Awakening: O Regressor Escolhido pelo Sistema
18 CAPÍTULO 17 — UM MÊS DE SILÊNCIO

O tempo dentro da academia não parava, mas também não corria de forma uniforme. Havia dias que se arrastavam em repetição e outros que simplesmente desapareciam sob o peso do progresso. Para Raziel, aquele último mês não fora marcado por eventos grandiosos ou confrontos explosivos. Foi um período silencioso. Constante. Preciso. E, justamente por isso, transformador.
Os rumores continuaram, o fórum nunca deixou de comentar seu nome e os olhares nos corredores nunca voltaram a ser os mesmos. Ainda assim, nada daquilo interferia no que realmente importava. Todos os dias seguiam a mesma base: acordar cedo, cumprir os treinos diários, ajustar o corpo, alinhar a mana e repetir até que cada movimento deixasse de ser esforço e passasse a ser reflexo. Não havia mais picos de evolução como antes. O crescimento agora era lento, quase imperceptível… mas muito mais sólido.
Durante esse período, algo mudou de forma definitiva. O isolamento acabou.
A relação com o AXION VI, que antes começara como um teste, evoluiu naturalmente para algo mais próximo de parceria. Não houve convite formal, nem declarações abertas. Simplesmente aconteceu. Raziel passou a frequentar a arena deles com regularidade, e o que antes era curiosidade se transformou em rotina compartilhada. Os treinos deixaram de ser apenas demonstrações de força e passaram a ser ajustes conjuntos.
Blaze foi o primeiro a aceitar isso de forma aberta. Sempre que treinavam, ele testava novas formas de ataque, esperando que Raziel encontrasse falhas ou caminhos mais eficientes. Sakura começou a ajustar sua postura após observar como o espadachim conduzia o próprio corpo em combate, reduzindo desperdícios de movimento. Eryndor passou a variar seus ângulos de disparo, forçando leituras mais complexas. Até Kael, que raramente falava, passou a aparecer com mais frequência durante os treinos.
Nada foi dito diretamente. Mas todos entenderam, Raziel não estava ali para tomar o lugar de ninguém. Estava ali para elevar o nível, e isso, para quem realmente buscava evolução, era impossível de ignorar.
Alya observava tudo com atenção constante. Em nenhum momento tentou impor liderança sobre ele, nem criar distância. Pelo contrário. Em diversas ocasiões, era ela quem ajustava o ritmo dos treinos, garantindo que todos estivessem sendo desafiados da forma correta. O respeito não foi declarado. Foi construído nos detalhes. No silêncio entre uma troca e outra. Na ausência de resistência à presença dele.
Foi nesse ambiente que Azuki entrou. No início, sua presença parecia deslocada. A diferença de nível entre ela e os membros do AXION era evidente, e qualquer um poderia perceber isso à primeira vista. Mas Raziel não a trouxe ali por acaso. Sabia exatamente o que estava fazendo. E, mais importante, entendia o que ela se tornaria.
— Fica atrás de mim na primeira sequência — disse ele, no primeiro dia em que a levou.
Azuki assentiu, mas não parecia intimidada. O treino começou com intensidade controlada, e, por alguns minutos, ela apenas observou. Viu como se moviam, como se posicionavam, como atacavam e, principalmente, como reagiam. Não havia espaço para improviso vazio ali. Tudo tinha propósito.
— Agora — disse Raziel.
Azuki deu um passo a frente. O círculo rúnico surgiu no chão com uma precisão que já não lembrava mais a garota hesitante de semanas atrás. A primeira sombra emergiu rapidamente, seguida pela segunda, terceira… quarta.
O campo mudou. Blaze parou o movimento por um instante, Sakura estreitou os olhos. E então vieram mais. Cinco. Seis. Sete. O fluxo de mana aumentava, mas não colapsava. Oito. Nove, por fim, dez.
As dez sombras estavam ali, completas, estáveis, formando um círculo ao redor dela como uma extensão direta de sua vontade. E não eram apenas invocações de guerreiros, mas de magos e arqueiros, como se ela tivesse sobre ela o comando de um grupo inteiro. Era assustador, não havia tremor, não havia hesitação. Cada uma respondia com precisão aos comandos, movendo-se em conjunto, como um organismo coordenado.
O silêncio que se seguiu foi breve, mas suficiente. Não era surpresa vazia e sim, reconhecimento. Azuki manteve o controle por alguns segundos antes de dissipar as invocações com cuidado, respirando de forma controlada. Não demonstrava exaustão excessiva e estava longe de parecer exausta ou no limite.
Raziel observou sem comentar, já sabia. Mas, para os outros, aquilo foi o primeiro vislumbre real. A partir daquele momento, a percepção mudou. Ela deixou de ser “a garota que ele estava treinando”. Passou a ser alguém que crescia ao lado dele.
Os treinos seguintes incluíram os dois de forma natural. Raziel ajustava, corrigia, reorganizava padrões, enquanto a invocadora executava, errava menos a cada tentativa e evoluía com uma velocidade que não passava despercebida. Aos poucos, o grupo começou a interagir com ela também. Pequenos comentários, ajustes pontuais, testes leves.
Não parecia forçado e o mês passou assim. Silencioso e constante. Quando terminou, o cenário dentro da academia era outro. Naquela tarde, reunidos na arena do AXION, o clima estava diferente. A sensação é que não era apenas mais um treino. Havia uma pausa no ritmo, como se todos soubessem que algo precisava ser dito.
Raziel foi o primeiro a quebrar o silêncio.
— Eu vou desafiar o Darius.
A frase não foi dita com emoção. Foi dita como uma decisão. Blaze soltou um leve assobio, enquanto Sakura cruzava os braços, avaliando o peso daquilo. Kael apenas inclinou a cabeça, como se já esperasse. Eryndor não demonstrou surpresa. Lyra observou em silêncio.
Alya foi quem respondeu.
— Finalmente.
Raziel olhou para ela.
— Desde que cheguei aqui, minha vida foi controlada por ele. — O tom continuava calmo. — Não por escolha própria. Meu irmão mandou.
O silêncio se aprofundou.
— Ele não queria que eu crescesse. Queria que eu continuasse sendo o que eu era.
Azuki apertou levemente os dedos.
— E agora? — perguntou ela.
Raziel respondeu sem hesitar.
— Agora eu vou mandar um recado de volta.
Alya assentiu lentamente.
— Então não faça isso pela raiva.
— Não é raiva. — Ele manteve o olhar. — É correção.
Blaze sorriu de lado.
— Gostei disso.
Sakura descruzou os braços.
— Só não subestima ele.
— Eu não subestimo ninguém — respondeu Raziel.
Azuki deu um passo à frente.
— Eu vou estar lá.
Não respondeu pois não era necessário. Quando o treino terminou, o sol já começava a se esconder atrás dos prédios da academia. O vento atravessava a arena com suavidade, carregando o som distante de outros alunos encerrando suas atividades. Raziel permaneceu alguns segundos sozinho, olhando para o chão marcado por semanas de treino contínuo.
Então abriu o sistema.
[Sistema — Status Atual]
Força: 40
Agilidade: 39
Defesa: 37
Poder Mágico: 36
Mental: 41
Classificação Atual: Rank A
Aura: Nível Intermediário
Progresso para Rank S: 28%
Observação:
Crescimento estabilizado.
Ganho mensal médio: +2 por atributo.
Eficiência de combate aumentada.
Raziel analisou os números com calma. O crescimento havia desacelerado drasticamente, mas não era isso que importava. Fechou a janela levantando o olhar, o próximo passo não seria sobre crescer. Seria sobre provar.
E, dessa vez, não haveria dúvida. Darius não era mais um obstáculo, mas sim, o primeiro alvo. E o recado… já estava decidido.
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