Backstage
23 Capítulo XXIII
Notas iniciais

Diana descobriu que sua cama era exageradamente grande, depois de dormir sozinha na noite anterior. Ao longo dos anos, após a separação, descobrira-se espaçosa e gostava do conforto de ter uma cama king só para si. As vezes que compartilhara os lençóis com algum interesse amoroso não haviam lhe rendido lembranças memoráveis ou o desejo de preencher o espaço do leito com alguém com quem pudesse acordar enroscada todos os dias pela manhã.
Isso até dividir seu coração com Bruce.
Havia sido a primeira noite que dormiu sem ele, desde a viagem para Washington, e foi o suficiente para perceber que Bruce preenchera tanto seu coração, que todos os demais espaços físicos de sua vida eram vazios demais sem ele. Estava começando a achar deslumbrante a sensação de estar tão apaixonada, especialmente por estar convencida de que já não se tratava mais simplesmente de paixão. Era também amor. Ela tinha de admitir que já não sentia medo de ser dele e para ele. Somente um sentimento tão altruísta como o amor poderia impulsioná-la a superar seus traumas.
Seu único temor no momento, sua ansiedade constante, devia-se unicamente ao fato de ainda não estar livre de seu perseguidor. Felizmente, na noite anterior, o telefone não tocou, mas soube que fora enviado para a emissora outro recado, via presente, endereçado a ela. Devido aos últimos acontecimentos, todos os presentes a ela destinados eram antes analisados pela polícia, em busca de evidências. Desta vez, o conteúdo era uma corda, uma venda, uma faca e um relógio, tipo despertador, que marcava pontualmente 12h00.
Ela foi contatada pelos detetives para saber se o horário lhe dizia algo, mas não conseguiu pensar em nada que pudesse fazer sentido. Contudo, Bruce lhe dissera que o legista que liberou o corpo de seu pai, havia estimado a hora da morte como sendo meia-noite. Provavelmente, o psicopata queria dizer que executaria sua vingança no mesmo horário.
Foi uma noite longa para Diana, se já não bastassem as emoções do dia, as revelações sobre o inquérito policial, o reencontro com o ex-marido... ainda precisou lidar com mais uma ameaça indireta. Dormiu algumas horas graças a ajuda de um chá indicado por Alfred. Um calmante natural que não lhe dopou e nem lhe fez acordar sentindo que sua cabeça girava em torno do próprio eixo. Tinha de admitir que, se parasse para pensar na possibilidade de se casar com Bruce, exigiria que o mordomo estivesse incluso nessa união.
Acordou exausta, de qualquer forma, era impossível relaxar estando sob pressão o tempo todo, mas estava especialmente animada, porque hoje voltaria a assumir o comando de seu programa. Diante da tensão ao descobrir uma nova ameaça, ligara para Clark e o convenceu que enlouqueceria se ficasse mais um dia ociosa. Receoso por contrariar um pedido do melhor amigo, Clark tentou adiar o retorno de Diana, mas quando ela pediu demissão por telefone, ele preferiu enfrentar a irritação de Bruce ao invés de lidar com a perda da maior estrela da emissora.
Para voltar em grande estilo, Diana conseguiu marcar uma entrevista com Jon Bon Jovi e estava inspiradíssima para conduzir um programa descontraído e cheio de surpresas. Só lamentava que não teria o dia todo livre para ficar na emissora e preparar-se para colocar um quadro novo no programa, com interação da plateia. Tinha um ensaio fotográfico marcado e sabia muito bem que esse tipo de trabalho poderia se estender pela tarde inteira. Todavia, não havia do que reclamar, manter-se ocupada era ótimo e o ensaio teria os lucros revertidos para ações filantrópicas. Poderia colocar o quadro no ar a partir do dia seguinte.
Olhando pela janela do quarto, ela percebeu que J’onn já havia chegado para leva-la para fazer as fotos. Por recomendação policial, estava impedida de transitar sozinha em seu carro pela cidade, a não ser que estivesse acompanhada de um policial. Como Bruce e nem Dinah poderiam lhe acompanhar esta manhã, preferiu usufruir dos serviços do motorista da emissora, sentia-se mais à vontade do que ter a companhia de um estranho.
Sem se importar em se maquiar, já que preferia sair de cara limpa e seria submetida à maquiagem no estúdio fotográfico, prendeu os cabelos, escolheu um vestido leve e um casaco sete oitavos, óculos escuros para proteger os olhos do sol que brilhava na última manhã de inverno e uma bota de cano curto e salto baixo, para ficar confortável.
Deixando o quarto, passou em frente o quarto da irmã e percebeu que a caçula já havia acordado, o que significava que o café já estaria pronto e que não se atrasaria. Ao descer as escadas, ouviu vozes na cozinha. Donna não estava sozinha. Mas, para sua decepção, a voz masculina que ecoava não era conhecida. Curiosa, apressou-se, sentindo um delicioso aroma de café e panquecas, que muito lhe agradou.
Donna estava sentada à mesa, na companhia de um rapaz muito bonito e falante. Os dois conversavam descontraidamente e voltaram os olhos para Diana ao notar sua presença. O rapaz parecia em êxtase ao contemplar Diana, e ela não escondeu a curiosidade ao observar os olhos azuis deslumbrados sobre si. O jovem era moreno, alto, cabelos negros lisos e um pouco compridos na nuca, tinha um sorriso despretensioso e um porte atlético. Um belo rapaz. Diana tinha certeza que ele não era nenhum amigo da faculdade da irmã, afinal, conhecia a todos. Todavia, os dois pareciam bastante íntimos pela forma que conversavam.
― Bom dia, Di. – Donna levantou-se e beijou a irmã no rosto, logo percebendo que a primogênita estava muito mais interessada em saber sobre o visitante do que em retribuir o cumprimento matinal. ― Deixe eu te apresentar o agente Grayson. Richard Grayson. – Diana diminuiu um pouco o sorriso ao descobrir que o rapaz era da polícia. ― Dick, essa é minha irmã, Diana. – O rapaz levantou-se para cumprimenta-la, era quase impossível disfarçar seu nervosismo ao pegar na mão da princesa da comunicação. ― Já pode fechar a boca, Grayson. – Donna se divertiu com a reação do amigo.
― Muito prazer, senhorita Prince. – Os olhos de Dick brilhavam. ― A senhorita é... – Diana arqueou uma sobrancelha e o jovem agente ficou dividido entre fazer um elogio sincero (linda, maravilhosa, espetacular...) e manter uma postura comedida como profissional, lembrando-se das recomendações de Bruce. ― ...muito talentosa. – Ele complementou, arrancando um sorriso de Diana e um revirar de olhos de Donna.
― Obrigada! É um prazer conhecê-lo, Richard. – Diana sugeriu que voltasse a se sentar. ― Vocês já se conheciam? – Ela dirigiu a pergunta para Donna.
― Nos conhecemos recentemente! – Donna colocou mais panquecas na mesa e olhou de relance para o jovem, como se ponderasse o que dizer. ― Dick tem saído com a nossa turma. – Diana arqueou uma sobrancelha, desconfiada, enquanto dividia seus olhares entre a irmã e o rapaz. ― Ele está conhecendo melhor a Kori. – Donna explicou, lendo os pensamentos da irmã, e Diana viu sua teoria ruir. O rapaz parecia simpático, mas Diana ficou aliviada por ter se equivocado em suas suspeitas. Já bastava ela mesma se envolvendo com um policial.
― E então, Richard?! – Diana tomou um lugar à mesa e serviu-se de café. ― A que devo sua visita?
Diana notou um rápido olhar apreensivo do rapaz e um olhar de encorajamento vindo de Donna para ele. Se sua intuição estivesse correta, poderia apostar que a presença do jovem em sua casa tinha o dedo de Bruce.
― Eu estou sendo treinado pelo detetive Wayne. – O rapaz tomou um pouco de leite, atento as reações de Diana. ― O detetive me incumbiu de acompanha-la em um evento durante o dia, já que a detetive Lance está de folga e ele vai passar o dia ocupado.
Diana assentiu com a cabeça, experimentando uma fatia de panqueca. Não estava surpresa, tampouco feliz com a confirmação de sua intuição. De qualquer forma, não poderia ser rude com o rapaz porque Bruce insistia em ser super protetor e a lhe cercar de cuidados, mesmo contra sua vontade.
― Eu sei que cumpre ordens, mas não precisa me acompanhar, não vou sair sozinha. – Diana tentou dispensar o rapaz, que já esperava por esse tipo de reação, tendo sido alertado antes por seu mentor. Ele olhou por sobre o ombro dela, não tendo tempo para argumentar.
― Ele precisa sim. – Bruce surgiu na cozinha, adentrando pela porta dos fundos. Havia chegado junto com o agente Grayson, porém estava numa ligação do lado de fora. Ao encerrar a ligação tivera tempo de ouvir parte da conversa.
Com calma, Diana bebericou seu café, antes de virar-se de lado, cruzar os braços e arquear uma sobrancelha para encarar o detetive. Se não estivesse feliz demais por ver Bruce pela manhã, teria sido mais eficiente em sustentar sua insatisfação por ele controlar seus passos.
― Não se cansa de tomar decisões sem me consultar? – O tom de voz era irritadiço, mas ela deixou escapar um sorriso involuntário ao cruzar seu olhar com o do detetive.
― Não preciso consulta-la quando se trata de fazer bem o meu trabalho. – Bruce escondeu as mãos nos bolsos da calça social e sorriu quando Diana franziu o cenho. De bom humor, ela engoliu mais um pedaço de panqueca, para evitar respondê-lo à altura tendo plateia.
― Já tomou café? – Donna voltou-se para Bruce, disfarçando seu divertimento por ver a tensão saudável entre a irmã e o detetive.
― Em casa. – Bruce respondeu, sem tirar os olhos de Diana.
Diana observou que Bruce usava um terno caro e estava muito elegante para alguém que deveria estar na delegacia pela manhã. Ela notou também que ele tinha olheiras suaves sob os olhos, certamente virara a noite trabalhando. Esvaziando sua xícara de café, ela olhou para Donna e Richard:
― Donna faça companhia a seu amigo. – Ela levantou-se e tomou Bruce pelo braço, rumo a sala de estar. ― Bruce e eu precisamos conversar em particular.
O detetive a seguiu, sussurrando que amava conversas particulares com ela e se deleitando ao conseguir irritá-la.
(...)
― Pensei que ficaria feliz em me ver pela manhã. – Bruce tentou amolecê-la ao chegarem à sala, mas Diana manteve-se séria.
Com delicadeza e muita sedução, o detetive arrastou a ponta dos dedos pelo queixo aprumado de Diana, tentando atraí-la para um beijo, mas ela o deixou frustrado ao se desviar.
― Eu ficaria feliz, se não estivesse me obrigando a andar com outro policial o dia todo. – Diana evidenciou sua insatisfação, pensando porque Bruce tinha que ser tão cheiroso a ponto de desconcentrá-la e fazer com que desejasse abrigar-se em seus braços e impregnar-se com o perfume dele.
Bruce não esperava que a resistência de Diana a policiais fosse superada da noite para o dia, entretanto, esperava um pouco mais de condescendência da parte dela.
― O agente Grayson só vai escolta-la. É uma medida protetiva. – Ele tentou apelar para o óbvio, ciente de que não seria o suficiente.
― Eu aceitei ir com o motorista da emissora. J’onn foi soldado e é confiável, não preciso de um garoto me escoltando.
O olhar de Diana era de determinação e Bruce queria entender como ela conseguia forças para ser tão teimosa, mesmo após as últimas descobertas e ameaças. Ele gostava do semblante sério com que ela lhe afrontava, achava lindo o olhar altivo que ela sustentava, mas quando a situação era crítica, não dispunha de muita paciência para lidar com seus rompantes.
― Você recebeu outra ameaça ontem, Diana. Não vou permitir que saia sozinha com alguém da emissora. – Ele tentou explicar. ― Gostaria eu mesmo de cuidar da sua segurança, mas tenho que ir a um julgamento. – Ela entendeu o motivo da vestimenta de Bruce e ficou feliz por saber que ele estaria em um local seguro e não envolvido em operações que pudessem o expor a riscos. ― Um mafioso que conheceu seu pai será julgado daqui a pouco. Talvez eu consiga alguma informação relevante no tribunal.
O coração de Diana acelerou-se com a informação. Talvez fosse intuição ou apenas ansiedade, mas as palavras de Bruce surtiram efeito imediato em sua postura, abalando sua teimosia.
― Você e a detetive Lance, ainda não chegaram a nenhuma conclusão?
― Não, mas o quebra-cabeça falta poucas peças. Temos muitas informações e viramos a noite trabalhando no caso.
― Há algum novo suspeito? – Bruce fez que não com a cabeça e ela abraçou o próprio corpo, dividida entre a frustração e a expectativa.
Diana permitiu que Bruce se aproximasse e tocasse seu rosto. Agradeceu mentalmente quando ele lhe beijou e o contato de seus lábios teve um efeito calmante sobre suas emoções.
Ela o abraçou, envolvendo-o pelo pescoço, sentindo a sensação gostosa de seu corpo contra o dele. Ela podia sentir o coração de Bruce ligeiramente acelerado, enquanto se tocavam, as mãos dele percorriam sua nuca e costas, os beijos se arrastavam lentamente para o queixo, bochecha e pescoço. Não havia luxúria, apenas carinho.
Quando seus olhos se encontraram, ela enxergou em Bruce a cobrança consigo mesmo por ainda não ter resolvido o caso. Ela comoveu-se e baixou a guarda, deixando de lado sua teimosia. Não podia ignorar o empenho dos detetives no caso e a paciência que Bruce tinha para lidar com sua personalidade.
― Tudo bem, eu não me importo que o rapaz me acompanhe no ensaio. – Algo no olhar de Diana deixou Bruce desconfiado.
― Mudou de idéia rápido demais. – A voz grave ressoou em seu ouvido. ― Meus beijos exercem tanto poder assim sobre você? – Ele se divertiu, sentindo-a arrepiar-se quando arrastou os lábios pela curva de seu pescoço.
É claro que exerciam, Diana suprimiu um suspiro ofegante ao admitir para si mesma. Entretanto, não foram os beijos que lhe estimularam a ceder.
― Eu apenas simpatizei com o rapaz. – Ela desconversou, aproveitando a oportunidade para revelar a novidade que deixaria Bruce nenhum um pouco satisfeito. ― No ensaio tudo bem ter a companhia dele, mas, a noite, na emissora, prefiro que seja você me acompanhando.
― Na emissora?
― Não sabia que volto a trabalhar hoje? – Ela se fez de inocente, como se não houvesse articulado tudo na calada da noite.
― O combinado foi uma semana de folga. – Bruce afastou suas mãos da cintura de Diana, bagunçando os cabelos. ― Não pode voltar a trabalhar agora que estamos prestes a concluir o caso.
― Você combinou isso com Clark, mas acho que tenho mais influência sobre meu chefe do que você. – Diana tocou a ponta do nariz de Bruce com o indicador.
― Você não devia ter feito isso sem me consultar. – Foi a vez de Bruce demonstrar sua irritação, o que não intimidou Diana.
― Não preciso consulta-lo quando se trata de fazer bem o meu trabalho. – Ela devolveu a frase que ouvira minutos antes e beijou o detetive, deixando-o ciente que isso era um acordo. Ela aceitava a companhia do agente Grayson e ele não interferia em sua volta ao trabalho.
(...)
O estúdio fotográfico de Annie Leibovitz* ficava afastado do limite urbano de Gotham, numa área arborizada, silenciosa e com pouca movimentação. Diana sempre gostou de ser fotografada para campanhas sérias ou ações de merchandising, se sentia a vontade frente as lentes das câmeras e não se incomodava com a exaustão que esses ensaios muitas vezes causavam, devido a dedicação de horas, penteados, mudanças de poses, trocas de figurino, retoques de maquiagens, ajuste de luzes e afins. Nada disso lhe deixava irritada ou cheia de exigências como a maioria das celebridades. Exatamente por isso, ela era a queridinha dos fotógrafos.
O ensaio de hoje, porém, estava longe de ser produtivo como os habituais e não era difícil para os profissionais envolvidos saberem o motivo. Embora Diana evitasse o assunto, a mídia vinha especulando fortemente as ameaças que a apresentadora vinha sofrendo. O fato de ter um policial na companhia da apresentadora, também deixava claro que as notícias que vinham sendo publicadas não eram totalmente inverdades.
Era difícil para Diana se concentrar, olhando para o agente Grayson nos bastidores do ensaio. Estava acostumada com Bruce, até mesmo com a detetive Lance, mas a presença do jovem lhe fazia lembrar que os riscos estavam cada vez maiores e também aumentava sua ansiedade por não poder proteger Bruce, caso o perseguidor agisse antes do detetive finalizar a investigação.
A fotógrafa precisou fazer várias pausas, para que Diana tentasse relaxar, mas não obteve muito sucesso. Como último recurso, pediu que o policial aguardasse do lado de fora, para que o ensaio pudesse fluir. Com resistência, o agente Grayson acatou o pedido, depois de consultar Diana se isso lhe faria sentir-se melhor. Como Diana dissera que sim, ele se juntou a J’onn no estacionamento.
O sol brilhava entre as nuvens, numa tarde morna e tranquila. O motorista não era de muito papo, mas Richard não se incomodou. Estava aprendendo que ficar calado e observar era a maior parte de sua profissão. Já passava das treze horas, o ensaio ia demorar e o estômago do jovem policial fazia sons desagradáveis, denunciando que estava faminto. Foi o único fator em relação a sua pessoa que pareceu atrair a atenção de J’onn.
― Com fome? – O motorista questionou, observando o rapaz recostado na lataria do carro. Richard apenas anuiu com a cabeça. ― É, eu também acho que poderia comer alguma coisa.
― Sempre carrego umas barrinhas de cereais na viatura, mas, como estou de carona com vocês, estou desguarnecido. – Grayson sorriu, tentando quebrar a feição apática do motorista, mas não obteve muito sucesso.
― Acho que devíamos almoçar. – J’onn olhou as horas no relógio de pulso. ― Essas coisas demoram o dia todo e tem um restaurante aqui perto.
― Ah, eu adoraria. – Dick coçou os cabelos. ― Mas não posso abandonar meu posto.
J’onn dignou-se a olha-lo por um instante, entendendo a preocupação do rapaz. Lembrou-se por um instante do seu tempo como soldado e o período em que lutou no Vietnã. A guerra era muito mais cruel do que algumas horas sem se alimentar de um agente de polícia, ele olhou para a cicatriz na mão direita, lembrando-se da outra que tinha na perna e o fazia andar arrastando-a.
― A senhorita Prince não vai a lugar nenhum sozinha. – J’onn balançou a chave do carro no ar. ― E também não vamos demorar.
Dick pensou por um instante. O restaurante que J’onn mencionara ficava há duas quadras dali. Havia avaliado o estúdio fotográfico, todas as entradas e saídas, reconheceu todos os profissionais envolvidos, renomados e acima de qualquer suspeitas. Apesar do estúdio ficar em uma área pouco movimentada, não havia estranhos no perímetro, sem contar que ninguém podia entrar no local sem identificação. Quinze minutos, ele pensou. Era o suficiente para se alimentar e manter-se em seu posto. Diana estava segura dentro do estúdio, tinha certeza disso.
Ouvindo o estômago reclamar por comida mais uma vez, seguiu J’onn rumo ao restaurante e tratou de por fim a sua fome. Afinal, Bruce era o único homem que conhecia que parecia ser nutrido apenas com oxigênio em função do trabalho.
(...)
Dinah Lance havia virado a noite com o parceiro atrás de peças que preenchiam as lacunas da investigação do caso Diana Prince. Estava com olheiras e exausta, mas isso não a impediu de levar trabalho para casa, mesmo sendo seu dia de folga.
O capitão estava pressionando os detetives à medida que o caso ganhava cada vez mais repercussão na mídia. Trabalhar sob pressão não era o maior desafio dos detetives e sim trabalhar numa corrida contra o tempo. Psicopatas, maníacos, criminosos com distúrbios mentais – como parecia ser o caso do perseguidor de Diana – eram completamente imprevisíveis. E o fato das ameaças terem se tornado mais declaradas, com pistas e descuidos, deixaram os detetives conscientes de que tinham muito pouco tempo.
A loira repassava os relatórios sobre a morte do pai e da mãe de Diana, esmiuçando detalhes, enquanto não tirava a hora marcada no relógio que fora enviado como ‘presente’ para Diana da cabeça. Bruce e ela estavam de acordo que talvez o perseguidor quisesse executar sua vingança no mesmo horário em que o pai de Diana teria sido morto, mas também o relógio podia apenas significar que a hora de Diana estava marcada, não necessariamente para meio dia ou meia noite, ou então seriam doze horas de contagem regressiva para uma abordagem.
Não foi atoa que a detetive concordou que o jovem agente Grayson acompanhasse Diana no ensaio fotográfico, era arriscado demais deixar a vítima em potencial desguarnecida de uma escolta diante de tantas lacunas, muitas hipóteses e nenhum forte suspeito. Arthur Curry, Shayera Hall, John Stewart e Wally West pareciam cada vez menos suspeitos diante das recentes descobertas.
Com calma, ela analisava as anotações que Bruce fizera e estudava a árvore genealógica da família do pai de Diana. Embora os patriarcas fossem alemães, todos os filhos haviam nascido na Grécia. A família, porém, voltou a viver na Alemanha Ocidental com as crianças ainda pequenas. Três dos filhos morreram de doenças contagiosas, que proliferaram na Europa durante a segunda guerra mundial. O filho do meio, Hades, foi o único que sobreviveu.
Anos após a perda dos três filhos, a família adotou um adolescente. O garoto era judeu, filho de pais poloneses, e chamava-se Jan, mas fora registrado pelos pais adotivos como Johann Fuchs. Para frustração de Dinah, não havia nenhum registro de alguém chamado Johann Fuchs na América.
A não ser...
A não ser que ele tivesse mudado de nome ou adotado uma variação americana. A loira teve um estalo e um forte pressentimento que a fez sair às pressas para a delegacia. Uma pesquisa rápida e precisa no banco de dados da polícia americana confirmaria sua suspeita.
(...)
Alguma coisa no promotor Harvey Dent incomodava profundamente Bruce Wayne, entretanto, o detetive tinha de admitir que o promotor recém-chegado a Gotham era brilhante em suas contestações em um tribunal. Já haviam transcorrido sete horas de julgamento e o promotor era o grande responsável por tornar os interrogatórios produtivos e derrubar os teatros bem elaborados dos advogados de defesa do réu.
A defesa do gangster conhecido como Salvatori Maroni era boa, mas Harvey Dent parecia muito mais empenhado e apto a conseguir o apoio do júri para a condenação do réu.
Don Maroni, como era conhecido no submundo do crime, era um homem na casa dos cinqüenta anos, corpulento, rosto redondo e com pré-disposição à calvície. Estava sendo processado por diversas associações criminosas envolvendo sua chefia da máfia de Gotham: assassinatos, roubos, formação de quadrilha, corrupção ativa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, apostas e jogos de azar.
Graças aos seus contatos na polícia e no FBI, Bruce descobrira que a morte de Hades, pai de Diana, havia sido ordenada por Maroni, quando este ficou devendo ao gângster e tentou um golpe em uma das ramificações da máfia. Hades era esperto, mas fora traído por um de seus comparsas, o que culminou em sua execução brutal. Não havia lugar para espertalhões em Gotham, Bruce aprendera essa máxima nos primeiros anos como detetive.
A polícia não tinha provas suficientes para ligar Maroni ao assassinato de Hades, um dos membros da máfia havia assumido a autoria e declarado ter agido por conta própria, porém, outras evidências eram suficientes para condenar o chefe da Máfia por outras atividades ilegais e garantir uma pena relevante como sanção legal.
Bruce havia conseguido contato com o promotor Dent, pedindo-lhe que fizesse algumas perguntas a Maroni cujas respostas pudessem lhe servir de pista sobre o caso de Diana. As perguntas poderiam gerar protestos da defesa, mas Harvey aceitou colaborar, tendo em vista a influência do detetive e o apelo do Comissário Gordon por sua ajuda.
― Don Maroni. – O jovem promotor de cabelos loiros e lisos caminhava pelo tribunal, alternando olhares com o júri e o réu. ― Acho que já temos um bom montante de provas e depoimentos que pesam contra sua pessoa. Poderíamos melhorar um pouco sua situação, se entregasse alguns de seus sócios. – Harvey sugeriu, mostrando-se despretensioso.
― Protesto, meritíssimo! – O advogado de defesa se pronunciou. ― O promotor deseja manipular meu cliente.
― Protesto negado! – O juiz interveio. ― O promotor ainda não fez um questionamento ou propôs um acordo de fato. – O juiz voltou-se para Dent. ― Prossiga!
― Como eu dizia. Já encerramos os interrogatórios e depoimentos que provam sua participação em duas práticas criminosas graves. Entretanto, consta que a articulação da máfia para a exploração do trabalho infantil na África foi uma iniciativa de um ex-sócio, chamado Hades. – Maroni permanecia apático ante as sugestões. ― Hades teria sido morto, porque devia à máfia e cometeu a afronta de tentar persuadir alguns membros a segui-lo, logo traindo-o, Don Maroni. Confirma que a ideia de exploração do trabalho infantil era de Hades?
Bruce analisava a postura de Maroni, sabia muito bem que o mafioso poderia mentir apenas para se dar bem. Mas os anos de profissão e alguns encontros com Maroni lhe ajudava a fazer uma leitura satisfatória das feições de um dos gângsters mais temidos da América. Maroni sabia que estava encrencado desta vez, seria honesto para garantir uma cela ao invés do corredor da morte.
― Confirmo. – Maroni respondeu, a contragosto da defesa.
― Então, ordenou a morte de Hades porque viu nele um rival em potencial? – Harvey prosseguiu, seguindo o roteiro de perguntas sugerido, confidencialmente, pelo detetive Wayne.
― Não ordenei a morte de ninguém. – Sal Maroni abriu um sorriso quase orgulhoso. ― Os colaboradores menores da máfia não aceitam traidores, eles próprios tomaram providências em nome da nossa ‘família’.
― É o que diz os autos do processo. – Harvey apontou para alguns papéis que tinha em mãos. ― Mas, consta aqui, que dois de seus homens, que participaram da execução de Hades, foram mortos. Mais especificamente aqueles que ficaram responsáveis por ocultar o cadáver. Uma exumação recente aos cadáveres, mostra que um deles teve os globos oculares extraídos e o outro os dedos da mão decepados. Puniu seus próprios homens, Don?
Sal Maroni parecia visivelmente surpreso com a informação. Bruce conseguira a exumação dos corpos dos dois criminosos na tarde do dia anterior, depois de Dinah ter conversado com o homem que matara Hades e este contado que seus cúmplices foram mortos. Como a polícia ainda não havia identificado a origem dos dedos e os globos oculares que foram mandados como ‘presentes’ para Diana, o detetive intuiu, corretamente, que a fonte seria os dois comparsas assassinados.
― Sou um homem justo. Entreguei à justiça um dos responsáveis pela morte de Hades e teria feito o mesmo a esses outros dois. A máfia não age com violência, apenas em legítima defesa. – O público presente riu da ironia do réu e o juiz pediu silêncio. ― Meus homens foram mortos pelo cão adestrado de Hades. – Sal revelou, sentindo raiva de si mesmo por não ter vingado a morte de seus capangas.
― Cão adestrado? – Harvey fez uma pausa e Bruce ajeitou-se na cadeira, sentindo que estava prestes a obter uma pista importante. ― Precisamos saber que cão adestrado é esse, afinal, ele não consta no processo. Sua pena pode ser abrandada, se nos ajudar a encontrar um assassino que está à solta, Don Maroni. – A defesa protestou mais uma vez, mas o juiz ordenou que Maroni respondesse à promotoria.
― Um homem como eu não sabe detalhes sobre cães. – Harvey ensaiou um olhar de lamentação, deixando claro que Maroni tinha muito a perder se não falasse algo importante. ― Mas, nas poucas vezes que me encontrei com o salafrário do Hades, ele disse que tinha um escudeiro leal e gratuito. Ele o ‘pagava’, deixando-o acreditar que eram irmãos. Ele o manipulava.
― Hades tinha um irmão, de sangue? – Harvey pediu detalhes.
― Adotivo pelo que ouvi dizer. Não me pergunte o nome dele, nunca me interessei em saber. Mas foi ele quem vingou a morte do irmão. Meus homens descobriram, mas ficaram com pena do infeliz. Já havia sido castigo demais ter sido usado por Hades a vida toda.
Harvey sorriu para a falsa misericórdia de Maroni, era óbvio que a máfia deixara o suposto irmão de Hades vivo para servir de álibi, caso o crime pesasse contra Sal. Trocando um olhar discreto com Bruce, Dent percebeu que o detetive estava satisfeito com as informações.
O interrogatório tomou novo rumo, mas, enquanto isso, a mente de Bruce trabalhava numa velocidade impressionante. Pistas, conexões, lacunas e intuição, tudo pareceu fazer sentido e se encaixar. O homem que procuravam era irmão adotivo de Hades, não tinha um nome, mas já tinha um suspeito, o único e possível suspeito. Caindo em si do risco que Diana corria, ele levantou-se em meio a audiência do tribunal e correu.
No estacionamento, Bruce ligou para o agente Grayson diversas vezes e não obteve sucesso, tentou contata-lo pelo rádio e não houve resposta. O celular de Diana, desligado. Ligou para a residência das irmãs Prince e Donna disse que Diana ainda não havia chegado. A urgência não o intimidou de ligar na casa da parceira, mesmo Dinah estando de folga, porém o telefone chamava até cair e o celular só dava fora de área.
Bruce praguejou, não podia pedir reforços no departamento de polícia sem um prognóstico real da situação e criar uma situação de risco. Estava seguindo sua intuição e fortes evidências, mas, se estivesse equivocado, comprometeria a investigação se causasse um alarde desnecessário.
Consumido pela adrenalina, sem se importar com as leis de trânsito, ele cortou a cidade numa velocidade altíssima em seu Jaguar preto, rumo ao estúdio onde Diana deveria estar sendo fotografada.
(...)
O ensaio realmente se tornara mais produtivo com a saída do agente Grayson de dentro do estúdio. Annie Leibovitz era uma fotógrafa incrível e ajudou Diana a dispor de seus sentimentos para obter a dramaticidade que as fotos exigiam e também para que ela relaxasse. Diana estava ansiosa para ver o resultado final do trabalho.
Passava das cinco da tarde quando terminaram. Fora exaustivo, mas Diana estava satisfeita. Teria tempo de chegar cedo à emissora e retomar sua rotina. Generosa e atenciosa, ela fez questão de agradecer todos os profissionais envolvidos no ensaio, antes de deixar o estúdio.
Ao chegar à área externa, avistou J’onn à sua espera no estacionamento. O motorista desceu do carro e abriu a porta para que Diana entrasse. Só então ela notou que o agente Grayson não estava por perto.
― Onde está o agente Grayson? – Ela olhou ao redor, protegendo os olhos, com as costas das mãos, dos raios do sol poente.
― Ligaram da delegacia para o rapaz. Parecia urgente, ele saiu às pressas. – J’onn explicou e Diana achou estranho, logo ficando preocupada.
― Sabe quem ligou pra ele? Digo, ele disse o motivo? Se foi a detetive Lance ou o detetive Wayne, talvez seja alguma novidade em relação ao meu caso. – Diana explicou-se, sentindo um aperto no peito.
― Não prestei muita atenção, senhorita Prince. Na minha profissão, aprendemos que não é adequado. – J’onn fechou a porta, após Diana entrar no carro, e deu a volta para assumir seu assento.
― Eu sei, J’onn. Tudo bem! – Diana sentiu-se frustrada, mas não podia admoestar o motorista por ser discreto. ― Podemos ir, então? – Diana viu o motorista assentir, sentindo um pressentimento ruim corroê-la. Lembrou-se de Bruce e sua intuição dizia que ele poderia estar correndo perigo. Pegando o celular na bolsa, bufou ao perceber que estava sem bateria. Sentindo um arrepio, fechou o casaco e o vidro do carro, sem saber se estava com frio ou com medo.
J’onn olhou de soslaio para Diana, percebendo o olhar angustiado da morena no banco do passageiro.
― Sente-se mal, senhorita Prince?
― Eu não sei. – Diana tentou rir, julgando ser tolice. Instintivamente passou as costas da mão sobre a fronte, percebendo que havia gotículas de suor se formando ali. ― Gostaria de passar na delegacia antes de irmos para casa. – Diana pediu, sentindo o coração palpitar repentinamente. J’onn apenas fez um aceno sutil com a cabeça, antes de dar partida no carro e deixar o local.
(...)
Bruce pegou um desvio por uma estrada vicinal, depois de ficar preso por longos vinte minutos em um engarrafamento no centro da cidade. A todo instante ele tentava contato com o agente Grayson e a cada ausência de resposta, sua intuição tornava-se cada vez mais intensa, indicando-lhe que Diana corria perigo.
Quando avistou o estúdio fotográfico, ignorou as regras de preferência em um cruzamento, esquecendo-se que, mesmo sendo policial, estava em seu próprio carro e não em uma viatura. As luzes intermitentes e o sinal sonoro faziam falta, ele pensou, enquanto quase causava um acidente e ouvia impropérios de outros condutores assustados com suas manobras perigosas.
Foi barrado no portão de acesso ao estúdio, pelo segurança que pediu sua identificação. Sem paciência, ele procurou o distintivo pelos bolsos, se atrapalhado quando o celular tocou. Seu coração disparou, torcendo para que fosse Diana ou o agente Grayson retornando suas ligações. O número era conhecido, porém, a ligação não era de quem esperava.
― Wayne! – Bruce atendeu à chamada que vinha do departamento de polícia, aliviado e intrigado quando reconheceu a voz da parceira. Ela deveria estar de folga, lembrou-se.
― Bruce, tenho novidades. – A voz da loira era agitada. ― Diana está em perigo. – As palavras da parceira confirmaram o que Bruce presumia e temia. ― Não consigo contato com o agente Grayson. Onde você está?
― Na entrada do estúdio de Annie Leibovitz. – Bruce estendeu o distintivo a poucos centímetros do rosto do segurança, notando o carro que deixava o estúdio, enquanto o segurança lhe abria passagem. Quando Bruce viu a mulher que dirigia acenar para o segurança, reconheceu a fotógrafa e seu sangue congelou. ― Onde está Diana Prince? – Bruce retirou o telefone do ouvido, questionando o segurança.
― A senhorita Prince foi embora faz vinte minutos, senhor. – O segurança respondeu e Bruce praguejou, batendo a cabeça contra o volante.
― Estamos atrasados, Dinah! – Bruce murmurou, frustrado e em alerta.
― O agente Grayson está com ela. Temos uma vantagem! – A loira tentou acalmar o parceiro.
― Minha nossa! – O segurança murmurou, correndo em direção a um homem que cambaleava pela rua. Bruce estava com pressa demais para distrações, mas seu instinto fez com que descesse do carro e seguisse o segurança, focando no rapaz que ele amparou.
― Richard! – Bruce murmurou, identificando o jovem agente, descomposto e ferido. ― Lance! – Bruce voltou a falar com a parceira ao telefone. ― Chame reforços. Temos muito pouco tempo.
(...)
J’onn avisou a Diana que pegaria um desvio rumo a delegacia. As vias principais estavam congestionadas e isso os atrasaria. Ela concordou, ansiosa para chegar ao departamento de polícia e ter notícias de Bruce e do agente Grayson.
Estavam há vinte minutos rodando pela cidade e, embora Diana poucas vezes pegasse atalhos, sabia que o local por onde estavam passando não os levariam a nenhum dos possíveis destinos que lhe interessaria, sua casa ou o departamento de polícia.
― Tem certeza que conhece este lugar? – Diana observou que estavam aproximando-se das docas, uma das áreas mais obscuras e perigosas de Gotham. ― Talvez devêssemos voltar. – Ela sentiu medo, notando o tom acinzentado do crepúsculo recuar no céu, abrindo espaço lentamente para o véu da noite.
― Estamos no caminho certo. – J’onn dignou-se a olha-la, assustada e vulnerável. ― Este é o lugar certo. – Ele parou o carro em um beco sem saída.
Ao longe Diana podia ouvir bêbados brigando e sentiu um cheiro forte de entorpecentes impregnado no local.
― Conhece alguém que mora aqui, J’onn? Precisa encontrar alguém? – Ela o questionou, sentindo um arrepio na espinha quando ele lhe lançou um olhar frio e travou as portas. Os olhos azuis arregalados fizeram um sorriso sádico pairar nos lábios de J’onn.
― Preciso cumprir minha missão, maldita! – O tom de voz imprimido por ele fez os pelos do braço de Diana se eriçarem e com que perdesse a voz. Era idêntica a voz ao telefone. ― Eu disse que sua hora estava chegando. – Ele sacou uma pistola automática, pressionando o cano na garganta de Diana. ― É uma pena o detetive estar atrasado. Queria mata-lo primeiro, fazer você sentir o que eu senti.
― Não! – Lágrimas brotaram nos olhos de Diana. ― Não pode ser!
― Eu espero que ele ainda apareça, faz parte do meu jogo mata-lo antes de você!
― J’onn! – Diana soluçou, incrédula, temerosa e confusa. ― Por quê?
― Você ainda não sabe? – Havia ódio e frieza em sua voz. ― É por isso que vai morrer. – Ele decretou, acertando um golpe com o cabo da arma na cabeça de Diana, deixando-a desacordada enquanto começava a agir.
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