Backstage

10 Capítulo X


Notas iniciais
Olá, detetives de plantão. Domingo terminando, uma nova semana começando e eu desejo dias incríveis a cada um de vocês. Alguém aí com saudades do detetive Wayne ou da apresentadora mais badalada dos anos 90? Se sim, aproveitem um capítulo cheio de interação entre eles. Nos capítulos seguintes tentarei já trazer novos cenários e novos personagens como Martha Wayne. Uma ótima leitura a todos! Kisses❣

Donna sentiu vontade de jogar o despertador pela janela, quando o som estridente de despertar ressoou pelo quarto, lembrando-lhe que tinha aula pela manhã. Prática, sabia que permanecer na cama por mais alguns minutos só aumentaria sua preguiça e lhe renderia um belo atraso – nada recomendado para quem tinha prova no primeiro horário.

Com um salto, se colocou de pé ao lado da cama, espreguiçando-se e tentando acostumar-se com a claridade que iluminava o quarto pela fresta deixada entre a cortina e a janela. Curiosa quanto a cara do dia, aproximou-se da janela para tentar prever se a manhã teria uma temperatura agradável. Havia um vestígio de sol por sob as nuvens grossas, mas a brisa da manhã assobiando contra a vidraça lhe confirmou que o mais prudente seria sair bem agasalhada.

Contudo, não foi confirmar que a previsão do tempo estava certa que lhe deixou incomodada. Havia alguns carros parados em frente a casa, que logo a fez reconhecer que se tratavam de jornalistas. Pelo visto, a matéria que havia vazado no jornal da cidade ganhara repercussão rapidamente, ela concluiu. E se não bastassem as preocupações com o louco que vinha perseguindo Diana, agora tanto ela como a irmã teriam que driblar especulações e lidar com o importuno da impressa tentando vender notícias a qualquer custo.

Ela pensou no desconforto de Diana quando acordasse e desse de cara com aquele plantão em frente a casa. Esperava que pudessem encontrar uma forma de manter a privacidade num momento que já era delicado sem palpiteiros e notícias sensacionalistas para tumultuar. Talvez se ela saísse no carro da irmã, pudesse despista-los ao menos esta manhã, de costas elas eram praticamente iguais. Ela cogitou a hipótese, enquanto deixava o quarto.

Distraída, Donna desceu as escadas, sonolenta, mal reparando no cobertor deixado sobre o sofá, enquanto falava sozinha sobre direito penal, relembrando a matéria que cairia na prova de hoje. Tudo que desejava no momento era uma boa xícara de café para acordar seus neurônios e preparar-se para um longo dia acadêmico.

Ao entrar na cozinha, notou uma pistola sobre a mesa e deu um grito quando viu metade do corpo de um homem oculto pela porta da geladeira entreaberta. Ela tateou o armário em busca de algum objeto para se defender, apanhando um garfo de carnes como arma. Ela tentou lembrar-se da motivação da mãe para ser sempre corajosa e impulsionou-se contra o estranho, mas, para sua sorte, seu impulso final foi levar a mão ao coração quando o detetive Wayne se revelou para ela.

― Detetive Wayne? – Ela questionou confusa e aliviada.

― Bom dia, senhorita. – Ele fechou a porta da geladeira e apanhou o garfo que ela deixou cair no chão. ― Vai cozinhar tão cedo? – Ele foi irônico e ela se deu conta do quanto foi estúpida ao pensar em atacar alguém com um garfo.

Disfarçando seu rubor, Donna fechou o robe que usava sobre a camisola e correu os dedos sobre os cabelos despenteados, tentando entender o que o detetive encarregado do caso de sua irmã fazia em sua cozinha àquela hora da manhã.

Se não conhecesse bem demais sua irmã, deduziria que ele teria sido seu convidado a passar a noite ali, mas sabendo da resistência da irmã para romances nos últimos anos e o fato de Bruce ser um policial, ela não deixou que essa possibilidade se firmasse em sua mente nem por dois segundos.

― Por que está aqui? – Ela foi objetiva.

― Precisava de um café. – Bruce puxou uma cadeira e sentou-se à mesa. ― Fiz uma vigília particular nesta casa durante a madrugada.

Donna correu os olhos pela cozinha e percebeu a cafeteira fora do lugar e nem um sinal de que Bruce havia passado perto de encontrar o pó de café.

― Deixe o café por minha conta. – Ela abriu um armário e Bruce fez uma nota mental de prestar mais atenção onde Alfred guardava as coisas em casa. ― Enquanto isso, diga-me, qual foi o último acontecimento para que Diana permitisse que passasse a noite aqui?

Bruce analisou a jovem Prince antes de responder, tendo notado uma dose de preocupação extra na voz dela. Porém, percebeu como Donna era parecida com Diana em tentar se manter firme diante de uma situação difícil, externamente ela parecia controlada, somente um escrutínio demorado levaria um leigo a perceber que a mais jovem não era tão habilidosa em disfarçar a tensão em suas feições. A vantagem dela em relação a Diana, era que Donna estava mais aberta a dialogar, ao invés de ignorar os fatos.

Antes, porém, que o detetive relatasse os acontecimentos da madrugada o telefone tocou. Naturalmente, Donna levou a mão ao aparelho instalado na cozinha para atender, mas Bruce já estava ao seu lado antes que ela o fizesse.

A jovem assustou-se quando a mão de Bruce deteve a sua e arregalou os olhos, se dando conta do que significava a reação do detetive, provavelmente era o psicopata ligando e pensar nisso fez Donna sentir medo e raiva. Bruce fez sinal para que ela ficasse quieta e tirou o telefone do gancho, porém, quando levou o aparelho ao ouvido, percebeu que Diana já havia atendido em seu quarto.

Ignorando o sinal que o detetive fizera para se afastar, Donna colou seu ouvido junto ao de Bruce, ouvindo pela primeira vez a voz e os horrores que saíam da boca da pessoa que vinha atormentando sua irmã constantemente.

Mais ameaças, deboche e ofensas asquerosas. Donna sentiu nojo e raiva, apertou sem perceber o braço de Bruce ao ouvir a voz de desespero de sua irmã, enquanto a voz do outro lado da linha relatava que ficaria cada dia mais perto, mas que não permitiria que Diana o visse como permitiu esta madrugada. A mais jovem entendeu então o motivo da presença do detetive ali e sentiu vontade de se manifestar, xingar e ameaçar o psicopata maldito, mas ela viu no olhar de Bruce que reagir seria pior para sua irmã.

Quando a ligação finalmente caiu, Donna recostou-se no balcão da cozinha, em choque, perdera o apetite, perdera as forças, mal ouviu quando Bruce ligou para o departamento de polícia para averiguar se tinham conseguido rastrear a ligação e esbravejou quando ouviu uma resposta negativa.

― Se vire com o café. Preciso ver a minha irmã. – Donna tentou sair da cozinha, mas Bruce a fez se sentar.

― Diana ficará pior se vê-la nesse estado. – Ele falou sério e, assim como Diana, Donna odiava receber ordens. Percebendo isso, Bruce continuou com o tom de voz mais brando. ― Eu irei falar com ela.

Donna estava com forças o suficiente para teimar, mas algo no olhar de Bruce a fez ceder sem insistência. Ela podia sentir que o detetive se importava com sua irmã, além do que um detetive costuma se importar com sua cliente, e precisou admitir que talvez ele fosse mais apto do que ela no momento para levar algum conforto ao coração de Diana.

― Tudo bem. Apenas tome cuidado, Diana sabe como criar barreiras para afastar um homem ou para mascarar o que está sentido. – Donna o aconselhou.

― Eu já estou ciente. – Bruce trocou um olhar de cumplicidade com Donna e saiu.

(...)

Bruce chegou ao segundo andar da casa e abriu a primeira porta que viu no corredor, descobrindo o quarto de Donna, ao notar a decoração juvenil e bastante livros sobre uma escrivaninha perfeitamente organizada. A segunda porta dava para o quarto de hóspedes, com uma decoração um tanto clássica e poucos móveis.

Ignorando a terceira porta, ele seguiu direto para a porta ao fim do corredor, batendo de leve. Na ausência de resposta, ele dispensou as formalidades e girou a maçaneta, abrindo a porta que, para sua sorte, estava destrancada.

Diana estava sentada na borda da cama, abraçando os joelhos e olhando o nada através da porta de vidro da varanda que tinha visão do jardim. Os cobertores estavam caídos no chão e o telefone fora do gancho, dependurado ao longo da mesa de cabeceira.

Não querendo ser invasivo, Bruce entrou e apenas sentou-se ao lado dela, dando tempo a ela, queria apenas que ela não se sentisse sozinha. Ela estava se segurando, ele podia sentir. Ela estava se contendo, se forçando a não sucumbir. Demorou cerca de cinco minutos até que Diana conseguisse reencontrar sua voz e fosse capaz de falar.

― Você ouviu? – Diana se referiu à ligação, sem encarar Bruce.

― Sim.

― Era ele esta madrugada. Ele está vindo. Eu não posso impedir. – Ela cerrou os punhos com força, lutando para não deixar a voz vacilar enquanto o pânico exigia espaço em seu peito.

― Ele não vai conseguir. Não vou permitir. – Bruce garantiu, sentindo ódio do maldito perseguidor por deixar Diana tão devastada e por estar jogando com sua capacidade investigativa também.

― Ele vai me vigiar, vai esperar que eu esteja só e então vai cumprir tudo que prometeu. – Ela olhou para Bruce com um olhar cortante de medo. ― Não pode ficar ao meu lado o tempo todo, detetive.

― Claro que posso. – Bruce tentou descontrair usando seu charme, mas não surtiu efeito.

― Não, não pode. – Diana levantou-se, andou sem rumo pelo quarto e atirou o telefone pela janela num gesto de profundo desespero. ― Não sei mais o que fazer, não tenho o que fazer. – Ela se olhou no espelho, vendo o reflexo do fracasso em seu semblante.

Bruce também se levantou e a segurou forte pelos braços, forçou-lhe a encara-lo e tentou trazê-la de volta à realidade.

― Pare com isso. Está dando a ele o que ele quer, Diana. Não pode se desesperar, não pode desistir.

Diana fechou os olhos, tremeu os lábios e sentiu o aperto de Bruce se afrouxar enquanto ele acariciava seus braços.

― Preciso de você, detetive. Odeio admitir, mas preciso confiar em alguém, preciso que me ajude. – Os olhos de Diana brilharam com as lágrimas que ela tentava segurar.

Bruce deixou de lado o modus operandi de detetive e a abraçou, deixando-a refugiar-se em seu peito. Apoiou o queixo sobre os cabelos negros de Diana, enquanto ouvia seus soluços abafados contra seu peito e o choro contido eclodir. Ele não falou nada. Sabia o quanto era difícil para Diana se permitir a um momento de desabafo, sabia que não era de palavras do que ela precisava agora, apenas de abrigo.

Ele a abrigou, a envolveu com todo o amor que vinha sentindo por ela e também com todo amor e compromisso que tinha por sua profissão. Não a desampararia em nenhum aspecto. Uma de suas mãos acariciava os cabelos negros e a outra lhe apoiava com firmeza, deixando-a dar vazão a todos os sentimentos que a tomavam no momento.

Quando a sentiu controlada, quando teve certeza que ela estava pronta para olha-lo nos olhos, ele se afastou gentilmente, apenas o suficiente para tocar-lhe o queixo e exigir sua atenção. Os olhos azuis estavam avermelhados, a face ainda molhada e a respiração falha.

Com o polegar ele afastou uma lágrima que ainda repousava sobre a bochecha de Diana e com ternura abaixou um pouco a cabeça para capturar os lábios dela com os seus. Ele a beijou com calma, roçou seus lábios nos dela com paciência, até ela sentir-se a vontade para ceder. Quando ela cedeu, Bruce manteve a doçura, a gentileza, fazendo do beijo um poderoso calmante.

Diana relaxou, correspondeu com emoção e gratidão aquele beijo compreensivo, sem qualquer tipo de cobrança, era apenas um carinho, um gesto de amor. Ela acariciou o rosto de Bruce, passeando os dedos pela barba por fazer, depois o envolvendo pelo pescoço, permitindo-se conduzir por ele, que apenas corria a mão afetuosamente por suas costas. Ela podia sentir seu peito se aliviar, seu coração bater em um ritmo normal e sorriu rente aos lábios de Bruce entre uma troca de posições das bocas.

A rendição momentânea de Diana foi completamente inesperada para Bruce e isso o fez ser cauteloso. Tê-la em seus braços tão entregue mexeu com o seu desejo, mas se concentrou no que Diana precisava e não no que ele queria. Ela precisava de conforto, de cuidado, não de paixão. Embora o perfume dela estivesse se impregnando em seu olfato e seu corpo se agitasse ante a maciez do corpo dela, ele se reprimiu.

Aquela atmosfera era tentadora, a vulnerabilidade dela propícia. Sabia que se conduzisse a situação segundo seus instintos, bastaria deita-la sobre aquela cama ao dispor deles, cobrir seu corpo com o dela e diante da atual configuração ela cederia sem qualquer resistência. Contudo não passaria de uma distração e um alívio temporário, e ele pretendia ser muito mais do que isso para ela.

Quando Diana separou os lábios dos seus, buscando fôlego, ele aproveitou para colocar seus desejos sob controle. Deu-lhe um selinho nos lábios e um beijo na testa e a puxou de volta contra o seu peito, inalando o perfume de seus cabelos.

― Está melhor agora?

Diana apenas assentiu com cabeça, não seria capaz de verbalizar o quão bem estava se sentindo e que tudo o que queria era permanecer assim, nos braços de Bruce, ouvindo o coração dele bater, enquanto ele a acariciava gentilmente.

― Você é um detetive melhor do que eu imaginava, Bruce. – Diana sorriu.

― Você ainda não viu minhas habilidades, Prince. Quando a beijo não tem nada a ver com o meu trabalho. – A voz dele soou um pouco aborrecida e Diana se arrependeu do comentário.

― Me desculpe, eu não quis dizer que entendo isso como seu trabalho.

― Tudo bem! – Bruce separou-se gentilmente dela. ― Estou certo de que você ainda não entende o sentimento que despertou em mim, Diana. Mas terei tempo para convencê-la.

Ela estava recuperada o suficiente para rebater o que considerava um simples flerte, mas ao olhar para Bruce perdeu a fala. Ele estava totalmente descomposto. O cabelo bagunçado, os botões da camisa abertos e o peitoral exposto, bem como o abdômen perfeitamente trincado e tentador. Ela imaginou seus dedos escalando cada gomo daquela barriga, as mãos contornando o peitoral largo e forte, memorizando cada pedaço, e seus lábios marcando o seu pescoço enquanto isso.

Naquele instante ela percebeu o quanto o desejava, sentiu seu estômago gelar e aquilo não era medo. Era atração, desafio. Ela queria aquele homem, não apenas beija-lo ou refugiar-se em seu abraço, ela o queria de uma forma que sequer lembrava ter desejado outro homem. Se fechasse os olhos poderia vê-los rolando em sua cama, dominando-o e sendo dominada. Podia imaginar como seria o toque dele em seu corpo e como ele seria capaz de enlouquecê-la de paixão. Porém, quando reparou as cicatrizes visíveis no tórax dele, voltou a si, lembrando-se do risco, da loucura.

― Oh, Céus. – Ela murmurou para si mesma. ― Você está perdendo o juízo, Diana. – Ela sentou-se na borda da cama e encontrou o olhar confuso de Bruce, pensando que ela estivesse tendo um delírio. ― Eu preciso de um café. – Ela se justificou para ele, quando na verdade o que precisava mesma era de um banho frio.

― Sua irmã está cuidando disso. – Ele observou Diana, despenteada e escondida num pijama surrado de moletom na cor azul, que parecia caber duas dela. Não tinha o apelo de uma camisola de seda ou de uma lingerie rendada, todavia, se ficasse encarando-a por mais um minuto inteiro, quem perderia o juízo seria ele. ― Estarei esperando por você lá em baixo. – Ele saiu, enquanto ainda era capaz, deixando Diana tão atordoada quanto ele devido a tensão palpável que vinha os envolvendo.

(...)

Quando retornou à cozinha, Bruce encontrou Donna já vestida para ir a faculdade. Ela segurava uma xícara de café em uma mão e uma apostila na outra, parecendo tentar relembrar alguns artigos do código penal.

― E então? Como ela está? – A jovem largou o que tinha em mãos, ao se dar conta da presença do detetive, e serviu-lhe uma generosa xícara de café, enquanto aguardava uma resposta.

― Abalada. – Bruce puxou uma cadeira e sentou-se. ― Mas pelo menos conseguiu desabafar. – Ele informou-lhe e Donna arqueou uma sobrancelha, surpresa.

― Você deve ser muito bom no que faz, detetive, ou talvez realmente Diana tenha gostado de você, dificilmente ela desabafa comigo que sou irmã dela. – Donna revelou. ― Mas suponho que assim que ela descer as escadas, já terá vestido sua armadura de mulher forte e começará a se portar como se nada a tirasse do eixo. – Donna disse isso com um misto de orgulho e de tristeza. Orgulho porque sempre admirou a força da irmã, tristeza porque Diana sempre precisou ser forte demais e quase nunca se permitia ser cuidada.

― Isso é de família? – Bruce indagou e Donna deu um meio sorriso.

― Nossa mãe era uma leoa feroz e sempre dizia que as mulheres da nossa família fizeram história por sua coragem e determinação inabalável.

― E qual de vocês duas se parece mais com ela?

― Diana, é claro. – Donna sorriu e Bruce assentiu, já esperando por essa resposta.

Ele saboreou o café, forte e sem açúcar, como ele gostava. Olhou as fatias de pão integral, cereal e algumas frutas sobre a mesa e ouviu seu estômago reclamar por bacon e ovos mexidos. Alfred ficaria feliz de saber que ele estava faminto e frustrado por se contentar com um café da manhã light.

― Já que você é mais aberta a diálogos que sua irmã, poderia me esclarecer algumas informações sobre seu ex-cunhado? – Bruce viu Donna ficar repentinamente pensativa.

Ela olhou a hora no relógio de pulso, mas não foi a possibilidade de se atrasar que a deixou ligeiramente apreensiva. Ela não se importava em dar detalhes do casamento de sua irmã, se isso fosse útil para as investigações, mas ela sabia o quanto Diana ficaria chateada caso descobrisse.

― Acha mesmo que Arthur pode ter algo a ver com o que está acontecendo? – Bruce apenas ergueu uma sobrancelha, dando-lhe a entender que era uma possibilidade. Donna era inteligente o suficiente para saber que todas as informações poderiam ser relevantes, mesmo que ela considerasse o ex cunhado inocente. ― O que precisa saber? – Ela puxou uma cadeira, ficando de frente para Bruce, sentindo-se traindo a irmã de certa forma, todavia a prioridade no momento era salva-la.

― Como ele era... Por que se divorciaram... – Bruce deu a entender que não faria um interrogatório pontual, mas queria um apanhado sobre o homem.

O desconforto se tornou evidente nas feições de Donna, ela tentava encontrar palavras para dizer a verdade de modo que não expusesse demais a irmã, mas sabia que não havia muitos meios de amenizar a situação.

― Arthur era um homem sério, um tanto conservador. A qualidade que me lembro dele, e que seria justo ressaltar, é a beleza, ele é um homem impressionante. – Ela rememorou e Bruce não gostou da honestidade no semblante dela. ― Porém era ciumento, possessivo. Quando fui morar com eles, assim que nossa mãe morreu, eu tinha apenas treze anos, mas era evidente que estavam em crise. Diana se esforçava para manter o casamento, mas o sucesso que ela vinha fazendo na TV só acentuava as cobranças de Arthur. Ela chegou a cogitar a desistir de tudo, tinha esperanças que pudesse dar certo, mas por sorte percebeu que cometeria uma loucura.

Donna fez uma pausa, sentindo necessidade de consumir mais café antes de prosseguir. A forma como Bruce a olhava lhe deixava intimidada, parecia estar sentada num tribunal e sendo inquirida por um promotor feroz, contudo as feições dele mal se alteraram enquanto ela falava. Ela se permitiu pensar se fora o ar de mistério nele que mexera tanto com sua irmã, afinal, era óbvio que ele era um homem bonito, mas beleza era um atributo muito frágil para conquistar sua desiludida irmã.

― Arthur se apaixonou por outra mulher. – Donna prosseguiu, se odiando por ter que revelar tal detalhe. ― Mera era amiga de Diana. – Donna fez aspas com os dedos, ao citar a qualificação amiga. ― Na verdade era uma invejosa, eu era muito pequena quando elas estudaram juntas no colegial, mas era possível perceber como Mera se sentia depreciada por Diana ser a mais bonita, a mais inteligente e a mais popular com os garotos. Mamãe dizia que ela tentava imitar a Di às vezes.

― Acha que essa tal Mera seja a principal responsável pelo fim do casamento de Diana?

Donna meneou a cabeça, negando. Ela sabia que Mera fora ardilosa, mas não cabia a ela a responsabilidade total do fim do casamento de sua irmã. A ruiva havia encontrado um caminho propício para superar Diana uma única vez na vida, quando fora trabalhar na empresa de Arthur e aproveitou-se do momento de fragilidade da vida conjugal deles para conquista-lo. Pelo que se lembrava das palavras da irmã na época, Mera precisou apenas ser gentil, compreensiva e dar razão a Arthur, não tendo um mínimo de compaixão pela amizade que Diana lhe dedicava. Era repulsivo, mas Diana ficara melhor sem os dois em sua vida. Donna achava que os dois se mereciam.

― Eles já não estavam bem quando fiquei sob responsabilidade de Diana. Pense bem, crise conjugal, carreira em ascensão, apenas uma das partes se esforçando pra fazer dar certo... a inclusão de uma adolescente de brinde contribuiu para a sobrecarga e o fim inevitável. Foi um período difícil para todos nós. – Ela respirou fundo, ainda se sentia culpada, embora Diana sempre a proibisse de pensar dessa forma. ― Ele pediu o divórcio e Diana aceitou, não houve litígio.

― Ela era jovem, ainda que doloroso, o divórcio foi melhor para ela. – Bruce deu seu parecer e Donna assentiu com a cabeça.

― Admito que nunca gostei de Arthur, mesmo que ele sempre fosse cordial comigo. Ele não era um homem para estar ao lado de uma mulher como Diana, ele era arcaico e ela uma mulher em evolução. Não tinha como dar certo.

― Concordo. Só não consigo compreender um detalhe, por que uma mulher como Diana casou-se com um homem como ele?

― Talvez devesse perguntar para mim. – Diana adentrou a cozinha, refletindo um brilho feroz no olhar após pegar o assunto pela metade. Donna levantou os olhos para a irmã, envergonhada e culpada, ela fez menção de se explicar, mas Diana deixou claro que sua ira não era direcionada a ela. ― É melhor ir para universidade, Donna. O detetive Wayne está te atrasando.

― Di, eu... – Ela tentou aliviar para Bruce, mas o olhar nada amistoso de Diana lhe fez entender que se o defendesse apenas pioraria a cobrança dela ao detetive. ― Eu vou sair com o seu carro. Você deve ter visto alguns jornalistas na rua, vou tentar despistá-los. Diana assentiu com a cabeça e deu um beijo na irmã, se despedindo. Donna lançou um olhar rápido para Bruce, desejando-lhe sorte e saiu.

Diana enrolou a ponta dos cabelos, presos em um rabo de cavalo, e bebericou um pouco de café, antes de pousar seu olhar sobre Bruce. Ele mastigava uma fatia de torrada, calmo, não demonstrando estar nem um pouco preocupado com a reação de Diana. Fato que a irritou ainda mais.

Apesar de parecer não estar dando muito atenção a ela, Bruce já havia feito uma leitura do humor e do estado de espírito de Diana. Confirmou o que Donna dissera minutos atrás, antes de serem interrompidos, ela estava vestida com a armadura de mulher forte e inabalável, só acrescentaria o adjetivo letal à ‘roupagem’, pois podia sentir os olhos dela o queimando por sobre a borda da xícara de café.

― Você não deveria estar se desculpando? – Diana rompeu o silêncio.

― Por comer seu pão integral? – Sentindo-se atraído pela atmosfera de perigo que a ira de Diana emanava, Bruce apostou no sarcasmo.

― Não seja ridículo, detetive. – Ela soltou a xícara de café com força sobre o balcão da cozinha e por um segundo Bruce pensou que talvez sua face fosse se tornar um alvo. ― Você não deveria usar Donna para obter informações sobre a minha vida. – Ela o recriminou.

― Se não fosse tão resistente em colaborar comigo, não precisaria perguntar nada à sua irmã.

Diana observou a frieza nos olhos de Bruce, enxergando o policial na íntegra, não havia vestígios daquele homem que lhe fez ter delírios minutos atrás em seu quarto. Essa capacidade que ele tinha de alternar a postura lhe confundia e lhe irritava.

Ela deu-lhe as costas, observando pela janela quando Donna deixava a casa, saindo em seu carro. Aguardou a reação da imprensa e bufou quando meia dúzia de jornalistas, com câmeras e gravadores, saltaram sobre o carro, tentando ver quem estava nele e gritando perguntas que ela não conseguiu entender. Seria um dia difícil, mais difícil que os últimos já estavam sendo, ela suspirou.

Por outro lado, o recente plantão da imprensa em frente a sua casa fez com que pensasse que seu perseguidor não ousaria ficar rondando o condomínio. Ela não teria privacidade, mas de certa forma a inconveniência dos jornalistas lhe blindava um pouco mais.

― Por um instante, lá em cima, pensei que você fosse diferente, detetive. Você não é. Você é o excelente detetive Wayne, mas está longe de ser aquele homem compreensivo que cheguei a imaginar. – Ela divagou, ainda observando o carro da irmã sumir de sua vista.

Bruce arrastou a cadeira para trás, levantando-se impulsivamente. Diana sentiu a mão dele se fechar em seu braço e força-la, delicadamente, a encara-lo.

― Onde está minha incompreensão, princesa? – A proximidade entre eles a fez reprimir um leve tremor de excitação. ― No fato de não deixar fios soltos para concluir essa investigação antes que seja tarde?

Ela perdeu os argumentos por um instante, reconhecendo que seu estado emocional estava cada dia mais instável. Ela odiava ter sua vida vasculhada, odiava interrogatórios sobre o passado, mas o seu direito à discrição esbarrava no dever de investigação do detetive. Ela precisava dar o braço a torcer.

― O que acha que é importante para investigação não é, detetive. E não quero Donna sendo submetida a isso, ela era uma criança quando nossa mãe morreu, tinha perdido o pai a menos de um ano. E sequer conseguiu encontrar um lar estável quando ficou sob minha responsabilidade. – Diana soltou-se do contato dele, procurando uma cadeira para se sentar. Culpa, o olhar dela tinha vestígios de culpa por acreditar que o fracasso de seu casamento acentuara as feridas da perda dos pais em sua irmã. ― Você não faz ideia de como foi difícil para nós.

Bruce podia imaginar, mas fazia parte de seu trabalho dosar a manifestação de suas emoções. Ele sentou-se ao lado dela, evitando uma acareação. Não que ele acreditasse que Diana não fosse forte o suficiente para encara-lo, mas uma trégua no sustento da estrutura inabalável faria bem para ela e evitaria tensões no momento.

― É meu trabalho definir o que é importante e sua irmã não é tão frágil como você imagina. – Diana permaneceu indiferente a ele e isso o irritou ligeiramente, mas Bruce se conteve. ― Seja razoável, Prince, vamos resolver isso de uma vez, conte-me, você, o que eu ainda não sei. – Ele sugeriu e ela cedeu, sabendo que sua resistência não o impediria de continuar fazendo perguntas, fosse para ela, fosse para sua irmã.

― Não tente transformar Arthur em um monstro, Bruce. Ele não era um. – Ela respirou fundo, abrindo-se. ― Eu era uma garota, 19 anos, ingênua, romântica, sonhadora... Ele um homem já bem sucedido, lindo, charmoso, inteligente e conquistador. Características perfeitas para um encantamento de ambas as partes.

Ela virou-se de lado, encontrando os olhos de Bruce sobre si. Já não se importava que ele lesse seu semblante agora.

― Namoramos três meses e nos casamos. Arthur era cavalheiro, sedutor. Eu acreditava que teria mais sorte do que minha mãe quando conheceu o meu pai. – Ela fez um comparativo que deixou Bruce intrigado, mas ele decidiu que não se aprofundaria sobre isso no momento. ― Ao menos Arthur não foi um canalha que me abandonou grávida como meu pai fez com a minha mãe, mas, após o casamento, descobri que apenas eu havia me casado por amor, já ele por conveniência e mera convenção social. – Ela desviou o olhar dele, temendo ver vestígios de pena dedicados a si, mas Bruce não era uma pessoa com histórico amoroso que pudesse sentir pena de alguém além de si próprio.

Sentindo-se um pouco mais calma, Diana serviu-se de um pouco de cereal, mesmo detestando esse tipo de alimentação no café da manhã, mas achou necessário mastigar algo e silenciar o estômago, enquanto ia sustentando a coragem para manter seu relato.

― Arthur se decepcionou comigo já na lua de mel. Eu não era a mulher que a mídia já começava a vender discretamente, ante o meu destaque como apresentadora numa emissora regional. Ele pensava que eu era uma mulher sexy e sofisticada. – Ela riu, mas não havia traços de humor na curvatura de seus lábios. ― Mas eu era uma mulher inexperiente, tímida, fria demais para os padrões dele. Depois o decepcionei na vida a dois, quando ele se deu conta que eu valorizava minha carreira tanto quanto ele valorizava a dele. Como empresário, ele não se importava que eu trabalhasse, ser popular na TV era até interessante para ele. Mas ele queria um bibelô, não alguém que pudesse crescer e chamar atenção por algo diferente de estar casada com o herdeiro das indústrias Curry.

Bruce sentiu um imenso desejo de maldizer esse infeliz que tivera a oportunidade de fazer Diana feliz e a tratou como mero capricho. Todavia se conteve. Sabia que dizer tudo o que pensava tanto serviria para enaltecer Diana, como para fazê-la se detestar pelo passo errado na juventude. Um foda-se para esse Arthur Curry, foi o que ele desejou secretamente em sua mente. Quando Diana estivesse pronta, ele a mostraria o que era ter um homem de verdade ao seu lado.

― Como você conheceu esse Neandertal?

― Num evento. A indústria de pescados Curry estava patrocinando um torneio de esportes aquáticos em San Diego e eu fazia a cobertura. Nos conhecemos numa atmosfera onde sobressaíram nossas personalidades públicas. Acabamos nos casando rápido demais. Não vou mentir que pensei em largar minha carreira para salvar meu casamento, por um momento achei que era o certo a se fazer, especialmente quando Donna foi morar conosco.

Diana suspirou, embora houvesse superado, remexer numa ferida cicatrizada trazia a lembrança das dores, da desilusão, das dificuldades e dos ressentimentos.

― Posso imaginar o quanto foi difícil. Você acabou se saindo bem e realizando-se na sua carreira, deu um lar a sua irmã, mas os percalços foram dolorosos. – Bruce não ocultou sua sensibilidade e isso trouxe certo conforto ao coração de Diana por estar se abrindo para ele.

― Foi sim. Mas hoje vejo que foi melhor assim, não seria feliz me anulando por ninguém. E ele conheceu outra pessoa e me deixou. Devem viver felizes. – Ela deu de ombros.

― Alguma vez ele foi agressivo ou te ameaçou?

― Não. Foi uma separação amigável. O erro de Arthur foi a inconsequência de se casar por impulso, acreditando que me moldaria a seu bel prazer. E o meu foi ser ingênua demais.

― A outra pessoa com quem ele está nunca criou problemas?

― Mera? – Diana deu um meio sorriso ácido. ― Ela estava feliz demais de ter ‘ganhado’ algo de mim para criar problemas. Tão logo assumiram o relacionamento mudaram-se para Los Angeles, ela apenas se preocupou em me dizer que sentia muito, com um olhar de falsidade, quando, após a separação, os dois ficaram juntos e nos encontramos em um restaurante.

― Ainda assim, eu vou querer conversar com seu ex marido na delegacia e talvez com a atual esposa dele. Algumas pessoas cultivam mágoas pelo decorrer dos anos e demoram para tomar atitudes em relação a isso.

― Faça como quiser, mas Arthur não me amou o suficiente para ficar magoado. É a verdade. – Ela largou o cereal e optou por mais café. ― Duvido que sequer pensou em mim um só dia depois que nos divorciamos.

Bruce duvidava que qualquer homem em sã consciência na face da Terra pudesse esquecer uma mulher como Diana, contudo não abordaria esse assunto agora. Ela merecia uma trégua.

― Bem, eu encerro meu turno por hoje. – Bruce levantou-se e passou a mão pelos cabelos despenteados. ― Lance cuida de você mais tarde.

Diana não ficou nem perto de satisfeita de saber que sua companhia seria a detetive Lance, não que não gostasse da loira, mas embora não admitisse, sabia que sentiria falta de Bruce, da sua prepotência e do seu jeito sedutor. Mas tinha de admitir que ele fizera muito mais que seu dever nas últimas horas, talvez ele já estivesse acostumado a dormir pouco, mas uma olhada minuciosa em seu olhar cansado deixaria qualquer um convicto de que ele estava esgotado.

― Obrigada, Bruce. – Ela se aproximou dele, mais do que deveria, ela pensou quando sentiu a tensão elétrica entre seus corpos. ― Você não tinha obrigação de passar a noite aqui e fez isso por mim. Estou grata e feliz por isso. – Ela foi honesta e abriu um sorriso bonito. ― Odeio que escrutinem meu passado, mas sei que faz parte do seu trabalho. Eu sei que preciso colaborar e vou. Especialmente depois dos últimos acontecimentos.

Bruce deu um meio sorriso, satisfeito, e tocou-lhe o queixo perfeito com ternura. Pressionou os olhos que ardiam com a mão livre e a encarou, pensando se aquilo estava certo. Não o seu trabalho, mas a proporção que seus sentimentos assumiram em tão pouco tempo.

― Eu vou pega-lo, Diana. Sei que vou. É meu dever como policial. – Havia uma promessa em seu tom de voz que fez Diana manter o sorriso amplo, enquanto sentia o coração acelerar. ― Mas... – Bruce deu um passo para trás e colocou as mãos nos bolsos, deixando Diana confusa. ― Precisamos conversar sobre o que aconteceu ontem a noite e hoje de manhã no seu quarto.

O semblante repentinamente impassível do detetive fez Diana sentir o estômago gelar, ele não parecia que iria tentar firmar um compromisso e nem convida-la para jantar, a fim de conversarem melhor sobre o assunto.

― Esqueça! Somos adultos, não precisamos falar sobre isso. – Ela tentou uma evasiva, julgando ser a melhor alternativa.

― Precisamos sim. Eu a quero, Diana. Tanto que nem poderia explicitar em palavras. – Ele foi sincero e o coração de Diana entrou em descompasso, quase a fazendo suspirar. Mas o disparo súbito cessou quando Bruce prosseguiu. ― Mas não é o momento para romances. Em primeiro lugar devo zelar por sua segurança, por isso, devo admitir que talvez meus sentimentos possam influenciar em minha objetividade, por isso é seu direito me substituir.

Diana parou de ouvir o próprio coração. Ela ficou repentinamente em choque e chegou a se perguntar se estava ouvindo bem. Ela olhou os olhos acinzentados de Bruce, quase ilegíveis, e só não se sentiu rejeitada porque encontrou uma certa tristeza neles. Ele estava se sacrificando, temendo que pudesse prejudica-la. Diana não estava pronta para retribuí-lo, mas estava menos pronta ainda para enfrentar essa tempestade em sua vida longe dele.

― Não ouse. – Ela decretou e o ameaçou, logo respirando fundo e se controlando. ― Quer dizer, já foi difícil me acostumar com você, não é o melhor momento para que eu me acostume com outro policial me protegendo.

― Não será outro policial. – Bruce explicou, sentindo uma dose de satisfação na reação dela. ― Será Lance. Ela lhe acompanhará e eu ficarei cuidando apenas da investigação nos bastidores.

― Escute, detetive. Talvez há dois dias atrás essa proposta me soasse tentadora. Mas, agora, eu já estou acostumada com você. – Ela justificou-se, tentando não transparecer que lhe correspondia na mesma intensidade. ― E quanto ao que aconteceu, não somos adolescentes. Podemos conviver com isso e seguir em frente.

Bruce soltou um suspiro, frustrado. Já sabia que ela não dobraria o orgulho e se abriria ao que percebera de seus sentimentos quando se beijaram, todavia ele sabia esperar.

― Certo, de qualquer forma, eu ainda preciso pensar melhor. – Ele deu-lhe um beijo na bochecha. ― Sua segurança é a minha prioridade, Diana. Se de alguma forma meus sentimentos forem um entrave para a eficiência das investigações, eu irei me afastar. – Mais uma vez a honestidade era gritante em seu semblante, mas Diana não reagiu.

Ele, então, afagou-lhe o rosto e saiu pela porta dos fundos. Diana não foi capaz de segui-lo, apenas caiu sobre a cadeira, sem reação. Ele não podia deixa-la, podia? Ela se perguntou, sentindo-se egoísta e desnorteada. Perdida na confusão de seus sentimentos, se viu dividida entre se abrir de novo para o amor e construir uma história com ele, ou esquecer o que Bruce despertou nela e perder a melhor chance, em anos, de finalmente ser feliz numa relação a dois.

Notas finais
Continua!