Bad Girls
62 Dynamite
Notas iniciais
‘Cause I’m T.N.T, I’m dynamite, T.N.T, and I’ll win the fight, T.N.T, I’m a power load, T.NT, watch me explode.
Dar um tempo. O Percy queria dar um tempo.
É claro que queria. O que você espera que o cara mais popular da escola faça quando a namorada dele o chifra publicamente com um menino com cara de mal comido?
Eu não disse nada, não de imediato. As palavras saíram berrando da minha boca como que por conta própria cinco segundos depois do Percy dar as costas.
– O Dylan.
Ele parou de andar e se virou. Agora dava pra ver que ele não estava mais decepcionado, e sim completamente puto da vida.
– O quê?
Percy não estava exatamente me pedindo para repetir. Eu podia ver a indignação nos olhos dele e a capacidade que ele exalava de matar qualquer um que chegasse perto de mim mencionando o Dylan.
– Você queria saber o que o Octavian tinha dito pra me fazer beijar ele – eu suspirei. – Foi isso.
– Aquele otário mencionou o Dylan?
Eu hesitei.
– O que ele fez, Annabeth?
– O Dylan? Ah, você sabe o que ele fez.
– Não se faça de idiota. Você é qualquer coisa, menos idiota. O que foi que o Octavian fez?
– Eu não quero dizer.
– Porra, Annabeth! – ele surtou, me puxando pelo braço e chocando o seu corpo contra o meu. – Eu amo você, me entendeu? E eu quero saber o que esse filho da puta tá usando pra te ameaçar, ou ele vai se ver comigo.
– Eu já disse que ele mencionou o Dylan, Percy.
– Mencionar o Dylan não te faria o beijar. Ele chamou o Dylan?
– Eu não sei, tá? – confessei. – Eu não sei que merda ele vai fazer, tudo o que eu sei é que de algum jeito ele conseguiu entrar em contato com o Dylan e está ameaçando chamá-lo pra vir atrás de mim se eu não seguir as ordens do Dr. Decepador de Pandas.
– Eu quero te matar – ele disse, bagunçando o cabelo e me puxando pela cintura, quase me esmagando no seu abraço. – Por que você não me falou isso antes, Annie?
– Eu não sei – respondi. Afundei a cabeça nos ombros do Percy, não conseguindo me impedir de chorar ainda mais. Agora o Octavian iria descobrir que eu havia falado para Percy, e em pouco tempo um atirador maluco estaria trás de mim querendo me matar e matar a todos que eu amo. – Mentira, eu sei, sim. O Octavian disse que, se eu contasse para você ou qualquer outra pessoa, ele ia chamar o Dylan do mesmo jeito.
Percy me soltou.
– Mesmo você tendo beijado aquela boca nojenta e repugnante?
– É.
Ele inspirou e olhou para o outro lado do campo, onde Octavian estava recebendo tapinhas nas costas dos seus companheiros de time. Eu não sabia dizer se foi por causa do jogo, ou por causa do meu beijo com ele. Só sei que, no minuto seguinte e antes que eu pudesse evitar, Percy corria com toda a velocidade até o outro lado.
– PERCY! – eu berrei, fazendo toda a atenção dos jogadores, líderes de torcida e os espectadores que estavam indo embora se voltarem para mim e para o Percy.
Ele não podia bater no Octavian. Não que eu não quisesse que ele fizesse isso; na verdade, a minha vontade era de atropelar o Decepador de Pandas com uma caminhonete 4x4 e depois jogar o corpo na estrada. Mas o Percy tinha muito a perder. O treinador Hedge já estava balançando seu bastão de baseball no ar – o que é irônico visto que estávamos em um jogo de futebol – e gritando para todos morrerem.
Octavian também se virou a ponto de ver um Percy furioso voando pra cima dele como um ninja desarmado. Os dois caíram no chão, com Percy em cima, dando tantos socos no rosto do Decepador que, quando eu cheguei perto da briga, achei que Octavian já estivesse desmaiado no chão.
E ele estava quase lá. O nariz sangrava e estava em um ângulo estranho, como se estivesse quebrado ou torcido. A gola da camiseta estava empapada de sangue, assim como a mão direita de Percy, que continuava distribuindo socos pelo rosto do Decepador de Pandas. Além disso, os dois olhos de Octavian já estavam vermelhos, e provavelmente ficariam quase pretos de tão fodidos. Nem parecia que os dois só estavam brigando há dois minutos.
– Percy, para com isso! – Silena berrou, desesperada. Ela deu um pulo para trás ao ver o rosto de Octavian completamente desfigurado.
– Parar com isso? VAI, PERCY! – comemorou Clarisse, batendo palmas e dando gritos de incentivo para que Percy continuasse fazendo Octavian jorrar sangue.
– Vamos sair daqui – Luke disse, puxando Thalia para longe da rodinha, já que ela estava quase jogando dinheiro para que os dois continuassem a pancadaria. Na verdade, para que o Percy continuasse a pancadaria. – Isso não é bom pro nosso filho, Thals.
– Como não? – Clarisse indagou. – Esse menino vai virar lutador de boxe, Luke, ele tem que aprender a meter a porrada desde cedo e...
– Parem de falar! – Silena se desesperou. – O Percy vai acabar matando o Octavian, Annabeth!
– O que você quer que eu faça? Me jogue no meio dos dois?
Ao longe, os espectadores do jogo também começaram a se aproximar da rodinha onde Percy espancava Octavian. Meu coração começou a palpitar. Se alguém importante visse o que Percy estava fazendo, aquilo poderia acabar com qualquer coisa no futuro dele, e vamos confessar, ele não pode desperdiçar uma ajuda.
– Percy, por favor – eu tentei dizer, diante da cara de reprovação da Silena. Eu até estava gostando do Octavian estar apanhando, exceto pelo ângulo estranho do nariz dele e a perda enorme de sangue, estava tudo sob controle. – Você não pode fazer isso.
– Esse babaca... – Percy ofegou, puxando Octavian pela gola e o jogando no chão novamente, fazendo com que o Decepador de Pandas batesse a cabeça no gramado algumas vezes consecutivas. – Vai... aprender... A não se meter... com você...
– Ele já aprendeu, Percy.
Percy parou de socar o Octavian, fazendo Silena soltar um suspiro agoniado de alívio. Ele me encarou por alguns segundos, a mão ainda pairando no ar e o punho cerrado, como se interrompesse o próximo soco.
E então, foi a vez do Octavian dar uma de ninja. Com todas as possíveis forças que ainda o restavam e dando um puro golpe de sorte, já que o sangue estava quase o cegando, ele rolou para cima de Percy e deu um único soco no seu maxilar antes de apagar.
A boca de Percy começou a sangrar, e foi a vez de Silena desmaiar. Alguém havia chamado o Hedge, que estava se aproximando com o bastão de baseball enquanto ligava para algum número de emergência.
– Que merda, por que você fez isso? – eu perguntei, me ajoelhando próximo à Percy, e tentando não tocar em alguma parte do seu corpo que estivesse com o sangue do Octavian. – Está doendo muito?
Percy soltou um gemido de dor. Uma das mãos dele estava pressionada contra o seu maxilar com força, enquanto a outra segurava a minha. Os caras do time do Octavian estavam ao redor dele e tentando levantá-lo sem que ele grunhisse coisas estranhas.
– Alguém me empresta algum pano, ou lenço, não sei! – exclamei. A boca de Percy ainda estava sangrando, e ele apertava a minha mão cada vez mais. – Por favor, galera.
Hedge ainda estava bravo mandando o cara da ambulância morrer, mas tirou um pedaço de pano de dentro da calça – que estava quente – e me entregou. O enrolei na minha mão e tentei tirar o excesso de sangue que escorria da boca de Percy. Ele estava com um corte inexplicável na gengiva, e um dos dentes do fundo parecia ter perdido um pedaço.
– No que você estava pensando, Perseu? – Hedge começou a berrar, rodando em círculos e balançando o taco de baseball. – O que o conselho vai achar? Vão achar que eu sou um péssimo treinador, principalmente porque eu gostei da briga!
– Hã... Hedge... – Silena o chamou. – Quando a ambulância chega?
– Ah, já deve estar chegando. O que o outro garoto tem?
– A cara dele tá amassada – Clarisse respondeu. – Fora isso, tá tudo bem.
– Certo, certo. Vou precisar que vocês voltem ao hotel, eu e o treinador da North Providence vamos levar os dois para o hospital e...
– NÃO! – guinchei, e senti os dedos de Percy apertarem ainda mais forte a minha mão. Não sei se foi porque eu havia gritado perto demais do rosto dele, ou porque ele havia ouvido o que Hedge disse sobre eu voltar ao hotel, ou ainda porque eu havia pressionado o pano úmido muito forte contra o seu maxilar. – Eu vou junto pro hospital. Toda essa babaquice é culpa minha, de qualquer jeito.
– Annabeth, eu não posso deixar que você vá – Hedge disse, seco. – Não importa se a culpa é sua ou de Jeová, se eu deixar todos irem para o hospital, isso vai virar um escarcéu ou a casa da mãe Joana.
– Se você não me deixar ir, Hedge, eu mesma vou pra lá e descubro onde o Percy está. A decisão é sua.
Hedge me encarou e saiu xingando alguma coisa em voz baixa, além de estar acertando o nada com o taco de baseball. Isso me deixou preocupada, mas continuei secando o sangue em volta da boca do Percy enquanto ele pressionava o maxilar.
– Me desculpe – eu pedi. – Você não tinha que se meter nisso.
– Au te logal – ele disse, e eu acho que quis dizer “eu tô legal”, mas eu não estava entendendo muito bem o que ele falava.
O campo de futebol já estava praticamente vazio. Algumas pessoas passavam perto de nós no caminho para a saída, com olhares inevitavelmente curiosos. O treinador da North Providence estava cuidando de Octavian, que estava em um estado mil vezes mais deplorável que Percy, mas ninguém parecia realmente se importar com isso. Nem Nancy Bobo-alguma coisa havia ficado para acompanhar Octavian até o hospital. Hedge ainda acertava o nada com um taco de baseball, quando duas ambulâncias chegaram.
Os paramédicos cuidaram de Octavian primeiro, o colocando em uma maca e depois o enxotando para dentro da primeira ambulância, que saiu em disparada. E logo depois foi a vez de Percy, que não largou a minha mão nem um minuto sequer enquanto ele era enfiado na ambulância, e eu ainda tive que convencer os médicos a me deixarem ir com ele dentro do carro.
Octavian foi encaminhado para a Emergência, enquanto Percy foi enviado para um dos quartos no hospital, e um médico pediu que eu ficasse do lado de fora enquanto ele destravava o maxilar do Percy, ou examinava o maxilar dele... enfim, ele estava fazendo alguma coisa com o maxilar do Percy, que provavelmente diminuiria a dor e faria ele falar coisas coerentes novamente.
Hedge batia o taco no chão com nervosismo enquanto as horas passavam. Uma hora, duas horas, três horas se passaram até que o médico saiu do quarto de Percy falando que ele estava bem e que a dor passaria logo.
– E o outro garoto, como está? – Hedge perguntou, e eu revirei os olhos.
– Ele perdeu bastante sangue e quebrou o nariz, mas vai ficar bem.
Não pude evitar que uma risada escapasse.
Hedge insistiu em entrar primeiro no quarto. Ele estava completamente puto, e eu achei que Percy provavelmente fosse ser expulso do time, mas a Goode sairia no prejuízo. E, mesmo sendo expulso do time de futebol, Percy poderia tentar natação ou qualquer outro esporte. Acho que não existe um esporte no mundo em que o Percy não seja bom.
– Todo seu, Sra. Jackson – Hedge debochou. Ele saiu de lá mal-humorado, e parecia prestes a acertar o taco de baseball em alguma coisa real dessa vez. – Você vai voltar para o hotel? Pago seu táxi.
– Não, eu vou ficar aqui.
Hedge deu de ombros e não disse mais nada, simplesmente saiu pela entrada do hospital resmungando algumas coisas que com certeza não eram de bom gosto. Esperei ele sair e corri até o quarto onde Percy estava.
Ele parecia normal. O queixo estava um pouco roxo, e as mãos estavam enfaixadas. É claro, depois da surra que ele deu no Octavian, não é de admirar que ele tenha uma fratura em algum dos dedos.
– Graças a Deus você está bem! – eu disse, o abraçando, e Percy sorriu. Eu senti as suas mãos nas minhas costas. – Por que você foi fazer aquilo, Percy? Enlouqueceu de vez?
– Eu tinha que mostrar pro Octavian que ele não te merecia.
– Eu nunca ficaria com o Octavian, eu amo você! Não precisava quebrar o nariz do garoto pra mostrar o quanto ele é babaca.
Percy sorriu.
– Quebrei o nariz, é? Ainda acho que ele deveria sofrer mais.
Eu ri.
– Não quebre outra parte do corpo dele, por favor. Hedge está uma fera. Ele vai te expulsar do time se você fizer outra babaquice dessas.
– Babaquice? Fala sério, ele te ameaçou. O que eu fiz foi pouco, Annabeth.
– Eu concordo. A minha vontade era que você atropelasse ele com um trator, mas eu não gosto de pensar o quanto isso ia ser ruim pra você, Percy. Eu já disse que te amo.
Percy fechou os olhos, com um sorriso de satisfação no rosto. De repente, todas as minhas preocupações – Octavian, a síndrome do brega por ser uma líder de torcida namorando o capitão de futebol – desapareceram. Tudo ia ficar bem, desde que eu estivesse com ele.
– Pode me prometer uma coisa? – Percy voltou a perguntar, beijando uma das minhas mãos.
– Isso depende. Eu ainda não vou fazer anal.
Ele soltou uma gargalhada tão cativante que eu não consegui evitar de rir junto.
– Eu acho que você está sendo muito preconceituosa com o anal, é uma coisa mágica.
– Percy, eu não vou fazer anal.
Ele revirou os olhos, com um sorriso no rosto.
– Tá legal, não vou te pressionar ou tentar te estuprar como o Decepador de Pandas. Só quero que me prometa que, se outra pessoa te ameaçar ou fizer qualquer coisa que possa te comprometer, me avisa. Eu não me importo se acabar morto enforcado ou coisa pior.
– Eu prometo – sorri.
– Legal. Posso te pedir outra coisa? Se não for pedir muito, claro.
– Você quebrou o nariz de uma pessoa, você é meu herói.
Percy riu.
– Você pode ir no hotel e pegar umas roupas? Essas roupas de hospital não são legais.
– Ok, eu vou. Quer que eu traga alguma coisa?
– Eu quero que você venha inteira e sem beijar Octavian’s do mundo pelo caminho. Pode ser?
– Vou pensar no seu caso.
Saí do quarto enquanto Percy me xingava de alguma coisa, não entendi muito bem o que era. Fiz questão de passar no quarto do Octavian antes de sair do hospital e ver como ele estava.
Ele parecia ter voltado de uma guerra. Tinha uma faixa enrolada ao torno da sua cabeça, uma coisa estranha no nariz, uma das mãos enfaixadas, o rosto inteiro vermelho e os olhos roxos. Fora isso, alguns cortes nos lábios e sangue seco em todo o lugar.
Achei que Octavian estivesse dormindo, em coma profundo ou coisa do tipo. Mas ele estava acordado. Ele estava acordado e me viu.
E, quando me viu, apontou para o celular na mesa de cabeceira e sibilou o nome do Dylan.
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