Bad Red
12 Lucky
Notas iniciais
–Você sabe, não é? – O homem aproximou-se da garota. – Todos vão morrer. A última pessoa que restar da família será você, Elizabeth, você sabe disso. Porque você tem o meu sangue correndo em suas veias. O meu sangue. – Seus olhos pretos encararam os dela. Grey não conseguia respirar direito. De repente seu corpo entrou em uma inércia, ela estava imóvel. O que ele estava querendo? Seu nome não era Elizabeth, onde diabos ele estava querendo chegar?
Ele apontou para a imagem de uma lápide, lá estava escrito:
R.I.P. John Evans, res aqui um grande pai e amigo.
Grey tremeu com ao olhar para a lápide cinza e triste.
– O que você fez com o meu pai? Seu monstro! – Ela gritou. As lágrimas desciam rapidamente.
– Você não entende Elizabeth, eu sou seu pai, não ele... Você é minha filha, Elizabeth Brown.
A garota apenas fechou os olhos. “Isso é um pesadelo, acorde, Grey, acorde. Vamos lá, por favor.” Ele tentou sair dali, de repente uma voz encheu seu ouvido.
– Acorde Grey, acorde...
– Acorde, Brooke, acorde! – O menino a balançava em busca de algum sinal de sobriedade.
Brooke levantou-se em um susto, sua boca estava dormente, seus longos cabelos espalhados por seu rosto, o corpo molhado de suor. Sua respiração estava ofegante.
– O que... O que... – Ela tentou falar, mas não conseguia formar palavras, sua mente estava muito confusa. O que acabara de acontecer?
O menino a abraçou com ternura o corpo quente e trêmulo de Brooke.
– Calma, calma, eu estou aqui... — Ele tentou acalma-la
– Espera, onde eu estou? – Brooke revirou o quarto com o olhar. Era um quartinho simples, tinha apenas uma cama em que ela estava deitada, um simples armário e em cima dele havia um abajur, o quartinho era todo pintado de azul.
Um homem apareceu na porta.
– Você está segura. – Ele tentou sorrir. – Mas eu acho que não está tão bem assim. Jake vá à cozinha e me traga um copo d’água. – O menino levantou-se, receoso, mas saiu do quarto.
O homem sentou-se ao lado da garota na cama.
– Você está bem?
– Eu... Eu não me lembro de nada e minha cabeça dói. – Brooke resmungou.
– Bem, Dr. Wright falou que você teria que fazer algumas aplicações de soro, mas não podemos ir para o hospital agora... Você se lembra do aconteceu?
Brooke forçou a mente até que... Ela se lembrou.
Ela estava naquela casinha no meio do nada junto com os sequestradores quando ainda era Grey, mas aí ela fugiu e... Marie, ela morreu e depois Brooke matou o marido dela. Sua visão ficou escura e ela viu o rosto de um homem, quem? Era Morgan, mas ele estava tentando mata-la, porém, ela havia encontrado Allen e ele... O matou. E depois de tudo: Vingança.
As lembranças estavam voltando, um pouco nebulosas, mas estavam voltando. Brooke sentiu sua cabeça doer, achava que aquilo fosse um pesadelo. Que pena, ela não poderia mais sonhar, por que ela sabia que a vida real era um pesadelo. Ela não queria que nada disso estivesse acontecendo, sentia-se tão mal, ela sentia um dor no peito.
– Sim, eu me lembro. – Ela levantou o olhar. – Eu me lembro de tudo.
– Tudo bem. – Ele se levantou.
– Hey! – Brooke o chamou. Ela tentou se levantar, mas seu corpo ainda estava pesado. – E o treinamento, quando começaremos?
– Não agora, eu vejo. Você precisa descansar.
– Eu estou ótima. – Brooke retrucou.
– Não, você não está.
– Você não entende Allen, eu preciso disso. Por favor, começaremos amanhã...
Ele respirou fundo, aquela garota era tão teimosa. Isso o irritava.
– Brooke... – Allen começou a falar. Nem para o inferno que ele ia deixar a garota fazer uma besteira daquelas. Ela estava doente e precisava descansar.
–Pai, Brooke!– Jake entrou no quarto com um enorme sorriso no rosto. O copo d’água balançava em sua mão. – Venham ver uma coisa, rápido!
Brooke levantou-se com dificuldade, mas com a ajuda de Allen, eles saíram do quarto e foram em direção ao grande salão da academia. Lá estava Jake agarrado a um filhote de vira-lata. Seus olhos brilhavam intensamente, ele estava tão alegre.
– Eu encontrei na porta da academia, deitado, tentando se livrar do frio da noite. – Jake falou. – Então eu achei melhor traze-lo pra cá.
– Jake, não. Solte-o, ele deve estar doente e... – Allen foi interrompido por Brooke.
– Allen, seu filho está tão feliz, não vê o quanto o cachorrinho o faz bem? Então, porque não? – Brooke o cutucou. Ela foi em direção a Jake.
– Não, nada de cachorros em minha casa. Tire-o daqui, Jake. – O cachorro latiu em resposta a reclamação de Allen.
– Pai, por favor. – O menino implorou. Jake já não tinha amigos na escola, sua vida era solitária. Ter um cachorro era uma das melhores coisas que poderiam acontecer. Ele ganharia um amigo. – Pai, faça isso por mim, pelo menos uma vez.
– Tudo bem, mas cuidado com ele, Jake. – Allen suspirou, ele se virou e foi para seu quarto. Estava cansado, ele realmente precisava de sossego. Ele fora vencido. — E Brooke, esteja preparada para começar amanhã de manhã, espero você acordada ás 05h00min em ponto, entendeu?
Brooke sorriu.
– Pode deixar.
Ela olhou para Jake brincando com o pequeno animal.
– Então, qual é o nome que você vai dar pra ele? — Ela perguntou.
– Eu não sei. Alguma ideia?
Brooke riu.
– Hm... Que tal Lucky? – Ela sugeriu. Jake pensou um pouco e um sorriso abriu-se em seus lábios.
– Eu gostei. – Ele colocou o cachorrinho no colo e se levantou. – Acho que ele precisa de um banho. Vamos, Lucky!
Então Jake saiu. De repente Brooke sentiu-se sozinha de novo. Lembrou-se do estranho pesadelo que teve. Era insano pensar que tudo aquilo poderia ser verdade. Será que tudo o que viveu com sua mãe e com seu pai fora mentira? Será que John realmente não era seu pai? Como ela imaginaria isso, John sempre esteve ao seu lado e... Mas Brooke sentia-se estranha, alguma coisa de errado estava acontecendo. Ele sentiu uma pequena pontada em sua mente, será que depois de tudo que lhe acontecera, ela ainda iria descobrir mais sobre sua vida? Nunca achara que família fosse tão complicada. Brooke não descartava a ideia. Mas quem seria Elizabeth Brown? Seria ela? Tantas perguntas para poucas respostas. Brooke suspirou.
– Elizabeth Brown. – Ela pensou alto. – Quem é você?
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