Baby Avengers - Os Bebês Vingadores
12 Capítulo 12: Tédio com um "T" bem grande pra você
Notas iniciais
27 dias para o soro ficar pronto
E assim começa o tédio:
Na sala de estar, o clima já não era tão empolgante: num canto, temos Erik lendo o New York Times acomodado em sua poltrona, porém não apresentando muito interesse no conteúdo; no chão, Jane tenta entreter os Vingadores com alguma coisa na qual não presto muita atenção, mas não acho que deve ser algo muito infantil; Darcy e eu estamos sentadas no sofá de frente para o telão – ela procurando alguma coisa útil na TV com o controle remoto enquanto eu começo o segundo livro da minha lista de pendências.
– Caramba, não se acha mais nada que preste na TV à essa hora! – reclamou Darcy, trocando de canal a cada cinco segundos.
– Paciência, gafanhoto – disse eu, chegando exatamente na metade do meu livro.
– Não me peça paciência! Eu não tenho nada interessante para fazer até dar o horário da minha série favorita e estou morrendo de sono!
Levantei os olhos do livro:
– Existe uma coisa chamada Netflix.
– Eu não tenho Netflix – disse, olhando para mim e levantando uma sobrancelha.
– Pode usar o meu, deixei o laptop em cima da cama.
Ainda me olhando, sua cabeça pendia para o lado e seu corpo estava todo folgado e recostado no sofá, o braço pendendo no ar com o controle remoto. De todos os três, Darcy era a que mais estava entediada, agora que não tínhamos nada mais para fazer a não ser esperar meu pai nos enviar o soro.
Depois de um tempo calada, ela apertou o botão de desligar no controle e, contorcendo a cara enquanto gemia de tédio, virou para o outro lado e deitou-se, cobrindo a cabeça com uma almofada. Eu voltei à minha leitura.
Vocês devem estar se perguntando como eu consegui ler aquele outro livro tão rápido, não é? Bem, eu sempre fui uma leitora voraz, ainda mais quando tenho todo o tempo do mundo para devorar quantos livros quiser. Neste, um grupo de amigos sai de férias numa viajem inesperada para outro Estado, onde cometem as maiores loucuras – tipo descobrir de última hora que ficaram duros e têm que assaltar lojas de doces para terem o que comer e trollar a polícia para não irem presos.
Mas acabo de chegar justo numa parte bem chata da história: tendo aproveitado tudo o que podiam e tinham direito, eles entram no famoso reino do tédio. Tédio com um ‘T’ bem grande, como numa música que a Mad tinha me mostrado outro dia.
Além do tédio que toma conta do apartamento, uma coceira desgraçada começou a tomar conta dos meus braços e pescoço – vira e meche, eles estão sempre vermelhos de tanto coçar, principalmente nas “runas”.
Cocei o lado esquerdo do pescoço, onde havia feito uma marca de Bloqueio – em formato de ‘Z’ – , enquanto segurava o livro na outra mão. Até então, o silêncio semi absoluto reinava após a TV ter sido desligada, mas, quase como num estrondo, uma rajada de ondas sonoras colidiram contra o meu aparelho auditivo ultra sensível quando eu menos esperava e quase deixei o livro cair na tentativa de proteger meus ouvidos. Por sorte, a avalanche de ondas cessou e deu lugar a uma música em volume medicamente recomendável.
Olhei para o canto onde fica o bar do apartamento e vi quem colocou o som – adivinhem só – : Tony. É bem a cara dele colocar AC-DC para agitar o pessoal num momento como este.
Deixei o bebê playboy no seu cantinho ao lado do controle de som e, agora mais calma, voltei ao meu livro, curtindo Hells Bells, Shoot to Thrill e mais algumas músicas da playlist que ele havia programado. Eu disse que adorava um som pesado, não disse? Pena que não era o meu som tocando...
Algumas faixas depois, quando eu já estava no penúltimo capítulo do livro, decidi que já estava na hora de escolher o repertório que eu queria – o que não seria tão difícil. A princípio, eu sou bem eclética. Minha mãe me ensinou a sempre estar aberta a novos repertórios – ela, assim como qualquer músico, entende isso – : ouço o que toca nas rádios dos lugares aonde vou com minha amiga e aturo numa boa as músicas que ela ouve – anos 40 a 80, que eu também adoro – , mas eu gosto mesmo é de quando estou sozinha ou com o tio Stark. Imagine um filantropo playboy roqueiro e uma adolescente metaleira mutante juntos, bangueando ao som do que cada um ouve – é disso que eu gosto.
Levantei-me e fui até o controle de som ao lado do bar onde estava o Tio Stark. Era um painel digital como qualquer coisa que você encontra na casa de um cientista bilionário, a menos que você nunca tenha entrado na casa de um.
– Foi mal, tio – já fui dizendo, aproximando-me do bebê sentado no balcão que balançava a cabeça ao som de Iron Man – , mas é a minha vez de escolher música.
Ele nem me ouviu, estava ocupado demais curtindo sua música tema.
Tirei meu celular do bolso da calça e coloquei-o em pé ao lado do painel, que automaticamente reconheceu o aparelho e conectou-se a ele. Abri minha galeria de músicas na tela e escolhi minha playlist de heavy metal favorita.
Começou a tocar minha música favorita do Agonist e, sem me importar com o estranhamento dos outros, pus-me a banguear junto com os riffs de guitarra assim como o tio Stark fazia ao som do Sabbath. Claro que não bangueei do jeito que costumo fazer – pareço uma louca girando o cabelo no ar. Sempre me sinto melhor ouvindo minhas músicas, a qualquer hora e qualquer lugar.
O primeiro refrão já estava quase terminando, quando a música foi interrompida subitamente e substituída por outra música do Black Sabbath. Parei de banguear e vi que o Tony tinha mudado de música – minha playlist podia estar selecionada, mas o programa tem um controle dinâmico quanto ao controle de áudio. O bebê se deleitava com a música, mas aquilo não era justo. Eu queria ouvir a minha playlist!
Agora na tela viam-se dois gadgets de player – um para cada playlist. Apertei o play do gadget correspondente à minha e a música da playlist do Tony parou automaticamente, dando lugar novamente ao Agonist. Fiquei mais alguns segundos cantando vitória, mas ele também foi esperto e apertou o play do seu, parando a minha música.
Olhei para ele como que dizendo Então é assim, é? e apertei novamente o play da minha. Ele se endireitou, ficando em pé em cima do balcão do bar, e, maliciosamente, revidou meu ataque tocando mais uma vez na tela do painel.
E assim começamos nossa batalha de músicas. Players sendo apertados sem parar, músicas sendo interrompidas até cansar e por aí vai. Quando eu teimava por uma coisa e o tio Stark por outra totalmente diferente, era geralmente nisso que dava – e assim, nossas idades eram magicamente igualadas. Alguns dos outros bebês começaram a reclamar com balbuciados aleatórios e chorinhos baixos.
– Ei, ao menos diminuam o volume! – reclamou Jane, ainda no meio dos Vingadores e tampando os ouvidos.
– Se alguém me permitisse – disse de volta, dando uma indireta para o meu tio.
Pelo canto da minha visão periférica, vi a telona da sala ligar sozinha e mostrar a imagem de Fury na vídeo conferência. Imediatamente desliguei o som antes mesmo que ele começasse a falar:
– Boas notícias, Dr. Selvig: as buscas pela outra metade do Tesseract foram realizadas com êxito pela nossa equipe! Acho que a missão dos Vingadores já pode ser adiada por causa disso e-
Fury ficou estático ao ver os bebês Vingadores na sala – também, acho que ninguém esperaria por algo assim, certo?
– Ah, mas que ótimo, Nick! – disse Erik, meio sem jeito ao ver a reação do superior.
– O que diabos está acontecendo?
O-oh, acho melhor alguém assumir o controle da situação.
Tomando o tio Stark no colo, dirigi-me para perto de Erik e Jane e contei tudo para o Fury. Seu olho bom arregalou-se ao ouvir a parte da explosão de radiação gama no apartamento – acho que ele considerou a possibilidade de eu também ter sido atingida pela radiação, mas eu discordo.
– ... e é isso! – terminei, com um sorriso amarelo no rosto.
Alguns segundos de silêncio se sucederam antes que Fury voltasse a falar algo:
– Vocês têm ideia do quanto esse acidente poderia ter nos prejudicado? Se a S.H.I.E.L.D. precisasse dos Vingadores numa hora dessas, como eles entrariam em ação?!
– Acredito que eles não tenham perdido os poderes – disse, lembrando a vez em que Thor e Loki lutaram e quase destruíram o apartamento.
– Medidas devem ser tomadas imediatamente para resolver esse caso.
– Já comunicamos o Thuomas, ele está trabalhando num soro para reverter os efeitos da radiação – disse Erik, ligeiramente tenso.
Fury deu um suspiro um tanto demorado, como se estivesse aliviado de termos já encontrado a solução para o problema. Deu mais uma olhada para os bebês Vingadores e, notando o intruso, comentou:
– Tomem cuidado com o Loki, não sabemos o que ele pode fazer estando na forma de um bebê – e, olhando para todos, acrescentou: — E, a propósito, apresentem-se na base aérea assim que tudo for resolvido.
Transmissão encerrada.
Erik soltou-se na poltrona, relaxando totalmente. Darcy ainda dormia.
Entendo a preocupação de Fury quanto à presença de Loki no nosso meio, mas ele não aparenta ter segundas intenções em sua mente – pelo menos por enquanto. Sei que, se isso for verdade, eu posso estar até iludida por sua forma de bebê, mas acho que ele merece uma segunda chance. Já não lutaram para capturá-lo e prenderem-no aqui na torre? Ele se rendeu, não? Agora está passando pelas mesmas dificuldades que os outros e merece ter a mesma atenção que eles.
É isso o que eu farei.
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