Azul Noturno - Interativa
6 Não me chame de fofa
Notas iniciais
P.O.V. Clara West
Quando eu saí do lago escutei um grito agudo e corri na direção do som para ver o que era, assim que cheguei vi um grupo de pessoas discutindo. Eles estavam na parte rasa do mar, que por sua vez estava recuando e atrás deles, formou uma onda um tanto grande, bom, era maior que eu, bem maior que eu.
Tentei alertá-los, como uma boa pessoa, mas não adiantou de nada... Tudo que vi fora o grupo sendo arrastado pela onda. O primeiro a se recuperar saiu da água, fui correndo ajudá-lo, só que quando ele me disse que estava bem desmaiou. A prova de que ele não estava tão bem assim. O arrastei um pouco para mais longe do mar e o deixei na areia.
– Ele deve está tendo uma lembrança — disse um jovem alto e bonito atrás de mim.
– Vocês já tiveram lembranças? — perguntou uma ruiva, se aproximando. Os dois eram tão altos, fiquei me sentindo uma anã... Lembranças? É verdade, eu não me lembrava de nada, não conseguia saber como havia ido parar no lago. Meu nome... West... Clara West. E só, a unica coisa que eu conseguia lembrar.
De repente chega uma mulher que parecia ser a mais madura do grupo, já era adulta e isso era visível. Ela se aproximou um pouco cambaleante abriu um imenso sorriso para os meninos, ignorou o homem deitado na areia, me fitou por alguns segundos e...
– Me solta, larga, solta — eu dizia tentando me livra do abraço apertado da maior. Com um instinto implacável eu consegui me vira, ficando de costa para ela, peguei seu braço esquerdo, bem próximo ao ombro e a joguei sobre o meu corpo. A morena se espatifara no chão.
– De onde você tirou essa fossa — quem dizia isso era uma garota de cabelos róseos atrás de mim, ela tinha grandes olhos verdes e parecia ter vontade de rir.
– Ai! — A mulher estava se levantando — Pra uma pequenina bem fofa você é bem forte.
– Não me chame de fofa — disse cruzando os braços e fazendo cara de mal. A ruiva e o menino, que estavam de frente pra mim, começaram a rir.
– Você fica tão fofinha brava — disse a mulher já em pé.
– Não fale assim...
– Calma — disse o garoto se ajoelhando (mesmo assim ficara mais alto do que eu) ele segurou em meus ombros e tive vontade de jogá-lo longe, mas fui ficando mais calma a medida que ele ia falando — pode parecer confuso agora, mas todos nós passamos por isso. Não fique zangada com Elizabeth, ela agarrou todo mundo nesse abraço de urso.
– Me desculpe — disse a mulher — é que eu estou aqui a seis dias...
– Sete — corrigiu o garoto.
– Sete? — Ela fez cara de dúvida — sete dias, seis deles foram completamente sozinha, sem ninguém... A ideia de ter companhia me deixa muito, muito feliz mesmo, então eu acabo perdendo o controle e abraçando todo mundo.
– Acho que se eu tivesse acordada teria gritado também — disse a garota de cabelos rosa sentando-se ao lado do homem.
– Deixe-me apresentar-nos — a ruiva também estava ajoelhada ao lado do rapaz e sorria de forma simpática — eu sou Chelsea, este é Nick? — o garoto assentiu — a que te abraçou e fez o mesmo comigo se chama Elizabeth — olhei para ela e ela sorriu, eu fechei a cara e voltei a cruzar os braços — a de cabelo rosa é a Su-su-s...
– Sugar — respondeu a dona do nome — meu nome é Sugar.
– Isso ai — disse a ruiva, Chelsea — o desmaiado é Josh e eu só conheço essas pessoas a alguns minutos, mas pelo que vi, somos os únicos seres humanos daqui.
– Mas como chegamos aqui? — Perguntei.
– Ninguém sabe, cheguei aqui sem memória alguma e você também, não?! — disse Nick.
– Sim, eu não me lembro de nada — respondi — mas você disse que ele — eu apontei para o desmaiado — ele teve uma lembrança.
– Eu acho, ele desmaiou sem motivo e quando eu tive um vislumbre de uma, desmaiei também. Encontramos Sugar desmaiada no lago pelo qual saímos...
– E eu tive um pequeno flash do meu passado antes de acordar — olhei para Sugar — estou aqui a pouco tempo, não entendi muita coisa, só o que Elizabeth e Nick me explicaram.
– Qual o seu nome? — Perguntou Chelsea.
– Clara... Clara West.
– É um prazer te conhecer Clara! — Disse ela — você deve está exausta, ou faminta...
– Na verdade, só com bastante fome — ela riu um pouquinho com a minha interrupção.
– Eu sei onde tem comida, vamos — ela se levantou e estendeu a mão para que eu a segurasse e icemos. Mas eu apenas fiquei fitando o braço com uma cobra desenhada, os traços eram pretos e sombrados, mas bem realistas.
– Eu vou com vocês — disse Nick — onde tem comida?
– Josh encontrou uma caverna pelo o que eu entendi, lá ele conseguiu juntar comida e água.
– Eu tenho um pouco de comida e água comigo, mas pouco mesmo — disse Elizabeth — Sugar está cansada e Josh inconsciente, eu fico com eles e quando os dois se sentirem despostos eu sigo na direção em que vocês forem, não deve ser difícil achar uma caverna na orla, na verdade eu acho que sei onde é.
– Tudo bem! — disse Chelsea.
Eu e Nick a seguimos lado a lado, eu batia um pouco acima da cintura deles, estava me sentindo um gnomo.
– Clara, pelo jeito você não gosta que digam que você é fofa e nem coisas do tipo — falou Chelsea.
– Não gosto mesmo — respondi. Como definir a ruiva. Não sei... Ela sorria sinceramente ao olhar para mim, seus olhos eram azuis e grandes, mais expressivos do que os de Sugar. Seu cabelo era curto e cacheado, de um ruivo mais natural, a tatuagem no braço era um tanto intimidador, mas o resto dela era bem acolhedor — você teve alguma lembrança?
– Não! — Disse a mesma, um pouco triste — nem uma — ela olhou para Nick — a lembrança que você teve fora boa?
– Não — disse ele — essa caverna é na praia ou na floresta?
Ela apontou para a nossa frente, ambos olhamos na direção, lá tinha uma pedra lisa gigantesca que cortava a floresta, era bem alta e reta, como uma parede. Um pouco fora da floresta de arvores douradas tinha uma rachadura, que ia se alargando até virar um buraco desregular.
– Clara — chamou Chelsea — quer ver uma mágica?
Eu olhei para Nick e vi que ele estava sorrindo, como se soubesse do que se tratava, assentiu com a cabeça e eu fiz o mesmo. Chelsea pegou um galho de ouro caído perto de uma arvore e pegou um pequeno cantil com água que estava preso em sua cintura, ela tinha água e nem me dera, molhou um pouco o galho e então ele pegou fogo. Eu fiquei boquiaberta, encantada com o galho dourado incandescente.
Nick deu uma leve risada da minha reação, eu tentei me recompor, mas estava impressionada com o fogo.
– Os galhos de ouro pegam fogo em contato com a água — disse Nick pondo a mão no me ombro.
– Ha! Mas só água doce -falou Chelsea animada — finalmente algo que eu sei e você não.
– A água do mar não funciona? — Perguntou Nick.
– Eu fiz questão de conferir com meus próprios olhos — disse a ruiva — então, vamos entrar?
Ela colocou fogo em mais um galho e o entregou a Nick e entramos. A caverna era impressionante, parecia até que fora construída. As paredes eram lisas e retas, mas cheias de lodos, havia passagens por ali, mas era difícil de enxergar muito longe, fazia bastante frio lá dentro, então eu abracei os ombros na tentativa de me aquecer.
– Segure a tocha com cuidado — me disse Nick — o fogo vai te aquecer.
Eu aceitei a tocha improvisada e fiquei contente com o calor que emanava dela. Chelsea nos guiou até a fogueira que tinha ali e a ascendeu. Tinha algumas cabaças cortadas ali, com peixe e água. Sentamos e comemos.
– Você não vai comer? — Perguntou Nick, eu levantei o olhar para Chelsea e vi que ela estava um pouco exitante, mas pegou um poco de peixe e começou a comer.
– Por que você exitou ? — Perguntei — parece que tem medo.
Ela desviou o olhar e depois voltou a sustentar o nosso, Nick e eu nos entreolhamos e esperamos a resposta.
– É só uma sensação -disse ela já voltando a ter animo, tentando mudar de assunto — o peixe tem um gosto ruim, não?!
Eu ia tentar insistir no assunto, mas Nick me cutucou. A ruiva percebeu e deixou bem claro em seus olhos azuis que estava aliviada, eles ficaram trocando olhares por um tempo como se pudessem ler a mente um do outro, eu fiquei irritada, poxa, eu não sou telepata, não! Mesmo assim, tentei me controlar. Eles riram e eu os fitei...
– Do que estão rindo?
– Do bico que você fez — respondeu Chelsea, eu fiz bico? Não sei, mas desviei o rosto e eles sorriram mais. Mesmo assim eu estava me sentindo confortável de estar ali, com dois gigante, eu me sentia segura.
Quando eu olhava nos olhos deles não via nem uma ameça, estar em um ambiente fechado também ajudava, era como se ninguém pudesse me achar ali e por algum motivo isso me confortava, e como me confortava...
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