Bad Reputation
7 Chapter 6.1
Notas iniciais
O dia começava a amanhecer, o céu clareava gradativamente, trazendo os primeiros raios solares, que indicava um dia quente pela frente. Bruce já se encontrava acordado. Mais uma vez, o sono não aparecera e sua noite se resumiu a pensamentos bagunçados. Sua cabeça estava conturbada com inúmeros assuntos ao mesmo tempo e ele não achava uma solução para nenhum deles. Principalmente, quando o assunto era Oliver.
Ele sentou sobre a cama, apoiando os cotovelos sobre os joelhos. Seu olhar estava fixado ao chão enquanto ele pensava no que aconteceu na noite anterior. Sentia uma confusão interna em relação àquele momento íntimo. Aquilo nunca havia acontecido antes. Bruce nunca teve desejo por homens, apesar de conviver a vida toda com inúmeros. Via-os nu, ficava nu na frente deles. E isso nunca desencadeou desejo algum, nem mesmo quando era solteiro. Era a primeira vez que sentia aquele tipo de coisa para com outro rapaz e o sentimento era, no mínimo, constrangedor.
Sentia culpa, apesar de tudo. Ele nunca havia tido desejo por homens como também nunca tivera desejo por outra pessoa desde que a conhecera. Toda vez que foi necessário se tocar para se satisfazer, era em Margot que ele pensava. Sentia como se estivesse a traindo, de alguma maneira. Não parecia certo ter pensado em Oliver em um momento tão íntimo, mesmo que ninguém jamais soubesse daquilo. Era algo que somente ele saberia e que não sairia de seus pensamentos. Não havia um modo de esquecer e talvez, ele mesmo não quisesse.
Por vezes, tentou pensar que era apenas a tensão das brincadeiras que ocasionou a situação ou então, até mesmo a falta que tinha de sexo. Entretanto, Bruce não podia mentir para si mesmo, nem se forçasse isso. Sabia muito bem que aquilo que sentia por Oliver não era instinto paterno. Quando desejava protegê-lo, era da mesma maneira que queria proteger Margot. Quando queria torná-lo cada vez mais próximo, era da mesma maneira que se aproximou de sua atual esposa. Ele não via Oliver como um filho, mesmo que visse nele a carência de um garoto com uma vida infeliz. Via Oliver como um rapaz que o provocou e que funcionou. Tinha noção que não tinha sido proposital aquele tipo de provocação, Oliver queria atenção, mas as coisas tomaram rumos diferentes.
Ele esfregou os cabelos e escondeu o rosto entre as palmas das mãos. A confusão em sua mente o perturbava. Ele não queria mais pensar que, talvez, estivesse nutrindo sentimentos por um garoto de dezessete anos, cuja vida era tão infeliz. Não queria lembrar que pensou nele quando deveria ter pensado em Margot. Se recusava a admitir, mas não podia mentir.
— Droga! — murmurou, passando as mãos no rosto e depois, mordendo a ponta do polegar. — Droga, droga, droga!
Por mais que tentasse esquecer, era difícil tirar a imagem de Oliver da mente. Lembrava-se das inúmeras faces que ele podia trazer em um único rosto. Desde o sorriso mais cínico até o pranto mais sincero. Recordava como a voz dele ficava rouca quando chorava e de como queria interromper todas as suas lágrimas. Como ele o desafiava só com o olhar e fazia-o entender suas intenções. O jeito que ele lhe provocava e por mais que lhe enfurecesse, nunca conseguia ficar realmente irritado com ele. E o fato de querer estar sempre perto dele, fosse para escutar suas brincadeiras obscenas ou para ampará-lo em seus desabafos.
Bruce ergueu-se, ficando de pé. Andou de um lado para o outro. Sua cabeça matutava todo aquele sentimento e tudo o que tornava aquilo errado. E eram tantos os motivos, que ele achou melhor tentar esquecer tudo aquilo. Logo estaria de volta com Margot e tudo isso passaria. Tudo o que ele precisava era ter sua vida normal de volta e então, estaria resolvido, ele tinha certeza. Ou esperava que tivesse.
Seus pensamentos libertaram sua mente quando a sineta soou. Ele ajeitou a regata cinza, vestiu a calça de tecido grosseiro e calçou as botinas de combate. Tornou a passar a mão pelo rosto, sentindo os pelos de sua barba um pouco maiores do que ele gostaria. Depois, ajeitou os cabelos amassados pela cama e deixou o quarto.
Logo no corredor, encontrou com Roy. Ele bocejava seguidas vezes e mexia-se com preguiça. Seus olhares se encontraram e ambos fizeram caretas pela conformidade em trabalhar.
— Terrence deve estar puto comigo. — comentou com um sorriso amarelo, já alcançando o terreno.
— Bem, ele tem um respeito muito grande por você, mas... Eu não arriscaria conversa com ele hoje! — Roy deu de ombros.
— Foi o melhor conselho que já me deu, Roy.
Eles seguiram até a fila de detentos que se formavam. Bruce olhou para trás por um momento e viu Terrence já ajeitando o café da manhã. Deixou com que Roy cuidasse da revista e decidiu andar entre os rapazes.
Olhavam-no curiosos, querendo entender o motivo da ronda. Bruce não falava nada, apenas passava o olhar pelos braços daqueles que não usavam casaco, como se procurasse algo. Seu olhar avaliativo passou por Luke, que o encarava de volta, mas seus braços estavam normais. Mais para frente, ele reparou que Maxwell estava sem casaco, então se aproximou. Logo na primeira encarada, Bruce reparou em marcas em seu antebraço. Sem nenhuma cordialidade, tomou o braço direito dele. Ele tentou puxá-lo de volta, mas não conseguiu se livrar da força de Bruce.
Havia marcas de arranhões e as unhas que arranharam pareciam curtas. Também tinham marcas vermelhas de apertões. Eram evidências de luta e relutância. Bruce sabia o motivo daquilo, mas por mais que quisesse acertar um murro na face do rapaz, apenas soltou seu braço.
— Eu sei que foi você ontem. — disse baixo, olhando-o sério.
O garoto deu um riso nasal, demonstrando sarcasmo.
— Acha que eu me importo com o que você sabe ou não? — ele deu de ombros e revirou os olhos, desviando a atenção.
Bruce apoiou uma das mãos sobre o ombro do rapaz e o apertou.
— Se eu fosse você, eu começaria a me importar, porque se você encostar mais um dedo nele, eu não vou me importar em quebrar a sua cara. — respondeu com um sorriso e se afastou.
Estava voltando para o lado de Roy quando seu olhar focalizou em Oliver. Olhava para baixo e seu semblante parecia tenso. Bruce suspirou, tornando a ir até Roy.
Oliver parecia inerte a tudo, apenas olhava para baixo, para as próprias mãos que tremiam um pouco. Ainda sentia a tensão da tentativa do abuso descer como um arranhão gelado em sua espinha. Sua respiração permanecia intensa, como se ainda estivesse relutando contra o corpo de Maxwell. A garganta doía ao engolir, por causa do enforcamento breve. A mente continuava a reproduzir todas as cenas, fazendo-o sentir vulnerável e constrangido.
Seu braço já não doía tanto, somente pulsava de dor quando precisava fazer bastante força. O hematoma em seu maxilar ainda se fazia presente, mas já não era incomodo ao toque. Entretanto, os ferimentos físicos não eram o que incomodavam e sim, a tentativa de estupro. A sensação de ser tratado como um objeto, sem ter controle sobre o próprio corpo, era a que ficava e trazia lembranças que não eram bem-vindas.
Por um momento, Oliver sentiu ser transportado para a grade de metal dos fundos da sua escola, numa tarde nublada. Ele conseguia rever o rosto oval e os cabelos louros do garoto. Os olhos brilhavam como pérolas azuis ao olhar todo seu corpo. Oliver conseguiu rever quando o primeiro soco acertou seu rosto, depois o segundo. O terceiro. E o quarto, na boca do estômago. Ainda conseguia sentir o gosto azedo do refluxo em sua língua. E então, se via jogado no chão. Seu rosto era pressionado contra o concreto e seus olhos lacrimejavam. Ele ainda conseguia reconhecer o som do zíper da calça jeans que o garoto usava. E ainda se lembrava, claramente, da dor física e mental de ser violado, de perder o controle do próprio corpo, de sentir-se ninguém, um completo nada. Sujo e usado.
As mãos geladas de Roy fizeram sua mente lhe trazer para o mundo real, no presente. Ele ergueu os braços num ato automático e abriu as pernas. Sentiu as mãos de Roy procurarem por qualquer coisa e não acharem nada, então sentiu-as empurrarem seu corpo para a próxima fila.
Nesse momento, seu olhar encontrou o de Bruce, mas de modo vago. Não o viu realmente, embora reconhecesse a silhueta. Sabia que ele o olhava e que havia preocupação no olhar. Oliver quis parar e agradecê-lo por não olhá-lo como um objeto, mas achou que seria estranho. Deixou o homem para trás e foi até a fila do lanche, esperando pacientemente pela sua vez.
Terrence estranhou seu comportamento, mas nada disse. Oliver ficou feliz por ele não dizer nada, não iria respondê-lo de qualquer maneira. Recolheu o copo de leite e recusou as frutas, sabia que sua garganta doeria caso forçasse-a engolir coisas sólidas. E mesmo só com o leite, sentia uma leve dor.
Sentado ao gramado enquanto comia, percebeu que sentia falta de casa. Não da casa de seu pai. Sentiu falta de ter qualquer coisa para chamar de casa. De ser bem-vindo em algum lugar. De ter uma vida normal e tranquila. De ter uma família. De ser bem tratado. Ter noção dessa necessidade o fez crer que tinha arrependimento em relação ao crime. Às vezes, pensava que se apenas tivesse fugido de casa, nada daquilo estaria acontecendo, mas tinha um “porém”. Se ele não tivesse cometido o crime, jamais teria conhecido Bruce. E ele era a única parte em Oliver que era passível de confiança.
Quando depositou o copo de volta ao lugar, escutou Terrence chamá-los para os exercícios matinais. Como um robô em um casaco de pele humana, ele foi até a fileira, se encaixando. Não escutou nada do que ele dissera, tudo o que conseguia escutar eram suas lembranças infelizes. Os corpos ao seu lado começaram a se alongarem e ele resolveu fazer o mesmo. Não estava com a mínima vontade de executar a ação, mas a fez como se estivesse afim, para que ninguém viesse corrigir sua postura ou gritar ordens.
Bruce observava-o de longe, notando a mudança de comportamento. Estranhava a quietude que o rodeava naquele dia, embora soubesse o motivo. Imaginava que não deveria ser fácil estar numa situação como aquela, afinal nunca passou por aquilo. Até tentou se por no lugar de Oliver, mas sequer conseguia. Aquilo o dava uma repulsa tão grande que tudo o que Bruce sentia, era raiva.
Os rapazes executaram os exercícios diante os olhos dos oficiais, sem pressa alguma. Terrence os observava em silêncio, mas focava-se em Bruce. Ele não lhe dirigira a palavra desde o início do dia. Não que incomodasse a Terrence o silêncio do homem, pelo contrário. Era sinal que Bruce recolheu o rabo entre as pernas e decidiu apenas fazer o próprio trabalho.
Quando terminaram, foram conduzidos até a casa de ferramentas, pois voltariam a cuidar dos campos de lavoura. Enquanto Terrence ditava as ordens, os rapazes, em fila, pegavam os materiais. Como um dos campos já estava semeado, eles precisavam regá-lo. O outro ainda precisava receber as sementes, pois Oliver apenas o preparou quando foi punido.
— Sentindo falta do trabalho rural? — Bruce perguntou a Oliver quando a vez dele chegou.
— Talvez. — respondeu baixo e recolheu os equipamentos.
Bruce o observou se afastar e suspirou, preocupado. Oliver jamais perderia a chance de retrucar a altura. Porém, Bruce achou melhor assim. Talvez, se cortassem as provocações e os assuntos, as coisas voltariam a ser como era. Ele, um oficial casado e futuro pai. Oliver, um jovem infrator de família desestruturada.
Terminou de entregar os baldes com água, sacos de semente e pás, então seguiu-os até os campos. Logo que começaram, ele e Roy iniciaram a ronda, vendo se estava tudo certo. Mas sempre que Bruce olhava para Oliver, percebia que não estava tudo bem.
Ele executava o serviço normalmente, embora muito calado. Seu semblante parecia vazio, o olhar permanecia no serviço que cumpria, mas parecia não estar prestando atenção. Sua cabeça latejava um pouco, demonstrando o cansaço da noite mal dormida pelo medo. Ele tentava se concentrar e esvaziar a mente daqueles pensamentos ruins, mas parecia impossível.
O braço esquerdo não doía, apenas incomodava um pouco por segurar o peso do saco de sementes. Já seu estômago, logo começou a reclamar de fome. O copo de leite não havia sido o suficiente para alimentá-lo e ele tinha noção de que não poderia almoçar até que terminasse. Portanto, tomou ar e continuou.
Enquanto os outros pareciam estar concentrados, Oliver conseguia sentir que os olhares continuavam. Ele tentava desviar daquilo, mas não havia como fugir de um olhar. O sentia desde manhã, mas havia se intensificado durante os trabalhos. Pesava sobre suas costas e o fazia querer fugir. Oliver sabia que aquele olhar não sumiria, não pararia. Não importa o quanto tentasse fugir. Não havia saída naquele lugar e, uma hora ou outra, seria tarde demais.
Os estômagos amuados deles já rugiam de fome quando finalmente terminaram o serviço. Regaram todo o campo, semearam o segundo e cobriram, por fim também o regaram. Quando foram liberados para o almoço, adiantaram-se para pegar o frango branquelo e frio.
Oliver pegou seu prato e sentou-se pelo meio da grande mesa. Alguns outros rapazes sentaram perto dele, mas nada que o incomodasse, exceto por Maxwell. Ele estava quase na extremidade da mesa, mas seu olhar ainda perseguia Oliver. Os olhares se encontraram por um momento, criando o contraste entre agressor e vítima que tanto incomodava. Oliver não sustentou e abaixou o olhar para o próprio prato. Tentando ignorar, ele atacou o frango com fome.
Aos poucos, o refeitório ia esvaziando. Oliver permanecia, enrolando com os últimos pedaços da carne. Escutava os passos se distanciando, mas não tinha coragem de erguer o rosto e ver se já estava longe de Maxwell. Então, de repente, uma mão segurou seu ombro, o assustando.
— Ei, calma! — Bruce disse, franzindo o cenho perante a reação dele. — Está tudo bem?
Oliver acenou com a cabeça brevemente, sem falar nada. Sentiu que a mão de Bruce continuava sobre seu ombro e então, tomando ar, resolveu olhá-lo.
— Eu queria te agradecer, mais uma vez... — sua voz estava um pouco rouca, mas havia um pequeno sorriso em seus lábios.
Ele sorriu mínimo e quando iria responder, Roy apareceu de novo no refeitório.
— Rogers, visita para você! Sua esposa! — anunciou, fazendo seu sorriso engrandecer.
Oliver observou a felicidade ocupar o semblante dele em questão de segundos e quando ele se afastou, sem dizer mais nada, Oliver comprimiu os lábios.
Foi o último a deixar o refeitório, todos já estavam do lado de fora, escutando Terrence liberar mais três rapazes. Se adiantou até a fileira e se encaixou em seu lugar. Seu olhar percorreu todo o ambiente e então, assistiu Bruce recebendo a mulher com um beijo nos lábios. Respirou fundo e fechou os olhos. A cena doeu mais do que deveria. Mais do que Oliver gostaria.
Bruce a recebeu junto de Ginger, que viera buscar os rapazes liberados. Margot aproveitou que a mulher já iria para lá e aceitou a carona, não se sentia mais em condição de dirigir por tanto tempo. Estava se cansando frequentemente e os incômodos pareciam aumentar.
Ginger afastou-se, deixando-os as sós. Bruce tocou sua barriga em um afago terno, cumprimentando o futuro filho. A mulher sorria enquanto acariciava a barba do marido, reparando que ela estava mais espessa.
— Parece cansado, meu amor. — ela comentou, já o tocando nos cabelos.
Bruce ergueu o rosto na direção do dela, ainda com as mãos sobre sua barriga.
— Não vou mentir; minhas noites não tem sido das melhores. — respondeu, apoiando-se na lataria da viatura, ao lado dela. — E eu sinto falta da nossa casa, nossa cama, nosso chuveiro... Isso aqui está sendo destrutivo.
Ela tocou seu corpo, amparando-o com fragilidade. Seu olhar percorria pelo ambiente, bem curiosa. Assistiu aos rapazes começando uma espécie de prova de resistência, que deveria apoiar sacos de areia sobre os ombros enquanto Terrence berrava com eles. Ginger, Roy e os rapazes liberados apenas assistiam e conversavam.
— Não quer entrar? Seria melhor para você não ficar tanto tempo em pé... — sugeriu, olhando-a.
— Não se preocupe. Ginger não vai demorar. E eu prefiro não ver esse tipo de coisa com esses garotos.
Bruce seguiu o olhar dela, estava concentrada na prova que eles faziam. Pelo que conhecia da própria esposa, ela estava abalada de ver aquilo, garotos tendo que aguentar quinze quilos de areia sobre os ombros e escutarem as palavras rudes de um general.
Ela meneou, desviando a atenção de lá e tentando ignorar as frases de Terrence, que incluíam os estupros e as humilhações que eles passariam na cadeia, caso voltassem a cometer crimes.
— Eu até queria te levar embora junto comigo, mas você vai negar, provavelmente! — queixou-se, cruzando os braços sobre a barriga.
— Queria ir embora com você, não duvide...
— Tem um "mas" aí ou é impressão minha? — questionou, olhando-o preocupada.
Ele anuiu, coçando a barba.
— Estou preocupado com alguém aqui dentro, Margot. — ele afastou-se da lataria, mantendo apenas a mão apoiada no veículo. Curvou-se de encontro a ela, mantendo a vozes entre eles. — É o rapaz que eu prendi antes vir para cá. As coisas não estão fáceis para ele aqui, quer dizer... Nunca foram! Ele cometeu o crime para se livrar do pai, acredita?
— Que horror! Por quê? — ela arregalou os olhos.
— O pai não aceita que ele seja gay, e aí você pode imaginar o que ele já passou na mão do cara. — contou, vendo-a lamentar com a mão sobre a boca. — Bem, ele não é nenhum anjo, mas além do Terrence criar uma marcação desnecessária em cima dele... Alguns rapazes estão se aproveitando da situação.
Margot parecia chateada com a história. Olhava para o marido, esperando algum tipo de solução.
— Está tentando controlar a situação, ao menos? — perguntou e ele anuiu e então ela sorriu. — Você é um homem bom, Bruce! Poucas pessoas fariam o que você está fazendo por ele...
— Ainda não consegui fazer nada, Margot. E tenho medo de não conseguir quando for necessário...
Ela segurou seu rosto com carinho, inclinou-se até conseguir beijar os lábios dele, brevemente.
— Claro que vai conseguir! Você é um dos melhores policiais que essa cidade já viu e seu dever é proteger a população, logo você é capaz! — ela murmurou e recebeu outro beijo nos lábios. — Pietro vai ter o melhor homem como pai, eu não tenho dúvidas...
Bruce sorriu, sentindo os olhos arderem. Suas mãos tocaram o rosto dela, acariciando desde suas bochechas até os belos cabelos.
— Quando Pietro crescer e me pedir para contar uma história para dormir, eu vou me sentar ao lado dele e contar... — Margot levou as mãos até as dele, tomando-as e entrelaçando os dedos. — "Uma vez, seu pai foi para um lugar ruim. Um lugar para garotos que se comportaram mal. E havia um garoto que precisava de proteção, então seu pai, como um herói dos quadrinhos, o salvou de toda essa maldade".
Ele tombou o corpo sobre o dela, com cuidado, e a abraçou. Margot retribuiu, envolvendo os braços na cintura dele e o apertando contra si. Bruce beijou seus cabelos inúmeras vezes, podendo sentir o cheiro doce que exalava deles.
— Você vai ser o herói dele, tenho certeza disso. — ela disse com a voz abafada contra o corpo dele.
— Odeio ter que empatar foda, mas eu preciso levar esses marmanjos embora! — Ginger anunciou sua chegada de maneira escandalosa.
Eles se soltaram e abriram um sorriso. Bruce curvou-se uma última vez sobre a esposa e beijou seus lábios algumas vezes.
— Prometo não demorar a voltar para casa. — disse-a.
— Tenho que certeza que não vai demorar mesmo, do jeito que o número de membros está diminuindo... Semana que vem está em casa! — Ginger respondeu, arrancando risadas de ambos.
Margot se despediu dele mais uma vez e se direcionou ao banco do carona, os rapazes se acomodaram no banco traseiro e logo, Ginger deu partida. Bruce observou a viatura manobrar e então, desaparecer pela estrada. Assim, ele voltou a seu posto com um sorriso gigante estampando seu rosto.
Os rapazes ainda estavam na prova, todos eles com o semblante de dor e cansaço. Terrence continuava a berrar discursos agressivos, tentando de alguma maneira, tirar a ideia de futuros crimes da mente deles.
Roy se aproximou de Bruce, notando o sorriso besta que ele trazia nos lábios. Ambos se juntaram na vigia entre os detentos, durante a prova.
— Está parecendo um garoto apaixonado! — comentou sarcástico, acompanhado de uma risada.
— Bem, com a mulher que eu tenho não tem como não se apaixonar sempre. — deu de ombros, contando vantagem.
— Fizeram as pazes?
— Tudo indica que sim, Roy. — respondeu, olhando para os rapazes e focando em Oliver. — Isso é bom, não é?
Roy concordou e deu meia volta, indo para o lado oposto.
Ele continuou caminhando entre os rapazes e o sorriso continuava estampado em seus lábios, mostrando a satisfação e a felicidade. Ter feito as pazes com Margot, mesmo que nenhum deles tenha pedido desculpas, era algo significante. Não ter mais discussões, apenas idealizações ou conversas amorosas, era como ter pedido-a em namoro em um encontro, de novo. Ou casar-se com ela, mais uma vez. Entretanto, quando seus olhos encontraram os de Oliver, ele percebeu que não estava tão certo assim daqueles sentimentos.
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