Baby Avengers - Os Bebês Vingadores
11 Capítulo 11: E então, o que é que vai ser, hein?
Notas iniciais
28 dias para o soro ficar pronto
~POV de Loki
Nada de interessante houve nesses dias em que passei aprisionado neste apartamento, mas isso não é nada se comparado à maneira como venho sendo tratado. O que um deus como eu fez para merecer, mesmo que temporariamente, uma vida de bebê?
Agora vivo nesta montoeira de almofadas e cobertores junto a Thor e seus novos amiguinhos, todos nós à mercê desses Midgardianos estúpidos. Mas devo admitir que, de todos eles, Anne mostrou-se ser mais do meu agrado: não era grudenta, nem infantil – as outras falavam conosco de um jeito idiota que me dava nos nervos! –, e acredito que, pelos seus passatempos junto aos livros, devia ser bem inteligente.
Preciso de mais pessoas assim ao meu lado.
Numa certa tarde, estava eu deitado e entediado no meu canto isolado da pilha de almofadas – o qual eu fiz questão de afastar mais ainda para que ninguém me incomodasse – perdido em meus devaneios. Focava minha visão naquele teto reluzente do apartamento de luxo, ignorando tudo ao meu redor, quando um vulto passando pelo canto do meu campo de visão chamou minha atenção:
Anne levava consigo três latas vermelhas de alguma bebida que eu não pude identificar em direção ao canto oposto da sala, onde juntou-se às outras Mirdgardianas, Jane e Darcy. Fazia já um bom tempo que elas se encontravam reunidas ali, concentradas com umas cartas estranhas. Não sei se tal jogo era tão produtivo, mas parecia ser bem estranho – levando em conta que cada vitória era comemorada com um UNO!, quebrando o silêncio quase absoluto das partidas.
Sentei-me na almofada onde havia me deitado e fiquei observando a cena. É tão diferente ver um grupo de pessoas reunidas dessa maneira, sentadas no chão e divertindo-se com algo aparentemente tão bobo...
– Cara, eu tô com fome... – reclamou Darcy, fazendo uma cara de tédio.
– Faz pouco tempo que almoçamos! – disse Jane – Desse jeito vai acabar explodindo de tanto comer.
– É o tédio, ele precisa ser remediado com coisas no estômago.
Anne também parecia estar pensando o mesmo:
– Nem me fala...
– Pegue alguma coisa pra vocês, então. Eu estou satisfeita.
– Já volto – Anne levantou-se e dirigiu-se ao lado oposto da sala, passando por mim.
Dessa vez pude notar que seus braços estavam cheios de desenhos de todos os tamanhos, formados por diversas composições de traços. Seria isso algum costume entre os jovens deste mundo?
Ao passar por mim, nossos olhares se encontraram. Ainda me lembro da sensação que tive ao estar em seus braços, de como ela me olhava sem me temer. É claro que isso devia ser pela minha nova aparência, mas poderia muito bem não ter sido por isso.
Pensei tê-la visto parar por um milésimo de segundo, mas logo sumira para a cozinha do apartamento. Depois de algum tempo, ela voltou com duas bacias médias, uma em cada mão. Pensei que seriam para saciar sua fome e a de Darcy, mas Anne veio em direção a mim e os Vingadores e colocou uma delas no meio do mar de almofadas.
– Também trouxe uma coisinha para vocês. Comam o quanto quiserem!
Saí de meu canto e cheguei mais perto para ver o que era, juntamente com os outros. A bacia estava repleta de bolinhas brancas meio deformadas, que começaram a ser devoradas pelos outros bebês. Nunca antes eu tinha visto algo parecido.
– É pipoca, bobo – olhei para trás e Anne me olhava, agachada. – Não vai comer seu cérebro.
Não vai comer meu cérebro, mas que senso de humor.
Hesitei em pegar uma “pipoca”, que cabia quase na minha mão inteira, agora que eu diminuíra de tamanho, e levei-a a boca. Pus-me a mastigar e percebi que era de um gosto delicioso – por sorte eu ainda tinha dentes para isso. Era tão bom que eu me senti mais leve, sem aquele tédio de antes. Peguei mais uma, e então outra, e, quase sem perceber, comecei a comer o conteúdo da bacia junto aos outros. Para falar a verdade, nem estava ligando para eles, estava me deleitando com aquilo!
Algo me dizia que eu talvez gostaria ainda mais dela.
***
Ontem à noite o scanner finalmente terminou de analisar a parte remanescente do Tesseract – o que poderia ter sido mais rápido se entrássemos em contato com a S.H.I.E.L.D., mas não, né! – e Erik ficou de traduzir a linguagem das coordenadas para só então mandar para a agência. Segundo o que ele me disse, mesmo o scanner sendo um aparelho de última geração, ele ainda assim pode dar alguns “pepinos” – que, nesse caso, foi um erro no resultado da análise. Não cheguei a ver, mas imagino que foi alguma sequência louca de código binário não traduzida para linguagem geográfica.
– Sua vez – disse Darcy, após descartar uma carta vermelha da sua mão no montinho do nosso jogo de UNO.
O dia vem sendo relativamente agradável até agora, calmo demais, até. Os Vingadores não chegaram a dar tanto trabalho – Bruce e tio Stark se dão muito bem, Clint e Natasha parecem formar um casal muito fofo de bebês e até que os irmãos deuses estão andando na linha por enquanto. Portanto, na falta de algo emocionante, eu e as garotas pusemo-nos a jogar.
Restavam apenas uma carta azul e uma preta comigo, então tive que comprar uma de outra cor.
– Esses jogos parecem ser tão bobos à primeira vista, mas viciam tanto! – comentou Jane.
– A simplicidade é o segredo da engenhosidade das coisas – disse, ao descartar a carta vermelha que acabara de comprar.
– Você tem o dom de filosofar sobre assuntos aleatórios, hein? – disse Darcy.
Jane descartou uma carta verde com o número sete – o mesmo da minha carta vermelha. Para ela restavam cinco cartas e, para Darcy, quatro.
– Eu não o classificaria como tal.
– E, além disso, fala naturalmente de um jeito formal – disse, descartando uma carta verde. – Devem ser os seus livros.
– Ou então minha inteligência, que pode muito bem ser resultado de minhas leituras – retruquei, bancando a intelectual.
Restavam para mim, agora, uma carta azul de número três e uma carta bônus – a carta preta – , para comprar quatro cartas na pilha de compra. A carta descartada por Darcy era de mesmo número, então descartei a carta azul e comemorei:
– UNO!
– Affe, já é a terceira vez consecutiva que você ganha isso – reclamou Jane, recolhendo as cartas para embaralhá-las.
– Eu sou um ímã de sorte – espreguicei-me.
– Só que não – retrucou Darcy.
Com o canto do olho, dei uma olhadinha no “cercadinho” onde os nossos herois se fartavam da pipoca que eu havia feito – ao mesmo tempo em que pegara uns cookies para Darcy e eu. Todos pareciam tão felizinhos comendo – porque comida tem esse poder, evidentemente – , até o Loki estava mais à vontade! Levando em consideração que ele é um vilão, era uma surpresa vê-lo em paz com seus supostos arque inimigos.
Estávamos com nossas cartas novamente em mãos para começar mais uma partida quando Erik entrou na sala:
– Garotas, boas notícias! Acabei de mandar as coordenadas para a agência e eles imediatamente enviarão uma equipe de busca para o Atlântico.
– Mas já?! – exclamei, surpresa com a rapidez que aquela busca estava sendo feita – Levamos apenas três dias trabalhando nisso!
– E agora podemos descansar em paz – disse ele, jogando-se no sofá perto de onde estávamos.
– Acho que você se esqueceu de um pequeno detalhe – disse Jane, tomando um gole da sua Coca — cola.
– Pequenos detalhes, você quis dizer – brinquei, pegando o último cookie da bacia ao meu lado.
Erik olhou em direção aos Vingadores e levou uma mão à cara, como num facepalm, suspirando. Não estaríamos livres deles assim tão cedo, teríamos que esperar até o próximo dia 24 para cantarmos vitória.
Mas, até lá, o que faríamos?
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