Baby Avengers - Os Bebês Vingadores
10 Capítulo 10: Fraldas, Ciência e Tesseract
Notas iniciais
Um mês para o soro ficar pronto
Naquela manhã, quando fui ao banheiro, percebi que as marcas estavam mais nítidas ainda. Lavei meus braços o mais caprichado que pude, com esponja e muito sabão até minha pele ficar vermelha de tanto esfregar. Não entendia o que estava acontecendo com elas!
Na sala, depois do café, fiquei sentada no sofá intercalando minhas ações entre ler um livro de suspense que eu comprara no encontro de Shadowhunters e encará-las. Li uns bons cinco capítulos – o personagem principal, um garoto da minha idade, estava tentando desvendar o paradeiro de um pertence de grande importância para sua família que fora roubado por um criminoso mundial – antes de uma marca de Coragem que eu havia feito na minha mão direita chamar minha atenção: linhas finas como veias saltadas rodeavam o desenho semelhante a um dragão. No filme dos Instrumentos Mortais – Cidade dos Ossos isso acontecia toda vez que os nephilim desenhavam novas marcas no corpo.
Dei uma olhada nas marcas dos meus braços – as marcas de Força e do Poder Angelical nos antebraços direito e esquerdo, respectivamente, se encontravam na mesma situação. Significaria isso que elas estão se acoplando ao meu corpo, passando seu “poder” para mim? Se ao menos funcionassem realmente, isso talvez fizesse sentido.
Os Vingadores acordaram pouco tempo depois de termos terminado o café. Dava para ver que, de certo modo, eles agiam como bebês legítimos de vez em quando: riam do nada sem nenhum motivo aparente – isso se não estivessem enchendo o saco um do outro – e choravam quando batiam em algum móvel, sendo Jane a responsável por apaziguar suas emoções.
– Ei, ei, está tudo bem – dizia ela a Steve quando ele foi esperto o suficiente para tropeçar no próprio pé, acariciando sua cabecinha loira brilhantinada para acalmar seu choramingo. De longe, Thor mostrava-se meio que enciumado com a cena ( Loki parecia estar gostando ).
O pequeno Capitão não levou muito tempo para cessar as águas dos olhos e se tocar de que aquilo não passara apenas de um susto. Jane sorria, irradiando um ar maternal que eu nunca antes havia visto vindo dela.
Ouvi um balbuciado de bebê do meu lado quando eu havia retornado à minha leitura – era o tio Stark. Marquei a página onde havia parado e voltei minha atenção a ele:
– O que foi, tio? – perguntei. Mesmo sabendo que ele não poderia falar por enquanto, eu continuava a tratá-lo como se estivesse de algum jeito em condições normais.
Seus olhinhos pareciam dizer que ele tinha algo importante a fazer, mas fora impedido pelos efeitos da radiação.
– Tem algo que você tem que fazer de importante?
Ele balançou a cabeça confirmando.
O que seria? Busquei em minhas memórias alguma informação que me ajudasse a desvendar do que isso se tratava. Lembrei-me da reunião que haviam feito no dia da minha chegada e das palavras de Fury na vídeo conferência.
– É o Tesseract?
Seus olhos brilharam mais ainda e ele sorriu enquanto confirmava com a cabeça. Era de fato aquele papo de analisar a metade remanescente do cubo para achar a localização da outra parte, coisa da qual ele e Bruce ficaram encarregados.
Mas não poderiam fazer isso sozinhos, eram bebês agora!
– O que ele quer? – disse Erik, entrando na sala e parando ao meu lado.
– Fury o encarregou de analisar uma das partes do Tesseract – e então eu tive uma ideia: — Ei, você pode nos ajudar, não é, Erik?
– Se eu posso? Qualquer coisa que não seja cuidar de crianças eu topo!
Perfeito! E, como eu suspeitava, ele também havia ficado informado do incidente.
É bom às vezes ter contato com cientistas, nunca se sabe quando você vai precisar da ajuda deles.
29 dias para o soro ficar pronto
Estávamos eu, Erik, tio Stark e Bruce no andar de pesquisa onde o Tesseract havia sido guardado. Arrumamos todo o material do qual precisaríamos no dia anterior, que constituía em scanners, painéis de transmissão em três dimensões e tudo quanto é parafernália científica de ponta que possa imaginar. O ambiente era parecido com o andar onde Loki fora aprisionado – acho que todos esses andares eram parecidos mesmo – e, acima de tudo, frio.
– Brrrr! Me lembre de sempre pôr uma jaqueta quando vir para cá – reclamei, sofrendo o choque térmico com relação à temperatura do apartamento.
– Mas aqui está ótimo! – disse Erik, sorrindo satisfeito com a temperatura do local. – É o condicionamento artificial perfeito para o verão.
Não entendo qual é a dessas pessoas. Para quê se dar ao trabalho de abusar do ar condicionado no verão quando sabem que o choque entre temperatura ambiente e artificial é altamente perigoso? Olhei para uma das paredes, onde localizava-se um termômetro digital: 17 °C.
Bem no centro, por cima de uma mesa de metal, estava o que parecia um fragmento de um cubo azul fluorescente bem grande. Dava para ver uma espécie de aura emanando dele e eu conseguia ouvir um zumbido bem baixo que vinha da direção do objeto.
– Esse é o tal Tesseract? – perguntei, aproximando-me da mesa com meu tio nos braços ( o zumbido aumentando ).
– Só uma parte, como deve saber – Erik, que carregava o Bruce, deixou-o se sentar encima da mesa de metal. Fiz o mesmo com meu tio.
Os bebês ficaram maravilhados com a visão do fragmento azul, mas permaneceram quietinhos em seus lugares. Erik virou-se para mim:
– Nossa tarefa agora é analisá-lo, certo?
– Sim – disse, lutando contra o frio – , mas acho que apenas o meu tio ou o Bruce saberiam como fazê-lo...
Os dois nos olhavam, sentados calminhos em seus lugares como se não houvesse nada com o que se preocupar. Fiquei imaginando o que estaria passando por suas cabeças naquele momento, tipo: “E agora, devemos ajudar, Bruce?” ou “Tony, e se eles não fizerem a mínima ideia de como manejar os equipamentos?”.
– Bem, teremos que arranjar um jeito de nos virar.
Então, Erik foi até um canto da sala onde havia separado alguns equipamentos de uso primário – colocados sobre um carrinho de metal – e pegou uma espécie de scanner portátil. Era parecido com aquelas lousas de desenho, mas era constituído por uma tela eletrônica semitransparente e tinha uns suportes discretos para deixá-la em pé. Ele posicionou-o na mesa em frente ao fragmento, ligando-o automaticamente.
Números e mais números apareceram na tela, embaralhando-se com a imagem do objeto analisado por trás.
– Código binário? – perguntei, espremendo os olhos para ver melhor as sequências de 0 e 1.
– Ainda está aquecendo...
A sequência se completou e uma malha quadriculada transformou a imagem do pedaço de cubo, envolvendo-o. Dados foram aparecendo em quadrados espalhados pela tela, preenchendo-os tão rapidamente que nem dava para ler o conteúdo.
Eu olhava maravilhada para aquilo, imaginando como bolaram e construíram um aparelho daquele nível.
– O scanner vai analisar os dados que precisamos por etapas – começou Erik a explicar – : primeiro, vai coletar informações de composição de material, depois extrair, a partir disto, as coordenadas exatas da posição do elemento na hora do acidente.
– Mas não dá para obter esse tipo de informação assim!
– A-ham – tossiu ele – , isso aqui é tecnologia da S.H.I.E.L.D., sendo assim, essa façanha é totalmente possível de ser feita.
– Não era mais fácil pegar as coordenadas diretamente dos dados da agência?
Erik ficou estático por meio segundo, depois pôs-se a refletir sobre o que eu havia sugerido. Evidentemente, era a coisa mais fácil e óbvia a se fazer – além de nos dar mais tempo para concluir a busca.
– Err... – balbuciou ele – Bem... – eu o olhava de lado, com aquela cara de quem diz Tá vendo no que dá agir sem pensar? – Agora que ele já está ligado, não há como interromper o processo.
– E quanto tempo ele demora para fazer uma análise?
– Umas... cinco horas.
Cinco horas. Equivalente a trezentos minutos ou, então, dezoito mil segundos.
Uma tarde inteira, levando em conta o horário que começamos essa coisa toda.
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