Bad Girls
14 Can't Pretend
Notas iniciais
Love, I have wounds, only you can mend
You can mend, I guess that's love
–Ótimo. -Resmungou Annabeth buscando alguma saída. -Era só o que me falta, bancar o herói de novo.
Os saltos das suas botas não eram ouvidos enquanto ela deslizava pela pista de dança de tão alto que a música tocava, dava para sentir a batida vibrando em seu corpo, Annabeth praticamente correu até a porta, onde dois seguranças bem vestidos e grandes como armários estavam.
–Saiam. -Mandou cruzando os braços e pela primeira vez em anos eles não obedeceram, continuaram encarando o horizonte como se a garota loira a frente não fosse ninguém.
–Ninguém entra, ninguém sai, é a regra. -Falou o segurança careca.
–Então eu sou ninguém e vou sair. -Annabeth deu dois passos e os seguranças a seguraram pelos ombros, empurrando de volta para frente.
–ANNABETH! -O grito estridente de Reyna fez a mão de Annabeth parar antes de retirar a adaga de sua bota e furar os seguranças metidos a fortões.
–Estávamos te procurando. -Piper quase gritava para que Annabeth a escutasse, embora estivesse atrás de Reyna e não se aproximasse mais que isso. -Achamos que essa mensagem é pra você.
Reyna entregou seu celular para Annabeth, foi difícil ler, com as luzes piscando irritando seus olhos e o coração batendo mais forte que o normal.
"A biblioteca de Alexandra pegou fogo em IV d.C, os bens preciosos vão 110011010101001101100001010101010110010001101100011010000110000101100001 nesse mesmo tempo –Bad Girl"
–Alexandra. -Sussurrou Annabeth.
–Sim, seu nome, o nome que usava nas festas e quando te cantavam. -Concordou Reyna.
Annabeth puxou Reyna e Piper pelo braço dançando até o lado mais escuro e afastado da quadra, perto da parede de escalada, quem olhasse para as três pensava que elas estavam quase bêbadas e dançando.
–Um erro proposital, trocando Alexandria por Alexandra. -Annabeth sorriu de lado, conseguia identificar quase todos o códigos.
–Não entendi esses números, o que é isso? -Perguntou Piper apontando para os números.
–É um código binário, tem uma palavra ou número escondido. -Respondeu Annabeth, se lembrando de que ela usava isso para conversar com Percy quando eles trabalhavam juntos, só que ao contrario, só conseguiu achar a resposta certa se colocasse os números contra um espelho.
–Quem Bad Girl pegou? -A voz de Reyna sai mais fúnebre que o normal e cansada também, ela esperava que pelo menos por uma noite pudesse beber, dançar e ficar com alguém, como uma adolescente normal, transar com algum veterano gostoso estava no topo de suas metas para essa noite.
–Luke e Percy, vão para a pista de dança, eu resolvo isso. -Mandou a loira prendendo o cabelo cacheado e tentando encontrar Scott, pelo visto ele decidiu desaparecer também.
–Nem pensar. -Protestou Piper. -Thalia vai virar uma fera.
–Vamos com você. -Concordou Reyna.
–Já aviso que não sou babá de ninguém e estão indo porque querem. -Annabeth deu de ombros pegando um copo de vodca do garoto que passava e indo para perto do DJ.
–São nossos amigos também. -Reyna disse entre dentes.
–O que vai fazer? -Perguntou Piper quando Annabeth virou o copo de vodca na caixa de energia escondida trás de vários fios.
–Não é obvio? Apagar as luzes. -O sorriso divertido de Annabeth brilhou pouco antes da quadra apagar, nessa escuridão não fazia diferença estar de olhos fechados ou abertos, porém Piper não conseguia parar de arregalar os olhos tentando ver Annabeth, tinha medo de que ela fincasse a adaga em seu estomago como fez com Calypso. Pessoas gritavam, corriam, copos e garrafas se quebravam no chão era o verdadeiro caos que Annabeth precisava para sair sem ser vista.
Piper e Reyna seguraram os braços de Annabeth que contou os passos de volta para a parede de escalada.
–Vai subir? -Sussurrou Reyna no ouvido de Annabeth.
–Tem uma janela sobre a parede.
–Como sabe onde pisar? -Perguntou mas Annabeth já tinha começado a subir. Piper deu de ombros no escuro, colocando as mãos na parede e tentando encontrar apoio nas pedras colocadas para isso, feliz por estar de tênis. Reyna suspirou tirando seus saltos e os jogando no chão.
–Tão lindos, nunca irei vê-los. -Murmurou segurando nas pedras, subindo tão devagar que Piper e Annabeth já estavam sentadas no topo da parede tentando abrir a janela. Piper novamente estava o mais longe possível de Annabeth.
–Um aviso. -Disse Annabeth puxando o prego da janela. -Se chamar o policia para qualquer coisa mais uma vez, ira se matar.
–Porque eu cometeria suicido? Você não consegue mexer tanto na mente das pessoas assim Annabeth. -Rebateu Piper em um folego só.
–Posso e também posso te enforcar e colocar uma corda no seu quarto. -Annabeth deu de ombros assoprando a franja loira para cima. -O índice de suicido por enforcamento é maior entre adolescentes gays.
Reyna sentiu suas mãos e pés suarem e escorregarem, a tinta que respingou na parede e nela não ajudavam a subida, nas últimas pedras a mão de Reyna escorregou e um grito de susto saiu de sua garganta, iria cair, ia cair quatro metros direto no chão polido, quebraria vários ossos, mas antes que isso acontecesse Annabeth e Piper puxaram seu braço, fincando as unhas tão fortes em seu pulso que sentiu a pele arder e ficar molhada.
–Odeio vocês. -Resmungou Annabeth, abrindo a janela e olhando para os arbustos quatro metros abaixo. -Se não fosse a sua moleza já estaria adianta. -Disse com os olhos cinzas faiscando, Reyna engoliu em seco, Annabeth parecia mesmo irritada.
As mãos de Piper tremiam, desde que falou com Annabeth suas mãos começaram a tremer, com o grito de Calypso ecoando em seus ouvidos, todo aquele sangue jorrando como um água de dentro dela.
–Gravem os números 109, 101, 114, 103, 117, 108, 104, 97 e 114. -Mandou Annabeth pulando da janela aberta, sem se importar com a altura.
–Quais números? -Perguntou Piper olhando para baixo, onde Annabeth estava se levantando dos arbustos.
–Vamos logo. -Reyna engoliu em seco fechando os olhos e rolando pela janela aberta.
Por segundos sentiu como se estivesse voando, livre de qualquer coisa, com o estomago gelado, era como estar em algum brinquedo do parque de diversões, onde te lançam bem alto e depois para baixo com força, mas Reyna nunca gostou de brinquedos, e xingou alto com os ganhos e folhas arranharam sua pele, causando cortes e coceira.
–Levantem logo dai. -Annabeth digitava em seu celular, o cabelo e roupa estava bagunçados, mas fora isso nada estava fora do lugar, Reyna teve vontade de estapeá-la, deve ser crime alguém continuar tão bonita e imponente depois de escalar uma parede de salto e se jogar de uma altura de quatro metros.
Piper não saiu do lado de Reyna nem um segundo desde que se jogaram da quadra, agora as duas tiravam as folhas e tentavam ficar limpas.
–Onde eles podem estar? Essa escola é enorme. -Murmurou Reyna quando já estava livre de folhas.
–Mergulhar? Na piscina lógico. -Annabeth levantou a saia puxando um arma brilhante e saiu correndo, Reyna arregalou os olhos e a seguiu, confiava mais em Annabeth armada do que em uma Bad Girl desconhecida.
–Como assim piscina? -Perguntou Piper em voz baixa. Os adolescentes tinham parado de gritar e agora quase ninguém estava lá fora, com certeza voltaram para os quartos como gatinhos assustados.
–O código binário, escondia uma palavra. -Annabeth se escondeu atrás da parede da sala de química, enquanto um grupo de alunos passava. -Só tive que pegar o número, que é do primeiro até o oitavo, dividir por dois e anotar o valor do resto, continuar dividindo por dois cada quociente, até chegar a zero, depois passei o resultado pela tabela, fiz isso com os nove conjuntos e encontrei as letras: M-E-R-G-U-L-H-A-R.
–Em quanto tempo fez isso? -Reyna finalmente acreditou que Annabeth podia mesmo faltar quantas aulas quisesse, eles nem tinham começado a estudar eletrônica digital e ela já sabia de cor.
–Enquanto vocês tiravam as folhas. -Annabeth respondeu voltando a correr em seus saltos enormes até a sala de natação.
A grande porta de aço estava fechada com correntes e um bilhete vermelho pregado nela.
"Tick, tock, só você vai conseguir tira-los Queen A. Detalhe só dois saem daqui, não importa quantos entrem. –Beijinhos Bad Girl"
–Vadia. -Murmurou Annabeth esmagando o bilhete e dando um tiro nas correntes. -Chuta. -Mandou para Piper, a morena se abraçou dando um pequeno chute na porta que nem se mexeu, nesses momentos que Annabeth sentia falta de seu parceiro Percy, ele já teria posto a porta no chão. -Mais forte. -Annabeth segurou a jaqueta de Piper a puxando para perto e dizendo entre dentes. -Se essa porta não cair e eles morrerem, você vai junto.
Reyna tentou segurar o braço de Annabeth, que se livrou da sua mão como alguém se livrando de uma mosca.
–Só avisando. -Annabeth sorriu apontando a brilhante arma para a cabeça de Piper. -Sabe que não é a primeira.
–Annabeth não brinca com isso. -A voz de Reyna era apenas um sussurro tremulo, seus olhos ardiam de lágrimas que queriam cair, como se um caminhão tivesse entrado em sua mente a lembrança de Rachel vieram, como Annabeth forjou seu estupro, e agora apontava uma arma para a cabeça da amiga, para alguém que dormia ao seu lado, que já beijou. Poderia Annabeth ter nascido assim tão má?
–Não é brincadeira, se eles morrerem ela morre, agora chute isso Piper, como se sua vida dependesse disso, porque ela depende. -Annabeth ainda sorria e sua voz não era nem um pouco irritada, ou com medo, ou assustada, ela estava tranquila, como se estivesse falando sobre o tempo ou sobre como está entedia.
–Si-si-sim. -Gaguejou Piper, chutando o mais forte que conseguia a porta de ferro de chorando de alegria quando ela abriu.
–Viu, não foi tão difícil. -Annabeth apertou seu ombro sem soltar a arma, com o cano morno encostando em sua nuca. -Isso vai doer mais em você do que em mim, não vou sentir nada na verdade. -Assim que as palavras saíram dos lábios rosados de Annabeth uma pequena faca foi fincada no braço de Piper, que caiu no chão gritando e sangrando.
–PIPER! -Gritou Reyna se jogando no chão e segurando Piper, ela chorava segurando o braço ensanguentado. -ELA FEZ TUDO QUE VOCÊ MANDOU.
–A leve para enfermaria. -Mandou Annabeth entrando na sala da piscina, mas voltou quando deu três passos e Reyna não se mexeu, ambas chorando na grama. -Vai. Agora. -Disse entre dentes, puxando as duas pelas roupas e jogando o mais longe que conseguia.
–Vem Piper. -Reyna a abraçou soluçando e correram para a enfermaria.
Annabeth pegou a arma da outra perna e com uma em cada mão correu para a piscina.
A água brilhava com as luzes colocada no fundo, duas sombras estavam no fundo, presas a algo, só os cabelos apareciam, loiro na direita e negro na esquerda. Assim que Annabeth chegou perto da piscina todas as luzes acenderam e as câmeras se voltaram para ela.
Não precisou pensar muito no que fazer, jogou as armas no chão e pulou para água gelada, nadando o mais rápido que conseguia, com a adaga em sua mão, segurou o pé e cortou a corda, estava ficando tonta por falta de ar, os pulmões ardendo, a visão embaçada, Annabeth odiava nadar, era péssima nisso.
Puxou o corpo inconsciente até a borda com esforço, engolindo água enquanto respirava e o segurando com tanta força que os nós dos seus dedos estavam brancos.
–Não morra. -Balbuciou fazendo uma massagem cardíaca no corpo gelado, abriu seu lábios e tapou o nariz, empurrando ar para seu pulmões. -Vamos, acorda.
Assoprou ar mais uma vez para os pulmões, e ele finalmente abriu os olhos, se curvando e vomitando água.
–Annabeth? -Sussurrou Percy piscando para conseguir enxergar, mal teve tempo de ver o cabelo dourado de Annabeth mais escuro por estar molhado, ela já estava de volta para a piscina, se forçando a nadar o mais rápido possível, seus músculos reclamando de dor e frio, as bolhas de ar dançando sobre seus olhos, a corda de Luke era mais difícil de ser cordata, ou a mão de Annabeth estava mais trêmula.
Percy a ajudou a erguer Luke e não ficou na frente quando ela fez a massagem cardíaca, embora sentisse um incomodo estranho quando Annabeth fez respiração boca-a-boca nele.
Luke se curvou cuspindo água e tossindo.
–Annie? -Sussurrou Luke, abrindo os grandes olhos azuis e fitando a loira.
–Luke. -Ela disse aliviada acariciando o cabelo molhado dele em seu colo, foi quando um grande estalo foi ouvido. Annabeth arregalou os olhos ao ver o sangue escorrer do estomago de Luke.
–Só um Queen A, e você já fez sua escolha.–A doce voz feminina soou pelos altos falantes.
–LUKE. -Gritou vendo o sangue que saía de seus lábios, apenas um filete escorrendo pelo queixo.
–Está tudo bem. -Sussurrou Luke segurando a mão de Annabeth.
–Não, por favor fique. -Lágrimas se formaram nos olhos de Annabeth, ela tentava estancar o sangramento de Luke, mas ele não deixou, segurou as duas mãos de Annabeth a fazendo olhar para ele. -Você prometeu Luke, prometeu que nunca me deixaria, você falou que seria meu melhor amigo para sempre.
–Nunca irei te deixar. -Luke sorriu para ela, Annabeth chorou, pela primeira vez ela chorou de dor, já passou por torturas horríveis, mas nenhuma se comparava aquela. -Está tudo bem, não dói.
–Não Luke, não. -Annabeth o abraçou, soluçando de tanto chorar, com grossas rolando por seu rosto gelado.
–Está tudo bem, estou com o meu primeiro amor, eu amo você Annie...
–Não é o fim Luke, vai passar.
–Diga a Thalia, diz pra ela que eu... -Com esforço Luke tirou uma caixa de seu bolso, mas antes de entregar para Annabeth sua mão caiu, os olhos perderam o brilho, encararam o céu como se ele fossem de vidro.
–LUKE! -Gritou Annabeth segurando sua mão. -Não, não, não, não.
–Não pode ser. -Sussurrou Reyna com a mão sobre a boca, a visão embaçada das lágrimas, o bilhete vermelho amaçado ainda estava em sua mão quando ela correu para longe chorando, não acreditava que Luke estava morto.
–Está tudo bem, ele não morreu, está tudo bem. -Balbuciou Annabeth se balançando abraçada ao corpo de Luke. -Ele não morreu, está tudo bem.
–Annie para. -Percy segurou a mão branca e gelada de Annabeth, ela batia o queixo de frio, mas se recusava a soltar Luke. -Para com isso, ele morreu.
Annabeth o empurrou e continuou a abraçar Luke, pela primeira vez Percy viu os olhos cinzas e duros dela se derramarem em lágrimas, suas mãos tão firmes e precisas, tremendo e ele sabia que não era só de frio.
–ELE MORREU. -Gritou segurando os braços de Annabeth, ela se encolheu, por segundos como se fosse uma criança assustada.
Percy a encarou, tentando entender o que estava acontecendo, a maquiagem estava borrada, o cabelo loiro brilhante preso em sua testa pingando, os lábios roxos de frio, o único pensamento que Percy conseguiu formar com sua mente confusa e nublada foi "ela nunca esteve tão linda".
Annabeth não o olhava, estava observando Luke, buscando algum sinal de vida, qualquer um, que algum dos seus dedos se mexesse, uma picadela, o subir e descer do seu tórax, mas nada, ele continuou parado, imóvel como uma estatua e Annabeth já tinha visto muitas mortes para se enganar fingindo que ele está dormindo. Ela fitou o corpo por uma última vez, gravando cada detalhe, o cabelo loiro escuro bem cortado, a cicatriz que só o deixava ainda mais bonito, os lábios finos e macios que a muito tempo já foram dela, o queixo quadrado e másculo, fechou os olhos lembrando do azuis cristalino dos olhos de Luke e de como o sorriso dele era inocente.
O grito que Annabeth soltou foi tão forte que até Percy sentiu sua dor, sentiu como se uma parte dele tivesse ido embora, se quebrado em milhões de pedaços. Ela respirou fundo, fechando os olhos chorosos e os abrindo novamente, brilhando de raiva.
–Vamos embora, estou congelando aqui. -Foi tudo que Annabeth falou quebrando o silencio sepulcral.
–Não vai chamar ajuda? -Perguntou Percy passando a mão sobre o cabelo molhado, ele ainda estava tonto, se lembra de levar uma agulhada e depois dormir.
–Não, chamar ajuda para carregarem o corpo? Desnecessário. -A voz de Annabeth soou límpida, quando ela se levantou pegou a caixa das mãos de Luke, guardou suas armas nos devidos lugares, escondidas pela saia molhada. -Arrume suas coisas, vamos para Las Vegas e arrume um carro grande, teremos três pessoas a mais. -Avisou e foi embora, deixando Percy com o corpo.
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