Aventuras em Sharn - Interativa!
2 Um Dia Agitado!
Notas iniciais
– O que? Onde é que eu tô? — disse Joe após ter acordado em um quarto escuro que não reconhecia.
– Oh! Enfim você acordou! Como você se sente? — disse uma voz feminina vindo de sua direita.
O garoto olhou para o lado e viu uma mulher vestida de branco, uma enfermeira.
– Eu tô bem. Mas onde eu tô? Num hospital? Cadê o Deino?! Ele tá bem?! — gritou o garoto ao se lembrar de seu amigo.
– Vocês chegaram aqui com muitos ferimentos e desacordados. Nós mandamos ele ao Centro Pokémon para um tratamento urgente. O que aconteceu afinal?
– Não me lembro bem. – mentiu o garoto — Por favor, me tire daqui! Me leve até o Deino! Cadê minha outra pokébola?
– Sua outra pokébola? Ah sim, você deve estar falando dessa aqui. — disse entregando uma pokébola vazia ao garoto — Ela estava vazia quando te encontraram.
– O que?! Vazia?! Você tem certeza?! Onde é que ele tá? — disse o garoto em alto tom.
– Bem nós não sabemos. Não acharam nem sinais de seu outro Pokémon. De que espécie ele era?
– Isso não importa agora! Quero saber onde ele tá! — disse em um tom mais rude do que desejava — Ah, me desculpe. É que eu tô realmente muito preocupado. Por favor, me perdoe.
– Tudo bem, tudo bem. Descanse um pouco. Vou chamar o doutor. Já volto.
O garoto se deitou e começou a imaginar o que poderia ter acontecido a seu amigo. Ele estaria também ferido? Perdido? Alguém poderia tê-lo roubado? O que mais queria, na verdade, era sair dali e ir em busca de seu parceiro. Seja láo que estivesse acontecendo a ele, Joe sabia que deveria estar ao seu lado. Ele sentia isso.
Então o pequeno tomou uma decisão. Levantou-se da cama e foi em direção à janela do quarto. Olhou para fora e viu que, para sua sorte, estava no térreo. Não pensou duas vezes. Puxou o trinco, abriu a janela e saltou. Correu pela cidade sem pensar em outra coisa a não ser em seus amigos. Um ferido no Centro Pokémon e outro desaparecido. Ele tinha que fazer alguma coisa. Aqueles Pokémons eram suas únicas lembranças de seus pais, ele os havia ganhando em seu aniversário de quatro anos. Não somente isso, eram também seus amigos, seus melhores amigos.
Chegando ao Centro Pokémon o pequeno foi logo gritando:
– Onde ele tá? Cadê meu Deino?! Cadê meu amigo?!
– Ei garoto, pare de gritar! — disse uma bela mulher de cabelos rosados e vestimenta de enfermeira logo atrás do balcão de recepção do Centro, a Enfermeira Joy — Aqui é um lugar de descanso, deve se manter o silêncio. Por favor, venha até aqui que eu lhe atenderei. — declarou a moça um pouco abismada com a situação e a vestimenta do garoto.
– Ah, me perdoe. É que eu tô desesperado. Queria saber onde tá meu amigo.
– E qual seria ele? — indagou ela.
– Um Deino.
– Hm. Deixe-me pensar... Ah, o único Deino que temos aqui é um que foi trazido muito ferido por uma ambulância. Desculpe-me, mas você deve ter se enganado.
– Não, não. É esse mesmo. Ele é meu amigo. Eu sou o treinador dele. Onde ele tá?! Por favor, me leve até ele! — disse elevando novamente o tom da voz.
– Por favor, fale baixo garoto. — disse a enfermeira — Então aquele Deino é seu? O que foi que você fez com ele que o deixasse em tal situação? Ele chegou aqui extremamente ferido. Além de estar desacordado. — declarou em tom severo.
– Nós fomos atacados. Mi-minha mãe... — disse começando a chorar.
– Calma garoto. Tudo bem, já percebi que não foi culpa sua. Mas da próxima vez cuide mais de seu Pokémon.
– Você não entende... — disse o pequeno já aos prantos.
– Por favor, pare de chorar. Venha vou levá-lo ao Deino. Siga-me.
– Ah, muito obrigado. — disse enxugando as lágrimas em sua vestimenta.
Foi ai que ele percebeu sua situação. Ainda estava vestido com os trajes do hospital. Mas isso não o incomodou, tampouco o envergonhou. O que realmente lhe importava no momento era ver seu amigo.
– Bem, por aqui. Ele está na sala de recuperação. Venha, pode entrar.
– Ok! Muito obrigado Enfermeira Joy.
– Por nada. Você tem apenas 10 minutos com ele. Ele ainda está bastante ferido.
– Tudo bem.
O garoto se aproximou da cápsula onde seu amigo estava. Botou a mão no vidro e começou a chorar. Ele sentia que aquilo tudo era sua culpa.
– Me perdoe Deino. — disse aos prantos — Eu não deveria ter te metido nessa. É tudo culpa minha.
Naquele momento o Pokémon acordou e olhou para seu treinador.
– Dein, deino, no, dei, dei. — disse o Pokémon aflito ao ver seu treinador chorando.
– O quê? É claro que foi culpa minha. Se eu não tivesse te chamado você não estaria passando por isso agora.
– Dei, no, no, dei, deino.
– Fico feliz que esteja tudo bem com você agora. Mas ainda estou preocupado. — disse o garoto pensativo — Fique bem Deino. Tenho que ir procurar nosso amigo.
O garoto saiu da sala de recuperação cabisbaixo, porém, um pouco aliviado por seu parceiro estar bem.
– E ai? Como foi? — indagou a Enfermeira Joy.
– Muito bem. Nós conversamos um pouco. Mas agora tenho que resolver outra coisa. Muito obrigado por tudo Enfermeira Joy.
– Que nada. Cuidar dos Pokémons é minha paixão. Você não precisa me agradecer. — em seguida olha para a roupa de Joe — Hm. Posso te fazer uma pergunta?
– Claro. O que é?
– Me desculpe, mas por que você está vestido assim?
– Ah! É que eu fugi do hospital para poder ver meu amigo. – disse coçando a nuca.
– O quê?! Você fugiu do hospital?! Você é louco garoto?!
– Calma, calma, eu tô bem. Eu só queria vir ver meu amigo. Só isso.
– Fico feliz que esteja bem, mas você não pode fugir assim de um hospital. Se você estava internado lá, quer dizer que tem algo de errado.
– Não tenho nada é sério. — disse o garoto com um sorriso ameno no rosto. — Tá tudo bem, eu garanto.
– Ok! Mas não faça mais isso.
O garoto se despediu da enfermeira e saiu do Centro Pokémon. Seguia para o Hospital quando começou a pensar: "E agora o que eu vou fazer, não tenho roupas. As que estão no hospital, se é que ainda estão lá, devem estar todas rasgadas e sujas.".
Ao chegar à recepção do prédio ele avistou um senhor de idade, não muito velho, de uns cinquenta anos, vir correndo em sua direção.
– Você enlouqueceu?! Onde é que você tava?! — indagou o senhor em tom severo.
– Ah, Professor Hansei, como vai? — disse o garoto cumprimentando-o.
– Não fuja do assunto Joe. Você não podia ter fugido assim. Já pensou se você desmaiasse na rua? Se eu bem te conheço, deve ter ido ao Centro Pokémon ver o Deino, não é mesmo?
– Com certeza! Eu não podia ficar sem ver ele. Sem saber como ele tava. Mas ainda tô preocupado com meu outro Pokémon. Ele desapareceu.
– É, quando eu achei vocês, vi no chão uma pokébola vazia.
– O quê? Então foi o senhor que nos encontrou? Por favor, você não tem mesmo nenhuma pista de onde é que ele esteja?
– Bem, não, me desculpe.
– Tudo bem... – disse cabisbaixo — Professor, você poderia arranjar roupas novas para mim, por favor?
– Roupas novas? Mas você ainda não recebeu alta. — disse o pesquisador curioso.
O Professor Hansei era o maior pesquisador da cidade. Era dele a responsabilidade de registrar e fornecer aos treinadores iniciantes seus primeiros Pokémons e suas pokedéx's. Era um senhor alto, cerca de um metro e setenta e nove de altura, cabelos grisalhos, olhos castanhos, pele levemente morena, graças à sua intensa exposição ao sol durante suas pesquisas. Sempre trajava um jaleco branco, onde quer que estivesse, uma festa, no supermercado, enfim, aquele era seu traje pra qualquer hora.
– É que eu preciso muito ir atrás dele. Tô muito preocupado. Por favor, me ajude.
– Mas eu não posso acobertar sua fuga de um Hospital.
– Por favor, professor. Você sabe que quando eu decido algo eu não mudo de ideia não é? — disse o garoto confiante — Se você não me ajudar, vou assim mesmo.
– Tudo bem, tudo bem. Você é cabeça dura igual ao seu... — se interrompendo ao notar a mudança na expressão do garoto — Erh, pois bem, venha. Vou te levar até uma loja.
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Aquele dia estava realmente muito agitado. Mal amanhecera e eu já estava com a cabeça a mil. Acabara de ver que Deino estava bem, mas não totalmente recuperado, o que me preocupava bastante. Como se não bastasse, meu outro melhor amigo ainda estava desaparecido. Eu tinha que procurá-lo. Tinha que encontrá-lo.
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– Ei, onde está você! Apareça, favor!
Joe e o Professor havia retornado aos escombros da Mansão Murdock após sairem da loja. Aquele lugar fazia o garoto se sentir mal. Mas a esperança de encontrar seu amigo dominava seus pensamentos. Nada mais importava naquele momento.
– Ele deve ter escapado da pokébola. Quando te viu ferido deve ter corrido para cá em busca de ajuda. — disse o professor notando a aflição do pequeno.
– Espero que tenha sido isso. Mas eu tenho que achá-lo. Tô muito preocupado.
Minutos depois, rondando pelos escombros, eles vislumbraram uma cena intrigante. A frente dele estava um Pokémon humanoide azul com manchas negras no tronco, patas e rosto. Estava ajoelhado segurando uma segunda criatura, a qual Joe reconheceu como sendo a Clefable de sua mãe.
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