Bad Girls

67 Hard to trust


Notas iniciais
HAAAAAAAAAAAAAAAA, abram alas para o SEGUNDO capítulo mais lixo que o nyah (e que essa fanfic) já viu! Não sei mais o que falar, ah, só leiam as notas do cap anterior mesmo pra saberem a história toda do meu sumiço repentino, ou não, pq não importa msm que se foda saporra, e aproveitem! O nyah cortou as minhas notas inciais no outro cap... boladíssima

Because of you, I find it hard to trust, not only me but everyone around me.

Eu encarei ela, e ela me encarou. Vi Ares virando para trás, pra onde eu estava parada, atônita, estupefata, completamente perdida na minha própria cabeça, incapaz de dizer alguma coisa, incapaz de gritar, chorar ou me mexer. Ali estava ela. E eu podia ver que estava furiosa – não até eu chegar. Só quando eu cheguei. Estava furiosa comigo, pra variar.

A primeira sensação que veio foi a náusea. O primeiro ímpeto de me mexer foi a vontade que eu senti de correr até o banheiro e vomitar. E depois, a falta de ar. Era como se eu fosse feita de pedra.

– O que você está fazendo aqui? – indaguei, finalmente, depois de minutos de silêncio sem desviar o olhar. – Ares, o que ela está fazendo aqui?

– Eu pensei que... – ele começou.

– Ah, você pensou? Pensou, foi? Você nunca pensa, e justamente quando decide tirar uma folga e pensar, pensa em trazer essa negligência pra cá? Você está falando sério?

– Ela é sua mãe – Ares continuou, não dando a mínima para o que eu estava dizendo. – Frederick concordou. Zeus concordou. Todo mundo já acha que está na hora das duas fazerem as pazes.

– Acham? Por quê? Agora que eu finalmente estou ficando feliz aqui, vocês querem que eu faça as pazes com a minha mãe, pra ela me arrastar de novo até San Francisco e voltar a ser a pessoa mais odiosa desse planeta? Essa família realmente é uma merda. Não podem me ver felizes, por uma vez na vida?

Atena pigarreou.

– Não sabia que você não era feliz, Annabeth. Não sei por quê não seria. Teve tudo o que sempre quis.

– O QUE EU QUERIA ERA UMA MALDITA MÃE! – gritei, inevitavelmente. – Não sabe porque eu não era feliz? Ora, vejam como Atena Chase é hipócrita, senhoras e senhores. Vejam como age feito um anjo quando tá perto do irmão. Não é irônico? – eu ri, sarcasticamente. – Mas não adianta mais agora. Eu descobri do estupro, descobri de tudo. E não se preocupe tentando parecer uma mãe decente agora, agora já sei porque me odeie. Não perca seu tempo fingindo que me ama, Atena. Não perca seu tempo fingindo que sente alguma coisa por mim sem ser ódio, ou nojo, ou qualquer outra dessas sensações malucas que você tem na sua cabeça de filha da puta, porque eu não estou mais a fim de manter as aparências.

– Você não sabe de nada, Annabeth – ela disse, se levantando do sofá, e eu vi Ares olhar com um olhar preocupado para ela, como se ela estivesse prestes a explodir. – Você sempre teve essa mania, desde feto. Acha que é a dona da razão. Acha que sabe de tudo, mas na verdade, não sabe de nem um terço das coisas que acontecem. Você vive trancada no seu próprio mundo, na sua própria bolha, onde tudo gira em torno de você. E se você não amadurecer, Annie, isso não vai mudar nunca.

– Não me chame de Annie.

– Eu tenho o direito de te chamar como eu quiser, porque eu sou a sua mãe.

Minha mãe agarrou o meu pulso com uma força descomunal – uma força descomunal pra uma mulher, ainda mais uma mulher que era arquiteta – e me forçou a olhar pra ela.

– Eu odeio você – cuspi. – Você não tem a mínima ideia do que me fez passar. Você nunca se importou. Nunca fingiu se importar. E como você disse, sim, eu vivia no meu próprio mundo, a minha bolha annabethiana, onde Annabeth era a soberana. Até você me mandar pra esse inferno. Foi o pior erro que você já cometeu na sua vida inteira, Atena, e eu sei que o que você mais fez foi errar. Porque eu abri os olhos. Eu amadureci – puxei o meu pulso e cambaleei pra trás, ainda tonta demais pra fazer qualquer coisa. – Você pode ser a minha mãe. Mas nunca vai ser a minha família.

Dei as costas e saí correndo, descendo as escadas, com ainda mais vontade de vomitar. Eu não tinha pra onde ir. Não podia ir até o Olimpo, não podia ir até a casa do Percy, e eu definitivamente não podia voltar pra casa do Ares por um bom tempo.

Quando cheguei até o carro, comecei a me sentir tonta de novo. Eu podia passar a morar no carro, mas não seria uma boa ideia. Além do mais, eu não tinha roupa alguma. Tudo o que levava comigo era a carteira, chaves e o celular.

Peguei o celular, ao mesmo tempo que girava a chave na ignição. Liguei pra Clarisse; ela não morava no Olimpo, e nem perto de lá, e eu tenho certeza de que poderia me emprestar alguma roupa, qualquer roupa, pelo menos até eu fazer as pazes com o Percy.

Disquei o número dela. Uma vez, duas vezes. Cinco vezes, e ninguém atendeu. Eu não sabia o endereço dela de cabeça. Tentei ligar para o Luke, e... Nada. Sei que eu estava brigada com o Percy, mas ficar na casa do Leo já devia ser forçar a barra demais.

Peguei a carteira. Eu tinha uns vinte reais, mais o salário de hoje, e o cartão AMEX que a minha mãe deveria abastecer todo mês – coisa que eu duvido que ela tenha feito. Eu podia passar em algum banco e pegar dinheiro da minha poupança, mas acho que o dinheiro que eu tenho ali deve bastar pra pagar uma noite em um hotel qualquer.

Eu dirigi pelas ruas, sem rumo, até finalmente parar em frente a um hotel qualquer. Deixei o carro no estacionamento, de qualquer jeito, e provavelmente ocupando duas vagas. Não vi o nome do hotel, mas sabia que era alguma-coisa-CC.

Um dos funcionários me escoltou pra dentro, já que, por coincidência, havia começado a chover.

O saguão era todo trabalhado em madeira com detalhes prateados, e o chão era coberto por um carpete cinza, com sofás, poltronas e revistas espalhados. Estava deserto, e eu pensei que todo mundo devia estar jantando ou coisa do tipo. Fui até o balcão da recepção, onde uma mulher com cabelos longos e olhos pretos estava parada, visivelmente entediada.

– Oi, seja bem-vinda ao Spa e Resort CC, sou Hylla – ela disse. – No que posso te ajudar?

– Uma diária – respondi. – No quarto mais barato que tiver.

Uma noite devia ser suficiente. Afinal, quanto tempo Atena iria ficar com Ares naquele apartamento? Do jeito que é, não aguentaria até amanhã.

– Certo, temos a Suíte Dia de Praia disponível, mas temo que não tenhamos nada mais barato do que isso. É verão, e os hotéis estão cheios. Mas a Dia de Praia é ótima, é cheia de...

– Tá, pode ser – peguei o cartão de crédito. Eu precisava tentar. – Crédito.

Hylla me olhou, parecendo brava e aliviada ao mesmo tempo por eu ter interrompido sua descrição. Ela passou o cartão na máquina, e disse para eu colocar a senha. Inesperadamente, havia dado certo.

– Aproveite sua estadia.

Peguei o cartão de acesso, e um dos funcionários me acompanhou até o elevador, apertando o botão 3, aparentemente onde ficava o quarto. A Suíte Dia de Praia era simples, mas bonita ao mesmo tempo. Tinha cheiro de maresia, e eu me lembrei do Percy na mesma hora. Queria que ele estivesse aqui comigo, mas não, não vou ligar pra ele. Tenho que ser independente. Eu sou independente, sempre fui. Desde os 14. Não podia mudar agora.

A suíte tinha uma cama de casal forrada em lençóis brancos e azuis, as paredes estavam decoradas com fotos de diversas praias, e pintadas em um tom azul cristalino, como as águas de Cancún. Uma cômoda da cor de areia, uma TV e uma poltrona de balanço. Uma porta de correr dava pra sacada, pequena, mas grande o suficiente para que eu conseguisse apreciar a vista do rio... Bem, eu não tenho a mínima ideia.

Fui até o banheiro. Havia uma grande banheira branca, com milhares de sais, e shampoos e condicionadores com a marca do hotel, além de roupões, toalhas e pantufas, escovas de dente e sabonetes.

Me joguei na cama, e liguei o ar-condicionado. Peguei uma garrafa de água do frigobar, apenas pra descobrir que haviam mais bebidas ali, algumas mais interessantes do que a outra.

Enquanto o ar gelava, tirei a roupa e tomei banho, jogando todos os sais possíveis na banheira, enchendo-a com água quente e me enfiando debaixo da espuma enquanto bebia da garrafa de água. Joguei a cabeça pra trás e ignorei o meu celular, ignorei tudo o que tinha acontecido comigo. Ignorei, ignorei.

Quando saí da banheira, já eram quase meia-noite, e eu não estava com fome. Ainda queria vomitar qualquer coisa pra fora, e percebi que eu não tinha comido quase nada o dia inteiro, e não estava com fome. Me enrolei no roupão felpudo com o logo do Spa e Resort CC, calcei as pantufas de lã brancas e caminhei até o quarto, o queixo batendo de frio. Fui até o frigobar e tirei duas garrafas de Absolut, uma de baunilha e a outra normal, eu acho. Tranquei a porta da suíte e da sacada, liguei a televisão e comecei a beber. Um gole, dois goles, alternando as garrafas.

Beber pra esquecer os problemas, é claro. Soava clichê, mas era tão bom. Tão bom. Talvez até bom demais.

Quando eu me toquei, a garrafa de baunilha já estava vazia, e a outra estava na metade. Minha visão girava, mas não era como se eu me importasse com isso. Pelo menos, não até a hora em que eu me joguei no chão e me arrastei até o banheiro, vomitando, colocando tudo pra fora o que eu queria pôr desde que vi a minha mãe sentada no sofá com Ares.

Não saiu nada. Praticamente, eu estava vomitando vodka pura, e a garrafa de água que eu havia ingerido antes de entrar no banho. Acho que se passaram dez minutos, e eu estava me sentindo tão fraca que voltar até a cama foi um martírio, especialmente porque quis escovar os dentes.

Me enrolei nos lençóis, sentindo mais frio do que antes. Todo o álcool saiu do meu organismo, mas os problemas ficaram, e só pesaram ainda mais na minha consciência.

Ah, foda-se a independência.

Peguei meu celular, e liguei para o Percy, na discagem rápida. Ele atendeu, parecendo meio sonolento, apesar de eu saber no fundo que ele não estava dormindo de verdade. Tremi.

– Annie? Onde você está? – ele indagou, e pareceu furioso. – Sua janela não estava aberta, e ninguém abriu a porta quando eu bati.

– Eu estou... – hesitei. Como era o nome do hotel mesmo? O logo do roupão parecia estar rodando, e eu não consegui ler nada. – Não-sei-o-quê-CC. É um hotel.

– Você está bêbada?

Tecnicamente, não. Psicologicamente, gostaria de estar.

– Você pode vir aqui? – perguntei. – Quarto alguma-coisa-na-praia. Eu vou deixar a porta aberta.

O celular caiu da minha mão antes que eu pudesse desligar ou ouvir a resposta de Percy. Não lembro o que aconteceu em seguida. Não sei se eu desmaiei, se dormi, ou se fiquei acordada e a minha memória resolveu virar um borrão. Sei que, quando acordei, Percy estava lá, e o sol entrava com força pela porta da sacada.

– O que foi que você fez? – ele rosnou. Eu sei que ele estava tentando ser calmo, mas não era uma situação lá muito agradável, e eu também sei que ele estava furioso. – Annabeth, que merda você fez agora?

Não consegui responder. Saí correndo até o banheiro, bati a porta e vomitei de novo.

– Não entre aqui – eu pedi, enquanto vomitava ainda mais, e ouvi Percy bater na porta. – Percy, não...

Ele entrou, do mesmo jeito, e eu limpei a boca tentando ficar apresentável.

– Eu disse pra não entrar – murmurei.

– Já vi você vomitando antes – ele respondeu, dando de ombros, não parecendo enojado com o cheiro. – Não pode ser saudável pra sempre.

– Pelo menos na sua frente.

Percy sorriu, pegou uma das toalhas e enxugou a minha boca. Eu estava suando frio, e devia estar pálida e com olheiras. Ele deu descarga duas vezes, e eu tentei não chorar. Não vou chorar. Não preciso chorar.

– Você bebeu as duas garrafas inteiras – ele disse. – Por quê? O que aconteceu? Por que veio pra cá ao invés de descer pro meu apartamento, Annabeth? Por causa da briga de mais cedo? Você podia ter se matado, sabia? Podia ter entrado em coma alcoólico, ou pior, podia... Eu não sei.

– Me desculpe – choraminguei, ainda sem chorar. – Eu não queria...

– Eu já disse pra você – ele me interrompeu, sentando do meu lado, próximo ao vaso sanitário. –, não é só porque tivemos uma briga que vamos terminar. Já devia saber disso.

– Não foi por sua causa – confessei, engolindo em seco, sentindo minha garganta ardendo. – Ares levou a minha mãe pra casa. Eu só queria sair de lá. E quando cheguei aqui, e vi o frigobar, eu achei que... Achei que eu pudesse...

– O que aconteceu? Com a sua mãe, quero dizer.

– Ela foi uma hipócrita, como sempre. Tentou bancar a santinha na frente do Ares, pra não parecer totalmente desnaturada e sem coração. Querem que eu faça as pazes com ela pra voltar pra San Francisco.

Percy enrijeceu.

– Você está brincando, não é?

Balancei a cabeça.

– Odeio a minha mãe. Odeio Ares. Odeio Zeus, Hera, e todo mundo. Eu queria escapar, fugir e nunca mais voltar.

Percy me abraçou e me perguntei como ele não estava com nojo de me abraçar naquele estado. Ele não disse mais nada, e nem precisou dizer. Estava ali, debaixo do meu nariz. Era tudo o que eu precisava.

Notas finais
You know you love me. Xoxo, Gossip Girl.