Notas iniciais
Vi que errei --', coloquei meu nome em vez do principal, ajeitado.

8:00

Aula de Literatura

– Para o trabalho desse semestre, quero que vocês façam uma história de terror ou suspense – Pela primeira vez fiquei observando o quanto horrenda a professora Annie era, uma velha gorda de peitos caídos, usava óculos de fundo de garrafa e tinhas varias manchas pretas no corpo, bem peludas, ou seja, parecia uma bruxa, deve ser por isso que nesse dia queria uma história de terror. – Grupo de 5 a 7 pessoas, no mínimo 28 paginas, alguma pergunta?

– Não – Gritaram todos.

Os grupos convencionais se formaram, só faltava uma pessoa, a novata da sala, Gregória, era provavelmente a menina mais esquisita que já tinha entrado naquela escola, tudo nela era preto menos sua pele que era a mais branca da sala, roupas, maquilagem, brincos, anéis, eram todos pretos, tinha um cabelo preto bagunçado lindo até o ombro e um piercing preto no nariz, ela ficou lá parada olhando pro nada.

Chris tocou em mim.

– Será que devemos chama-la? – Disse Chris.

– Eu que não quero essa esquisita comigo – Disse Brenda

– Mas isso será uma coisa boa, nós faremos uma história de terror, e ela é aterrorizante, ela poderia irá nos ajudar muito, com certeza. – Eu realmente achava.

– Tá certo, mas eu que não vou lá chama-la, tenho medo dela – Renan realmente tinha.

– Idiota, eu mesmo vou – Eu fui, não vou mentir, eu fiquei com um pouco de medo, quem sabe ela arranca-se meus olhos e comesse meu coração na frente de todos, num duvidava nem um pouquinho .

Levantei-me e fui indo, olhei para trás e todos no meu grupo estavam olhando para mim.

– Vai logo! – disse Raissa

Quando estava chegando perto dela, percebi que ela não parecia ser tão estranha, mesmo usando aquelas maquilagens pretas e obscuras, parecia mais uma menina triste que era excluída de tudo no colégio.

– Oi – Eu senti que todo o meu medo tinha saído depois do oi.

– O que você quer? – Ela fez um olhar bem arrogante, um pouco do meu medo voltou.

– Você tá em algum grupo?

– Não.

– Quer vim pro nosso?

– Não me interesso no seu grupo.

A professora estava passando por nós na hora.

– Porque Gregória?

– Eu não quero entrar num grupo onde há pessoas ignorantes e preconceituosas. – Infelizmente, ela estava certa. – Professora, a senhora acha que eu não sei o que todos nessa sala falam sobre mim? Eu posso muito bem fazer a merda desse trabalho sozinha.

– Oh querida segure a boca aqui é uma escola, não pode fazer a “merda” do trabalho sozinho, ou faça com esse grupo que é o único que lhe quer ou tire a “merda” de um zero – Gregória levantou-se.

– E-S-S-A É UMA ESCOLA DE MERDA! – Ela gritou bem na cara da professora – TÁ CERTO, EU FICO NA MERDA DESSE GRUPO – Todos da sala ficaram olhando, ela ficou encarando a professora rosto-a-rosto, a professora não mostrou nenhum sinal de medo, mesmo ela tendo, pois se fosse qualquer outra pessoa da sala já teria mandado ir para fora de sala.

– Vamos – Eu disse, todo o medo que eu tinha, tinha se multiplicado por 2.

Em quanto nos andávamos para o grupo todos na sala continuavam nos olhando como se eu fosse a pessoa mais corajosa do mundo.

– O que vocês estão olhando? – Gritou Gregória

Todos retiraram o olhar dela rapidamente.

Nós nos sentamos. Todos ficaram encarando-a o tempo todo e ela só ficava de cabeça baixa.

– Então sobre o que falaremos?

– Não tenho a mínima ideia

– Alguém tem alguma ideia?

– Não.

– Ei, que tal fazermos de um fantasma que está atacando as casas das pessoas à noite? – Disse Raissa

– Não, é muito comum.

– Nós poderíamos ir á algum lugar para termos alguma ideia – Disse Gregória.

Ela já era uma influencia bem grande pra uma história de terror, mesmo assim ela teve uma ótima ideia, coisa que nós não imaginávamos.

– Ótima ideia!

– Mas onde?

Voltamos á estaca zero.

– Raissa você não mora na Morada Hiffle?

– Sim.

–Você também mora lá? – Disse Gregoria.

– EEHH, Sim.

– Do lado não tem outro condomínio que é abandonado? – Eu disse, não me lembro desde quando aquele condomínio é abandonado, desde que eu moro lá sempre foi assim, as vezes quando aquele velho segurança esquisito não tem nada pra fazer ele vai lá nesse condomínio, mas não consigo mais vê-lo a partir dai.

– Sim tem, a noite aquele lugar é bem esquisito.

– Nós poderíamos ir lá, será que terá algum problema?

– Não sei, por que nunca mas tiveram pessoas lá dentro – Disse Raissa, parecia que só eu conseguia ver aquele senhor entrando lá.

– Pronto lá é um lugar ótimo para termos ideias, que tal hoje á noite?

Todos disseram que sim.

– Rick, posso falar com você? Lá fora?

– Ehhh, Claro – Acho que tentei não mostrar nenhum medo do rosto, mas acho que mostrei muito.

Íamos para fora da sala.

– Vão onde? – Perguntou

Eu podia jurar que Gregória daria um fora na professora.

– Vamos falar com a diretora.

– Sobre o que?

– Eu não estou me sentindo bem, e pedi para Rick me acompanhar.

– O que você está sentindo?

– Estou com muita dor de cabeça e estou com medo de acabar desmaiando – Ela realmente queria dizer outra coisa, ela foi ficando fraca e caindo por cima de mim de proposito.

– Ah, tudo bem, leve-a logo.

– Certo.

Abri a porta, passamos pela porta ela ainda estava um pouco jogada em mim, meus amigos sabiam que nós não iriamos falar com a diretora, pude escutar os paços deles em direção da porta e percebi que eles estavam ali para escutar a minha conversa com Gregória, acho que ela não percebeu, se ela tivesse percebido eles provavelmente já estariam mortos.

– Você mora perto do condomínio Morada Hiffle certo?

– Sim, moro uma rua antes.

– Teria como você ir me pegar? Se não meus pais não me deixarão sair.

– Claro, de 19:00 eu chego lá.

– Ok

Nós viramos, abrimos a porta e entramos, já veio aquele grito:

– TÁ NAMORANDO, TÁ NAMORANDO, TÁ NAMORANDO.

Gregória soltou um olhar pra todos de que se eles num parassem ela mataria todos, todos pararam na hora, menos Renan.

– Para idiota – Brenda deu um tapinha na cabeça de Renan.

– Ai, desculpa.

09:10

Intervalo

Estava indo ao banheiro e Gregória estava na minha frente, ela entrou no feminino e eu no masculino.

– O quê?

– Vai fala logo.

Escutei uns ruídos vindos do banheiro feminino e depois a voz de Gregória.

– Parem de ser curiosas – Fui andando até a parede para escutar melhor.

– VAI MENINA, FALA LOGO CARAMBA!

Eram as vozes de Nathalia e Gabi.

– Isso não interessa a vocês caramba!

Eu só escutava então não posso dizer muito que aconteceu, então direi o que entendia.

– Eu sou curiosa! — Nathalia deu um murro em Gregória, sei que parece estranho que falar o que ela realmente fez, mas dava pra perceber tudo

– Me solta! – Partindo dai, só se ouvia gritos, tapas e batidas na parede, mas não podia reconhecer quem gritava, como era duas contra uma achei que Gregória estava apanhando, sai correndo e abri a porta do banheiro feminino.

– EI VOCÊ NÃO PODE ENTRAR AI! – Gritou a coordenadora de pátio.

Abri a porta e Nathalia e Gabi estavam no chão com os cabelos pra todo o lado.

– O que tá acontecendo aqui Gregória?

– Nada.

– Então o que foi todos esses gritos?

– Essa louca nos atacou! – Gritou Gabi.

– EI NÃO ENTRE AQUI! – A coordenadora me puxou.

Fui andando até o pátio e Gregória veio correndo atrás de mim.

– Não precisa se preocupar!

– O que aconteceu lá dentro?

– Elas só queriam saber o que nós conversamos.

– E por que você bateu nelas?

– Elas que começaram a me bater.

– Tá bom, acredito em você.