Notas iniciais
Olá, gente! Aqui está o capítulo! Espero que gostem! ;)

I

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TO BUILD A HOME

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Os olhos do homem absorveram a paisagem que passava por seus olhos como um borrão enquanto guiava o carro pela estrada linear; lembrava-se daquele local, onde praticamente crescera, com tanta intensidade que parecia que nunca tinha saído dali. Mas, na realidade, havia cinco anos que tinha deixado sua casa, para viajar, descobrir-se e ao mundo.

Parou o carro frente a Mansão de aspecto senhorial que se localizava em uma estrada perpendicular a primeira. Desceu do carro, com um sorriso quase imperceptível nos lábios, e postou-se frente ao portão curvilíneo. Lembrava-se do dia em que o vira pela primeira vez, era apenas um garoto na época...

Conseguira fugir de Auschwitz e do assassino de seus pais custosamente e se vira em uma situação de miséria resoluta. Sempre planejara sua vida com enfoque em sair do Campo de Concentração, nunca cogitara o que teria de fazer para continuar mantendo-se depois da fuga. Perdera-se em caronas por aí, jogando-se em trens com destinos a Deus sabe onde e trocando um nada de comida por serviço árduo que um garoto de sua idade mal era capaz de prover.

Vira-se, então, de alguma forma, no Reino Unido. Arranjara-se como engraxate em uma viela de algum movimento para não morrer de fome; o desejo de vingança crescia exponencial dentro de si, jurara que mataria o homem que tirara a vida de seus pais!

Foi basicamente vivendo como um rato, cortando meados por aí e, num dia em que o movimento estava bem fraco e ele quase não tinha dinheiro, resolveu que surrupiaria algo de algum distraído. Achou a vítima perfeita: uma menina pouco mais jovem que ele, de cachos loiros, que ornava uma pulseira de ouro no pulso... Ah! Aquela pulseira lhe renderia um bom dinheiro, se vendesse à pessoa correta!

Quando estava prestes a concretizar o furto, um rapaz franzino, de olhos bem azuis e cabelos negros, apareceu ao lado da garota.

– Você não precisa fazer isso, Erik.

Erik tomara que achara ser o maior susto de sua vida! O rapaz... O rapaz sabia seu nome! Como?

– Somos como você, Erik. – disse o outro, lhe fitando com aqueles olhos azuis intensos – Também somos diferentes.

Sabia seu nome... Sabia que era diferente! Como? Erik ficara cada vez mais desconfiado, mas também tinha vontade de descobrir como aquele garoto sabia coisas sobre si.

– Prove. – foi a única coisa que Erik julgou ser capaz de dizer. Além disso, estava realmente curioso com o rapaz a sua frente.

O garoto e a garota se entreolharam por alguns segundos e ela deu um meio sorriso após olhar pela rua, parecia checar que se estava vazia – o que, de fato, estava. Depois, sua pele começou a transformar-se, transmutou-se vagarosamente até que não era mais uma menina loira parada frente a Erik, mas sim uma mulher de cabelos curtos e negros e olhos verdes esmeralda.

(n/a: link da música: http://letras.mus.br/the-cinematic-orchestra/1054943/traducao.html)

Erik boquiabriu-se internamente. É claro que sabia que não era o único, o assassino de seus pais também era mutante, mas ele não pensou nos diferentes tipos de mutações que poderiam existir mundo afora. Era fascinante!

Há uma casa construída de pedras

Com chão de madeira, paredes e peitoril de janelas

Mesas e cadeiras cobertas todas de poeira

Esse é um lugar em que não me sinto sozinho

Esse é um lugar onde me sinto em casa

Está vendo, Erik? Era a voz do garoto a sua frente, mas ela soava dentro de sua cabeça, junto a seus próprios pensamentos. Por um momento sentiu raiva pela violação do único espaço que era inteiramente seu, mas depois também sentiu admiração.

Porque, construí uma casa

Para você

Para mim

Você não está sozinho, Erik. Disse o garoto, ainda em sua mente.

– Você não precisa estar sozinho. – completou, em voz alta – Você pode vir conosco, abandonar essa vida cheia de amargura e rancor.

A proposta parecia boa, mas... Qual a razão? Ele estava tentando assaltar a menina e agora eles o convidavam para ir com eles para sabe lá onde?

Até desaparecer

De você

De mim

Estou te oferecendo um lar. Você tem muitas coisas boas, consigo ver. E consigo ver que já passou por situação muito difíceis, também. Só... Só acho que posso lhe oferecer melhorias. Não quer viver de pequenos furtos a vida toda, certo? Não quer restaurar a dignidade que esse homem, Shaw, lhe roubou?

E agora, é tempo de partir e deixar a poeira

Era o que ele mais queria, mas não confiava no garoto e na garota, não confiava em ninguém a não ser em si mesmo. A vida lhe ensinara de maneira muito árdua que o mundo não é feito de pessoas generosas e boas.

Não posso lhe obrigar a vir conosco, mas você...

Lá fora no jardim onde plantamos as sementes

Há uma árvore tão velha como eu

Ramos foram costurados pela cor do verde

A terra havia se levantado e passou-o de joelhos

– Pare de falar na minha cabeça! – gritou Erik, irritadiço. Isso provocou riso na menina, que ainda sustentava a forma de mulher.

– Ele tem essa mania irritante. – ela comentou – Eu sou Raven, Raven Darkholme. – ela lhe estendeu a mão que continha a joia e ele considerou em roubá-la e sair correndo, mas aqueles dois haviam lhe chamado a atenção. Pela oratória, pelos poderes...

Pelas ranhuras da pele, subi ao topo

Subi a árvore para ver o mundo

Quando as rajadas chegaram para me mandarem abaixo

Segurei tão forte quanto você segurou a mim

Segurei tão forte quanto você segurou a mim

Ele apertou a mão de Raven,

– Este é Charles Xavier. Ele realmente é um pouco irritante quando quer, mas... Ele me ajudou bastante. Acho que o ajudaria também, se você quisesse.

Porque, construí uma casa

Para você

Para mim

Erik voltou a olhar os olhos do menino, a essa altura já sabia que ele podia ver dentro de seus pensamentos. Seu dilema era grande e plausível, mas, devia admitir, que os argumentos de Charles haviam criado raízes em sua cabeça.

Até desaparecer

De você

De mim

Agora, parado de frente para a Mansão, se lembrava de que fora, relutante, com eles, deixando a vida miserável que levava, mas não o ódio e o rancor. Nunca havia entendido o real motivo de Charles tê-lo resgatado, quando lhe perguntava ele só respondia com “Eu vi um bom coração escondido em todo esse ressentimento, raiva e ódio”. Talvez, para Charles, isso fosse um bom motivo, mas para ele ainda era muito vago.

E agora, é tempo de partir e deixar a poeira

Balançou a cabeça, espantando as memórias. Estava feliz de estar em casa, afinal. Os últimos cinco anos haviam sido maravilhosos, mas sentia falta das conversas, do xadrez... Talvez até do irritante chá que Charles servia religiosamente às cinco!

Voltou-se ao portão e estendeu a mão para este, sentiu a tranca se deslocar e ele abrir. Preferiu deixar o carro ali mesmo e trilhar o jardim a pé, a sensação de nostalgia o engolfava mais e mais. Chegou, então, a frente da porta de carvalho, levou a mão frente ao rosto e começou a bater na porta.

Uma mulher de uns vinte e tantos anos, de cabelos castanhos e uma expressão não exatamente simpática abriu a porta. Ela observou Erik de cima a abaixo antes de dizer alguma coisa.

– Posso ajudar?

– Charles Xavier ou Raven Darkholme estão em casa?

– E é da parte de quem? – ela perguntou, com desconfiança.

– Erik Lehnsherr.

Ouviu uma pequena exclamação saltar pelos lábios da mulher antes dela se recompor. Seus olhos examinaram Erik novamente, mas com uma expressão um tanto mais suave e polida.

Erik a classificou como sonsa em menos de segundos.

– Não nos conhecemos – ela disse, reforçando o óbvio – eu sou Moira McTaggert, namorada de Charles.

Ah, sim. Erik já tinha ouvido falar de Moira, por intermédio de Raven, que parecia ter uma forte antipatia pela namorada de Xavier. Erik, particularmente, a achou muito sem sal, mas era exatamente o tipo que mulher que sempre interessou Charles.

– Hum... Prazer. – por um milésimo de segundo, um sorriso torto brincou em seus lábios, para depois desaparecer – Onde estão Charles e Raven?

– Eles estão em Oxford, Charles recebeu um Prêmio da Universidade por sua tese.

– E você não foi com ele. – não era uma pergunta, Erik simplesmente o disse. Fazia isso muitas vezes, percebia algo que incomodava uma pessoa e não se limitava, colocava o dedo na ferida, a abria, deixava sangrar.

– N-Não. – ela respondeu, parecendo desconfortável, exatamente como ele imaginou que ficaria – Eu tinha trabalho e... Bom, eles devem voltar hoje ou amanhã bem cedo.

Erik assentiu.

– Até mais, Moira. — virou-se e começou a andar em direção a seu carro.

– Você não quer entrar? Tomar um chá? – ela perguntou, andando alguns passos atrás dele.

– Charles é quem toma chá. – ele respondeu, sem se virar.

Continuou seguindo seu caminho. Pretendia voltar para a Mansão aquela noite, mas não estava com vontade de continuar olhando para aquela tal de Moira. Era sonsa, exatamente como Raven havia descrito. Havia algo mais nela que o incomodava, mas ele não sabia o que era. Ah, não importava!

Erik guiou o carro de volta a estrada, lembrando-se de que tinha visto um hotel no caminho. Imaginou se local serviria seu whiskey favorito, um genuíno escocês... Provavelmente não. Havia um bar, nos arredores, onde ele se lembrava de ter ido muito vezes quando mais novo... Não era uma má ideia dar uma passada lá.

Aumentou o volume do rádio e acelerou o carro em seu máximo, deixando a Mansão cada vez mais atrás de si.

Notas finais
E aí, gente? Aceito reviews, comentários, críticas construtivas... ;)