Notas iniciais
Hey, bem, espero que gostem, essa é a minha primeira fic original, então, ignorem os erros ortográficos. Não sou profissional nem nada, apenas escrevo por amor. Aproveitem a história, babes. Boa leitura, babes. Beijos

A pequena sala escura estava abafada. Grey inspirou mais uma vez, o cheiro forte de estrume surgiu ainda mais forte, mas não tão forte quanto o cheiro do medo de Grey. Ela tenta se livrar das cordas amarradas em seus braços. Em vão. Todas estavam amarradas fortemente a uma cadeira. Estava tudo quieto em um silêncio assustador. As goteiras da sala aumentavam ao ritmo de seu medo.

– Tirem-me daqui! — Grey gritou mais uma vez. Ela estava com fome e sede, havia-se passado cinco dias que ela estava ali, naquela situação deplorável. Embora estivesse fraca e desidratada, a menina estava lutando pela vida. A sua miserável vida. Lágrimas queimavam em seus olhos e desciam por seu rosto em um ritmo descontrolável. Ela perdeu sua mãe, Nora, com o tiro certeiro na cabeça. A última vez que viu seu pai, John, foi antes de tudo aquilo acontecer. Malditos homens de preto. — Tirem-me daqui... Pai, mãe... — As lágrimas desciam em um ritmo incontrolável. Ela estava com tanto medo, tão assustada.

Onde ele estaria agora?

Grey pergunta a si mesma. Os pensamentos tribulavam em sua cabeça. Ela precisava sair dali. Daquele pesadelo terrível. Ela olha mais uma vez para a porta de madeira, o pequeno quarto era feito de tábuas, algumas até continham pequenos buracos. A menina podia ver a luz do sol, que enfraquecia a cada minuto, ele estava se pondo. Indo embora e a deixando na escuridão da noite. O quarto era iluminado por uma pequena luz amarelada que piscava sem parar. Por que aquilo estava acontecendo?

– Por favor! — Ele tentou gritar mais uma vez. Uma tosse seca tomou conta de sua garganta. — Tem alguém ai? — Ela sabia que havia pessoas na pequena casa, Grey podia ouvir murmúrios de dois homens.

A porta é aberta para a sua surpresa e Grey toma um pequeno susto com a sombra do homem baixo e carrancudo que apresenta-se a sua frente.

– Cale a boca, garota. — O homem falou rudemente. Ela o observou sob a má iluminação. Ele era careca, mais ou menos 1,65 m, e olhos castanhos. A garota tossiu mais uma vez. Ela poderia pedir para ele acabar com tudo isso e simplesmente mata-la, tira-la desse pesadelo. Não seria tão ruim... Seria? Porque não? Talvez se ela implorasse ele acabaria logo com aquilo. Ela não tinha mais mãe nem pai. O que iria perder? Naquela situação miserável e deplorável a garota não iria ganhar nada.

Nascer.

Viver.

Morrer.

Normalmente palavras tão simples e diretas.

Filosoficamente com um significado maior que o surgimento do universo.

Pensamentos de sua mãe surgiram e seus olhos encheram-se de lagrimas. A coragem de Nora era impressionante, sua força e determinação eram admiráveis. A menina lembrou-se do que sua mãe sempre dizia.

"Nunca desista querida. Você tem que lutar até o ultimo minuto de sua vida. Lute."

A imagem de uma mulher loira e intensos olhos jabuticabas refletida brotou em sua mente.

"Não tenha medo. Você é capaz. — Sua mãe sorri com doçura. — A coragem não é a ausência do medo, querida. E sim a superação dele. Defenda seus ideais."

Ela não tinga nenhum ideal. Nada defender em sua maldita vida. Então porque continuar?

Ela lamentou.

Não parecia nada com a mãe.

Era uma covarde.

Sua mãe era determinada e corajosa.

A garota odiava-se por isso.

Que decepção.

"Não desista".
“Lute!".

A menina olhou para cima. A imagem da mãe surgiu. A mulher estava com a mesma roupa que morreu. Blusa de manga longa, calça jeans azul clara e uma sandália. Em seu delicado rosto havia um pequeno buraco. O buraco da bala.

Aquilo era uma alucinação. Ela tinha certeza.

"Por favor, não desista."

A mulher estendeu a mão.

"Fique. Lute por mim, por você."

– Mas... Mamãe... — A menina tentou falar.

O homem a sua frente não estava entendendo o que estava havendo. Ele só pensava em terminar logo aquilo. Que garota maluca, pensou.

A mulher continuou.

"Jure para mim. Você irá sair daqui hoje."

Eu não posso. — A garota olhou de relance para o homem.

"Isso não é um pedido. É uma ordem. Grey, você tem uma chance."

A imagem da mãe dissipou-se no ar.

Grey não iria desistir, ela iria sobreviver a isso. Ela precisava tentar, por sua mãe, por ela mesma. Era hora de blefar por sua vida.

– O que querem comigo? — Ela pergunta. A menina precisava de respostas, era tudo tão confuso.

– Não é da sua conta, menina intrometida. — Ele aproxima-se de Grey e aperta o nó em suas mãos e pés. Ela grunhiu com a dor imprimível queimando em seu corpo. Grey respira calmamente tentando achar ar o suficiente para não morrer. Ela reúne toda a coragem e força que lhe resta e levanta a cabeça olhando em direção ao homem.

– Vocês matam minha mãe, tiram-me de meu lar e trazem-me para esse inferno. Diga-me o que está acontecendo. — Ela tosse mais uma vez.

– Eu disse para você calar a porcaria da boca, não me obrigue a fazer o que eu tive de fazer da última vez, docinho. – Ele sorriu maliciosamente. Grey lembrou-se das mãos imundas daquele homem a tocando, apalpando... Foi horrível. A sensação perversa que sentiu. Ela queria vomitar. Preferia morrer a ser tocado por aquele homem inescrupuloso.

O homem gargalha alto.

– Eu estou falando sério. Não vejo graça nenhuma em minha afirmação. — Grey fala novamente. Nãos sabia de onde reunira tanta força, mas estava ali. Ela apenas queria ir embora...

A expressão do homem endurece e ele soca com força o rosto da menina.

– Não fale assim comigo, sua pequena vaca. Se o chefe não a quisesse viva, eu com certeza a mataria agora, meu doce. – O homem respondeu.

Grey cospe sangue e olha novamente para o homem. O que diabos o seu chefe iria querer com ela? Com certeza não ficaria até o fim para saber.

– Por quê? — Ela podia sentir o gosto enferrujado de seu sangue aumentado em sua boca. Ela cuspiu mais uma vez.

– Isso só ele poderá explicar isso para você, garota. — O homem a avaliou. Ela desiste de tentar arrancar alguma coisa do velho homem. Suspira, cansada.

– Por favor, dei-me comida. — Ela pede, sua voz saiu como um sussurro. Grey sentia a força saindo de seu corpo. O homem a olha com desconfiança, mas sai da sala e depois de alguns minutos volta com um pequeno hambúrguer. A boca de Grey salivava. A menina estava cheia de fome.

– Obrigado, mas como você pode observar, eu preciso de minhas mãos para comer. — Grey balança as mãos. O homem a analisa pensativo. O quão perigosa uma menina de dezoito anos poderia ser? Ele bufou com um pensamento. Ela estava fraca, magra e não iria fugir. Menina como ela, doces e gentis, sempre acabavam mais rápido.

– Não. — Ele leva o sanduiche a boca de Grey.

– Está com medo de mim? — Ela pergunta. Uma ideia brilha em sua mente. Ela poderia sair dali. Um pouco de esperança surge e conforta seu estado deplorável. Grey não tinha outra opção. Ela tinha de fazer. Que seja a vez dos fracos.

– Nunca. — O homem aproxima-se e desamarra seus braços. O orgulho masculino era realmente inquebrável, Grey sorri. — Coma. — Ele dá o pequeno hambúrguer para a menina. Que por sua vez, o come com vontade.

– Eu preciso de água. — Ela pede.

– Não, você já teve o suficiente.

– Por favor. — Ela suplica. Há dois dias não bebo água. Estou desidratando-me. — Ela engole em seco.

– Eu... Tudo Bem. Não se mecha, eu já volto. — O homem afasta-se lentamente.

– Obrigado. — Ela agradece. Grey desamarra rapidamente suas pernas e observa o ambiente. Ela ouviu outra voz vinda da cozinha.

– O que está fazendo? — A voz masculina perguntou.

– É apenas água, Drew. — O homem responde.

– Você não pode deixa-la sozinha, Carl. Se ela fugir, o chefe vai nos matar. Você sabe disso. — Drew o repreende.

– Ela é apenas uma criança e esta há dois dias sem comer, idiota. O que será que o chefe ia pensar se ele a encontrasse morta, hein? — Carl pergunta. Drew responde depois de um tempo, ainda desconfiado.

– Tudo bem, mas vá logo.

Grey arranca um pequeno pedaço de madeira da parede, porém forte, e permanece a espreita. Carl aproxima-se e entra. Ele nota o sumiço da garota e amaldiçoa. Grey bate forte o pedaço de madeira na cabeça de Carl, ele cai desmaiado. A menina revira os bolsos do homem e encontra uma arma, ela a pega por medidas de segurança. Acalme-se Grey, apenas mantenha a calma, seu subconsciente pede. Grey olha de relance para porta e observa Drew sentando em uma cadeira, comendo.

Vá.

Ela inspira e dá o primeiro passo. Andrew a ouve e chama o parceiro.

– Carl? Esta tudo bem? — Andrew levanta-se. Grey sai de seu esconderijo aponta a arma para o homem a sua frente. Seus dedos tremiam pela adrenalina em seu corpo. Ela sabia que só precisaria puxar o gatilho, apenas uma vez... Mas ela não tinha coragem. Durante os dias em cativeiro, ela viu Carl matar uma pessoa que havia descoberto o esconderijo. Não sabia o porquê, mas prestou atenção em como ele atirou.

– Saia do meu caminho, agora. — Ela avisou. O blefe e a coragem insana brilhavam em seus olhos.

Drew ri. O som de sua risada era nauseante. Seus olhos azuis a observavam com diversão. Ele tinha estatura média e um rosto cheio de cicatrizes.

– Você não teria coragem de atirar, garota. Volte para o quarto ou irá se machucar.

– Saia!

Andrew da um passo a frente, chegando mais perto de Grey.

– Escute menina. Não há saída. Volte. Para. A. Porcaria. Do. Quarto. Agora. — Ele falou pausadamente.

Ela nunca havia matado uma pessoa antes. Nunca havia matado nem um inseto, quanto mais um homem. Ele merecia aquilo e ela sabia disso. Mas era uma vida. Grey respirou fundo e levantou o queixo em superioridade. Drew correu em sua direção tirando uma faca de seu bolso e arranhando Grey perto da sobrancelha direita. Ela cai no chão com o susto e ele pula em cima dela. Drew ergue a faca para dar o golpe final. Ela grita. De repente um som é escutado, um som alto e forte. Andrew abaixa o olhar para seu peito e nota sague escorrendo de sua camisa preta. Ele sai de cima de Grey em um pulo. Ela levanta-se rapidamente e atira mais uma vez.

Um.

Dois.

Três tiros.

Ele cai no chão, ensanguentado.

Estava acabado.

Grey ajoelha-se no chão, fraca. A faca deslizou de suas mãos e caiu, fazendo um barulho oco sobre o chão. O som da morte.

Ela chorou.

Ela chorou por sua mãe. Por seu pai. Por sua vida.

Estava sozinha.

Uma órfã.

Tudo que havia acontecido com Grey havia deixado uma marca em sua alma. E ela nunca mais seria a mesma.

– Eu... Eu... — A menina tenta falar entre os demasiados soluços. Passaram-se dez, quinze minutos.

Enfim, uma hora e meia depois Grey levantou-se enxugando as lagrimas de seu rosto.

– Nunca mais. Nunca mais deixarei ninguém me machucar. Eu irei lutar. E eu prometo. — A menina deixa a sua última lagrima cair ao chão, juntando-se ao sangue do homem. — Eu prometo mãe. Ninguém mais irá machucar-me. — Ela vai a cozinha, em direção aos armários, pega álcool nas gavetas e um isqueiro do bolso da calça de Andrew. Ela derrama o líquido nas partes da casa. Seria rápida, a pequena casinha possuía apenas o quarto em que estava presa, uma sala e a cozinha.

Grey respira fundo e joga o isqueiro. Ela sai pela porta correndo. A casa atrás da menina explode, a jogando para longe. Grey levanta-se tossindo um pouco e prende a arma em sua calça jeans. A garota sente um líquido escorrendo pela testa. Era sangue. O ferimento de sua sobrancelha exala o líquido vermelho, ele descia vagarosamente pelo o rosto delicado de Grey.

Ela observa o céu. Já estava amanhecendo, podia-se ver a clarão vindo de trás das montanhas.

Ela suspira, cansada.

Estava acabado. Não era mais uma menina inocente e sim uma sobrevivente. Ela cuspiu mais uma vez o sangue que havia preso em sua boca. O gosto da bile a inundava e ela vomitou sangue. Enquanto os pássaros cantavam lindamente, o sol aparecia iluminando a bela paisagem da floresta. Ela levantou-se. Diante de tudo, Grey foi em direção de seu futuro.

Todas as mulheres têm na vida uma hora perigosa. Essa hora decide a sua existência inteira. É a hora do Diabo. É o instante de fragilidade em que sucumbem para sempre, ou em que para sempre se salvam.

Era chegada a hora de mudar.

Notas finais
Então, o que acharam? Deixe sua opinião, dúvidas, argumentos ou até mesmo para dizer que você "gostou" (risos) nos comentários, adorarei responder. Bye Bye, babes.