Avalon - Os Reinos da Discórdia
1 Capítulo 1 - Boas-Vindas em Sangue e o Bosque da Esperança
Notas iniciais
Havia uma agitação estranha àquela manhã no vilarejo de Blur-Borne. Todos corriam para lá e para cá, pulavam com sorrisos nos rostos ou com semblantes de dúvida. Isso é verdade? O grande cavaleiro virá?
Ainda mais ao sul, do Reino do Sul, surgia no horizonte um homem a cavalo. Um equino robusto com uma longa crina acinzentada, e em cima do mesmo um cavaleiro: ele possuía uma postura exemplar naquele cavalo, seu cabelo comprido e barba castanha apresentavam um tom de confiança.
– Então o senhor veio mesmo – indagou um dos guardas ao cavaleiro que se aproximava da entrada do vilarejo.
– Às vezes é importante visitar o lugar onde cresceu ahn? — Falou Aaron, o cavaleiro, em um tom simpático e confiante.
Aaron desceu do cavalo e cumprimentou o velho amigo guarda, logo, deixou seu equino em um estábulo ali perto e adentrou o vilarejo. Ao entrar fora recebido com bastante pompa. Alguns velhos conhecidos acenavam com um grande sorriso, outros, senhores de idade que resmungavam de Aaron quando ainda era uma criança, o saudavam com frases de boas-vindas. Sorridente, o cavaleiro acenava de volta e apertava a mão de crianças que se aproximavam. Em seguida prosseguiu caminhando pelo vilarejo, em direção a uma grande casa que ficava mais ao centro do mesmo.
Enquanto andava as pessoas olhavam as costas de Aaron, mas não olhavam sua armadura real, olhavam algo especifico: uma grande espada de duas mãos presa a uma bainha de aço revestida com diamantes, que parecia brilhar e hipnotizar as pessoas conforme Aaron se afastava. Andando firmemente, o cavaleiro ainda mantinha um semblante confiante com um simpático sorriso. Logo cruzou a porta da grande casa e caminhou em direção as escadas que levavam ao último andar da mesma. Os guardas à volta apenas fizeram movimentos com a cabeça, cumprimentando-o, então Aaron prosseguiu.
Ao chegar ao último andar da casa, o cavaleiro via-se diante de uma grande porta dupla de marfim com maçanetas douradas. Foi quando cessou o sorriso em seu rosto, e agora com um semblante sério ele brande sua espada.
Uma lâmina de 82 centímetros feita de adamantĭnus, mais brilhante que diamante, com uma coloração azul-prateado... Como o mais puro e reluzente mineral já encontrado.
Então com um forte chute ele abre a porta, e lá vê um homem velho sentado em um trono dormindo. Com passos calmos, Aaron se aproxima do homem. O som da armadura de Aaron cortava o silêncio junto ao ronco do velho. Foi quando, diante do trono, Aaron indagou uma frase curta e baixa, mas o suficiente para acorda-lo. Então erguendo a lâmina, sua espada urrou cortando o vento, e a ponta da mesma atravessou o peito do velho junto ao trono, espalhando sangue por todo chão...
Meses depois, uma lenda correu pelos quatro cantos do reino de Avalon, sobre a frase que Aaron havia dito. Uns diziam que fora inaudível até mesmo pelo velho, mas era tão intensa que foi sentida por todos no vilarejo.
ALGUMAS SEMANAS DEPOIS...
Nada além do silêncio reinava em U-Drorn, um pequeno vilarejo entre o Reino do Norte e o Reino do Sul de Avalon. Uns podiam chamar de paz, outros de tédio, mas o vilarejo era conhecido por seu eterno silêncio. Silêncio... tal perfeito para uma execução.
O elfo Ilion estava de joelhos sobre uma guilhotina ao alto de uma rocha, cercado por guardas reais da Capital. Não se arrependera por nenhum segundo do que tinha feito, e morreria naquela manhã com uma risada sarcástica digna de sua personalidade. Os elfos de Votorian não teriam orgulho dele, covardes, não honram seus arcos, pensou.
Desde pequeno Ilion preferia bestas e adagas a os próprios arcos e cajados quais os elfos eram treinados para usar. Sempre foi diferente dos demais, coincidentemente até em sua aparência; enquanto os demais elfos eram loiros, ele era ruivo assim como seu avô, seu eterno herói.
Votorian a cidade dos elfos, ficava mais perto do Reino do Norte, porém, os elfos nunca se uniram para lutar ao lado da Capital. Eram neutros. Diferente das demais cidades e vilarejos que existiam, a maioria lutava ao lado do Reino do Sul (O Condado), ou ao Reino do Norte (A Capital). O que revoltava Ilion era o fato dos elfos não se unirem ao Condado, pois a seu ver, A Capital queria apenas poder e subordinados... E os elfos acabaram tornando-se subordinados.
Coragem do elfo ruivo, que matou o mensageiro da Capital em frente a toda cidade de Votorian, e agora estava sujeito a tal execução.
Mas ele sentia que não iria morrer ali, e aquele pensamento era predominante em sua mente.
...
A poucos quilômetros dali, encontrava-se Aaron junto a seu leal cavalo Thusken, e um velho amigo bárbaro, Grukof. Haviam se encontrado no bosque na direção de Blur-Borne, onde o bárbaro estava dormindo embaixo de uma arvore.
– Então finalmente deixou a barba crescer! Mas minha barba ainda é muito maior e mais grisalha, ainda sou muito mais forte amigo – disse Grukof olhando para Aaron com um riso provocativo.
Aaron soltou uma leve risada e ia responder, mas algo lhe ocorreu.
– Sinto que algo nos espera em U-Drorn caro amigo. E não me refiro à cerveja e mulheres...
Grukof viu nos olhos de Aaron o que ele queria dizer, e ali percebeu que ambos ainda tinham uma boa conexão de pensamento. O bosque era a estrada mais perto para “U-Drorn a vila do silêncio”, ela que era dona da melhor cerveja de Avalon. Há algumas horas o cavaleiro e o bárbaro caminhavam por lá, mas sentiam uma sensação estranha quanto mais próximos ficavam do vilarejo.
O bárbaro soltou uma risada um tanto alta, sua voz áspera afastou todos os insetos e animais que andavam por perto daquele bosque. Balançando os ombros e logo alongando os braços, falou em voz alta:
– Haha! Cheiro de morte... Meu machado está inquieto.
...
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