Bad Girls
57 Your city
Notas iniciais
Esse cap é dedicado à Dayane Targaryen pela recomendação dela, sua linda.
We’re comin’ to your city, we gonna play our guitars and sing you a country song.
A viagem à Providence foi uma coisa tranquila, calma... O Hedge dormiu tranquilamente e não agitou aquele bastão de baseball nos mandando calar a boca... Todo mundo ficou quietinho no seu lugar, lendo um livro, estudando, dormindo ou ouvindo música...
Nos primeiros dez minutos.
A verdade é que a viagem foi um desastre. Ficou todo mundo andando de um lado para o outro no ônibus feito uns retardados, dançando sem música igual a uns idiotas, e até imitando dezenas de animais diferentes, inclusive macacos, o que retratou todo o comportamento de cada uma das pessoas naquele ônibus.
Na verdade, eu perdi a conta de quantas vezes o Hedge acordou e gritou por silêncio, agitando o bastão de baseball e ameaçando decapitar todo mundo se não calássemos a boca e fôssemos fazer algo produtivo, como dormir. A cena foi hilária.
A boa notícia foi que Grover conseguiu dormir, então eu e Percy desenhamos uns bigodes e uns desenhos infantis no rosto dele usando hidrocor preto, depois tiramos uma foto e até fizemos aquele lance de colocar a mão dele em um copo com água, mas não deu certo. Talvez não tivesse dado certo porque no minuto em que afundávamos uma das mãos do Grover na água, o ônibus passou por uma lombada gigante e a água voou direto para a cara do Grover, fazendo com que ele acordasse e desse um berro muito estridente, como quem está prestes a parir. Foi engraçado.
Depois da cena do Grover quase parindo, ele decidiu ir dormir no banco de carona, então não conseguimos desenhar mais nada nele. Então, Percy teve a brilhante ideia de ir rabiscar a cara do Hedge.
Desenhamos cupcakes, flores e bastões de baseball. Ele não ficaria muito feliz quando acordasse, mas todo mundo quis tirar uma foto com o Hedge pintado de cupcakes.
Paramos umas cinco vezes em lanchonetes na beira da estrada, o que só piorou a situação do ônibus. Mas o bacon de uma das lanchonetes era muito gostoso.
Quando finalmente chegamos em Providence, a turma inteira decidiu começar a cantar músicas da Britney Spears. Eu não sei porque, talvez estivessem só zoando com a cara dela, mas em um minuto estava todo mundo dançando, e no outro, todos estavam cantando Baby One More Time. Também foi muito engraçado, e o Charles filmou. E eu sei que ele vai colocar no youtube depois, assim como as nossas fotos com o Hedge e o Grover pintados vão para o facebook.
Garantimos um processo de direitos autorais.
Assim que chegamos no Hilton Providence, Hedge fez o check-in e nos fez escolher quem seriam nossos companheiros de quarto. Eu tentei fazer o Percy me deixar ficar com a Thalia, mas ela havia pedido para não contar a ninguém sobre a gravidez, então ele ficou meio “por que você não quer ficar comigo?”. No final, o Luke ficou com a Thalia, o que foi meio bom.
Hm, exceto para o Nico, que ficou com o Leo. Bem, prevejo que esses dois vão estar namorando garotas da outra escola amanhã.
– Eu estou exausto – Percy declarou assim que chegamos no nosso quarto, e se jogou em uma das camas de casal, suspirando. – Eu quero dormir. E ainda temos aquela reunião com o Hedge. Por que ele marca reuniões pra nova da noite? Ainda são sete.
– O Hedge é um cara indecifrável – eu respondi, rindo, e me sentei na mesma cama que ele. Ele deitou a cabeça nas minhas coxas.
– Aposto que ele vai ficar puto quando ver os desenhos.
– É claro que vai ficar, você desenhou um pênis!
Ele riu, e beijou uma das minhas coxas.
– Então, o que você quer fazer? – ele indagou, me encarando.
– Arrastar aquela cama – eu disse, e apontei com a cabeça para a outra cama de casal. – Não precisamos de duas camas.
Ele sorriu e se levantou.
– É, tem razão. Vamos lá.
Arrastamos a mesa de cabeceira que separada as duas camas, e depois arrastamos uma das camas, fazendo com que ela se unisse à outra, e formando uma espécie de cama super mega king size ou coisa do tipo. Assim que acabamos, ele se jogou na cama de novo.
– Você se importa se eu dormir? – ele perguntou, suspirando. – Eu estou muito cansado.
– Ah, eu me importo sim, você não pode dormir, tem que ficar acordado e exausto – eu disse, sarcástica, e revirei os olhos. – É claro que eu não me importo, Percy.
Ele sorriu. Eu liguei o ar-condicionado, a TV e me sentei ao seu lado, colocando em um canal de filme qualquer. Ele me beijou e se deitou em uma das minhas coxas.
O filme que estava passando era Possessão. Eu resolvi ver porque era de terror, e já estava na hora de superar aquele medo de filmes de terror. Além do mais, Percy estava babando/dormindo na minha coxa, então tecnicamente, se eu ficasse com medo, eu podia tentar deslizar para baixo e abraçá-lo. Certo?
Errado.
O tal filme me deixou tão, mas tão apavorada, que eu paralisei. Eu não consegui fazer ou falar nada, parecia até um daqueles sonhos em que a voz some e você não consegue gritar. Eu fiquei boquiaberta o filme inteiro, apontando para a tela e com cara de idiota. Quer dizer, eu achei que eu fosse desmaiar quando o cara saiu de dentro do outro cara, ou sei lá.
Percy acordou quando o filme tinha acabado de acabar. Ele olhou para a minha cara, meio sonolento, e então para a TV, que acabava de pronunciar um “baseado em fatos reais”. Aí eu pirei de vez.
– Você viu um filme de terror? – ele perguntou, e eu assenti. – Sozinha?
Eu assenti de novo.
– Você ficou louca? Sabe que tem medo de filmes de terror – ele continuou, e eu assenti novamente. Ele controlou o riso iminente e me abraçou. – Que filme você viu?
– Possessão – eu consegui formular uma frase inteira, milagre.
– Possessão? O filme com a garota da caixa?
Eu assenti. Ele sorriu e deu um beijo na minha testa.
– É só um filme babaca, ninguém vai sair de dentro de você. Nunca compre caixas em vendas de garagem.
Eu neguei com a cabeça e me enrolei como um caracol nos braços dele. Eu parecia uma pessoa esquizofrênica ou algo do tipo.
– Ok, você está muda, então vamos tomar um banho e ir tomar um café? Tem um Starbucks aqui.
– Obrigada – eu agradeci, e me levantei.
Demoramos uns quarenta minutos na banheira. Eu não conseguia tirar a bosta da cena com o cara saindo de dentro do cara da cabeça. Percy acariciava a minha coxa e beijava a minha nuca, me fazendo sorrir. Eu já estava menos traumatizada do que quando ele acordou, pelo menos.
Quando eu finalmente me senti preparada psicologicamente, levantamos da banheira e fomos nos trocar. Eu vesti um short Jeans e uma camiseta qualquer do Percy, que eu percebi tarde demais que era dos Knicks. Eca.
– Então você virou uma fã dos Knicks, no final – ele provocou, assim que pegamos o elevador. Eu fiz uma careta.
– Não, mas eu tenho que vestir alguma coisa. A não ser, é claro, que você me deixe sair correndo pela cidade sem blusa.
Ele fez uma careta sarcástica e apertou o botão que nos levava ao lobby do hotel. Assim que chegamos lá, haviam muitas pessoas desconhecidas, talvez da outra escola, tentando confraternizar conosco.
Eu torci para que não houvesse nenhuma gravetinho insuportável.
– Annie, Annie! – Silena gritou, vindo até mim. – Vem, vou te apresentar à líder de torcida da outra escola – ela surtou, me puxando pelo pulso. – Ela é muito chata.
Eu ri, e Percy se despediu de mim com um aceno de cabeça. Fui puxada pela Silena até o meio de toda aquela gente fedida, e quando finalmente chegamos lá, me deparei com uma garota sardenta e ruiva.
Bem, eu não tenho um relacionamento amigável com pessoas ruivas, mas aquela garota talvez fosse legal. Talvez...
– Annie, essa é a Nancy Bobofit, capitã da equipe de torcida da North Providence High – disse Silena, me apresentando à Nancy. – Nancy, essa é Annabeth Chase, nossa capitã.
– Prazer te conhecer – eu disse, tentando fingir um sorriso. Na verdade, eu não fui com a cara dela.
– É, claro... – ela disse, e me olhou de cima a baixo. Eu odeio quando me olham de cima a baixo. – Agora eu entendo porque os jogadores estavam tão abismados em relação à você, Annabeth Chase.
Eu franzi o cenho.
– Desculpe?
Eu podia ver Silena pelo canto do meu olho, que obviamente estava receosa. Clarisse me encarava e depois encarava Nancy, como se estivesse nos imaginando em uma briga. Eu não sabia onde estava Thalia.
– Você tem um belo corpo, Annabeth – ela disse, rodando em minha volta. Estranho. – Mas não é líder de torcida de verdade.
– Bem, eu estou aqui, não estou?
Ela semicerrou os olhos.
– Não por escolha própria. Você vai cair, Annabeth Chase. Eu vou fazer isso.
O que merdas aquela garota estava dizendo?
– Eu não sei o que você está insinuando, mas as suas pernas são tortas e esse seu chiclete sendo mascado sem parar está me dando nos nervos – rebati, quase arrancando o chiclete da boca daquela garota só para fazê-la o engolir de vez. Controle-se, Annabeth. – Boa sorte me fazendo cair, Bobofit. Ambas nós sabemos que, como seu nome sugere, você é uma boba.
Ela ergueu uma sobrancelha, e antes que pudesse dizer mais alguma coisa, eu dei as costas para ela e me virei a Silena.
– Eu quero matá-la – constatei, saindo dali. Silena e Clarisse riram.
– Ótimo, eu achei que só eu não tinha ido com a cara dela – disse Clarisse.
– O que todo esse povo está fazendo aqui, aliás? – indaguei, me referindo à toda aquela aglomeração de gente estranha que estava nos rodeando no saguão do hotel.
– Devem ter vindo nos “receber” – respondeu Silena, fazendo as aspas com as mãos.
– Ou vindo nos sabotar – presumi, dando de ombros. – Ok, temos que achar o Percy, ele é facilmente drogável.
Silena riu.
– Não é só porque eles querem ser amigáveis que significa que eles vão drogar o Percy.
– Você viu a Bobofit – disse Clarisse. – O Percy não é a pessoa mais rápida do mundo.
Eu, Clarisse e Silena abrimos caminho por aquela multidão insandecida de adolescentes. Aquilo estava até parecendo show de alguma boyband da “modinha” do momento. Blé.
Assim que chegamos no balcão do Starbucks, eu vi o Percy. Ele estava conversando com um garoto alto (muito alto) e magricelo, com o cabelo da cor daquela palha que sempre rola para os lados nos filmes de cowboy.
– Oi, Percy – eu falei, olhando para Nancy e puxando o Percy pela nuca, fazendo com que ele me desse um beijo bruto e demorado, contra a vontade dele ou não.
– Oi, Annie – ele disse, sorrindo, e me beijou mais uma vez. É, ele queria, sim. – Hã, Annabeth, esse é o Octavian, capitão do time de futebol da North Providence. Octavian, essa é a minha namorada, Annabeth.
Eu estendi a mão para Octavian, que a apertou e me mandou um sorriso meio malicioso, como se aquele aperto de mão indicasse alguma outra coisa oculta nas sombras que só ele podia definir, aparentemente. Eu, hein.
Percy passou um braço pela minha cintura e me puxou para o seu lado. Octavian tinha uma cara estranha de pedófilo, como se você não soubesse o que ele pudesse fazer.
– Então essa é a famosa Annabeth Chase – ele disse, lançando outro daquele sorriso escroto. – Eu ouvi falar muito de você.
Eu franzi o cenho, e aparentemente, Percy também não deveria estar sabendo de nada.
– Ouviu? – eu indaguei. – Estranho.
– É, muito estranho – concordou Percy, fazendo uma careta. – Eu não falei sobre a Annabeth ainda.
– Jackson, nós pesquisamos sobre os nossos oponentes. Gostamos de saber seus pontos fracos e, aparentemente, o de vocês já está exposto.
Octavian deu outro sorrisinho.
– Isso é pra você – ele me entregou um pedaço de papel. – Leia quando estiver sozinha, por favor. Agora, eu vou indo.
Antes que eu pudesse enfiar aquele pedaço de papel por baixo daquele jeans obviamente largo do Octavian, ele desviou de nós e começou a andar para fora do estabelecimento, sendo estranhamente seguido por todas as outras pessoas.
– Sou só eu ou o pessoal dessa escola é muito estranho? – Grover comentou, aparecendo magicamente no lugar onde Octavian estava há poucos segundos.
– Nem me fale, acabei de falar com uma tal de Nancy alguma coisa que...
– Espera, Nancy? – Percy perguntou, balançando a cabeça. – Qual era o nome dela?
– Alguma coisa com “boba” – respondi. – Por que? Você conhece ela?
– Não – ele disse, com uma voz fraca. Ele estava mentindo, obviamente.
Grover arregalou os olhos para ele, e eu estava completamente boiando nesta situação, então resolvi abrir o pequeno papelzinho que Octavian havia me entregado.
Notas finais
You know you love me. Xoxo, Gossip Girl.
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