e estava manchado com um hematoma esverdeado. Seu braço também ainda estava dolorido, mas ele já conseguia sentir a força de volta em seus músculos e o ânimo reacender. O sono o incomodava, mas logo cessaria.

O dia frio o obrigou vestir o moletom cinza, mas logo optou por ficar somente com a blusa branca, considerando que os exercícios matinais o obrigariam a retirar o casaco de qualquer maneira.

Quando adentrou na fila da revista e notou Terrence no terreno, sentiu uma leve pontada de nervoso. Lembrava-se nitidamente de ter berrado contra o rosto dele e sequer imaginava o que Terrence estaria reservando para ele como castigo.

De repente, notou que alguém o encarava fixamente. Virou para verificar e encontrou os olhos verdes de um rapaz diferente, provavelmente o novato que escutou falar. Era um olhar que incomodava a ponto de obrigar Oliver a desviar e ainda assim, sentir a pressão dele sobre suas costas. Conhecia aquele olhar e sabia o que ele significava. Não era a primeira vez que presenciava aquele tipo de encarada, mas desejava nunca tê-la recebido. A sensação de nervoso em relação Terrence acabou por se transformar em angústia perante o olhar e ele adiantou-se, tentando ignorar o rapaz logo atrás.

— Ei, ei, ei! — Bruce o puxou de volta, ao ver que ele estava ignorando a revista.

Oliver o encarou e sentiu toda a angústia sumir. Percebeu que poderia ter aberto um sorriso. Era estranho sentir aquilo só por ter olhado para Bruce, mas ele sabia o motivo. Significava que Bruce era a parte de Oliver que ele mais gostava. E estava começando a se tornar difícil de esconder.

Bruce franziu o cenho quando não recebeu resposta e deu-se a revistá-lo brevemente. Por fim, levou a mão até o rosto dele e girou-o, revelando o hematoma.

— Gostei da tatuagem! — zombou com um sorriso. Oliver abriu um sorriso falso e revirou os olhos, então foi empurrado por ele para a fila do refeitório.

Encarou Terrence na ponta da fila, entregando os lanches, e teve vontade de retornar. Como sabia que não poderia, apenas engoliu a seco e seguiu a diante. Conforme sua vez ia se aproximando, o nervosismo só aumentava. Era como se estivesse no corredor da morte. Quando encarou o homem grande a sua frente, sua voz pareceu sumiu.

De início, ele pareceu não reparar Oliver. Apenas o entregou a maçã e o leite, mas quando ele se desviou, fez questão de chamar sua atenção.

— Oliver, eu só tenho uma coisa a lhe dizer... — começou em tom baixo. Oliver sentiu a respiração travar. — Que Deus tenha piedade de você daqui para frente, porque se depender de mim, eu não ver ter nenhuma.

— Desculpe, eu não acredito muito nessas coisas! — respondeu e deu-lhe as costas, deixando apenas o olhar de Terrence lhe seguir pelo terreno.

Sentou-se no gramado para comer seu lanche enquanto observava Bruce. Ele também comia uma maçã e conversava com Roy. Notou que a barba dele estava ficando mais espessa, mas continuava bonito, principalmente quando sorria. Oliver pegou-se num sentimento de inveja em relação a esposa dele, que podia vê-lo sorrir sempre, tocar seu rosto e sentir suas mãos. Então, percebeu que era inútil ter aquele tipo de sentimento. Embora o fizesse sorrir e sentisse o toque de suas mãos, mesmo que de modo agressivo, sabia que nunca passaria daquilo.

Quando terminaram o café da manhã, Terrence começou as ordens dos exercícios. Começaram com alongamento, o que fez Oliver perceber partes em seu corpo, que ele nem sonhava que existiam, doer. O braço esquerdo era o que mais doía. Qualquer movimento mais forte fazia seu músculo repuxar e quase arrancar-lhe um grunhido de dor. Naquele momento, soube que foi uma péssima ideia ter lutado com Bruce.

Oliver relutou para fazer as flexões, justamente pela dor no braço. Portanto, não tardou e Bruce veio corrigir sua postura. Apoiou um pé sobre suas costas e o forçou contra o solo, exigindo que ele fizesse força para arquear o corpo.

— Ah! Vai se foder, Bruce! — reclamou depois de sentir o braço doer. — Você quase quebrou meu braço ontem!

— Que pena, não é mesmo? Deveria ter pensado nisso antes de puxar briga comigo!

Oliver não respondeu, simplesmente forçou como ele queria e mesmo com grande dificuldade, conseguiu. Bruce se afastou e tornou a rondar entre os rapazes, comendo outra maçã.

Conforme eles executavam os exercícios, o calor começava a incomodar. Alguns retiravam os casacos, outros permaneciam. O sol brilhava no alto, esquentando os corpos gradativamente. Bruce teve de arregaçar as mangas da blusa preta, mas sua vontade era arrancá-la de vez. Terrence também começou a se livrar da touca e do casaco, lamentando o exagero que cometeu pela manhã.

Assim que os rapazes terminaram os exercícios, Terrence ordenou que voltassem a rondar o terreno inteiro, mas dessa vez trotando e não marchando. Eles se alinharam e logo começaram as passadas, levando algum tempo para entrarem em sincronia. Enquanto eles arrumavam o ritmo, Terrence virou-se para Bruce e Roy.

— Preciso que busquem todo o material danificado da casa de ferramentas. — ordenou baixo, com os olhos seguindo os rapazes. — Vamos ver se esses pivetes servem para alguma coisa além de fazer força!

Ambos acataram as ordens dele e seguiram para o local indicado. Era uma cabana de madeira ampla e repleta de todo tipo de material. Os que ficavam em evidência, pendurados na parede ou sobre as bancadas, eram os que estavam em bom uso. O restante que ficava dentro de sacos e amarrados pelo chão, estavam danificados e inutilizados. Bruce e Roy armaram os ombros e os braços com os sacos e os transportaram para fora, levando-os até próximo a Terrence.

Havia inúmeras coisas com problemas e aquilo renderia um trabalho árduo. Não exigiria força e nem resistência, mas exigiria cuidado e inteligência. Era uma parte dos rapazes que Bruce ainda não tinha presenciado, portanto aquela ideia lhe pareceu interessante.

Não faltava muito para o almoço quando o Terrence interrompeu a corrida e os chamou de volta ao centro do gramado.

— Bem, hoje eu não vou exigir força de vocês! — disse alto. Todos respiraram aliviados, inclusive Oliver, que já se sentia destruído. — Quero ver se sabem fazer algo além da força! Por isso, temos aqui inúmeras ferramentas danificadas que vocês deveram consertar! Afinal, vocês não vivem reclamando da qualidade das ferramentas? Pois então, divirtam-se!

Um de cada vez, como numa fila indiana, foram até Roy e Bruce receber um saco. Depois, como crianças e seus respectivos brinquedos, eles se sentaram sobre o gramado e baixo do sol quase escaldante e deram início aos trabalhos. Para facilitar, os oficiais passaram oferecendo ferramentas para desparafusar, parafusar, lixar e inúmeras outras utilidades.

Alguns dos rapazes ficaram contentes, pois já haviam trabalhado com mecânica e empregos que exigiam esse tipo de trabalho. Outros já não sabiam bem como progredir e se embolavam, o que obrigava a Terrence e Bruce darem-lhe algumas instruções. Oliver sabia o que estava fazendo, só não estava acostumado. Quando seu pai não lhe surrava, ele consertava carros para ganhar dinheiro e gastar com bebida, e Oliver o assistia. Entretanto, na teoria é sempre mais fácil do que na prática.

Em questão de pouco tempo, alguns dos rapazes terminavam seu serviço e eram dispensados para o almoço. Oliver sentia fome, mas não o suficiente para incomodá-lo. Ele permaneceu de cabeça baixa enquanto tentava fixar a lâmina de um machado, até que alguém tropeçou nos seus equipamentos, bagunçando tudo.

— Oh, mil desculpas, bichinha! — Luke provocou, torcendo o pulso para baixo e forçando uma voz escrota, fazendo Oliver encará-lo com raiva.

Terrence revirou os olhos ao perceber e quando viu Bruce se adiantar, ergueu a mão, interrompendo-o. Aproximou-se de Luke por trás e bateu em seu ombro, chamando sua atenção.

— Como sempre, seu amorzinho veio te defender! — queixou-se, achando se tratar de Bruce, mas quando girou e encarou Terrence, engoliu a seco.

— Acho que estou te devendo uma punição, não é, Luke? — indagou alto, puxando a atenção dos outros rapazes que ainda trabalhavam. — Rapazes, vocês tiraram a sorte grande hoje, porque Luke se voluntariou para terminar o serviço de vocês!

Oliver não conseguiu conter um sorriso ao ver a careta de desespero de Luke, então se ergueu e jogou o martelo a seus pés. Assim, virou-se e foi para o refeitório, seguindo os outros rapazes.

Serviram-se com um prato de macarronada branca e uma água suja, que deveria ser algum tipo de molho, mas não cheirava e nem parecia com um. Ignoraram a aparência do prato e começaram a se alimentar. O gosto estava consideravelmente melhor que a aparência e o cheiro, mas ainda estava longe de ser uma comida boa.

Oliver observou Bruce se juntar ao almoço, sentando-se ao fundo junto com Roy e Terrence, como sempre. O bom era saber que todos eles eram obrigados a comer a mesma coisa, portanto não estavam em desvantagem em comer aquela lavagem.

Subitamente, a visão de Oliver para Bruce foi tapada pela silhueta de alguém, que acabava de se sentar do outro lado da mesa. Oliver focou a visão no indivíduo e percebeu se tratar do mesmo que o encarava pela manhã, além de que ele insistia com o olhar irritante. Oliver abaixou o rosto, sentindo-se desconcertado. Percebeu que estava segurando a própria respiração e que seu coração estava acelerado. O olhar permanecia e estava começando a incomodar de verdade. Oliver sequer terminou de comer e se levantou, deixando o rapaz para trás.

Saiu depressa do refeitório, suando de nervoso. Sabia que estava sentindo medo e que tinha fundamento. Conheceu o significado daquele olhar da pior maneira. Lembrava-se perfeitamente dos olhos daquele que deveria ser seu melhor amigo e do modo como percorreram por seu corpo. Uma sensação de nojo lhe causava ânsia toda vez que se lembrava daquilo, mas era algo impossível de se esquecer.

Oliver reparou em uma caminhonete se aproximando da residência. Trazia algum tipo de carregamento atrás, o qual ele não conseguiu identificar. Logo, Terrence apareceu junto de Bruce e Roy e os três seguiram até lá. Conforme o refeitório ia esvaziando, os rapazes paravam para observar o mesmo que Oliver. Eles deixaram inúmeras latas no chão e a caminhonete deu meia volta. Então, Roy se aproximou.

— Terrence quer que vocês ajudem a carregar! — anunciou, apontando para as latas.

Com certo desanimo, eles se deslocaram até o local e perceberam se tratar de latas de tintas cinza e rolos de pintura. Um pouco curiosos com a finalidade que teria aquilo, eles levaram as latas até o centro do gramado e quando terminaram, esperaram o retorno de Terrence e suas ordens.

— Como vocês podem ver, nosso querido acampamento está bem acabado! Portanto, caberá a vocês darem um jeito no lugar que, por enquanto, é o querido lar de vocês! — Terrence informou alto, fazendo os rapazes bufarem. — Quero tudo isso muito bem pintado até o fim do dia, caso contrário, vão ficar com fome e sem banho!

Sem esperarem por mais ordens, eles começaram a se deslocar para logo começarem. Bruce olhou todo aquele material, um pouco confuso. Então, olhou para Terrence.

— Me disse que quase não tinha verba, como conseguiu esse material?

Terrence abriu um sorriso vitorioso e olhou para Bruce.

— Martin mandou de presente, por esvaziar as celas dele!

Bruce meneou e se afastou. Trocar a ordem do sistema por latas de tinta era algo absurdo para Bruce, mas como não poderia dar a resposta que queria, apenas seguiu em frente e se juntou a Roy.

Pintar era uma tarefa fácil, porém cansativa. Só o fato de manterem os braços erguidos, arrastando os rolos pelas paredes, cansava os músculos rapidamente. E mesmo que ainda estava cedo para que eles começassem a sentir o cansaço, Oliver logo de início já sentia o braço esquerdo reclamar.

Por mais que segurasse o mastro com o braço direito e usasse o esquerdo somente para apoiar o peso, sentia a dor incomodar. Foi obrigado a usar somente o direito, mas o peso que o mastro tinha acabava cansando o braço rápido demais. Ele precisou forçar o braço esquerdo e aceitar a dor, afinal não teria outra escolha.

Como eram em um número considerável, o trabalho foi rendendo em um ritmo interessante. Eles se revezavam entre si, dividindo-se em grupos e pintando cabanas distintas. Assim que terminavam uma, partiam para a outra, completando o serviço aos poucos.

Bruce e Roy rondavam entre eles, apontando falhas quando era necessário. Bruce caminhava do lado oposto ao de Roy, entre o dormitório dos monitores e dos detentos. Observava Oliver, ao fundo, se esforçando para manter o mastro erguido. Bruce teve vontade de rir diante da situação, mas quando lembrou que o motivo daquela dificuldade era, por parcela, sua culpa, se contentou com um sorriso desinibido.

Oliver reparou que Bruce se aproximava e no sorriso de escárnio que trazia nos lábios. Obviamente, pela sua dificuldade em executar a tarefa. Abriu um sorriso maldoso e ajeitou a lata de tinta no arame do lampião parafusado à madeira. Esperou que se ele se aproximasse o suficiente, então fingiu ter perdido o equilíbrio do mastro, derrubando-o sobre a lata pendurada.

Uma onda de tinta caiu sobre Bruce, sujando-o desde o rosto até as pernas. Por pouco, a lata também não o acertou. Ele soltou uma exclamação acompanhada de um xingamento e limpou o olho esquerdo, que estava coberto de tinta. Então, fitou Oliver enfurecido.

— Oh, me desculpe! Eu não te vi aí! – disse irônico, fingindo surpresa.

Os rapazes riam enquanto olhavam para dois, até que Bruce agarrou a camisa de Oliver. Imprensou-o contra o a parede tingida, manchando-lhe a roupa.

— Você realmente quer que eu te esfole! — vociferou contra o rosto dele.

Oliver arqueou uma sobrancelha, sugestivamente.

— Depende do modo como vai fazer isso, daddy!

Irritado, ele puxou Oliver e o arrastou pela camisa até uma lata de tinta cheia e próxima a eles. Segurando-o pelos cabelos, o empurrou até se ajoelhar e então, afundou sua cabeça na lata. Os rapazes arregalaram os olhos, chocados com a reação de Bruce.

Depois de um curto instante, Bruce retirou a cabeça dele. Oliver estava com toda a cabeça coberta de tinta, sequer podia abrir os olhos. Ele ofegava um tanto desesperado, pelo tempo que prendera a respiração.

Ainda não satisfeito, Bruce tornou a pegar a lata e dessa vez, despejou-a inteira sobre o corpo dele. Depois, encaixou o bocal sobre sua cabeça. Agachou-se e bateu com os dedos na lata, incomodando-o com o barulho.

— Torce para não se intoxicar! — sussurrou para ele e se levantou.

Com muita dificuldade, Oliver conseguiu retirar a lata de sua cabeça e limpar os olhos. Percebeu que todos olhavam para ele enquanto riam. Ergueu-se com certa raiva e quando pensou que poderia ir se limpar, Bruce o empurrou de volta ao serviço.

— Você só vai ir para o banho quando terminar seu serviço! Filho da puta!

Deixou-o para trás e afastou-se, tentando se livrar do máximo de tinta que podia. Chegou pisando fundo e bufando de irritação, assim que se aproximou de Terrence e Roy, percebeu que ambos riam.

— Não adianta ficar irritado, você gosta... — Terrence disse, olhando-o de cima até em baixo. — Vá lavar essa cara! Quem sabe assim não aprende que para pivete não se dá trela?

Bruce o encarou por uma última vez e se distanciou, praguejando com todos os nomes que lhe viam à cabeça.

A tarde foi avançando lentamente enquanto eles se empenhavam em terminar o trabalho. Oliver sentia ainda mais dificuldade em prosseguir, mas fez tudo o que pode, mesmo que seus olhos ardessem e seu nariz reclamasse pelo cheiro forte da tinta.

Quando a noite vinha avançando eles terminavam de pintar o refeitório, que era a maior casa. Então, aos poucos foram sendo dispensados para o banho. Oliver nem ficou surpreso por ter sido o último a ser liberado. Assim que largou o mastro no chão, passou seu olhar irritado para Bruce, que ainda estava com as roupas manchadas de tintas.

Bruce aproveitou para ir tomar banho também. O cheiro de tinta incomodava seu nariz e os componentes dela faziam sua pele coçar. Havia lavado o rosto rapidamente, então ainda havia inúmeras manchas em seus cabelos, pescoço e roupas. Enquanto encaminhava-se até a casa de banho, passou a mão pela barba e reparou que ela estava grudenta pela tinta. Um xingamento acabava de sair de seus lábios quando escutou Terrence o gritando do gabinete.

— Rogers! Margot está no telefone querendo falar com você!

Ele esqueceu-se completamente do banho e seguiu depressa até o gabinete, ignorando todo o incômodo de estar coberto por tinta. Terrence o recebeu na porta, dando-lhe passagem.

— Sinta-se à vontade! — sugeriu antes de fechar a porta, deixando-o a sós.

Um sorriso ansioso pendia nos lábios manchados de Bruce, que se sentou e sem delongas, atendeu ao telefone.

— Margot? — chamou-a.

— Bruce! Como eu estava sentindo falta de sua voz! — ela respondeu feliz. — Só agora consegui o número desse lugar! Eu e Pietro estamos cheios de saudade de você!

O sorriso alargou-se, demonstrando toda a alegria de escutá-la novamente.

— Também estou cheio de saudades de vocês dois. — retribuiu, coçando a barba melada. — Eu queria ter ligado antes, mas só Terrence tem telefone e bem... Eu tenho evitado algumas interações com ele.

Margot notou a mudança na voz do marido e se preocupou.

— Aconteceu algo, Bruce? — ela questionou. — Não me esconda nada!

Bruce olhou para a porta, um pouco receoso de falar e Terrence estar escutando.

— Bruce? Me conte! — ela insistiu.

— Tem acontecido tanta coisa, Margot... Terrence não é mais aquele homem que conheci depois da academia. — explicou baixo enquanto mexia no fio do telefone. — Ele tem tomado medidas extremas que não dá para defender. Eu venho questionando-o, mas parece que ele se corrompeu, ou sei lá...

— Ah, meu querido! — ela lamentou com a voz manhosa. — Agora sei que se pudesse, jamais teria ido para um lugar como esse.

— Estou cansado, sabe? Preciso voltar para casa, para você e para Pietro. Isso aqui é um tratamento de choque até para mim. — admitiu, suspirando cansado.

Houve um momento de silêncio entre eles, como se estivesse apenas aproveitando aquele único tempo juntos. Entretanto, Margot conhecia o marido só pela respiração e sabia que não estava sendo fácil.

— Ei, ei! Eu sei que deve estar difícil, mas isso logo deve acabar. Até lá, o que acha de eu te fazer uma visita?

Foi uma surpresa para ele escutar aquilo. Ficou feliz com a ideia, mas também se preocupou.

— Você vir aqui? Tem certeza, Margot? — ele franziu o cenho. — Não é um lugar saudável para você.

— Ah, pare! Deixe-me ir te ver. Pietro não vai aquietar enquanto não sentir a presença do pai de novo.

Ele sorriu feito um bobo diante daquilo e foi impossível negar.

— Tudo bem, tudo o que eu preciso é ver vocês dois mesmo. — respondeu alegre, então Terrence abriu a porta. — Margot, eu preciso ir agora, certo?

— Hm, antes de desligar, eu estava pensando em uma coisa... — disse de repente, ele fez um barulho nasal, indicando que estava ouvindo. — Quando você voltar, nós poderíamos tirar esse atraso sexual... O que acha?

— Você não devia ter me dito isso agora, Margot...

— Opa, desculpe!

Ambos riram e então, se despediram. Bruce agradeceu a Terrence o momento permitido e se retirou.

Já era tarde da noite quando Bruce conseguiu ir tomar um banho. Terrence havia liberado os rapazes bem cedo para cama, mas ele e Roy tiveram que limpar todo o gramado dos materiais usados durante o dia inteiro. Quando finalmente chegou ao banheiro, Bruce sentiu sua pele queimar em irritação pelo contato com a tinta.

A casa de banho estava vazia, pois Roy e Terrence já haviam tomado banho e só restava ele. Não era tão grande quanto a dos detentos, mas era bem ampla. Diferente da outra, as cabines de banho eram separadas por finas paredes de madeira e tinham cortinas plásticas. Achou até melhor estar sozinho. Por mais que houvesse divisórias, ele estava cansado de tomar banho em conjunto. Queria se sentir a vontade, sem escutar outras pessoas conversando enquanto se banhava.

Apoiou os quadris na parede e começou a desamarrar as botinas para depois retirá-la, podendo sentir o chão frio com os pés cansados. Prosseguiu desamarrando a calça e retirando-a junto da boxer e então, finalizou com a blusa preta. Completamente despido, ele caminhou nu até a última cabine e abriu a cortina plástica. Quando ligou o chuveiro, percebeu que a água estava gelada, mas não reclamou. Sua pele reagiu bem ao entrar em contato com a água e seu corpo todo relaxou.

Esfregou os cabelos com força, livrando-se dos salpicos de tinta, e fez o mesmo com a pele. Esfregou-se tanto para se limpar que sua pele tomou um tom avermelhado, mas ao menos parou de coçar e arder. O problema foi conseguir limpar a barba, que insistia em ficar melada e o incomodava. Ele quase cogitou a ideia de retirar os pelos faciais, mas acabou por conseguir limpar por completo.

Mesmo que desse por satisfeito, ele permaneceu embaixo da ducha, sentindo o corpo se adaptar a água fria. Deixou a ducha despejar por seu rosto e apoiou as mãos na parede mais a frente. Aos poucos, as palavras de Margot voltavam a sua cabeça, fazendo-o sorrir. Recordou suas palavras sobre tornarem a terem relações e seu corpo reagiu àquilo, causando-lhe uma ereção.

Havia muito tempo desde que tivera Margot nua em seus braços. Quase não se lembrava da sensação de se encaixar entre as pernas dela e sentir os arranhões em suas costas. Ainda assim se lembrava perfeitamente de quando ela o pedia para ficar mais agressivo, puxar-lhe os cabelos e até acertar-lhe tapas. Ele respirou fundo, lembrando-se dos gemidos dela enquanto tocava a si mesmo.

No entanto, conforme a tentava imaginá-la a imagem ia se modificando aos poucos, até não se tratar mais dela. Ele fechou os olhos, parando por um segundo. Sua mente refletia a imagem de Oliver, como se ele estivesse ali, presente. Sabia que era apenas uma idealização, mas era capaz de sentir a mão dele tocando suas costas em um afago. Ele tentou desviar aquele tipo de pensamento, embora parte sua se recusava a afugentar a ideia. Por mais que tentasse pensar em Margot, era Oliver que ocupava sua mente. Então, Bruce tomou ar e não resistiu a sua imaginação.

De olhos fechados, ele conseguia vislumbrar a imagem de Oliver. Ele aproximava-se de seu corpo, tocando o dorso de seu corpo. Sua idealização o fazia sentir os lábios do rapaz em seu ombro, beijando-o brevemente. Bruce sentiu a respiração ofegar e o ritmo de sua mão aumentar sobre seu membro. Sua mente continuava a criar a cena e ele imaginava Oliver já beijando seus lábios.

Sentia-se estranho por se entregar àquela fantasia, contando que ele jamais tinha pensando em outro homem daquele jeito e que era casado com Margot. Havia o sentimento de culpa e o de vergonha, mas acabavam por se ofuscado pelo prazer que sentia. Ele não sabia se era certo prosseguir naquilo, mas ele não parou.

Um calafrio gostoso percorreu por todo seu corpo conforme ele idealizava aquilo. Estava tão intenso que ele conseguia sentir os lábios do rapaz transitando por seu corpo. Beijando seu pescoço, mordendo seu queixo, deslizando até seu peitoral e descendo cada vez mais.

Bruce se tocava com intensidade, fazendo sua mão percorrer pelo próprio membro com avidez. O prazer percorria por seu corpo como uma droga, satisfazendo cada músculo. Suspiros mesclados com gemidos escapavam de seus lábios entreabertos, indicando que o ápice estava cada vez mais próximo. Sua mente continuava a reproduzir a figura de Oliver até que o estopim chegasse. E então, junto com o prazer derramado em sua mão e melando seus dedos, Bruce escutou chamarem seu nome.

— Droga... — reclamou baixo, tentando se recompor, tanto pela masturbação quanto pelo motivo dela.

— Rogers! Está me ouvindo? — era Roy, chamando-o nervosamente.

Bruce tomou ar e sacudiu a cabeça, tentando se esquivar de todos os sentimentos que o envolviam naquela hora.

— Sim, Roy! O que foi? — respondeu com a voz arrastada.

— Acho que está tendo briga no dormitório dos detentos!

Ele suspirou, lamentando-se. Era a última coisa que ele queria escutar.

— Vá chamar Terrence, eu tenho que me vestir! — disse alto, desligando a torneira do chuveiro.

Enquanto ninguém parecia para ajudar, Oliver tentava se livrar sozinho do rapaz sobre seu corpo. Ele havia invadido seu quarto, instantes antes, e tentou agarrá-lo por trás, enquanto ele se trocava para dormir. Oliver notou as segundas intenções, quando ele pareceu segurar sua calça e abaixá-la, o que lhe causou um extremo desespero e a sua reação inesperada.

Assim que Oliver tentou se soltar e não conseguiu, pensou em gritar, mas ele tapou sua boca com força. Então, empurrou corpo dele contra a cama e tentou imobilizar seus membros. Entretanto, Oliver conseguiu lutar contra ele.

O pânico da situação era grande e Oliver não sabia como conseguia resistir, apenas sabia que precisava continuar forçando contra ele. Sua mente não conseguia pensar em nada, apenas no medo do que ele faria caso conseguisse lhe dominar.

Com muito custo, havia se virado de barriga para cima embaixo das pernas dele. Ele mantinha sua boca tapada com a mão, apertando os lábios de maneira que Oliver não conseguiria mordê-lo. Sua outra mão tentava agarrar seu pescoço, na tentativa de romper sua guarda com enforcamento, mas Oliver o segurava com ambas as mãos e o impedia de continuar. Ele se livrou de suas mãos e segurou o pulso esquerdo de Oliver, retorcendo-o. Infelizmente, era o braço que estava debilitado e a agressão acabou fazendo Oliver abrir a guarda na marra. Ele conseguiu alcançar seu pescoço e assim que pode, o apertou.

Oliver mantinha os olhos arregalados sobre Maxwell, percebendo sua intenção. Seu corpo resistia como se estivesse em modo automático pelo medo, pois ele permanecia em desespero, sentindo o pânico percorrer suas veias. Ainda assim, conseguiu segurar o pulso dele com a mão direita e tentou afastá-la. Mesmo não conseguindo se livrar totalmente, a pressão aliviou.

De repente, Maxwell escutou barulhos de vozes do lado de fora, mais do que depressa, o libertou. E na mesma velocidade que ele invadiu seu quarto, ele desapareceu, deixando Oliver com os olhos vidrados de desespero no nada. Todo seu corpo tremia e ele sentia vontade de chorar. Estava inerte a tudo, completamente em choque pelo que poderia ter acontecido. E ele sabia que se aquelas vozes não surgissem, ele não aguentaria muito mais tempo e o pior teria acontecido.

Ainda em completo pânico, assim que notou a aproximação, Oliver tentou se livrar das mãos de Bruce, empurrando-o para longe. Não conseguia olhar para a silhueta a sua frente e ver o homem, só enxergava Maxwell com um sorriso maldoso nos lábios e aquele olhar de puro assédio.

— Oliver! — Bruce chamou-o, mas ele continuava a resistir, afastando suas mãos com força. — Oliver! Sou eu, Bruce!

Imediatamente, Bruce segurou seu rosto e trouxe para perto, trazendo-o para a realidade. Oliver focalizou o rosto de Bruce e então, parou de afastá-lo. Sentiu uma tremenda calmaria ao ver os olhos acinzentados de Bruce, a ponto de querer abraçá-lo, mas não o fez. Sentia-se extremamente fraco e impotente. Finalmente, conseguiu respirar com mais calma

Bruce reparou nos lábios avermelhados dele e as marcas em seu pescoço. Enquanto isso, ao lado de fora, Terrence e Roy zanzavam pelo corredor, questionando os garotos que acordaram com a movimentação.

— Oliver, o que aconteceu? — perguntou preocupado, apertando seu rosto.

Oliver sentia que sua voz havia sumido. Tudo o que ele conseguia fazer, era passar o olhar de Bruce para o quarto, procurando os olhos verdes de Maxwell.

— Oliver! — sacudiu-o de leve.

— Eu não sei... Quando eu vi... Ele já tinha me agarrado e... — gaguejou e sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

— Ele quem, Oliver?

— Rogers! — Terrence rugiu, chamando sua atenção. — Deixe o garoto! O que quer que tenha acontecido aqui, já acabou!

Bruce tentou se afastar, mas Oliver o segurou pelos braços. Notou que o rapaz tinha o toque trêmulo e o olhou de novo. Ele não precisava dizer nada, Bruce percebeu o que se tratava só pelo olhar marejado dele. Ele se soltou dos braços de Oliver e, imediatamente, avançou pelo corredor, procurando por Maxwell. Sabia que era a única possibilidade, pois Luke nunca causou tamanho pânico em Oliver.

— Rogers! – Roy ralhou, impedindo-o que continuasse e o conduziu para fora.

Nesse momento, ele avistou Terrence já no gramado e com certa raiva, ele conseguiu alcançá-lo.

— Eu avisei você sobre aquele moleque! O lugar dele não é aqui! — rugiu, apontando-lhe o dedo.

Terrence o encarou incrédulo. Não acreditava que ele estava lhe apontando o dedo em tom acusador. Voltou em seu encontro, furioso.

— Você não me aponte esse dedo, Rogers! Não tem nada acontecendo aqui!

— Não tem nada?! Você já foi ver o pescoço do Oliver? Eu tenho certeza que...

— Oliver! Oliver! Oliver! Você só sabe falar desse marginalzinho, Rogers! — Terrence vociferou, avançando ainda mais em direção a Bruce, que não recuou.

Os garotos notaram a confusão e, rapidamente, amontoaram-se para ver. Entretanto, Roy tratou de conduzi-los de volta aos quartos e então, tentou intervir na discussão.

— Sua mulher sabe que você tem fetiche em delinquentes menores de idade? Porra, toda vez é esse mesmo moleque! Estou ficando cheio dessa porra e quando eu me irritar de verdade...

— Terrence! — Roy falou alto, adentrando entre eles e os afastando, tentando evitar o pior. — Bruce, sai daqui antes que piore as coisas!

Bruce respirou fundo, meneando em reprovação. Sem escolhas, ele afastou-se, mas acabou retornando uma última vez e dirigindo-se a Terrence.

— Se esse moleque fizer mais alguma coisa, Terrence, eu juro para você... Você vai ter que me prender se quiser me segurar!

Notas finais
Eu sei que ficou longo, mas foi por um bom motivo, haha! Gente, o Bruce é uma delícia assim... Ahh, sem comparação! Pena que foi atrapalhado e a gente vai ficar nesse suspense sobre os sentimentos dele a partir de agora, hahaha. Espero que tenham gostado. Até a próxima. ♥