Azul Noturno - Interativa
5 Reunião, Onda e Nada
Notas iniciais
P.O.V. Joshua Hertz
Eu estava perto da caverna coletando ostras na água cristalina do mar dali, quando escutei o grito. Chelsea... Corri o mais rápido que pude e de longe vi a ruiva caindo na água com... Uma mulher? Quem era essa?
Corri mais e reparei que tinha mais pessoas indo em direção as duas. Mais pessoas? Pessoas? Corri mais rápido ainda e alcancei Chelsea antes do outro grupo. Ajudei a garota a se levantar e estendi a mão para a mulher que parecia extremamente feliz. Ela a aceitou e assim que ficou de pé me abraçou...
– Ou, ou, ou, ou! — Eu disse cambaleando um pouco, já que o abraço fora bem forte — será que dá pra me soltar...
– Elizabeth, vai assustá-los — disse o garoto que corria já estava bem próximo de nós. Ele era alto, mais alto do que eu e mais novo. Surpreendentemente ele era mais alto do que a Chelsea. Eu posso não me lembrar de muita coisa, mas aquela garota é mais alta que o normal. Junto com ele vinha uma garota da mesma idade dele e da ruiva, e seu cabelo era... Rosa? O.k.
Depois de alguns minutos tentando me desvencilhar da mulher que me agarrava, ela finalmente se soltou.
– Mais pessoas — disse ela — fico tão feliz!
– Deu pra perceber — quem dizia era a de cabelos rosa, ela olhava Elizabeth com uma expressão estranha.
– Sabe, ficar um tempão só me fez apreciar companhia — ela estava ofegante e olhou para Chelsea atrás de mim — me desculpa, não consegui me controlar.
– Espera — Chelsea deu um paço a frente — como assim um tempão?
– Eu nem me apresentei — disse estendendo a mão — eu sou Elizabeth, esses são Nick e Sugar — os outro dois deram um leve aceno com a cabeça — estou aqui a seis dias, Nick está aqui a um dia e Suga a algumas horas.
– Seis dias — disse eu e Chelsea em uníssono.
– Eu sabia que você deveria ter procurado do outro lado da ilha — disse ela em tom acusador para mim.
– Eu estava exausto e tive de achar recursos, além do mais eles também não vieram pra qui, senão eu teria os visto — rebati sustentando o olhar acusador.
– Ilha? — Sugar perguntou.
– Á quanto tempo você está aqui? — Perguntou Elizabeth.
– Três dias — disse cuspindo as palavras.
– Isso aqui não é uma ilha — o tal de Nick falou.
– Como você sabe? Está aqui a só um dia — retruquei.
Eu acho que todos iam falar alguma coisa se não foce a menininha nos interromper...
– Saiam dai — gritou a voz fina e suave. Todos nós olhamo para ela, que por sua vez fazia sinal para irmos em sua direção, na areia — atrás de vocês.
Assim que olhei pra trás eu entendi, a unica coisa que veio na minha mente foi "merda". Uma onda de um metro cinquenta estava bem na nossa frente. Tentei virar-me para correr, mas só senti o mar me empurrar e depois o reboliço que é tomar um caldo. Depois que me recuperei, emergi e tomei folego, fui andando para a areia seca — que não estava tão longe já que a onda me carregara uns bons passos para frente. A menininha estava vindo em minha direção.
– Você está bem? — Perguntou. Ela era muito bonitinha, cabelos loiros escuros e lisos que batiam meio palmo abaixo do ombro, maçãs do rosto ressaltadas e olhos bem diferentes, um misto de violeta e lilás, era difícil vê devido a iluminação.
– Estou — não pude deixar de sorrir.
Uma garotinha estava na minha frente, devia ter uns dez anos, estava sentada e abraçava for os joelhos ralados e chorava muito.
– Calma — eu me ajoelhei e levantei a cabecinha dela, ela tinha um rosto fino e olhos castanho, seus cabelos eram em um tom mel, mais claros que o meu — eles não vão mais de perturbar Elô — disse, apontando o polegar da mão livre para o meu peito — eu dei um jeito neles.
Ela pulou em mim e me abraçou, eu devia ter o que? Uns doze anos, treze. Então ela era bem pesadinha, nós dois acabamos rolando no chão e rindo. Nos levantamos e sacudimos nossas roupas, vê o sorriso dela me fez tão bem...
– Você é o melhor irmão do mundo Josh — ela me deu mais um abraço e eu correspondi a altura.
Elizabeth estava na minha frente, de forma que a claridade atrapalhava a visão. Eu estava deitado e minha cabeça doía. Uma sensação de saudade apertou o meu peito, era como se eu estivesse atrás de algo, ou alguém.
– Você teve uma lembrança? — Perguntou a morena me ajudando a sentar e escorar em uma arvore, eu estava todo sujo de sal e areia, acredite em mim, isso incomoda muito. Mas eu ignorei o incomodo quando ela disse a pergunta, eu a fitei espantado e antes que eu pudesse me pronunciar ela falou — Nick e Sugar também tiveram uma lembrança, eles também desmaiaram sem motivo algum quando aconteceu, quer dizer, Sugar eu não sei, ela já estava desmaiada quando a encontrei n'o olho.
Ela sentou ao meu lado, colocou o cabelo atrás da orelha e ficou remexendo a areia. Agora eu podia observa-la melhor. Tinha traços latinos, pele bronzeada, cabelos e olhos escuros, lábios delineados, seios... Então um pensamento me veio a mente.
– Onde está a menina?
– Ah! — Ela me olhou e sorriu — Clara não gostou muito deu ter quase a esmagado com um abraço e depois de me aplicar um golpe de judô... eu acho que era judô, não importa, enfim, ela meio que não gostou de mim, e estava fraca já que acabara de sair d'o olho — ela não parava nem pra respira e ficava pondo o cabelo atrás da orelha, ou mexendo muito as mãos, tudo isso na velocidade da luz — a Chelsea foi leva-la para a tal caverna junto com o Nick, Sugar e eu trocemos você pra perto das arvore, mas a garota também estava exausta e acabou dormindo.
– Tenho até medo de pedir para você repetir — como o meu comentário ela riu — cadê Sugar? — ela apontou para o meu outro lado, foi quando eu vi a garota de cabelos róseos ali. Dormindo parecia até angelical.
– Até o momento somos três adolescentes, dois adultos e uma criança — Elizabeth tinha voltado a remexer a areia, será que ela não consegue ficar parada? — o que você lembrou?
Eu não queria falar sobre isso, até porque, junto com a lembrança de ter ajudado a minha irmã veio uma sensação de abandono. Era estranho, já que a lembrança fora boa.
– É difícil dizer — falei, minha cabeça voltara a doer — você tem água?
Ela me deu um pouco de água da cabaça, me deu um punhado de peixe e ficou aguardando eu comer, eu devia ter ficado dormindo por alguns minutos já que parecia tudo igual. Mas como se lê-se meus pensamentos Elizabeth disse:
– Vocês dois estão dormindo a horas — eu quase engasguei com o peixe.
– Horas? — ela assentiu positivamente, olhei para o céu e bem no horizonte tinha um traço de degradê — essa ilha é estranha.
– Isso não é uma ilha — diante da resposta eu fitei Elizabeth.
– É cercada pelo mar — eu falei.
– Não — disse ela — não importa a direção que você ande, no final vai ter um abismo e depois escuridão total, quando disse isso ao Nick, ele presumiu que no meio do oceano também tinha uma fenda. É como se esse foce apenas um cenário no meio de um universo vazio — novamente ela falara rápido demais, mas eu estava mais concentrado no conteúdo do que na maneira dela falar.
Parece que eu só não errei em chamar aquele lugar de Limpo, de acordo com ela, lá não tinha nada. Nem mesmo uma saída.
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