Bad Girls

2 Live fast, die young


Notas iniciais
HEY GUYYYS, como eu fiquei muito feliz com os reviews de você, resolvi postar o segundo capítulo, ou primeiro, ah tanto faz ^.^ enjoy

Live fast, die young, bad girls do it well.


Foi essa a música que me acordou naquele domingo, dia 4 de janeiro. Merda. Não dá pra acreditar que a minha mãe teve a pouca vergonha de me despachar para Nova Iorque como se eu fosse um fardo. Vaca.


Meu quarto se resumia à minha cama e algumas roupas que ainda não foram encaixotadas – e que eu usaria para viajar e sair hoje à noite. Revirei os olhos. Não queria levantar. Queria apontar uma arma pra filha da puta da minha mãe e obrigá-la a me deixar ficar.

Porque ela estava fazendo aquilo? Ela achou que eu ia mudar se fosse para a casa do meu tio? Coitada. Só espero não ser mandada para a casa de algum tio chato, mas como o tio que a minha mãe mais tem contato é Ares, acho que vou acabar indo para lá.

Gemi de ódio. Argh, que vontade de estrangular ela! Quem ela pensava que era? Eu via mais Carolline do que ela, e Carolline tinha muito mais autoridade na casa do que ela, que passava dias fora sem dar notícia de vida e reaparecia das sombras achando que mandava em tudo. Eu tenho nojo da minha mãe.


Me estiquei até a mesinha de cabeceira e peguei meu iPhone. Desliguei a merda do despertador e o joguei em qualquer parte da cama. Aquele celular tinha sido um presente do meu avô, Zeus, que também morava em Nova Iorque.


Na verdade, minha família inteira morava em Nova Iorque. A vadia da minha mãe não me mandou só para a casa do meu tio, mas me pôs sob supervisão da minha família inteira. Vaca.

Pouco depois que eu joguei meu celular pra longe, o maldito começou a tocar. Nossa, que ódio! Aquele celular era estridente e ficava vibrando que nem uma cachorra no cio quando tocava. Patti Smith começou a cantar o refrão mais agitado de Because The Night, e eu tive vontade de deixar tocando pra poder ouvir aquela música, mas vi o nome na tela. Malcolm. Eu não o via há mais de 10 anos.

– MALCOLM? – eu disse, entusiasmada.

– Alô? Quem é?

– É Annabeth! – eu respondi.

– ANNIA! Meu deus, sua voz está muito mudada! Minha irmãzinha mais nova está com 14 anos, uau, está crescendo.

– Malcolm, eu tenho 16.

– Não, você tem 14 e eu tenho 24. Por favor, não me lembre que estou com 26 anos, eu estou um velho!

Eu ri.

– Mas porque ligou?

– Nossa, sua grossa, não mudou nada. Fiquei sabendo que a sua mamãezinha te despachou para Nova Iorque.

Revirei os olhos.

– Aham.

– Ah, Anniezinha, o que você aprontou dessa vez?

– Foi culpa da merda daquele professor, o Klaus! Ele NÃO DEVIA estar na porra do corredor, o que ele estava fazendo lá? DEVIA ESTAR DANDO AULA!

– Não quero saber sobre o Klaus, Annabeth, quero saber o que você fez pra sua mãe finalmente te mandar pra fora do estado – ele respondeu, em um tom rígido que me deu mais ódio ainda.

– Ela não transa há meses, quer ir em um puteiro e...

– Annabeth!

– TÁ! – eu disse. – O Klaus me pegou fazendo umas coisas com um garoto na sala, deu a louca nele, que também deve estar sem fazer sexo há muito tempo, e eu fui expulsa.

– Tsc tsc tsc – ouvi Malcolm dizer. – O que foi que você fez dessa vez?

– Nada que aquele viado ainda não tenha feito!

– Annabeth, se acalme, ou você vai acabar atirando em alguém. Só liguei pra falar que estou morando com o vovô, então, você vai vir me visitar.

– Af, Malcolm! Você já tem 26 anos e mora com o vovô? Não tem orgulho não, garoto?

Malcolm deve ter revirado os olhos.

– Deixa de ser uma vaca, Annabeth.

– VACA É A SUA MÃE!

Ouvi Malcolm dar uma risada, e logo em seguida ele desligou. Voltei a me deitar na cama e encarar o teto. Até Malcolm morava em Nova Iorque. Então eu tinha quatro tios, dois avós, um irmão e não-sei-quantos-primos me vigiando. Isso não vai ser bom.

Me levantei da cama e desci até a cozinha. Como se era de esperar, apenas Carolline estava lá, se atacando em cima da bancada com um de seus clientes.

Carolline era uma amiga da minha mãe, embora eu não saiba muito bem onde elas se conheceram e como ficaram tão próximas, já que Carolline tem uns 24 anos, e minha mãe tem uns 80. Além de que Carolline estava sempre bem-humorada, e minha mãe era uma verdadeira vaca grande parte do tempo. E, acima de tudo isso, Carolline era uma prostituta, e minha mãe, uma arquiteta.

Bom, não é muito legal crescer ao lado de uma prostituta, mas Carolline era legal. Ela sempre evitou “trabalhar” em lugares públicos da casa, por onde eu passava, até que aos 15 anos eu disse pra ela que tudo bem ela sair transando em cima de todas as planícies da mansão, porque eu já tinha uma boa noção do que era isso.

Eu perdi as contas de quantas vezes eu flagrei ela e algum cliente fazendo coisas um tanto inadequadas, até pra mim.

Eu caminhei até a geladeira em silêncio, tirei um suco de uva de lá e subi até o meu quarto. Por incrível que pareça, Carolline nem notou a minha presença na cozinha. Tenso.

Liguei meu computador, e vi meu facebook lotado de mensagens da Krystal e da Haley, minhas melhores amigas, e as meninas que a minha mãe chamava de “problemas”. Elas perguntavam se estava tudo certo para hoje à noite, e quem ia me acompanhar até o aeroporto amanhã.

Sim, estava tudo certo para hoje a noite. Iríamos para um parque deserto e abandonado junto com mais uma galera, conversar, fumar e beber. Eu certamente NÃO queria que a minha mãe me levasse ao aeroporto, não vou me despedir dela, então disse que elas poderiam me levar.

Depois de tomar a mísera caixinha de suco de uva que eu consegui pegar da cozinha, troquei de roupa e me olhei no espelho.

A verdade é que, acima da minha mãe me odiar, odiar meu cabelo, meus amigos e tudo em mim, ela odiava ainda mais as roupas que eu usava.

Vou explicar; meu estilo é puxado pro rocker, eu adoro coisas pretas, rasgadas, vermelhas e até meias arrastão. Taylor Momsen é como um ícone de moda pra mim, e minhas roupas são bem parecidas com as que ela usa: vestidos até pouco abaixo do quadril imitando um espartilho, com direito a spikes, tachas, meia 7/8 e cinta-liga aparecendo. E eu adoro isso.

Mas, como ainda estava cedo e eu não tinha muitos planos para de manhã, não ia colocar um vestido-espartilho vermelho ou preto e meia-arrastão aparecendo. Coloquei uma blusa cinza que deixava minha barriga à mostra, e batia um pouco abaixo dos seios, e um short jeans qualquer. Sentei na frente do computador, fazendo um coque mal feito que se desmanchou poucos segundos depois. Mas era uma mania minha, sempre que estava prestes a fazer alguma coisa que talvez demorasse, amarrava meus cabelos em um coque que se desmanchava logo depois. Krystal ficava falando que eu tinha T.O.C.

Entrei na internet e pesquisei sobre a tal escola que eu estudaria, a Goode High School. Entrei no site da escola, e eu definitivamente não queria estudar lá.

Primeiro, a escola parecia aquele Elite Way, do RBD. Só tinha gente com cara de metida, ou pelo menos era isso que as fotos mostravam. Eu vi uma foto do time de futebol reunido, e honestamente, eram 11 meninos gays com cara de babacas posando pra uma foto. Não acredito que a minha mãe estava prestes a me mandar pra aquele inferno.

Passei para a próxima foto, que era pior ainda. Eu caí em uma crise de riso. Eram oito meninas com uniforme preto e branco de líder de torcida, eu poderia falar que eram suficientemente curtos, mas eu uso coisas piores então não tenho moral pra falar nada, exceto zoar aquelas perninhas de graveto e corpo magricelo das meninas.

Passei pela próxima foto, achando que não podia ficar ainda pior. Havia uns dois ou três casais se beijando, e aí que eu ri de verdade. Aquela escola incentivava a putaria? E pior, os três casais eram jogadores de futebol com líderes de torcida. Existe coisa mais clichê? Não. Vamos ler a legenda: “Três dos nossos mais bonitos casais em momentos íntimos”. MOMENTOS ÍNTIMOS? MEU DEUS.

Me recusei a ver o resto das fotos, e fui fuçar pelo site da escola, vendo fotos dos alunos do terceiro ano. Olha que beleza, TODOS OS JOGADORES ESTÃO NO TERCEIRO ANO. Não tem nenhum macho nessa escola?

Fui passando as fotos dos alunos. Achei uma foto em que um menino batia no outro, mas se a foto foi tirada realmente devia ser de brincadeira, o que era uma pena. Vou ter que bater “de brincadeira” nos outros.

Achei uma foto que chamou a minha atenção. A legenda era: “Alunos do terceiro ano cumprindo a detenção”. Havia uma menina de cabelo castanho escorrido, o menino que estava batendo no carinha na outra foto, e um cara loiro com uma cicatriz no rosto. Aquela detenção parecia realmente inofensiva, já que a detenção na minha outra escola sempre tinha alguém se comendo ou fumando alguma coisa. É claro que eu puxava esse tipo de comportamento, mas isso não vem ao caso.

Continuei passando as fotos. Blé, blé, muito blé. Aquela escola não tinha NADA de interessante? Parecia mais uma escola pra riquinhos mimados conviverem com riquinhos mais mimados ainda. Revirei os olhos e fui ver fotos dos professores.

FALA SÉRIO, aqueles professores deviam ter o que? 20 anos? Eles nunca iam fazer nada comigo.

Continuei vendo fotos dos alunos do terceiro e quarto ano, procurando por alguém que tivesse cara de macho ou de durona, mas realmente os mais “durões” que eu encontrei estavam naquela foto da detenção, e olhe lá.

Saí do site daquela escola idiota. Entrei no facebook e acessei a conta dos meus tios, pra ver se eles tinham falado alguma coisa sobre eu estar indo para lá contra a vontade. Nada. Entrei no facebook do meu avô, Zeus, e ele sim parecia animado com a minha chegada. Disse que haveria “mais uma sentada à mesa da sala de jantar do Olimpo!”.

Ele não pode ser meu avô.

Eu estava prestes a achar mais alguma coisa pra fazer no computador quando a campainha tocou. Achei que a Carolline estivesse muito ocupada para atender, então desci correndo pelas escadas de vidro, quase me espatifando no chão de mármore, para atender a porta.

Eu não acreditei no que eu estava vendo.

– DYLAN? – perguntei, abismada. Dylan foi o menino que me deu o tiro no pé há dois anos, quando resolvi terminar com ele. – O QUE MERDA VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI? DEVIA ESTAR NA PRISÃO!

Dylan riu.

– Uau, você está um tesão nessa roupa – ele disse.

– Me erra, seu merda.

– Ei, ei, ei, o que é que aconteceu com você, Annie?

– Eu não sei, talvez a porra do tiro que você tenha me dado no pé tenha afetado meu cérebro, Dylan – eu disse, e já ia fechando a porta, quando ele colocou o pé na brecha da porta e me puxou pelo pulso para fora da casa.

– Não se faça de difícil, Annie... Todos sabem que você não resiste a mim.

– É, lógico, talvez seja por isso que eu tenha terminado com você, seu otário. Me deixa em paz.

Ele ignorou as minhas palavras e me prensou contra a parede, apertando a minha cintura.

– Soube que você vai para Nova Iorque amanhã.

– Algum dos seus coleguinhas da prisão te contou isso?

Ele fez mais força na minha cintura.

– Condicional, gata, condicional... Tô livre hoje... Achei que seria uma boa ideia se eu te desse uma despedida apropriada.

– Eu já vou ter uma despedida apropriada hoje à noite, obrigada.

– Anda, Annie... Só uma noite.

Eu bufei.

– Pra você me matar depois? Não, obrigada – repeti, me debatendo, mas Dylan não me soltou.

– Você sabe que eu não aceito “não” como resposta.

– E você sabe que eu posso muito bem te dar um tapa na fuça.

Ele revirou os olhos e me beijou, sem dar aviso prévio. Fechei meus lábios com força, impedindo que sua língua passasse, mas ele acabou dando um jeito, e em pouco tempo sua língua nojenta percorria toda a extensão da minha boca. Mordi ela com força, até sentir o gosto do sangue na minha boca.

– AI, ANNABETH! – ele disse, com a língua pra fora, que nem um pato. – VOCÊ ME MACHUCOU!

– Isso não foi nada comparado ao tiro no meu pé, Dylan – eu rebati, e cuspi o resto de sua saliva e sangue que estavam na minha boca na sua cara. – Eu tenho certeza disso.

Saí correndo para dentro de casa e tranquei a porta. Argh, que ódio daquele cara. Ele ficou berrando algumas coisas sem nexo, mas eu não dei muita bola. Subi de volta ao meu quarto e liguei para a Haley.

– Fala, gata – ela disse.

– Você não vai acreditar no que acabou de acontecer.

– Desembucha.

– O Dylan apareceu aqui, que nem um louco. Disse que estava na condicional e que queria mais uma noite comigo antes de eu ir para Nova Iorque.

– E o que você disse?

– Eu disse que não!

– Você é idiota? Cara, o Dylan é um sonho, não acredito que você disse não!

– Haley, olha a merda que você tá dizendo!

– Annabeth, aceita o meu conselho. Você disse que o Dylan foi o melhor sexo de toda a sua vida, e agora ele praticamente implorou pra ficar com você antes de você ir embora. Não vai ter como ele te perseguir em Nova Iorque, menina anta! Vai lá embaixo e transa com ele, transa como se você nunca tivesse transado na vida, como se a sua existência dependesse disso e...

– Já entendi, idiota.

– Você não vai se arrepender. Depois me liga, hein?

Desliguei o telefone sem responder mais nada. Não acredito na burrada que eu estava prestes a fazer.

Fui até a janela do meu quarto, e Dylan ainda estava na grama, sentado de frente para a porta. Revirei os olhos.

– DYLAN! – o chamei, e ele olhou para a janela com um sorriso na cara.

– Mudou de ideia, hã?

– Não se vanglorie – eu disse, e peguei uma corda, jogando pela janela até que chegasse nele. – Você já fez isso antes, espero que não tenha esquecido.

Notas finais
E aí, o que acharam? Deixem reviewssssss