Baby, I don't want to feel alone.
2 Looking for forgiveness
Eu sabia que assim que eu batesse a porta do apartamento, as ligações começariam a me perturbar por todo aquele dia. Antes que isso acontecesse, desliguei o celular enquanto entrava no carro e joguei-o no banco do carona. Eu não queria pensar nisso todo o momento e como o Kevin havia pisado na bola comigo, mas era inevitável.
– Droga! Droga, droga, droga! – Falei, enquanto batia no volante, com o carro ainda desligado.
Normalmente, eu que buscava sempre briga e iniciava uma discussão, porém, eu havia cansado. Não queria ficar batendo na mesma tecla sempre do ex dele que já foi temas de várias brigas entre nós. Ele estava aqui quando eu não estava. Beleza, isso eu podia entender. Mas não justificava o Kevin ainda manter qualquer tipo de contato com alguém que já foi e não significa mais nada, pelo menos é o que eu acho.
Antes que eu pudesse ligar o carro, procurei alguns de meus discos que eu sempre fazia questão de deixar no carro, até encontrar o qual eu realmente queria.
– Faça um bom trabalho, Arctic Monkeys. – Falei, olhando para a capa do cd deles mais recente e balançando minha cabeça negativamente, logo em seguida. Eu realmente conseguia ser patético às vezes.
Pus meus óculos escuros e por fim liguei o carro, saindo do estacionamento do prédio. A agência não ficava tão distante assim do prédio, mas eu não estava com cabeça de passar por lá agora. Fiquei dando voltas e voltas sem rumo algum pela cidade que naquela hora, não estava caótica e o transito estava praticamente livre, enquanto cantarolava no ritmo de Do I Wanna Know. Por um momento, tudo estava bem.
Após várias voltas pela cidade, cheguei no trabalho um pouco mais cedo do que havia planejado ainda. Cumprimentei alguns colegas de trabalho enquanto caminhava para minha sala, parando apenas para pegar um café no caminho. Bati sutilmente a porta da sala e posicionei o café na mesa devidamente organizada, como eu havia deixado no dia anterior. Retirei também do bolso, meu celular ainda desligado e pus ao lado do porta retrato onde deixava bastante visível uma foto minha e do Kevin, que tiramos em nossa lua de mel, em Paris. Respirei fundo pela milésima vez só naquele dia e beberiquei um pouco do café que estava bastante quente por sinal.
Após alguns minutos sentado na mesma posição, em um silêncio total e sem nenhum acontecido na empresa, eu decidi ir para casa. Estar na empresa e em casa, seria a mesma coisa, levando em consideração que meu dia não seria nada produtivo no âmbito de trabalho, eu simplesmente não estava conseguindo focar em nada. Sem falar que, o Kevin já teria saído de casa para trabalhar ou fazer o que quer que fosse. Comuniquei minha saída a secretária, caso alguém viesse á minha procura e caminhei até o elevador que dava direto para o subsolo, onde encontrava-se o estacionamento.
Em questão de dúvidas, ainda no elevador, tornei a ligar meu celular novamente para checar alguma notificação ou sentir o gostinho de ver o Kevin correr atrás. Como previsto havia vários correios de voz do Kevin e uma notificação do Dom, pedindo para que eu passasse em seu restaurante, que apesar de anos, ainda estava em construção.
Ir até o restaurante do Dom levou uns belos minutos, não era tão perto da empresa e isso estava me deixando bastante aflito. Pensar era a última coisa que eu queria agora, já havia feito demais. Porém, depois de atravessar a ponte e dirigir por mais alguns quilômetros, cheguei.
– Vi a tua notificação no momento certo. Qual a urgência? – Falei enquanto caminhava, encontrando-o em frente ao restaurante e abraçando-o forte. Se havia uma pessoa a qual eu podia confiar e sabia que estava ali para me ajudar no que fosse preciso, essa pessoa era o Dom.
Entramos juntos no restaurante e logo retirei uma das cadeiras para que eu pudesse sentar, o Dom fez o mesmo em seguida.
– Então, falta pouco para eu acabar a reforma do restaurante e com a ajuda da Doris, vamos abrir até o final do mês. – Ele parou, tentando respirar um pouco e logo prosseguiu. – Ela, então, me deu a ideia de pedir tua ajuda para a divulgação do restaurante. Digo, não precisa ser algo grande, sabe? Só o suficiente para que as pessoas saibam da inauguração. – Ele terminou, sem graça.
– Era isso, Dom? Pelo amor, claro que eu ajudo. Mandarei o rapaz responsável pelo atendimento vir aqui e fazer o brieffing para passar pela área de criação. Relaxa, vai dar certo. – Apoiei minha mão em sua perna, pressionando um pouco o local, como se quisesse transmitir confiança.
Ficamos papeando por um bom tempo, até que ele decidiu abrir algumas cervejas que tinha no freezer, e, entre umas e outras, eu já havia ficado confortável o bastante para contar que havia acontecido hoje de manhã. Ele fez uma cara de incrédulo e como papel de bom amigo, falou mal do Kevin e falou o que eu precisava ouvir.
– Ok, eu tive uma ideia. – Posicionei uma das minhas mãos em seu ombro. – Já são quase uma da tarde, certo? Vamos a algum bar aqui por perto e bebemos algo mais forte que isso. Que tal? –
Eu conhecia ele o bastante para identificar sua cara de negação, porém antes que ele respondesse, segurei forte sua mão e o arrastei até o carro dando as chaves para o mesmo. Depois que me casei, perdi os costumes de sair para tais lugares como bar, baladas, etc. Ele provavelmente agora, conhecia esses lugares melhor que eu. Levando em consideração que estava de dia, bar era nossa única opção.
Contando as vezes em que entrei e saí do carro, poderia considerar que tinha feito uma tour por toda San Francisco. Sem demoras, ele parou próximo a um bar que tinha uma área externa bacana e uma aparência antiga, de bar tradicional, revestido de madeira e tudo o que tinha direito. Sentamos em uma das mesas do lado de fora, não demorando muito para que um garçom viesse anotar nosso pedido.
– Pois bem – Falei enquanto estudava o cardápio de comidas e bebidas. – Quero um shot de vodka e um coquetel de frutas com todas as bebidas que você tiver no estoque. – Pude perceber o garçom prendendo o riso enquanto anotava o pedido, porém deixei passar.
– E você, senhor. O que deseja? – O rapaz proferiu ao Dom, encarando-o. Porém antes que o mais velho respondesse, eu tomei frente.
– O mesmo que eu. Pode ir, obrigado. – Observei o rapaz se distanciar e voltei minha atenção ao Dom que quis falar alguma coisa –provavelmente reclamar- porém não deixei que o fizesse.
Alguns minutos depois, o garçom tornou à nossa mesa trazendo a bandeja com os pedidos. Segurei com firmeza o pequeno copo com a dose de vodka, e, sem hesitar, virei de uma vez, fazendo uma breve careta.
– Então, esse é seu conceito de bebida forte? Pobre garoto. – Dom falou, apontando para o coquetel que estava em minha frente.
– Ai, cala a boca e bebe comigo. – Falei, levando o canudo em direção à boca e saboreando um pouco da bebida, que estava bem batizada, por sinal. O garçom tinha entendido meu pedido.
(...)
Bebemos por um longo período de tempo e revezamos entre comida e bebida. Não era surpresa que eu era o mais fraco para bebida, sempre fui. Dom, então, ofereceu para levar meu carro até o prédio. Era fim de tarde e o sol já havia começado a se por, junto com ele ia minha raiva também. Eu estava me sentindo bem mais leve e isso era notório. Ele estacionou o carro corretamente e entregou as chaves em minha mão, esperando até que o elevador chegasse, para poder pegar um táxi e ir embora.
– Tem certeza que não quer entrar? – Perguntei, encarando-o.
– Tenho. Qualquer coisa me ligue e se as coisas piorarem, você pode dormir no meu apartamento. – Ele findou, beijando minha bochecha e dando de costas, indo embora.
Eu não sabia se Kevin já havia chegado ou não, também pouco me importava. Só queria esquecer como aquele dia havia começado. Girei a chave e abri a porta quando me assustei um pouco com o que estava vendo.
O apartamento estava todo iluminado em velas no chão, como se traçassem um caminho que levava em direção até o quarto. Também podia encontrar algumas pétalas de rosas de tonalidade vermelha, no chão. Kevin ainda não tinha dado as caras, o que me fez pensar que ele talvez nem estivesse ali. Segui a tal “trilha” até o quarto, onde a temperatura estava um pouco baixa, devido ao ar condicionado. Sentei-me na cama quando ouvi um sutil psiu. Olhei em volta e pude observar a silhueta do Kevin, encostado na parede, de braços cruzados.
– Patrick, eu... – Ele falou com uma voz fraca e frágil.
– Por quê fez isso, Kevin? Você sabe como eu sou. – Levantei da cama e camnhei em direção a porta do quarto, mas antes que eu saísse, ele me puxou pela cintura e me empurrou contra a parede.
– Eu te amo, você não entendeu bem. Eu... eu posso explicar. –
Eu apenas não conseguia olhar em seus olhos, confesso, tinha sido lindo toda a surpresa, mas não encobria o que havia acontecido. Ele pôs a mão em meu queixo e tocou seus lábios quentes no meu, tentando iniciar um beijo prolongado. Tentei sair, dando alguns tapas em seu peitoral, mas em vão. Ele era o mais forte. No fundo talvez eu quisesse me render, e foi o que eu fiz. Entreguei-me ao beijo, envolvendo minha língua na sua em perfeita sintonia, enquanto nossos lábios se encaixavam perfeitamente. Era tarde demais para recuar.
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