Bad Red
7 Algum ideal
Notas iniciais
" — Filha! — A mulher entrou no quarto gritando. Ela estava suada e parecia apavorada. Seus olhos estavam vermelhos e inchados. Uma pequena e fina linha de seu lábio estava sagrando. A menina levantou-se assustada e tentou acalmar a mãe, mas a mulher estava incontrolável.
– Acalme-se. — A garota pediu mais uma vez. Ela abraçou a mãe com força. — O que aconteceu.
A mulher tremia.
– Você... Você tem que ir. — Sua mãe saiu do abraço e acariciou o rosto da filha. As lágrimas desciam incontrolavelmente. A mulher abaixou a cabeça, nunca havia chorado na frente da filha. Não queria que ela a achasse fraca. A menina olhou confusa para mãe. O que estava acontecendo? Onde estava seu pai?
– Hey. — A filha levantou o olhar da mãe. — Eu estou aqui para você. Sempre e para sempre, lembra?
A mulher assentiu e aconchegou a cabeça nos ombros da filha.
– Me perdoe. — A mulher começou. — Eu não queria ter feito aquilo. Me perdoe. — O desespero da mãe aumentou ainda mais.
A menina, confusa, tentou confortar a mãe. Em vão.
– Ele fez isso... Ele... — A mulher repetiu. — Ele, ele, ele! — Ela gritou.
– Isso é tudo culpa dele! — Ela continuou.
– Mãe, por favor, conte-me o que está acontecendo. — A menina já estava começando a ficar com medo. A mãe estava ficando maluca?
A mulher abriu os braços e olhou para a filha.
– Mãe, o que você está...
– Eu estou pronta para ir.
Um homem apareceu com uma arma apontada para a cabeça da mãe de Grey. Ela gritou. Ele atirou.
Era um calibre 11.1mm com cartucho. 44 Magnum.
O disparo acertou a cabeça de Nora. O sangue insosso e vermelho escorreu em sua testa em contorno ao pequeno ponto preto da bala. Ela caiu no chão. Morta. "
Brooke acordou ofegante e suada. Procurou acalmar-se.
Entretanto, sua mente a levou para o fatídico dia. As paredes do quarto eram de papel de parede era de flores. Rosas. A cama mantinha o mesmo cheiro doce. Sua escrivaninha era de um lindo azul piscina. No teto havia desenhos de estrelas. O chão era de madeira. Tudo perfeito.
De repente o sangue surgiu. Sua parede, antes cheia de flores, agora continha sangue espalhado. O chão de madeira agora estava encharcado, o vermelho salpicou em sua linda escrivaninha. O corpo de sua mãe surgiu, caído. Ensanguentado. Parecia tudo tão real. O homem a frente da menina a encarou. Seu rosto estava escondido por uma máscara de esqui. Suas roupas eram pretas. Ele foi em direção à garota...
Ela balançou a cabeça. A garota olhou para baixo, ela podia ver o sangue em suas mãos. O cheiro forte de sangue. A bile subiu e desceu rapidamente.
Ela respirou. "Acalme-se Brooke. Por favor, não tenha um ataque de pânico", seu subconsciente tentou acalma-la. O coração de Brooke estava saltitando, sua cabeça latejava, seu corpo doía.
Se não fosse por sua mãe. Brooke não conseguiria mais dar um passo. Ela levantou-se meio tremula.
"Está tudo bem, está tudo bem. Continue... "
Ela levou seus pensamentos para outro lugar, mais precisamente onde seu estomago estava. Sua barriga estava roncando. A garota estava morrendo de fome. Brooke revirou o lixo a procura de alguma coisa. Nada. Ela entrou em uma rua estreita e vazia. Havia mais latões de lixo lá. De repente um homem, um velho homem, abriu a grossa porta a sua frente e jogou o lixo fora.
Ela correu para ele. Talvez tivesse alguma lá.
Brooke não pensou, simplesmente agiu. Talvez aquilo fosse um erro.
O homem assustou-se ao levantar o olhar e encontrar uma menina magra indo em sua direção. A garota estava suja e machucada. O que aconteceu com ela? Talvez ela quisesse um pouco de comida. Ela chegou a sua frente, meio sem graça. Seus olhos jabuticabas imploravam por comida. Ela tossiu um pouco e falou.
– O senhor teria um pouco de comida para me dar?
O que ele iria fazer?
Era ela. Ele analisou a menina. Ela a reconheceu.
Era a mesma da foto. Mas suja e machucada, porém era ela.
Brooke observou a indecisão do homem. Ela não o culpava por está com dúvidas.
Ele coçou a cabeça, ela fletia na luz no sol, uma careca lisa e brilhante. Brooke riu com o pensamento. Enrolou o grosso bigode com os dedos. Estava pensativo. O homem jogou o lixo na caçamba, limpou suas mãos no velho avental e voltou-se para a garota.
– Oras, mas o que estás havendo, rapariga?– O homem perguntou com um forte sotaque português. Ele estava interessado. Ele relembrou a visita daquele homem em sua casa. Havia-se passado dois dias depois da oferta de 1 milhão pela garota.
– Eu, é, eu... Eu preciso de um pouco de comida, capiche? — O que ela estava tentando falar? Nem mesmo estava entendendo o que dizia.
– Eu entendi, baixe a bola, gira. Espere aqui, menina.
Ele entrou e fechou a porta atrás de si. Depois de alguns minutos ele voltou com um pedaço de pão e café.
– Tome. — Ele a entregou. — Sinto muito mais não poderei dar troco, pequena.
Ele entrou rapidamente. Não esperou Brooke agradecer.
Ela ignorou sua ação. Apenas focou na comida. Ela comeu tudo avidamente. Estava tão bom, não queria que acabasse.
Ela sentou e apoiou-se na parede. O que faria agora? Onde estava os ideais que ela ira defender?
O que seria dela agora? Seria apenas uma mendiga?
Levantou-se e voltou para a rua principal. Andou alguns quadras. Brooke sentia uma sensação estranha. Era como se estivesse sendo seguida. Como se estivesse sendo vigiada. Olhou para trás uma vez. Duas. Três vezes.
Ela observava o homem atrás dela. Ele usava terno e carregava uma maleta preta. Brooke agora tinha certeza. Ele não estava andando normalmente na rua. Ele estava a seguindo. Mas... Por quê? Seria outro sequestrador? Ela não queria descobrir.
Começou a andar mais rápido. O homem andou mais rápido.
Ela começou a correr. Ele correu.
– Desculpe. — Ela esbarrava nas pessoas a cada momento. — Desculpe.
O homem estava a alcançando.
Maldito.
Ele puxou Brooke pelo braço e a levou até um beco.
– Você vem comigo. — O homem puxou seu cabelo com força.
Ela gritou. Sentiu a adrenalina correr por suas veias. Seus olhos se abriram e empurrou o homem para a parede.
Ela sentia que aquilo ia ficar bem divertido.
Ele socou Brooke. Uma. Duas vezes. Sangue jorrou do nariz da menina.
Ela cuspiu em vermelho.
Brooke sorriu. Seus dentes nadavam entre o sangue. Ela levantou-se e colocou seu corpo em posição de defesa. Olhou para o homem a sua frente. Seu supercílio estava cortado, lado esquerdo do rosto inchado, havia um corte fino em sua boca.
Ela socou o rosto do homem. O forte impacto fez com que seu nariz quebrasse. A garota ouviu o som do osso quebrando. A mão de Brooke doía. Parecia que ela havia batido a mão no chão. Ela latejava. Nunca havia dado um soco em uma pessoa. Nunca havia machucado ninguém. Ela estava com medo, mas ela não conseguia desviar e correr. Ela queria terminar aquilo. E a única certeza que tinha era que um deles iria acabar ao chão.
O homem assustou-se com a coragem da menina. O que ela estava fazendo? Desde quando ela poderia bater daquele jeito? O português falou que ela era frágil e dócil. Ele ia acabar com aquele cara, mas primeiro ia dar um trato na garota.
Ele pegou um pedaço de madeira e bateu no joelho de Brooke, ela caiu gritando de dor. O homem bateu mais uma vez com o bastão, dessa vez foi nas costela de Brooke. Ela urrou.
– Não... — Ela murmurou. O homem pulou em cima da garota e a socou mais três vezes. Ele sorriu com o resultado. O rosto de Brooke estava inchado, sangrando e doído. Ela não sentia seu corpo. Ele pegou um pequeno lenço do bolso e o pressionou contra o nariz de Brooke.
– Não, não... — Ela continuou murmurando A garota reuniu toda a sua força e chutou o estomago do homem. Ele apertou ainda mais.
– Cale a boca! Desista!
– Eu disse que NÃO! — Ela gritou. — Eu nunca vou desistir de lutar!
Brooke levantou-se e chutou mais uma vez ele. A situação havia mudado.
Brooke colocou-se em cima dele e pressionou o pano em seu nariz. Ela não estava pensando. A única coisa que tinha obtido espaço em sua mente era que aquele homem morresse. Ela queria ver seu sangue derramado sobre o chão. Ele lutou contra o aperto de Brooke. Ela o deu uma série de socos.
– Essa é por minha mãe. — Um.
– Esse é por mim. — Dois.
– Esse é pela minha vida. — Três.
Um minuto. Dois minutos.
PARE!
Sua mente voltou a realidade. O rosto do homem estava desfigurado e coberto de sangue. Brooke olhou para o homem, aterrorizada.
Ele parou. Ela havia feito isso, ela era o monstro da estória.
Estava morto? Brooke não importava-se com a situação daquele desgraçado. Ela queria que o inferno o acolhe-se o mais rápido possível. Brooke pegou a maleta do homem e saiu do beco. Ela olhou para trás uma ultima vez. Naquela altura, Brooke sabia que não tinha mais salvação. Tudo havia mudado. O pouco de Grey que havia restado em seu corpo dissipou-se. Virou cinzas. Assim como seu coração. Brooke sabia como seria seu fim. A garota fez as pazes com seu destino. Sabia que dali em diante sua morte seria causada por um bala, ou um facada no coração. Simples assim.
Ela sabia o que queria. Assinou o seu contrato para o inferno. Ela tinha o seu ideal.
– Vingança.
E ela sabia a quem procurar.
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