Backstage

13 Capítulo XIII


Notas iniciais
Oi, amados! Obrigada a todos que têm acolhido tão bem a estória. Vocês têm sido essenciais para que eu me dedique a esse projeto. ❤ Tenham uma ótima leitura! Kisses❣

Diana nunca teve dias tão infelizes quanto os três últimos que sucederam seu encontro com Bruce. Ela chegou a ser ingênua o suficiente de acreditar que não sentiria sua falta, que sua decisão de pedir que ele se afastasse seria bem aceita pelo seu coração e sua mente.

Ledo engano!

Ela não conseguia se concentrar, passar cinco minutos sem pensar nele. E quando viu que a detetive Lance ficara responsável por acompanha-la na emissora todos os dias, seu coração entrou em constante agonia. Diana imaginava ao menos que Bruce continuaria monitorando seus turnos, revezando com a parceira e mantendo-se em seu lugar, apenas como policial. Todavia, Dinah lhe dissera que Bruce havia assumido as investigações de fatores aleatórios sobre o caso e confiou-lhe as investigações e monitoramento das ligações.

Ele não havia desistido do caso, mas estava claro para Diana que ele havia desistido dela. E isso era tudo que ela queria, afinal...ou pensava querer.

Sua consciência tentava convencê-la exaustivamente de que estava tudo bem, que ela se acostumaria à ausência de Bruce, mas ela não podia ousar fechar os olhos sem lembrar o gosto dos seus beijos, não podia entrar em seu camarim sem visualiza-lo sentado à vontade no sofá, avaliando-a e provocando-a. Ela respirava fundo e era o aroma amadeirado da colônia de barbear que invadia seu senso olfativo.

Por mais absurdo que parecesse, a constatação de que poderia ter afastado Bruce completamente de sua vida estava causando mais impacto em seu desempenho profissional do que as ameaças que vinha sofrendo. Bruce havia se tornado uma referência de segurança para ela, a simples presença dele lhe impulsionava a manter viva em si, sua força, sua vivacidade e determinação, contudo sua ausência deixara um vazio tão grande em seu peito, que seu orgulho e receio de se envolver não tinham capacidade de preencher.

Dinah não tivera dificuldade para notar a inquietação de Diana. Durante as gravações dos programas, da coxia, ela notara a quantidade de vezes que John precisava usar o ponto eletrônico para instrui-la. Recurso raramente usado antes, já que Diana era sempre desenvolta e expertise em improvisos.

Nos bastidores, a detetive notava o desapontamento no olhar de Diana ao fita-la em sua cola, fosse na sala de reuniões ou no camarim. Não era resistência, era frustração. E, além disso, ela parecia louca para encontrar assuntos que levariam-nas a falar de Bruce, de modo casual. Todavia, Dinah evitava dar detalhes sobre a investigação e sobre o que o parceiro andava fazendo. Não deixaria Diana saber que ele andava tão desolado quanto ela, mesmo Bruce sendo muito mais eficiente em disfarçar.

Bruce não dissera à parceira o motivo de trocarem os papéis na investigação, mas, ciente do interesse do parceiro pela Princesa da Comunicação, a loira foi capaz de deduzir que havia ocorrido, no mínimo, um fora. Bruce havia descoberto algo sobre Diana que não quisera compartilhar e também andava sério e fechado em si.

Dinah não era o tipo de parceira que invadia a privacidade de seu par. Eles eram bons amigos, mas havia um limite de intimidade muito bem estabelecido por ambas as partes. Vez ou outra comentavam algo pessoal entre si. Mas os dois preferiam manter a discrição.

A loira estava preocupada com o rumo que o envolvimento entre Diana e Bruce tomou, mas preferia não se intrometer. Eles eram adultos e desejava honestamente que tudo terminasse bem.

Ainda que visse no olhar de Diana que não era a pessoa que ela desejava ter ao seu lado, Dinah estava gostando de ter assumido o lugar de Bruce nas idas à emissora, tinha a oportunidade de conhecer vários famosos que participavam do Talk show e realizara seu sonho de conhecer seu ídolo, Richard Gere. A foto que tirara com o ator já estava emoldurada em um porta retratos sobre sua mesa na delegacia, em destaque como um troféu.

Embora pudesse passar horas em silêncio, apenas escoltando Diana e monitorando qualquer fator estranho, desde ligações a comportamentos suspeitos da equipe do programa, a loira vez ou outra puxava assunto, tentando ao menos não deixar o clima entre Diana e ela denso demais.

― Wally West não estava presente na reunião de pauta, hoje. – Dinah aproveitou sua curiosidade para dialogarem, quando Diana e ela deixaram a sala de reunião.

― Ele está de folga. Acho que tinha um congresso acadêmico ou algo do tipo. – Diana respondeu secamente, abrindo a porta do camarim. Ainda não acreditava que o jovem estagiário figurava entre os suspeitos.

A loira assentiu com a cabeça e sentou-se no sofá da antessala do camarim. Ela pensou em fazer algum comentário sobre o programa da noite, mas Diana não lhe deu abertura em um primeiro momento. Experiente, sabia que pressiona-la a uma interação não seria uma alternativa razoável. Retirou uma revista sobre motos da bolsa e tratou de distrair-se, enquanto Diana se trocava e se preparava para atender as ligações daquela madrugada.

Diana se trocou rapidamente e parecia especialmente elétrica aquela madrugada. Por mais que estivesse interessada nos novos modelos de motocicleta e as possibilidades de personalização para o veículo de duas rodas, a loira ficou incomodada com a quantidade de vezes que a apresentadora lhe olhava, desejosa de perguntar algo que não sabia como.

― Precisa de alguma coisa, Diana? –A loira deu um sorriso, facilitando a abordagem da morena.

― Um café. – Diana levantou-se e serviu-se, oferecendo uma xícara à detetive, antes de dar rumo ao assunto que queria.

Dinah aceitou o café, mas os olhos azuis fitavam a apresentadora com curiosidade. Diana sabia que era péssima para rodeios e a detetive era perspicaz demais para ser despistada por assuntos triviais.

― Por que escolheu ser policial? – A morena questionou, deixando a loira surpresa com a pergunta.

― Além da adrenalina e do desafio constante da profissão? – Dinah arqueou uma sobrancelha e sorriu. ― É uma questão de vocação, Diana. Eu sempre acreditei que poderia ser boa fazendo o que faço. Por dez anos isso vem dando certo.

― Sua família, namorado, esposo, alguém em especial... não se importam? – Dinah semicerrou os olhos, intrigada com o rumo da conversa. ― Quer dizer, é uma carreira cheia de riscos. – Diana se justificou.

― Eu não tenho família. – A loira ficou séria e se absteve de dar detalhes. – E sou solteira. Nunca me casei. É difícil encontrar homens que queiram uma mulher que saiba atirar. – Dinah descontraiu e Diana sorriu. –E, apesar disso, eu jamais permitiria que um relacionamento me privasse de fazer o que amo. Acho que você me entende, não é?

Diana assentiu com a cabeça e ponderou antes de prosseguir com o assunto.

― Mas devem existir belos policiais com quem você poderia se relacionar. Seria uma parceria ideal. – Diana bebericou um pouco de café, fingindo despretensão com o comentário.

Dinah sorriu, compreendendo aonde a morena queria chegar com o assunto. Objetiva, ela achou pertinente esclarecer qualquer pensamento descabido que estivesse pairando sobre a mente de Diana.

― Se isso é pra chegar a Bruce e eu, podemos ser diretas. – Diana fingiu espanto, mas não foi convincente o suficiente. ― Você é uma mulher inteligente, Diana. Não lhe cai bem o pensamento machista que a parceria entre um homem e uma mulher precisa ter se estabelecido através de sexo.

― Eu não... – Diana se viu tentada a negar, mas os olhos azuis da loira não seriam ludibriados por sua encenação. ― Eu realmente pensei que pudesse haver ou ter havido algo entre vocês. Vocês parecem tão... íntimos, tão compatíveis. – Dinah arqueou uma sobrancelha. ― Isso foi um pensamento retrógrado. Eu sei.

― Eu classificaria como ciúmes. – Dinah terminou de beber seu café. ― Você está interessada nele. É natural.

Diana se perguntou se estava tão evidente assim. Mas antes que pudesse minimizar as impressões de Dinah, o telefone tocou. Ambas se concentraram para o caso de ser o perseguidor, mas a noite começara bem. Era apenas um fã, empolgado e com dificuldade de controlar a emoção ao falar com Diana.

― Bruce está longe de ser um homem perfeito, Diana. – A loira prosseguiu quando a ligação terminou. ― Mas ele é um ser humano incrível. Nunca conheci um coração tão honesto e altruísta. Se realmente está interessada, aproveite a oportunidade. Mas se não estiver, ele já teve uma boa cota de amores não correspondidos.

Diana piscou os olhos algumas vezes, tentando imaginar se realmente uma mulher poderia não corresponder a Bruce Wayne. O assédio que ela vira no evento dias atrás, lhe fazia pensar exatamente o contrário.

― Não é uma questão de corresponder ou não. Na verdade, eu nem queria estar interessada. Ele é um policial. – Diana revelou o ‘defeito’ que via em Bruce e Dinah não escondeu a perplexidade. Se Diana tivesse citado alguns dos escândalos amorosos de Bruce, sua fama de mulherengo ou sua presunção irritante, ela até entenderia, mas a profissão era uma de suas mais nobres virtudes.

― Ah, claro. Se ele fosse apenas o herdeiro Wayne ou um vendedor de flores, seria diferente. – A loira ironizou.

― Sim. – Diana foi enfática. ― Aliás, não me importo com o sobrenome que ele carrega. Contudo não seria fácil para mim, vê-lo sair de casa todos os dias, criando fama e inimigos ao ser bem sucedido na profissão e lidar com a incerteza de que ele voltaria vivo. Sem contar que sou um fracasso em relacionamento sério. Meu divórcio é um atestado disso.

A morena finalmente abriu a guarda e confirmou o que Dinah sempre percebera nela, a infelicidade, a insegurança e a frustração amorosa, mascaradas pela realização profissional e pelo destaque midiático.

― Um relacionamento nunca termina exclusivamente por culpa de apenas uma das partes, Diana. Eu não preciso de um divórcio em meu histórico para lhe confirmar isso, bastam meus relacionamentos com vida útil de seis a oito meses. – A loira deu de ombros.

Diana deu um sorriso triste e voltou-se para o telefone, que tocou novamente. Dinah percebeu o quanto ela estava fragilizada emocionalmente. Medo, muito medo de quem estava jurando-a de morte, mas ela parecia ter mais coragem de atender ao telefone e lidar com as ameaças do que enfrentar os muitos sentimentos que vinha nutrindo por Bruce.

Bruce que entrara em sua vida para protegê-la e, no entanto, derrubara defesas que ela edificara por anos em seu coração, deixando-a exposta e sem saber como agir.

Dinah nunca se apaixonara perdidamente, mas dizia para si mesma que teria mais coragem do que Diana se encontrasse alguém que abalasse sua estrutura. Pelo menos, ela julgava ser capaz de tal feito.

A loira começou a contar um pouco sobre seus relacionamentos no intervalo entre uma ligação e outra. Mas não conseguiram concluir o assunto quando Diana atendeu a quarta chamada. O dilatamento das pupilas de Diana denunciou quem estava do outro lado da linha e Dinah lhe passou confiança pelo olhar, para que ela mantivesse o perseguidor falando.

Diana se concentrou no relógio em seu pulso, contando os segundos enquanto a voz do outro lado da linha proferia xingamentos repulsivos contra ela. Nessas horas, Bruce sempre acariciava sua mão, lhe encorajava. Mas hoje ela precisaria encontrar forças sozinha.

Foi quase um minuto de repetição de ofensas e ameaças. Ela tentava deixar as palavras passarem, sem absorvê-las, como se fosse um pesadelo do qual logo acordaria.

― Por que me odeia tanto? Nunca lhe fiz mal algum. – Diana questionou, quando teve oportunidade de falar.

― A mim, diretamente, não. Mas você fez mal a alguém que eu amava. Que me amava. E agora, não me ama mais, por sua culpa. Você é o preço, a causa e a consequência.

― Eu não entendo. Me diga um nome. De quem se trata. Eu posso tentar reparar. – Diana tentou manter a calma e um tom de voz amistoso.

― Não, você não pode. Você não se lembrar só mostra o quanto é mesmo desprezível, indigna. Mas você saberá de tudo antes que eu termine com você.

― Eu conheço tantas pessoas. Não é tão simples me lembrar. Eu estou certa de que não causei mal algum a alguém intencionalmente.

― Você é como ela. – A voz disse aleatoriamente. ― Ele é uma vítima. Sempre foi uma vítima. A dívida será paga. Em breve, muito em breve. – O telefone ficou mudo e Diana soltou o aparelho de sua mão, deixando-o cair sobre a mesa.

Ela escondeu o rosto entre as mãos, tentando se recuperar e entender sobre o que a voz do outro lado da linha falava. Quantas pessoas estavam envolvidas nessa história? Que tipo de devaneios aquela voz alimentava e associava a ela, ameaçando-a constantemente?

Todos os dias era a mesma rotina. Ora uma ligação ora um presente macabro, ou ainda a sensação de estar sendo seguida, observada à espreita. Diana sabia que logo chegaria ao seu limite e que isso era tudo o que o seu algoz esperava.

A mão da detetive Lance sobre seu ombro a tirou de seus pensamentos. Ela encarou a loira que tinha um semblante de expectativa.

― Conseguiram rastrear a ligação, Diana.

Diana soltou um suspiro aliviado. Finalmente uma pista, uma possibilidade de se ver livre daquele tormento.

― Acha que vão pega-lo? – Diana foi direta.

― É um rastro importante. – A detetive foi cautelosa. ― Mas, mesmo que não consigamos encontrá-lo imediatamente, poderemos fechar o cerco.

Diana se deu por satisfeita. Queria que tudo pudesse se resolver de imediato, mas sabia que não era tão simples. Ela queria ao menos que Bruce estivesse ali e se perguntou se ele estava ciente da primeira pista concreta sobre o psicopata, se teria sido ele o primeiro a saber e se já estava trabalhando em alguma contingência para encontra-lo. Olhando para dentro de si mesma, reconheceu sua estupidez por tê-lo afastado.

(...)

Diana não atendeu mais ligações naquela noite. Nem poderia. A ansiedade e a adrenalina a consumiram de tal forma, que seu único desejo era ir imediatamente à delegacia e ficar à espera de mais informações sobre a ligação rastreada. Todavia, Dinah lhe dissera que deviam ir pra casa, não adiantaria manter um plantão no departamento de polícia às três da madrugada.

Sob a escolta da detetive Lance, que pilotava uma envenenada Harley-Davidson seguindo o carro da emissora de perto, Diana se deu por vencida e decidiu que poderia esperar até o amanhecer para ter um relatório completo do avanço na investigação. J'onn dirigia devagar, embora Diana tivesse pressa. Para relaxar, ela ligou o som do carro numa programação de rádio local, fazendo da música sua terapia.

Sentada no banco da frente, já que não fazia questão de ser tratada com estrelismo, seu semblante que ostentava expressões variadas, chamou a atenção do motorista da emissora.

― Algo a está incomodando, Diana? – O sempre discreto motorista, se sentiu impelido a questiona-la.

― O de sempre! – Ela suspirou e o homem entendeu do que se tratava. Todos na emissora vinham percebendo o desgaste de Diana desde que começara a ser ameaçada. ― Mas pelo menos hoje há uma esperança de que esse pesadelo esteja perto do fim. – Ela fez uma prece silenciosa, esperando que realmente tudo terminasse definitivamente.

― Alguma pista sobre o autor das ameaças?

― Rastrearam a ligação. – Diana trocou um rápido olhar com o motorista.

― Até que enfim, Diana. São raras as vezes que você usufrui de meus serviços, mas essa semana não pude deixar de notar que você estava muito fragilizada. – Ele comentou, sem querer ser indiscreto.

― Você tem razão, J’onn. Essa semana começou mais difícil do que as outras, mas não foi apenas pelas ameaças. – Ela confessou e o motorista a olhou com curiosidade, logo voltando a atenção para o trânsito, uma vez que já estavam na via de acesso ao condomínio em que Diana residia.

― Parece que a pista foi mesmo boa. – J’onn comentou, chamando a atenção de Diana para duas viaturas estacionadas em frente a sua casa.

Diana mal pode esperar J’onn estacionar devidamente para saltar do carro e descobrir o motivo da movimentação em frente sua casa. Sequer se lembrou de agradecer ao motorista pelos seus serviços. Seu coração batia descompassado, na expectativa de que pudessem já ter encontrado seu carrasco.

Ela viu a detetive Lance, que se adiantara ao notar as viaturas, conversando com mais dois policiais, que faziam a ronda da rua desde que ela vira o suspeito nas imediações de sua casa. Eles pareciam sérios, mas nada chamou mais sua atenção quando percebeu que entre eles também estava Bruce, de costas para ela e falando ao celular.

Ela andou tão rápido que quase poderia correr. Uma emoção e uma expectativa tão grande se apossaram de seu coração, que ela sequer teve tempo de se refrear e conter seu contentamento ao vê-lo. Enquanto se aproximava, ele se virou lentamente, balbuciando algo para Dinah e logo parando seus olhos sobre ela.

Diana sorriu, afetuosamente, olhou Bruce tão lindo e tão perto, sentiu a saudade clamar pela recuperação do tempo que ficara longe dele. Ela sentiu desejo de saltar nos braços dele, circular seus braços ao redor do pescoço do detetive e deixa-lo sentir todo calor de sua felicidade por ele estar ali.

Ela o teria feito, se não fosse o banho de água fria que recebeu, quando o cumprimentou sorridente e ele apenas retribuiu com um aceno de cabeça, terminando de conversar com os colegas policiais antes de dar-lhe atenção.

Ainda que Bruce tivesse sido claramente frio à sua presença, mesmo o constrangimento pedindo passagem em suas emoções, Diana preferiu acreditar que tudo não passou de uma postura profissional, especialmente por terem espectadores.

― Bruce, que bom que está aqui. – Diana foi sutil, mas não escondeu a euforia em seu olhar.

― É meu dever, Diana. – Ele a fitou com o olhar morno e Diana preferiu que ele tivesse lhe ofendido verbalmente. Ao menos teria um pouco de emoção na reação, ao contrário da indiferença que ele sustentava.

Ela cruzou os braços sobre o peito. E engoliu sua frustração. Ainda lhe restava um pouco de orgulho para não fraquejar diante dele.

― Certo. – Ela franziu o cenho e se concentrou no que mais importava no momento. ― Conseguiram pegá-lo? – O olhar sem brilho de Bruce lhe tirou a esperança.

― Ele ligou de uma cabine telefônica, não muito longe da emissora. – Dinah revelou o que ouvira do parceiro, segundos antes de Diana se aproximar.

― Ele quis ser rastreado. Tomou cuidado em não deixar impressões digitais. Seu intuito foi mostrar que estava por perto.

Diana abraçou o próprio corpo, percebendo que, ao contrário do que acreditava, eles haviam voltado a estaca zero nas investigações. Bruce conteve o ímpeto de conforta-la, ao reconhecer a fragilidade nos olhos azuis. Estava disposto a se portar de maneira exclusivamente profissional com ela, desde o último encontro que tiveram.

― Nós vamos conseguir algo em breve, Diana. – Dinah foi quem a confortou, percebendo o clima desconfortável entre o parceiro e a apresentadora. ― Ele está se arriscando, em breve cometerá algum erro.

Cansada, Diana olhou ao redor, à procura de algo suspeito através da névoa da madrugada que cobria a rua. Ele estava cercando-a, talvez estivesse observando tudo de um ponto próximo. Ela conteve um leve tremor. Olhou para Bruce e decidiu converter seu temor em hostilidade à presença dele. Afinal, porque ele se dera ao trabalho de ir até ali, sem alguma informação útil? Teria sido apenas para mostrar a ela o quanto ele já não se importava?

― Pouco trabalho na delegacia, detetive? – Ela forçou um sorriso cínico e Bruce não reagiu. ― Suponho que sim, para se dar ao trabalho de vir até aqui com uma notícia dessas.

Bruce trocou um rápido olhar com Lance, que disfarçou o embaraço pela situação, abaixando a cabeça.

― Na verdade, não vim até aqui para informar sobre a ligação rastreada. Eu já estava aqui quando me avisaram sobre a pista.

Diana soltou um 'Ah' desdenhoso, antes de raciocinar corretamente o real motivo que teria levado Bruce até sua casa. Ela pensou, inicialmente, que ele teria ido atrás dela e a pista pouco proveitosa o tivesse deixado daquela forma. Todavia o semblante sério dele e dos demais policiais foram lhe trazendo à realidade, estalando uma nova hipótese em sua mente.

― Donna! – Diana sussurrou e arregalou os olhos, quando viu nos olhos do detetive que ela havia pensado corretamente. ― Por Deus, onde está Donna? O que houve com ela? – Diana se agarrou à jaqueta de couro de Bruce, desesperada para que ele falasse logo.

Calmamente Bruce removeu as mãos dela de sua blusa e demonstrou um pouco de calor humano ao segurar firme as mãos de Diana entre as suas. Ela tremia e os olhos marejavam.

― Donna está bem. Dentro de casa e te esperando. – Ela não sabia se acreditava, mas o olhar dele era sincero.

― Então? – Ela olhou alternadamente para Bruce e Dinah, e a loira instigou que Bruce prosseguisse.

― Donna, me ligou há uma hora atrás. – As mãos de Diana gelaram entre as mãos de Bruce. Ele sabia que embora o somatório de notícias da noite fosse abala-la, ela não o perdoaria se ele lhe ocultasse algo tão importante. ― Ela foi a uma festa com os amigos da Universidade. Quando voltou, encontrou um bilhete preso ao limpador de para-brisas do carro.

Bruce retirou o bilhete do bolso e o passou para Diana que quase o rasgou, em choque com a notícia. Ela reconheceu a mesma fonte digitada nos outros bilhetes que recebera. Esqueceu de respirar quando leu o recado.

"Vá se despedindo de sua irmã. Faz parte da minha vingança, deixar alguém que ela ama experimentando a mesma dor que sinto."

A visão de Diana ficou turva, duas lágrimas pesadas respingaram sobre o pedaço de papel em suas mãos. Completamente em choque, ela sentou-se sobre o meio fio, enterrou os dedos entre os fios de cabelo e o rosto entre os joelhos. Não se importou que vissem o quanto ela estava fragilizada. Não se importou que o choro corresse livre pela sua face.

Dinah olhou para Bruce, vendo-o fazer um esforço hercúleo para não pegar Diana no colo e ampará-la naquele instante.

― Vamos puxar as imagens das câmeras da rua em que o carro de sua irmã estava, Diana. Vamos providenciar um policial para escolta-la também. – Lance falou, próxima a ela, mas Diana ouviu um mero sussurro.

Os soluços de Diana ecoaram, quando ela levantou um pouco a cabeça. Ela podia suportar tudo contra si, mas ver que seu algoz estava se aproximando também de sua irmã foi demais para ela. Donna era a única família que lhe restava, ela pediria para morrer naquele instante se isso garantisse a segurança de sua irmã.

― Vamos entrar, Diana. – Bruce a levantou, cuidadosamente, percebendo o quanto o corpo dela vacilava.

Ele acariciou as costas dela, martirizado pela dor e o desespero que via em seu semblante. Que se dane que ela o tivesse mandado ficar afastado, ele pensou, puxando-a contra seu peito.

― Me deixe. – Diana o afastou, esforçando-se para se sustentar em pé e sem muita firmeza na voz.

― Não seja teimosa, Diana. Você não está bem. Deixe-me acompanha-la.

― Não. – Ela se exaltou, chegando ao limite de suas forças. Respirou fundo e foi razoável. ― Obrigada pela ajuda, detetives. Mas eu preciso de privacidade. Quero ver Donna, quero enfrentar isso com ela, apenas. – Ela olhou para Bruce, vendo a impaciência em seu olhar. ― Não estou me fazendo de difícil, Bruce, nem teria forças para isso agora. Estou com medo, insegura e preciso pensar. – Foi o mais honesta possível com o detetive.

Bruce assentiu com a cabeça e Dinah tocou de leve o ombro de Diana, deixando claro que eles a compreendiam. Ela fechou o casaco e caminhou lentamente para dentro de casa, tentando reunir forças para encarar a irmã e superarem essa noite terrível juntas.

― Ela realmente precisa de um tempo agora. – Dinah comentou aleatoriamente, vendo o olhar desolado do parceiro.

― Se ao menos ela me deixasse ajudar. – Ele murmurou para si mesmo.

― Vou pedir que uma viatura fique de plantão em frente a casa. – Dinah mudou de assunto, mas antes que fizesse o que tinha em mente, Bruce a deteve.

― Eu vou ficar.

A loira o questionou com o olhar. Bruce não comentara com Diana, mas estava de folga aquela noite. Ela cogitou a hipótese de dissuadi-lo de seu intuito, mas sabia que seria mais fácil remover uma mula empacada do lugar.

― Certo. – Dinah suspirou. ― Eu fico com o primeiro turno. – Ele fez menção de dispensa-la, mas antes que reagisse ela já estava sentada no banco do carona do carro. ― Parceiros, lembra? – Ela abriu um sorriso ao baixar o vidro do carro e Bruce tomou seu lugar ao lado dela. Eles trabalhavam bem sozinhos, mas os anos de parceria lhes ensinaram que a simples companhia um do outro tornava uma vigilância menos difícil de se encarar.

Notas finais
Continua! *Se virem algum erro no texto me avisem, please. O capítulo não foi revisado e eu ando numa correria louca. Fora que foi postado pelo celular, então perdoem os erros de formatação. Beijos!