Bad Red
2 Prazer
Notas iniciais
Grey ajoelhou-se ao chão e agradeceu por ter conseguido sair daquele maldito lugar. Ela conseguiu achar o caminho para a estrada em meio ao matagal. Já era meio-dia. O sol forte, a menina estava machucada, com fome, sede, e isso tudo a enfraquecia. Ela tossiu mais uma vez, dentre tantas vezes enquanto caminhava sob o sol escaldante, mas isso era o de menos, Grey havia passado coisa pior e estava disposta a enfrentar o inferno para sobreviver. Engraçado, a vida nos ensina as melhores lições, ela demorou em aprendê-las, mas no fim conseguiu entende-las. Olhando para as montanhas a sua frente, ela refletiu, pensou em seus pais, mais precisamente em sua mãe. Grey virou o rosto recusando-se a chorar. Ela havia chorado demasiadamente as noites passadas, mas seus olhos ardiam do mesmo jeito. A garota não queria padecer por seus sentimentos. Ela havia feito uma escolha, a razão antes dos sentimentos. Sempre. Grey já estava cansada de sofrer. Um corvo passou pela menina e acomodou-se em cima de uma placa de transito. Os pensamentos turbulentos da garota se acalmam. Ela novamente reúne suas forças e se levanta da terra. Não sabia onde estava e muito menos para onde iria.
Esquerda ou direita? Perguntou-se.
Suspirou, não importava a direção, ela apenas ia andar. E de uma coisa a menina tinha certeza, ela sempre iria andar sozinha na estrada da vida.
Depois de 4 km andando pela estrada, até que encontrou uma pequena casinha. Não pensou duas vezes em pedir um pouco d’agua e comida. Ela bateu na porta. Uma mulher baixinha, seus cabelos pretos misturados com uma cinza estavam amarrados em um rabo de cavalo bagunçado, rugas inundavam sua pele seca junto cravos. Ela poderia ser jovem, mas sua aparência era de uma velha mulher.
– Sim. – Ela atendeu a porta receosa.
– Por favor, a senhora poderia me dar um pouco d’água... Talvez até uma pequena porção de comida? – Grey pediu, tossindo um pouco, para completar a atuação. Não era nem um pouco difícil pelo estado em que estava.
– Eu... – A mulher parou um pouco, avaliando Grey dos pés a cabeça. Com certeza, a menina não estava em seus melhores momentos. Sua calça jeans preta estava rasgada e suja de sangue, embora não desse para ver as manchas direito, já sua blusa branca estava suja de terra e sangue. Ela podia sentir o sangue seco em seu rosto, os arranhões ainda ardiam em sua pele.
– Por favor.
– Claro, ah... Entre. – A mulher fez um gesto com a mão para dentro da casa. Assim que a menina pisou na casa a mulher sentiu que alguma coisa iria acontecer. Não sabia o que era, mas não seria coisa boa. Aquele velho pressentimento, ela já o teve tantas vezes...
Grey adentrou a casa devagar. As paredes, antes de um vivo verde limão, estavam descascadas. O chão era de cimento. Ela observou os móveis da casa em meio à má iluminação, um sofá marrom rasgado, uma mesa velha de madeira no centro da sala com algumas cadeiras. A cozinha tinha apenas um pequeno fogão e uma geladeira ficavam ao canto. Tudo muito simples e pequeno, para Grey estava perfeito. A garota não ligava para luxuria, ela nunca foi mimada, nunca foi rica. A menina ficou com pena, poderia a mulher ajuda-la? A casa era tão simples, talvez ela estivesse apenas incomodando-a.
– Não repare em nada. A casa não está muito boa e... – A mulher começou a falar, mas Grey a interrompeu com um gesto de mão.
– Não se preocupe senhora...
– Castillo. Marie Castillo. – Marie sorriu gentilmente. Seu sorriso fazia Grey sentir um conforto em seu coração. O conforto lembrava Nora. A menina sorriu com o pensamento de sua mãe.
– Qual é o seu nome, querida? – A mulher perguntou. Grey não poderia dizer seu nome. Ela poderia ter simpatizado com Marie, mas não confiava nela.
E se houvesse mais sequestradores? E eles estivessem a procurando?
Estava Decidido.
Grey Evans havia morrido naquela explosão. A menina assustada e inocente estava enterrada. O que restava agora era uma garota cheia ódio no coração, raiva, desprezo e uma incessável sede de vida. Uma menina esperta e inteligente, que sabia o que queria. Uma completa heroína... Ou talvez uma vilã?
Andaria na linha tênue da vida, sem medo e sem nenhuma vírgula. No fim, haveria apenas um ponto final em sua historia.
Nesse momento, Grey prometeu a sim mesma, ser uma pessoa diferente. Garotas comportadas não fazem historia, não é mesmo?
A menina estendeu a mão para a mulher, dando-lhe um sorriso efusivo.
– Meu nome é Brooke, Brooke Davis.
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