Bad Red
3 Um bêbado em casa
Notas iniciais
Marie observava a menina a sua frente. Seu estado estava péssimo. O seu cabelo preto estava com alguns de seus fios queimados, os grandes olhos castanhos cheios de olheiras pareciam confusos, mas o que Marie via nessa menina não era apenas a mistura de mistério e confusão, era algo profundo, algo... Frio, machucado. A mulher sentia uma grande simpatia por Brooke, ela lembrava sua filha, Alice.
Ela enxugou a lágrima que insistiu sair em seus olhos. Alice fugiu de casa quando tinha apenas quinze anos, a menina queria se livrar dos maus tratos do pai e da ausência de carinho. Marie sempre a amou, apenas não tinha medo de que Drake ficasse com ciúmes de fizesse alguma coisa com sua filha. Maldito seja. Ela se lembrou do homem gordo, barbudo e bêbado, Drake. Como ela o odiava. Ele estava trabalhando e voltaria para a casa ás 21h00min. Já era 20h30min, Marie suspirou infeliz.
Brooke gemeu baixinho enquanto comia o frango assado. A menina estava faminta.
– Eu... Queria agradecer... Mais uma vez. — Brooke diz entre as mordidas.
Marie ri, divertindo-se com a situação. Ah, quanto tempo ela não ria ou pelo menos sentia um pouco de paz.
Brooke a olhou de canto e viu a mulher sorrindo.
– O que? — Brooke perguntou.
– Nada... — A mulher balançou a cabeça. — É que... Você me lembra uma pessoa especial.
Brooke sorriu.
– Quem?
– Minha filha.
– Onde ela está? — Brooke terminou de comer e levou o prato até a pia, onde o lavou. Ela voltou à mesa e esperou que Marie a responde-se. Alguma coisa lhe dizia que esse era um assunto muito delicado, talvez nem devesse ter perguntado. Ela sentia que Marie estava um pouco desconfortável com a situação. Droga. Porque você sempre estraga tudo Grey... Brooke?
– Desculpe-me, eu não queria incomoda-la com a pergunta infortuna. — A menina desculpou-se. Não queria magoar Marie, ela era a única pessoa que tinha a tratado com educação e gentileza.
– Não. Está tudo bem. — Marie deu um sorriso torto. — Ela foi embora.
– Embora? Para onde? — Pare de fazer perguntas estupidas, garota. Não está vendo que está deixando-a triste?
– Eu não sei. Talvez tenha ido atrás de sua felicidade, um novo lar. — O que diabos Marie estava fazendo? Ela estava falando sobre sua filha com uma estranha.
– Eu sinto muito. — Você sente? Na verdade, Brooke, você não a conhece e muito menos sabe o que ela passou. Você realmente sente muito?
Marie ignora as desculpas de Brooke, ela não precisa se desculpar. A mulher podia ver o arrependimento em seus olhos.
– Desculpe-me se sou intrometida em minha pergunta, mas... O que houve com você? — Marie perguntou curiosa.
Brooke pensou.
O que houve com ela?
Silencio.
Brooke não gostava desse vazio. O silencio a incomodava.
O silencio é a virtude dos loucos, seu pai sempre dizia.
– Aconteceu a vida. — Brooke respondeu depois de alguns minutos.
– Você parece muito jovem para saber sobre a vida.
– Eu sei mais do que imagina.
– Eu sinto muito. — Marie fala por fim. Ela sentia? Mas ela nem conhecia a pobre menina. Como saberia o que ela viveu?
Brooke sorri em desleixo.
– Eu não sinto.
– Sinto muito por você não sentir nada. — A mulher lamentou.
– A vida me ensinou a...
– Viver? — Marie completou.
– Sobreviver.
Marie olhava para a menina e via um grande ponto de interrogação em sua face.
Brooke olhava para a mulher e via poucas vírgulas em suas frases tristes.
Os pensamentos das duas foram interrompidos pelo o som de batidas fortes na porta.
– Oh não. — Marie amaldiçoou. Era Drake, ele com certeza havia bebido.
– Abra essa porta agora! Sua puta. — Drake gritou.
– Quem é? — Brooke perguntou confusa.
– Meu marido. — Marie levantou-se e puxou a menina pelos braços a levando para a pequena porta nos fundos da casa. — Você tem que ir querida.
– O que? Mas eu não posso deixa-la com esse louco e...
– Não. Você precisa ir, se ele a encontra-la vai machuca-la. — Marie a empurrou para a fora da casa e fechou a porta. Ela não ia passar por isso de novo. A mulher já estava cansada de ver seu marido batendo nas pessoas... Em sua filha. E Brooke, mesmo sendo uma menina misteriosa, lembrou sua filha, a ingênua Alice. Ela não deixaria que Drake a machucar-se.
O homem derrubou a porta com um chute forte.
– Venha aqui sua puta! — Ele gritou irado. Marie tentou fugir mais Drake a puxou pelos cabelos. Ela gritou de dor.
Brooke tentou sair, mas não conseguia, seu coração pedia para ficar enquanto sua mente gritava para sair daquela inercia. Ela deu meia volta em seu caminho. A menina não ia deixar Marie sofrer. Não. Marie lembrava sua mãe e ela a tratou com carinho. Brooke sentiu falta disso, o carinho. Esse sentimento mundano que todos precisavam, mas poucos sabiam como usa-lo. Um sentimento forte, porém fraco em meio a tantos outros.
A garota lembrou-se de sua arma.
Não faça isso Brooke, pensou. Ela se aproximou da porta da casa. Brooke podia ouvir os gritos de Marie misturados com a risada nauseante de Drake.
Você não pode sair matando as pessoas. Brooke abriu a porta devagar.
Você tem certeza disso?
Marie estava jogada ao chão com a boca sangrando e com o braço machucado. Seu corpo e sua cabeça doíam muito. Drake estava na cozinha comendo. Ela sabia que estava chegando sua hora. Por que os bons sofrem?
A porta abriu-se devagar e ela observou Brooke entrando com uma arma na mão.
Ela engoliu em seco.
Brooke olhou para a mulher no chão, machucada e sangrando.
Ela se ajoelhou e acariciou o rosto de Marie.
– Eu sinto tanto por ter feito isso a você. — A menina lamentou.
– Não... — Marie tossiu sangue. — Saia... Não deixe que ele a veja.
– Eu posso salva-la. — Brooke levou o olhar de Marie para a sua arma.
– Não, você não o fará. — Ela tossiu mais uma vez.
– Eu não posso ver você assim. — Uma lagrima teimou em cair. Porque todas as pessoas que ficavam na presença da menina iam embora? O que ela fez Deus? Por quê?
–Bem, acho que agora eu estou em paz. — Ela sorriu. — Enfim, você sentiu. — Marie deu seu ultimo suspiro.
Maria havia sido uma grande mulher e Brooke não iria manchar sua honra.
A honra da garota já estava manchada de sangue. O sangue derramado de seus inimigos havia espalhando-se em sua alma.
Brooke levantou-se e foi em direção à cozinha. Encontrou um homem bêbado, careca, alto e robusto. Os olhos da menina ardiam.
Drake levantou-se, mas acabou caindo no chão de tão embriagado.
Pobre Marie.
Brooke mirou em sua cabeça e puxou o gatilho.
Acabou.
A menina saiu da casa e correu o máximo que podia.
Brooke não queria que acabasse assim. Porque o mundo é tão duro? Porque as pessoas boas sofrem e morrem? O mundo é dos sacanas e banais?
Que se dane o mundo.
Que se dane a vida.
Ela ia continuar seu caminho em busca do nada, do tudo, quem sabe algum ideal preciso de sua jornada.
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