Backstage

15 Capítulo XV


Notas iniciais
Oi, meus amores! ❤ Dou a minha palavra que tentei atualizar antes do Natal, mas os preparativos para as festividades, confraternizações, as movimentações de familiares chegando e outros compromissos tomaram meu tempo. Talvez este seja o último capítulo de 2017. Não vou fazer promessas de atualizações ainda essa semana, porque as mesmas movimentações que antecederam o natal reincidem antes do Ano Novo. Vou então me antecipar e já desejar um feliz 2018 a todos, se eu conseguir postar o capítulo seguinte até domingo, reitero os votos. Obrigada a todos pela companhia, vocês foram minha força em 2017, vocês nem podem mensurar, sempre me transmitindo boas energias e muito amor. Que 2018 traga muito amor e muita luz a cada um de vocês, e também saúde, paz e prosperidade. Que os sonhos de vocês se realizem. ❤ Espero ter a honra de continuar desfrutando da companhia de vocês na reta final deste projeto e também nos projetos que terão continuidade e os que estão por vir. Quero dedicar o capítulo de hoje para as maravilhosas Alex (Alexandria Rogers Wayne) e pra LuhW. Tenham uma ótima leitura! Amo vocês! ❤ Kisses❣

Bruce chegou à residência das irmãs Prince por volta de 20h15. Não era de seu feitio atrasar-se, mas ele precisou fechar um inquérito sobre tráfico de entorpecentes mais cedo e terminar de ler alguns relatórios recém-obtidos sobre o caso de Diana. Se ele poderia deixar isso para o dia seguinte? Certamente. Mas o zelo do detetive por sua profissão era inquestionável, sem contar que tinha planos melhores para o fim de semana, se a noite corresse dentro do que ele previa.

Previsibilidade era, sem dúvida, algo que não combinava com Diana Prince. Ela era uma avalanche de reações fortes e inesperadas, e somente se Bruce fosse um homem-máquina poderia se isentar de ser arrebatado por ela. Ele estava decidido a manter a mesma postura dos últimos dias: reativa. Mas era praticamente impossível não sustentar uma expectativa mínima em relação à Diana, depois de um convite para acompanha-la em um evento que os exporia abertamente para amigos, sociedade e imprensa. Ela devia saber o que estava fazendo, ao menos era o que Bruce esperava.

Diana também esperava estar fazendo a coisa certa, sua insegurança não podia afetar sua maturidade, ela decidiu, depois de ter convidado Bruce para acompanha-la. Com um esmero além do habitual, ela se arrumou externamente e internamente para o evento, sendo incapaz de dominar sua inquietação durante os quinze minutos que Bruce se atrasara. Ela repetiu ao menos cinco vezes que ele não viria mais, que tê-la deixado esperando seria sua retribuição por toda insolência e resistência com a qual o tratou. Donna, ciente de que Bruce chegaria a qualquer instante e cúmplice do detetive, apenas se divertiu com a insegurança da irmã, satisfeita em vê-la reagindo pra vida, esperançosa de ver que Diana poderia ser feliz como merecia.

O som do motor do carro silenciando ao estacionar em frente a residência das irmãs Prince foi o estopim para o coração de Diana acelerar e as palmas das mãos suarem. Entretanto, ela assumiu uma postura impassível, não queria parecer uma adolescente, especialmente diante do olhar divertido da irmã.

Ela desceu as escadas com graciosidade e lentidão, disfarçando sua satisfação ao ver o olhar devotado de Bruce. Não que ela não estivesse olhando da mesma forma para ele, perfeitamente alinhado em um smoking de alfaiataria italiana, assinado por Enzo D’orsi, e exalando virilidade com aquele maxilar enrijecido e os lábios alinhados em um meio sorriso presunçoso.

“Deus, ele é lindo!” Ela pensou, sentindo o coração alterar o ritmo quando ele beijou sua mão, como um perfeito cavalheiro.

Donna despediu-se do casal e os desejou sorte com o olhar. Esperava que nenhum dos dois estragasse a noite. Fez até promessa para que tudo corresse bem.

Diana teve tempo de desconfiar de um aceno de cabeça trocado entre Bruce e a irmã, mas estava preocupada demais em não ser implicante para questionar qualquer um dos dois. Apegou-se ao fato de que a irmã a amava e que aquilo era apenas uma recomendação a Bruce, longe de ser uma tramoia ou algo que estivessem ocultando dela. Estava indo para uma festa, em clima de encontro com o homem que revirara completamente seus sentimentos, seu objetivo, no mínimo, depois de dias tão difíceis, era se divertir. Ela lembrou-se, percebendo que Bruce esperava um mínimo de retribuição dela esta noite.

― Você vai bater o carro, Bruce! – Diana alertou, na décima vez em que o detetive distraiu-se da direção, para admira-la no banco do carona do Aston Martin.

Como ele não iria se distrair? Pensou, observando aquela pintura de mulher ao seu lado, exalando graça ao corar diante de seus olhares e perigo ao fita-lo com aqueles olhos azuis flamejantes. O look, um blazer da label Cinq a Sept estilizado em mini vestido, deixando as pernas longilíneas e torneadas à vista, e um decote generoso em destaque no colo perfeito, também não ajudava muito para que ele se concentrasse no trânsito.

Ele fingiu não ter ouvido a repreensão, voltando sua atenção para o trânsito. Antes, porém, teve tempo de vê-la abrir um sorriso gracioso, emoldurando o belo rosto destacado por uma maquiagem suave e os cabelos semi presos.

Para sorte de Bruce, o trajeto da casa de Diana ao Planet Lounge Hall – Espaço de eventos da Planet TV – era curto. Pois, em menos de dez minutos, ele sentiu vontade de estacionar o carro por diversas vezes e beija-la, antes de mudar de rota e fugir com ela para um chalé nas montanhas, onde passariam uma noite regada a um bom vinho, boa música e muito amor. “Paciência, Wayne. Paciência!” Ele repetiu inúmeras vezes, ciente de que não deveria se empolgar demais com a abertura que Diana estava lhe dando.

Bruce estava disposto a relaxar e proporcionar à Diana uma noite incrível. Mesmo preferindo muito mais um jantar a dois do que um evento badalado. Ele faria do seu jeito depois, decidiu. Por hora, esse evento era o que os dois precisavam, tanto para aparar as arestas crescidas entre eles, como para se desconectarem um pouco da condição de detetive e cliente. Ao contrário do último evento em que acompanhou Diana, não estava disposto a investigar ninguém. Ficaria atento, mas seu foco era a princesa ao seu lado, sua missão era fazê-la sorrir. Além disso, aquela noite seria decisiva para continuar alimentando seus sentimentos ou simplesmente ater-se às suas responsabilidades como detetive.

Para sua surpresa, a noite começou melhor do que esperava. Ao deixarem o carro nas mãos do valet e seguirem para entrada da festa, Diana tomou a liberdade de segurar na mão de Bruce ao caminharem pelo corredor de acesso, enfeitado por jornalistas em ambos os lados, sem se importar com inúmeras especulações a respeito da relação estabelecida entre eles.

― O que isso significa? – Bruce tomou a liberdade de perguntar, já dentro do espaço destinado ao evento.

― Que estamos juntos. – Ela olhou para as mãos entrelaçadas e depois para o olhar desconfiado de Bruce.

― Como namorados? – Ele arriscou, vendo-a se retrair um pouco.

― Como um homem e uma mulher que estão se conhecendo melhor. – Ela definiu e ele deu-se por satisfeito. Isso já era um bom começo, especialmente depois das inúmeras desfeitas que ela lhe fizera.

(...)

A festa de aniversário da Planet TV era sempre um evento grandioso, onde todos os profissionais da emissora, de todos os setores, eram convidados a comemorar juntamente com seus familiares, em um coquetel requintado, com direito a show musical e atrações paralelas para todos se distraírem. Clark Kent, dono da emissora, sempre fazia questão de uma festa em clima familiar, para lembrar a todos que o sucesso da emissora dependia da união e harmonia de sua equipe.

Bruce estava sentado à mesa do amigo, ao lado de Lois Lane e de Martha Kent, enquanto Clark discursava para seus colaboradores e Diana gravava algumas participações nos bastidores, para outros programas da emissora.

― Ele continua com essa mania de discurso. – Bruce soltou um suspiro exasperado, sem prestar muita atenção no que o amigo falava.

― Acredite, ele melhorou bastante depois que nos casamos. Ultimamente não ultrapassa dez minutos falando. – Lois defendeu o marido e Bruce tomou um pouco de água e respirou fundo, varrendo salão de eventos com os olhos à procura de Diana. ― O que há entre você e Diana? Além de uma investigação, é claro. – Lois seguiu o olhar de Bruce e não conteve a curiosidade.

Bruce fingiu não ter ouvido a pergunta, mas Lois era perspicaz o suficiente para perceber a troca de olhares mútua entre a apresentadora e o detetive. Havia um interesse genuíno ali e a jornalista não pode deixar de sentir um alívio. Ficaria bastante feliz se Diana tivesse um namorado. Isso abafaria os comentários maldosos sobre ela ser a queridinha de Clark na emissora e que os dois teriam um caso.

Lois confiava plenamente na fidelidade de Clark, mas como qualquer mulher normal na América, era impossível não sentir uma pontinha de insegurança ao ver Diana Prince ter a admiração de seu marido. Diana era o tipo de qualquer homem: bela, corpo escultural, carismática, competente e naturalmente sexy, sem contar o caráter e o coração generoso. Uma unanimidade. Estranho seria se um homem como Bruce Wayne não se apaixonasse por ela, Lois pensou, ainda percebendo toda atenção de Bruce voltada para Diana, que agora estava no palco, ao lado de Clark, para anunciar a atração musical da noite.

Diana estava aliviada que cumprira suas obrigações contratuais da noite e poderia finalmente desfrutar da companhia de Bruce. Enquanto era entrevistada e gravava imagens para outros programas, não pode deixar de notar o quão assediado Bruce era pelas atrizes da emissora enquanto circulava pelo salão. Um sentimento de posse a invadia, cada vez que uma daquelas revelações siliconadas, que protagonizavam as séries produzidas pela emissora, aproximava-se do bilionário oferecendo uma bebida e puxando assunto.

O desejo de Diana era se colocar ao lado dele, circular os braços em seu pescoço e mostrar que ele já tinha dona, pelo menos aquela noite. Seu alívio era que Bruce parecia pouco se importar com as investidas que recebia. Embora simpático, ele não demorava dois minutos para se livrar daquelas alpinistas oferecidas, que valiam-se de insinuações nada sutis para chamar sua atenção.

Os olhos de Bruce eram todos para Diana, assim como o olhar dela era todo para ele. Ela percebeu isso no palco, vendo o desejo brilhar nos olhos dele, enquanto pronunciava algumas poucas palavras em nome dos colaboradores da Planet TV. Ela o queria, ela pensou, sentindo o corpo queimar com os olhos dele sobre ela. Bastava ele respirar e seu coração pulsava no ritmo que a presença dele ditava. Por pouco ela não tropeçou nas palavras ao anunciar o show de George Michael.

Enquanto os convidados aplaudiam e o cantor britânico abria o show com o sucesso Careless Whisper, Diana desceu do palco com a ajuda de Clark, sendo surpreendida por Bruce no meio da pista de dança, delimitada em frente as mesas posicionadas para os convidados.

― Ótima escolha musical, Kent. – Bruce cumprimentou o amigo.

― E ainda tem uma surpresa. – Clark ampliou o sorriso, dando um tapinha nada sutil nas costas de Bruce.

Ignorando a empolgação do amigo, Bruce voltou-se para Diana, ansiosa com os olhares de todos ao redor sobre eles, no centro do salão. Beijando a mão da morena, antes de lhe fazer uma proposta, Bruce encarou profundamente os olhos azuis.

― Dança comigo? – Diana entreabriu os lábios, surpresa e desconcertada.

― Mas ninguém está dançando ainda. – Ela olhou em volta e encarou o olhar nenhum pouco preocupado de Bruce.

― Alguém precisa começar. – Sem tempo a perder, ele a envolveu pela cintura, antes que ela respondesse.

Diana iria argumentar, tentar uma evasiva, mas quando sentiu a troca de calor entre seus corpos, o aroma amadeirado do perfume de Bruce invadir seus sentidos, sem poder se controlar já estava seguindo o ritmo lento e insinuante que ele ditava ao conduzi-la.

― Você precisa ser sempre imprevisível? – Os olhos se encontraram por um instante e ela tentou decifrar se era essa imprevisibilidade de Bruce sua principal fraqueza.

― Uma mulher como você não seria atraída pelo comum. – Ele justificou-se, colando mais seus corpos e dando à Diana a sensação de que poderia levitar em seus braços.

Ela fechou os olhos, permitiu-se esquecer que eram o centro das atenções e dançou, relaxando lentamente nos braços de Bruce.

Os olhares dos convidados dividiam-se entre a apresentação musical e o clima de romance entre o casal na pista de dança. Alguns estavam surpresos, outros decepcionados, por terem interesse em Bruce ou em Diana, e outros ainda vibravam, como Clark, feliz por ver dois amigos se dando tão bem e sabendo o quanto os dois mereciam ser felizes. Apenas um olhar, perdido em meio a multidão, fulminava o casal, à espreita, reforçando sua promessa de que Diana Prince nunca seria feliz.

A primeira canção terminou e Diana lamentou que tivessem começado a dançar já na metade da execução da mesma. Prestes a deixar a pista de dança e voltar para sua mesa, o casal foi surpreendido por George Michael, que convidou Paul McCartney, uma participação especial da noite, para cantar Heal The Pain ao seu lado e dedicou a música para Diana e Bruce.

Convidados pelos músicos, outros casais se animaram a dançar ao lado do detetive e da apresentadora, mas mesmo que continuassem sozinhos, Diana já não se importava em ficarem evidência perante os olhares dos colegas e demais presentes. Ela queria mais do aconchego que os braços de Bruce lhe proporcionava.

Deixe-me contar um segredo

Coloque em seu coração e deixe lá

Algo que quero que você saiba

Faça uma coisa por mim

Ouça minha pequena história

E talvez teremos algo para compartilhar

Quando a música começou, com naturalidade, Diana ergueu os braços até o pescoço de Bruce, o envolvendo, e sorrindo quando ele deslizou as mãos até os seus quadris, trazendo-a mais para perto, antes de subi-las para sua cintura e voltar a conduzi-la em um ritmo sensual.

Você me diz que é insensível

Como pode o mundo aqui fora

Ser um lugar que seu coração se identifica?

Seja boa para você mesma

Porque ninguém

Tem o poder de te fazer feliz

― Não pensei que dançasse tão bem. – Ela sussurrou no ouvido de Bruce, a voz melodiosa e sedutora, sem noção do perigo que corria em atraí-lo ainda mais.

― Você sabe muito pouco sobre as minhas habilidades, princesa. – Bruce a olhou nos olhos, sentindo-a repentinamente tensa com a provocação. ― Relaxe. – Ele pediu, dando um beijo no pescoço de Diana, que em nada contribuiu para que a corrente elétrica frenética que percorria seu corpo se dissipasse. ― Dançar é o melhor que posso lhe oferecer, até poder fazer amor com você.

Como posso te ajudar?

Por favor, deixe-me tentar

Posso curar a dor

Que você está sentindo aí dentro

O que você quiser de mim

Você sabe que serei

Esperando pelo dia

Que você dirá que será minha

Diana sentiu-se como se um raio a atingisse, apertou com força as costas de Bruce, como se buscasse apoio. Deus, ele quer me enlouquecer, ela pensou, sentindo uma miríade de emoções envolvê-la. Para atordoa-la um pouco mais, ele aproximou seus lábios dos dela, roçando de leve sua boca em seu queixo e mordendo seu lábio inferior em provocação.

Ofegante, Diana desviou o rosto, enterrando-o contra o ombro de Bruce, tentando prestar atenção na letra da canção, a fim de não perder o juízo.

Ele deve ter te machucado muito mesmo

A ponto de você dizer o que diz

Ele deve ter te machucado muito mesmo

Para fazer seus lindos olhos ficarem tão tristes

A alternativa de Diana não surtiu o efeito esperado. Não quando ela podia sentir Bruce enterrando o rosto na curva de seu pescoço e depois cantando com uma voz grave e sexy em seu ouvido. Ela não ouvia mais a voz de George e Paul, apenas Bruce falando diretamente ao seu coração.

Ele deveria saber

Que ele poderia

Fazer com que você nunca o deixasse

Agora você não vê que meu amor é verdadeiro?

E que eu não sou ele

Era impossível Diana não admitir que aquela letra se encaixava perfeitamente em sua história. E Bruce se apropriara disso, daquele momento, para atrai-la completamente para si. O coração de Diana martelava forte contra o peito, despindo-se emocionalmente ao sentir as mãos de Bruce arrastando-se lentamente por suas costas, carinhosamente.

O medo tentou tomar voz dentro dela, mas a melodia calma, a sutileza da dança e o toque preciso de Bruce foram um calmante poderoso para que ela ouvisse o amor renascido dentro dela chamar sua atenção. Ela queria ser feliz, precisava se libertar e sua condicional estava nos impulsos que sentia vindos do peito de Bruce.

Como posso te ajudar?

Por favor, deixe-me tentar

Posso curar a dor

Que você está sentindo aí dentro

O que você quiser de mim

Você sabe que serei

Esperando pelo dia

Que você dirá que será minha

Bruce ouviu quando um soluço escapou dos lábios de Diana, sentiu um leve tremor de seu corpo e preocupou-se. Seria apenas comoção ou arrependimento? Ele não era capaz de deduzir. Lágrimas não faziam parte de seu objetivo para aquela noite. Queria vê-la sorrir. Queria que ela o aceitasse, mas não como uma imposição.

― Podemos parar se você quiser. – Ele sugeriu, quando olhou-a nos olhos e viu lágrimas pendendo discretamente em sua face.

― De modo algum. – Ela deu um meio sorriso, colando seu rosto ao de Bruce, quando ele secou gentilmente uma lágrima que escorria por sua bochecha com um beijo.

Você me deixaria entrar?

Deixe esse amor começar

Não vai mostrar seu coração agora?

Serei bom para você

Posso fazer disso verdade

Mostre seu coração agora

Bruce amparou as costas de Diana com mais firmeza, sem perder a sutileza dos passos enquanto dançavam. Seu desejo era que ela se sentisse abrigada, que soubesse que sua exposição naquele momento era algo que ficaria apenas entre eles.

O gesto simples e preciso foi o suficiente para Diana respirar fundo e se recompor aos poucos. Ela desejou em silêncio que ele a beijasse, que permitisse que ela se derramasse completamente enquanto se alimentava de seus lábios. Como ele não o fez por iniciativa própria, ela pediu.

― Bruce... – Ela aguardou que ele respondesse com um murmúrio em seu ouvido. ― Me beije. – Ela fechou os olhos em antecipação.

Quem precisa de um amor

Que não pode ser seu amigo?

Algo me diz que eu sou aquele que você procura

Caso você o veja

Você diria que achou alguém que lhe dá mais?

Bruce puxou levemente os cabelos de Diana, forçando-a inclinar a cabeça para trás. Ele queria olhar nos olhos dela, certificar-se de que ela tinha certeza do que pedia, mas ela não os abriu. Inebriada pela música e pelo toque dele, Diana buscou seus lábios às cegas, dando-lhe permissão para cobrir a boca dela com a sua.

Alguém que te irá proteger

Te amar e respeitar

E tudo mais

Que ele não pôde te dar

Como eu faria

Ou prefiro

Que você mostre seu coração como deveria

O beijo começou leve, com um roçar dos lábios de um contra o outro, e um deslizar lento das línguas em busca de passagem para o interior das bocas, se reconhecendo. Os passos se moveram mecanicamente ao som da música, as línguas é que regiam uma nova sinfonia, de acordo com o ritmo estabelecido pelos corações de Diana e Bruce.

Como se uma névoa entorpecente os cobrisse, aos poucos o beijo se tornou ávido, a mudança de ângulos e a profundidade se intensificaram, e em poucos segundos era como se eles tivessem sido transportados para um lugar onde apenas se ouvia o trovejar dos batimentos cardíacos descompassados.

Como posso te ajudar?

Por favor, deixe-me tentar

Posso curar a dor

Que você está sentindo aí dentro

O que você quiser de mim

Você sabe que serei

Esperando pelo dia

Que você dirá que será minha

Em algum momento eles já não dançavam mais. Ocultados pelos muitos casais que continuavam seguindo o ritmo da música, eles apenas se beijavam, como se dispusessem de toda privacidade que precisavam naquele momento.

Bruce sentiu que Diana era sua, com todas as resistências e com toda dor que carregava, a forma que os lábios dela o reivindicava lhe garantia que ela finalmente acreditava nele ou queria muito acreditar.

Trazendo uma de suas mãos para a nuca dela e mantendo a outra em suas costas, ele a beijou sem reservas, deixando-a sentir o quanto ela o incendiava e o quanto podia o colocar em equilíbrio, permitindo que ele não se excedesse em nenhum momento. Ao mesmo tempo em que correspondia à sede dela, ele a trazia de volta para realidade, acalmando-a com carícias sutis e aconchegando-a mais entre seus braços.

Deixar-me entrar

Deixe esse amor começar

Não vai mostrar seu coração agora?

Serei bom para você

Posso fazer disso verdade

E chegar ao seu coração de alguma forma

A música acabou e foi o som dos aplausos que retirou Diana do transe em que a dança e a entrega gradativa ao sentimento lhe colocou. Ela olhou para um Bruce sério, preocupado, mas receptivo, e sorriu.

― Eu acho que teremos que terminar essa dança mais tarde. – Ele deu um selinho nos lábios de Diana.

― Eu acredito que sim. – Ela deu um sorriso nervoso e ele não disfarçou a surpresa em seu olhar. ― Acho que preciso de uma bebida. – Ela descontraiu, puxando-o para fora da pista de dança e apanhando uma taça de champanhe na bandeja de um garçom que passava.

(...)

Diana e Bruce dançaram mais duas músicas, sentaram-se, fizeram companhia à senhora Kent, cumprimentaram alguns amigos e conhecidos, conversaram sobre assuntos triviais e com o passar do tempo se pegaram rindo de alguns jornalistas que perderam a compostura na pista de dança graças ao teor de álcool no sangue.

O evento seguiu o desenrolar padrão de qualquer festa e os dois estavam bastante à vontade um com o outro, embora compartilhassem do mesmo desejo de ir embora dali. O clima estava ótimo, o show maravilhoso, mas descontração não era mais a necessidade de ambos. Eles precisavam de privacidade, de silêncio, de olhar nos olhos um do outro e conversarem francamente.

O único empecilho para realizarem seus desejos, era o fato que Diana precisava esperar o fim do show, para fazer uma rápida entrevista com Paul e George, que seria exibida em seu programa durante a semana seguinte.

Quando a apresentação musical estava próxima de seu fim, Diana pediu que Bruce a acompanhasse até o camarim, montado nos bastidores do espaço de eventos, para que ela pudesse fazer a entrevista, e aguardassem que o show terminasse por lá. Seria uma boa oportunidade para ficarem a sós e mais à vontade.

No caminho para o camarim, cruzaram com o jovem Wally West, que parecia nenhum pouco em clima de festa.

― Oi, Wally. – Diana parou para cumprimenta-lo, abrindo um sorriso iluminado.

― Oi. – O ruivo respondeu entredentes, desviando-se do casal e lançando um olhar nada amistoso em direção a Bruce.

Diana chamou o estagiário, preocupada com a atitude hostil e incomum, mas Bruce a convenceu de que era melhor deixa-lo ir. Diana discordava, especialmente por sempre achar Wally um rapaz dócil e gentil, entretanto ela não podia correr atrás dele, depois de ter sido completamente ignorada após tentar atrair sua atenção.

― A festa foi melhor do que eu esperava. – Bruce comentou, quando chegaram ao camarim e Diana se preparava para receber os artistas.

― O que você esperava?

― Um show country. – Ambos riram. ― E uma Diana arredia. – Ele complementou e Diana diminuiu o sorriso.

― Clark trouxe um show country no ano passado. Pelo que sei, ele costuma variar as atrações musicais. – Ela defendeu o chefe. ― Já quanto a mim... – Ela suspirou, não conseguindo prosseguir quando Bruce se aproximou dela.

Bruce acariciou o rosto de Diana, beijou sua testa e arrastou suas mãos pelos braços dela, satisfeito que ela não desviou seu olhar do dele.

― Por que mudou de opinião a meu respeito?

Ela demorou a responder. Em parte pela dificuldade de encontrar as palavras certas e em parte pela dificuldade em se abrir verbalmente. Era mais fácil se expor em uma dança e em um beijo, ela pensou, cogitando a hipótese de beijar Bruce mais uma vez. Contudo, sabia que ele precisava ouvi-la, que ele queria sentir a convicção em suas palavras.

― Você continua sendo um policial e eu uma mulher desiludida. Mas eu tenho de admitir que nunca conheci um homem como você. – Ela confessou. ― Além disso, estou cansada, Bruce. Cansada de ser forte o tempo todo. Cansada de me contentar com pouco, cansada de fugir de você. Não pense que isso significa que ao sairmos daqui vou me jogar na sua cama ou que serei mais fácil do que costumo ser habitualmente. Mas não sou mais capaz de fingir que não o quero.

― Tudo bem. Eu nunca tive pressa. – Ele se afastou um pouco, colocando as mãos nos bolsos da calça. ― Não vou pressiona-la. Precisava apenas ter certeza que tenho uma chance real de que será minha.

― Você a tem. – Ela se aproximou, colando seu rosto ao dele e beijando-o rapidamente. ― Não vou negar o que sinto, Bruce. Só preciso que acompanhe meu ritmo.

Ele assentiu, satisfeito e cauteloso, sentando-se em uma poltrona em seguida, enquanto a observava testar microfone e retocar a maquiagem para a entrevista. Como boa profissional que era, ele a viu se concentrar, preparar-se psicologicamente para fazer o que amava e fazer bem feito.

Procurando as fichas com perguntas que havia separado para entrevistar os cantores, Diana surpreendeu-se com uma folha branca deixada entre elas, quando as encontrou fora do lugar. Não se lembrava de ter deixado aquele papel avulso por ali, muito menos de ter trocado as fichas de lugar.

Não era nada com o que devesse se preocupar, ela pensou erroneamente, antes de virar o papel em sua mão e ler o que estava escrito nele. Um frio percorreu sua espinha e os pulmões queimaram quando ela parou de respirar. Ela fechou os olhos, pensando ser um devaneio, mas quando abriu-os novamente a mensagem estava lá, grande e legível.

― Está tudo bem? – Bruce questionou, depois de nota-la imóvel e silenciosa tempo demais. ― Diana? – Ele tocou no ombro dela, girando-a lentamente para si, vendo o terror em seu olhar.

Diana olhou para a porta do camarim fechada, olhou se havia alguma elevação por detrás das cortinas, tremeu e se jogou nos braços de Bruce, deixando o papel em sua mão cair no chão.

― Por Deus, eu pensei que esta noite teria paz. Pelo menos esta noite. – Ela chorou, molhando o paletó de Bruce. ― Ele está aqui, Bruce. Aqui.

Bruce a apertou em seus braços, voltando os olhos para o chão e lendo a mensagem que deixou Diana completamente abalada.

“QUERO OUVIR SEUS GRITOS ANTES DE MATA-LA”

Bruce praguejou mentalmente o infeliz que deixara aquele recado, sentindo a fúria percorrer-lhe o sangue.

― Ninguém vai tocar em você, ouviu? Ninguém vai passar por mim. – Ele prometeu, beijando a têmpora de Diana e tentando acalma-la.

Notas finais
Continua! Link da canção Heal the pain, usada para embalar Diana e Bruce neste capítulo. https://www.youtube.com/watch?v=IaKhhjSUk64