Bad Girls
10 Broken dreams
Notas iniciais
Esse capítulo é dedicado para a Viciada em Fanfics, que deu a TERCEIRA recomendação da fic, sua ninda!
Enfim, aproveiteeeeem e_e
I walk this empty street, on the boulevard of broken dreams.
Aquela meia hora passou voando, e ofereci carona à Clarisse mais uma vez. Dessa vez não paramos no Mc Donalds porque eu realmente estava muito cansada, e Clarisse não colocou o cinto de segurança. Resultado, uma Clarisse voando pelos quatro cantos do carro do meu tio.
Assim que estacionei, vi que a moto de Ares estava parada na vaga de dentro do prédio. Estranhei, ele só volta do trabalho de madrugada.
Vou explicar. O meu tio era uma espécie de lutador mega famosão que mete medo em todos os outros lutadores inocentes do universo. Ele perdeu, sei lá, cinco lutas em trinta anos? Enfim, quando ele fez quarenta, os chefões disseram que ele estava ficando velho e precisava se aposentar. Desde então, ele era policial e dono de uma loja de armas de fogo no Bronx.
Me arrastei pelos cinco lances de escada, mas cheguei no 500 viva. Meu tio estava no sofá, segurando uma cerveja e de pés para cima.
Peguei a cerveja da mão dele e dei uma golada.
O senhor não devia estar no trabalho? — indaguei.
Ah, oi, Annabeth. Você não devia estar bebendo — ele disse, pegando a cerveja de mim.
O que é que você está fazendo aqui? Não me diga que foi demitido.
Ares deu de ombros.
Sabe, os chefes não gostam de levar um soco na cara quando estão errados.
Você socou a cara do seu chefe? Ah, que ótimo!
Ei, não se desespere, ainda tenho Gavin e a loja de armas. Só acho que, hã, você vai ficar sem dinheiro por um tempo. Sua mãe parou de mandar a mesada?
Parou — eu disse. — Semana passada, eu acho.
É, então as coisas vão ficar apertadas por um tempo.
Não acredito que você socou a cara do seu chefe!
Não acredito que você pegou detenção no segundo dia de aula.
Não mude de assunto!
Ei, eu consigo me virar só com o dinheiro da loja. Se você quiser arranjar seu próprio dinheiro, se vire. Arrume um emprego, se quiser.
É, eu vou fazer isso — gritei, e marchei até o meu quarto, batendo a porta.
Tomei um banho rápido, coloquei uma calça Jeans e a blusa mais comportada que eu tinha. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo, mas logo depois o soltei. Detesto meu cabelo preso. Escovei os dentes, e já estava prestes a sair, quando...
Onde você vai? — meu tio perguntou, com outra latinha de cerveja nas mãos.
Arrumar um emprego, ué — eu respondi, como se fosse óbvio. — Não posso depender de alguém que soca a cara dos chefes.
Ele riu.
É, tem razão. Boa sorte.
Eu dei um sorriso irônico e saí pela porta da frente. Desci o primeiro lance de escada, e a porta do 400 estava aberta. Merda. Saí correndo escadas abaixo para não dar de cara com aquele gayzinho covarde. Quando estava no primeiro andar, Percy estava lá, catando a correspondência.
Oi — ele disse, sem nenhuma emoção.
E aí? — respondi, prestes a sair pela porta.
Então, a Afrodite não bate muito bem da cabeça, né?
Percy, eu sei que você quer engatar conversa porque está culpado por perder uma briga comigo hoje mais cedo, mas eu realmente tenho que ir, ok?
Deixa de ser grossa, garota. Só quero uma carona pra escola.
Ah, claro. Muito coerente me verem chegando com você.
É só enquanto meu carro está no conserto. Bati com ele ontem, em uma corrida. E não estou a fim de pedir carona para a Calypso.
Ergui uma sobrancelha.
Você podia ter morrido também, né?
Percy deu um sorrisinho irônico.
Escrota. Vai me dar carona ou não?
O país das maravilhas está com problemas, é, Percyto?
Vai se foder, Annabeth.
Ué, quero saber porque não quer pedir carona para a sua namorada. Você não disse que estava muito feliz com ela hoje mais cedo?
Isso não te interessa, ok? Vai me dar a porra da carona ou não?
Bato na sua porta quando estiver saindo. Fique pronto às 8:00 a.m., gosto de parar no Starbucks antes de ir para a escola.
Eu sei disso — ele disse, e eu sorri.
E se você vomitar no meu carro, vai levar um chute na outra canela — emendei, quando percebi que ele ainda mancava um pouco.
Porque eu vomitaria?
Você vai descobrir amanhã, Percyto. Agora eu tenho que sair. Espero que você morra nesse meio-tempo, senão... Até amanhã.
Espero que você pegue AIDS. Até amanhã.
Saí pela portaria do prédio e desestacionei o carro. Hoje, mais cedo, vi na vitrine do Starbucks que eles precisavam de uma garçonete nova. Se eu combinasse os horários certos, talvez aquilo pudesse me ajudar a ganhar uma grana extra já que Ares só me dá umas vinte pratas por semana.
Estacionei sem freiar na frente da cafeteria. Saí do carro e fui até a bancada.
Posso te ajudar, senhorita? — o funcionário disse.
Eu estou interessada no emprego — respondi. O homem sorriu.
Ah, claro. Entre.
O funcionário me guiou até lá dentro da cafeteria, um lugar onde eu nunca tinha entrado antes.
Boa tarde — o gerente disse. — Eu sou Ethan Nakamura. Posso ajudar?
Ethan? Estudamos na mesma escola, na Goode! Não acredito que é gerente do Starbucks.
Ah, é. Annabeth Chase. Posso ajudar?
Quanta formalidade, Ethan. Desculpe, Sr. Nakamura — eu disse, e ele riu. — Estou interessada no emprego de garçonete.
Ah, claro. Tem experiência como garçonete?
Não, mas sempre frequentei essa cafeteria, em qualquer estado. Já decorei de cor e saltedo como é.
Ótimo.
Ethan continuou a me fazer algumas perguntas, e eu respondi todas da maneira mais profissional possível.
Bom, está contratada, Annabeth — ele disse, e eu sorri. — Só temos que combinar seus horários. Os funcionários ganham 10 dólares por hora, e 100 por noite. Por noite, eu digo das 6:00 p.m. até as 2:00 a.m. Acho que não seria muito bom você trabalhar aos dias de semana até duas horas da manhã.
Ah, eu não ligo — respondi. — Mas acho que todo dia seria exaustivo.
Concordo. Então, vejamos... Às segundas, quartas e sextas, você pode trabalhar de 6:00 p.m. até às 2:00 a.m.?
Posso, sem problemas.
Ótimo. Às terças e quintas vamos deixar para você uma folga. Quer trabalhar no sábado, ou no domingo?
Hm, acho que não vai dar. Domingo eu tenho almoços em família na casa do meu avô — e revirei os olhos. — E sábado vou precisar dar uma saída, mas acho que posso trabalhar de manhã até a tarde, tipo... De umas 10:00 a.m. até umas 3:00 p.m.?
Ethan assentiu.
Está ótimo. Então às segundas, quartas e quintas, você trabalha até as 2:00 a.m. A partir das... 6? Sábado seu expediente é pela manhã, das 10:00 a.m. até às 3:00 p.m. Terça, quinta e domingo são seus dias de folga. Vou pegar seu uniforme, Annabeth, quanto você veste?
S (N/A, S = small, que seria P aqui no Brasil rçrç).
Ethan fuçou as gavetas e tirou de lá um vestido preto curto e com uns babados na saia, e um avental verde do Starbucks.
Pronto, Annabeth. Você começa amanhã.
Eu saí da sala do gerente e da cafeteria. Nem me toquei que já eram 8:00 p.m. Voltei correndo para casa, peguei a correspondência (tinha carta até de 2008, acho que meu tio não pega essas coisas) e me arrastei cinco lances de escada acima até chegar no 500.
Ei, tio, você não pega sua correspondência? — perguntei, jogando as 60 cartas alojadas em sua caixinha de correio em cima da mesa.
Gavin fazia isso para mim — ele respondeu. — Recebo tudo no meu e-mail, descer até lá dá muita preguiça.
Eu sei, deviam colocar um elevador aqui.
Meu tio revirou os olhos.
Conseguiu o emprego?
Aham — respondi. — Começo amanhã, das 6:00 p.m. até as 02:00 a.m.
02:00 A.M.? — ele indagou. — QUE TIPO DE EMPREGO DE GARÇONETE VAI ATÉ DUAS HORAS DA MATINA?
O emprego no Starbucks — eu respondi, simplesmente. — Eu já sei me cuidar, tio, obrigada. E mais, não é tão longe aqui do Brooklyn.
Meu tio foi até o seu quarto, sem falar mais nada. Poucos segundos depois, ele voltou com uma arma. Jogou o revólver no meu colo e eu o encarei perplexa.
O qu...?
Leve ela pro seu trabalho, está me entendendo? É uma Colt Cadet 22, com silenciador. Se algum babaca vier pra cima de você...
Porque você está tão fora de si? Eu não posso andar por aí carregando uma arma! O que o meu chefe vai achar?
O que, ele tem detector de metal por algum acaso?
ARES!
Escuta, Annabeth — ele rosnou, e eu recuei. — Você não sabe os meus motivos. Muita coisa já aconteceu nesse prédio com meninas que andavam sozinhas depois da meia-noite. Você vai andar com essa merda quando for sair à noite. Estamos entendidos?
Eu assenti, e pela primeira vez na vida fiquei com um pouco de medo. Eu nunca vi o meu tio, nem ninguém da minha família daquele jeito. Ele estava possesso.
Porque você está agindo assim? Ao menos me conta porque você quer que eu ande armada!
Ares se sentou e levou as mãos à cabeça. Ele se sentou ao meu lado e ficou encarando o nada, como se estivesse procurando as palavras certas.
Annabeth, eu aposto que a sua mãe te tratava com desprezo na California, ficava dias fora... Certo?
Eu assenti.
Acho que ela não menciona muito o seu pai, menciona?
Não, mas isso foi só porque ele abandonou ela quando...
Tem certeza que foi o seu verdadeiro pai que abandonou ela?
Eu... Hã? Tenho, o Malcolm...
Annabeth, me escute. O Malcolm é seu meio-irmão por parte de pai, que foi morar com a sua mãe. E seu pai... Bem...
O que tem ele? — eu perguntei, segurando as lágrimas.
Escuta, quando sua mãe era jovem, ela morava comigo. Devia ter um pouco mais do que 20 anos, não sei. E... Bem, ela estava voltando para casa e era muito tarde, tipo umas 01:00 a.m...
Isso não é tarde.
Aqui no Brooklyn é. Enfim, ela estava chegando, e eu não estava em casa, e... — ele socou a mesa com força, morrendo de raiva. — Quando ela chegou, um idiota qualquer...
Eu achei que o meu tio fosse chorar, sério. Ele pôs as mãos no rosto.
Atena foi estuprada, Annabeth. É por isso que ela fica longe de você, ou tenta evitar qualquer tipo de contato. Sua mãe é muito rancorosa. É por isso que ela é a única da família Olimpus que mora na California.
Mas... Ela... Porque eu me chamo Annabeth Chase, então?
Na época ela estava namorando Frederick, e convenceu-o de que o bebê era dele. Quando Malcolm chegou, com uns 10 anos, o seu pai obrigou ela a cuidar dele, ou ia matar ela e Frederick. Atena disse que Malcolm era um sobrinho dela. Quando você tinha cinco anos, Frederick descobriu tudo, alegou ter uma família falsa e largou sua mãe.
Você está mentindo — eu disse, com lágrimas nos olhos. — VOCÊ ESTÁ MENTINDO.
Não, eu não estou.
Saí correndo até o meu quarto, e me tranquei lá, ainda chorando.
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