Bad Red
6 Pequena Lembrança sob a Lua
Notas iniciais
Brooke encostou-se na parede. Ela tinha andando quase dois quarterões.
Estava tão cansada.
Seu corpo vacilou em cansaço e despencou no chão.
Lá estava ela, caída, seu corpo arranhado, dolorido. Porém, ela não estava melhor por dentro. A mancha em seu coração aumentava. A escuridão tomava conta dele. O órgão que pulsava amor e alegria, agora apagou-se. Ali habitava apenas a solidão. Ela tossiu. Talvez estivesse doente. A menina encostou-se na parede da loja novamente e encolheu-se. Talvez estivesse protegida. Antes, ali, no seu pequeno mudo, tudo era perfeito. Agora, bem... Agora ela vivia.
Ela havia aprendido, não se mede felicidade por sorriso e não se confunde viver com apenas respirar. Seu corpo tremeu de frio, a chuva havia diminuído mas sua roupa estava encharcada.
Lembrou-se de sua tia, Gina.
Se aquela mulher a visse assim, seria capaz de ter um enfarto. Não, Gina não importava-se de fato da Grey estar ou não machucada e muito menos prestes a ter hipotermia. O que importava para ela, era a elegância. Grey sempre admirou o requinte e a postura da tia, mas a menina a odiava. Casada com um dos homens mais ricos da cidade, Gina era esnobe, egoísta e prepotente.
"Tire os cotovelos da mesa, Grey"
"Eu já falei, menina. Pare de tentar comer o escargot com a mão."
"Pare de tentar colocar fogo nos seus vestidos. Eles são de marca."
" O mundo precisa de mulheres como eu. Elegantes e finas. Eu tenho dó de quem te amar... E não de uma menina mal criada como você."
Brooke bufou.
Ela odiava aqueles vestidos desconfortáveis, aqueles penteados horríveis.
Brooke nunca fora rica. Sua mãe era professora e seu pai era, bem, ele nunca revelou seu "verdadeiro emprego." Um dia ele era policial, no outro era médico. John não revelava o seu verdadeiro emprego e depois de naos tentando descobrir, Nora e Grey apenas deixaram para lá. A garota não importava-se com regalias, desde cedo foi criada com humildade e amor pela mãe. Seu para tinha problemas terríveis com bebidas. Quase toda noite espancava sua mãe. Entretanto, seu comportamento alterado e raivoso só aparecia enquanto estava bêbado. Ele era tão diferente sóbrio, doce, gentil.
– A próxima regra de etiqueta é... Não use os talheres da sopa para tentar matar o escargot.... — Brooke repetiu em desleixo.
– Sabe, titia. Eu realmente desejo do fundo do meu coração que a senhora vá a merda.
Brooke riu. Grey morria de medo de Gina e não atreveria-se falar isso.
Porém, as coisas haviam mudado.
A garota saiu de seus devaneios e observou a lua. Ela deitou-se na calçada para poder vê-la.
Ah, a lua cheia. Tão linda e cheia de mistérios.
Brooke adorava a noite, ela amava refletir sobre sua vida e ideais.
A lua é misteriosa. E assim como todos nós, ela tinha um lado negro. Uma parte negra. Tão linda. A menina a admirava, a luz refletia nos olhos de castanhos de Brooke. Aquilo a acalmava. A deixava fascinada.
Assim como a lua, nós temos fases.
Alegria, tristeza, amor, ódio.
Seu pai, John, quando estava sóbrio, sempre recitava uma frase antes de colocar a pequena Grey para dormir.
"Nós objetivos da sua vida, mire e tente acertar a lua, Se não conseguir, ficará entre as estrelas"
No último dia que ela o viu, antes de tudo acontecer, ele deu para Grey um colar.
"- Isto é para você lembrar de mim, filha. — John puxou do bolso um colar. Ele era simples, apenas um cordão entrelaçado a uma pequena pedrinha branca.
– Toda vez que olha-lo, lembrará de mim. E eu prometo... Eu nunca vou abandona-la. Sempre que estiver com ele, você estará sempre aqui em meu coração. — Ele beijou sua testa."
Brooke puxou do bolso um colar entrelaçado em uma pedrinha. Ela o colocou no pescoço e apertou a pequena pedra em suas mãos. A luz da lua refletia sob a pequena pedra, tão delicada, tão linda.
Parece que você estava certo, pai. Assim como minha mãe, você sempre estará comigo. Sempre.
Fale com o autor