Avalon - Os Reinos da Discórdia
2 Capitulo 2 - O Assovio dos Ventos
Notas iniciais
Aaron observou de longe o homem loiro e logo o reconheceu.
– Tafan, o líder dos Vollstrecker, não?
Uma pequena agitação percorreu o corpo do bárbaro, a excitação fez com que não ouvisse a pergunta de Aaron. Grukof colocou a mão no machado que estava em suas costas, logo um vento frio começou a soprar do leste e balançou umas arvores no bosque logo atrás deles. Aaron sabia de Tafan, o líder do grupo de execução Vollstrecker era um dos mais conhecidos guerreiros vivos, mas nunca tinha o visto em batalha, e ficou confuso com a reação do bárbaro ao vê-lo de longe.
Grukof apertava forte seu machado, em seu rosto um tom sério. Há tempos não sentia aquilo, o homem que fez a cicatriz em seu peito estava a um km de distancia. Logo começou a andar em direção a ele, e Aaron seguiu ao seu lado.
– Pelo que parece é uma execução... Mas por que apenas um Vollstrecker está aqui, com simples guardas reais? – questionou Aaron.
Grukof mantinha-se sério marchando em direção à colina, mas desta vez respondeu:
– Como sabe que os outros não são Vollstreckers?
– Já enfrentei alguns antes. Mas... Se o líder de execução real da Capital foi invocado, deve ser algo sério.
Grukof apertou ainda mais o punho de seu machado, e o vento do leste rugiu em resposta.
Aaron deixou Thusken em um gramado perto da saída do bosque, e agora estavam subindo a colina. O cavaleiro percebeu nos olhos de Grukof que a coisa com Tafan era pessoal, mas tratava-se de guerreiros da Capital perto do Condado, não uma de brincadeira.
Eles estavam a alguns metros de Tafan agora, que havia se dado conta da presença deles. Ele encarava Grukof com um tom surpreso, e parecia preocupado. O líder Vollstrecker estava no meio de uma roda formada por mais seis homens, e junto a ele, um jovem elfo ruivo em uma berlinda, que parecia não sentir o mínimo medo.
Tafan abaixou sua espada devagar e tomou a frente do grupo em direção aos guerreiros que se aproximaram. Logo fez um sinal para todos os guardas a sua volta ficarem atentos, e os mesmos sacaram suas espadas.
...
Ilion de joelhos, agora entendeu o que eu estava sentindo, sem duvida a força daqueles dois homens que se aproximaram. Quem são? Questionou-se em voz baixa. Não tinha a mínima ideia se eram inimigos ou aliados, mas haviam parado a execução por algum motivo.
...
– Vejam só, se não é o “príncipe” dos bárbaros — Falou Tafan com um tom provocativo, fixando seus olhos nos de Grukof, logo prosseguiu – vejo que conseguistes um novo machado... Seu antigo brinquedo esta servindo como um belo enfeite na minha parede.
O bárbaro não demonstrou reação diferente da que já estava, encarava Tafan de um modo tão intenso que fez os guardas hesitarem.
– Você é um verme corajoso, pensei que iria correr só ao sentir minha presença, afinal aqui não tem nenhum mago ancião para lhe salvar de novo. E esse machado aqui? – agora o bárbaro tinha um sorriso no rosto, e falava com uma voz áspera e intensa – o treinei para arrancar sua cabeça medíocre.
Grukof começou a andar em direção a Tafan com passos intensos, e o brandir de seu machado fez o vento se agitar tanto, que a Cidade do Silêncio foi dominada por assobios eólicos.
Tafan hesitou por um momento, logo fez um sinal para os seis homens atacarem Grukof. E lá foram eles.
Os três homens que faziam a frente possuíam lanças, e o primeiro saltou em direção a Grukof. Aaron ficou um pouco atrás do bárbaro caso precisa-se de ajuda, mas eram apenas seis homens.
O homem saltou com a ponta da lança para acertar Grukof no peito, que apenas desviou para o lado e o agarrou pelo pescoço. Apertando o suficiente para o homem desmaiar, jogando-o no chão perto dos outros dois soldados. O segundo desferiu um golpe diagonal para acertar o pescoço de Grukof, mas ele segurou sua lança com uma das mãos. Então puxou o cabo da arma para baixo trazendo o corpo do guarda, e desferiu um forte soco em seu peito, que amassou a armadura negra e o fez cair de joelhos no chão enquanto cuspia sangue.
O terceiro corria em direção ao bárbaro, que o parou com um forte chute no peito. Grukof segurava o machado com a mão direita, e ainda nem tinha o erguido, então com um leve sorriso levou-o ao ombro.
– Acabem com ele! – disse Tafan com um semblante de ira.
Os outros três guerreiros usavam espadas reais: longas de prata com o cabo em tiras pretas de couro. Dois deles brandiram suas armas e correram de uma só vez em direção ao bárbaro, que ergueu seu machado.
O cabo era de metal e madeira, com um pouco mais de um metro, seu calcanhar era de um diamante negro que se assemelhava a da cabeça de um urso, a lâmina era única e feita de aço draconico, as costas do machado possuíam uma haste feita do mesmo material e sua cunha era pontiaguda tão afiada quanto à lâmina.
Grukof segurou seu machado com as duas mãos, e com força desferiu um golpe lateral, que ambos os guerreiros tentaram bloquear, sem sucesso. A força do bárbaro e do machado eram tanta que partiu as espadas de todos os soldados, e os fez cair no chão com o impacto. Um dos guerreiros tentou fugir, mas o bárbaro pisou em seu tornozelo quebrando-o e logo cravando a ponta do machado em seu peito, perfurando a armadura negra e matando-o.
Grukof olhou profundamente nos olhos do outro homem antes de arrancar sua cabeça. Se existisse um inferno além de Avalon, aquele homem preferia ter ido para lá ao ver os olhos daquele bárbaro.
Logo restava um último guerreiro, que suava frio e estava ofegante, visivelmente com medo ao ver o homem se aproximar. Mas antes que pudesse implorar por piedade, uma lamina prateada com escrituras douradas o atingiu nas costas.
– Porque o rei não me mandou homens dignos? – falou Tafan de modo tranquilo, limpando a lamina de sua espada.
Ilion, o elfo, mantinha-se preso na berlinda. Estava pasmo com a força do bárbaro, nunca tinha visto nada igual aquilo; o que o surpreendeu tanto quanto o fato daquele homem loiro ter matado seu próprio soldado.
Sem hesitar, Grukof brandiu seu machado e correu em direção a Tafan. Com um salto, ele segurou sua arma com ambas às mãos, concentrando uma grande força no mesmo, assim para desferir um golpe de cima, visando partir o homem ao meio. O que o bárbaro não esperava, era a velocidade com a qual Tafan, o líder Vollstrecker se movia. O machado de Grukof acertou o chão com um grande impacto, fazendo uma grande cratera onde o golpe foi dado e levantando uma poeira por toda a volta.
Percebendo que o ataque não tinha atingido o homem loiro, o bárbaro olhou rapidamente a sua volta para defender-se de uma possível investida, o que foi difícil afinal havia muita poeira ao seu redor. Foi quando, uma rápida investida surgiu em suas costas. A ponta de uma lâmina prateada andava em uma incrível velocidade para as costas de Grukof, um ataque certeiro.
O bárbaro não tinha como defender-se de um ataque tão rápido e imprevisível, e Tafan sabia que tudo acabaria naquele ataque. Logo, sua espada havia perfurado algo, e o sangue escorreu pela lâmina, mas era impossível distinguir o que ele havia atingido, pela densidade da poeira.
– Atacando um homem pelas costas? – ecoou uma voz logo a frente de Tafan, e não era a voz do bárbaro.
Aaron segurava a lâmina da espada de Tafan com uma das mãos, que por sinal estava ensanguentada, interceptando o ataque do loiro. Tafan ficou incrédulo por alguns segundos, como não havia notado a presença daquele homem? Mas a surpresa do líder Vollstrocker não era só pela velocidade em que o homem havia aparecido ali, mas também pela força que o homem possuía em segurar uma lâmina como aquela: Uma lâmina de oitenta centímetros prateada com escrituras em dourado, banhada no Rio dos Dragões e abençoada pelos deuses, qual podia atravessar qualquer armadura e rasgar qualquer carne; pelo menos era por isso que ela era conhecida, “Tizona a Espada da Luz”.
Aaron olhava fixamente nos olhos do homem, sem demonstrar dor. Grukof se afastou com uns passos para trás um pouco surpreso pela velocidade de Aaron, que se mantinha firme segurando a lâmina da espada.
O cavaleiro então, levou uma de suas mãos nas costas sacando sua espada devagar, enquanto com a outra continuava a segurar Tizona. Então das costas de Aaron começa a surgir uma lâmina...
Com uma coloração “azul inverno”, diferente de qualquer lâmina já vista por Tafan, ela tinha umas escrituras acima do cabo em um prateado reluzente. A lâmina tinha mais ou menos um metro, parecia viva e irradiava uma áurea azul, mais brilhante que diamante. O cabo era prata e em suas extremidades pareciam conter pequenos diamantes da mesma cor da lâmina, no pomo possuíam três dentes pendurados.
Por um instante Tafan ficou paralisado, quando deu conta de si saltou para trás a alguns metros de Aaron sem falar nada, apenas observando a espada que o mesmo brandia. Enquanto Aaron segurava sua espada longa, os ventos cessavam completamente, mas as nuvens acima deles se fechavam como em uma chuva, porém elas mantinham-se limpas, e a temperatura caia devagar.
Todos ali presentes pareciam nunca ter visto algo como aquilo, estavam parados como se tocasse uma música dos deuses, como se tudo girasse envolta daquela arma; que durou alguns segundos até voltarem ao normal.
– Q-quem é você afinal? – perguntou Tafan, curioso para a resposta.
Aaron segurava sua espada com uma das mãos, enquanto a outra sangrava, então fala:
– Sou Aaron Steelblur, do vilarejo de Blur-Borne...
– O filho de Celorian... – interrompeu Tafan — Existem algumas lendas sobre você. Mas lendas não passam de lendas, você ainda é um verme... Como seu falecido pai – falou Tafan escondendo seu semblante de medo, tentando atingir o cavaleiro com seu jogo mental.
– Essas são suas últimas palavras? – perguntou Aaron, olhando dentro dos olhos de Tafan.
– Como ousa falar assim com o líder Volls... – antes que Tafan pudesse terminar, Aaron se desloca com uma incrível velocidade, e já estava logo a frente do homem.
Aaron investia diagonalmente em direção ao peito de Tafan, que logo tentou interceptar o golpe com sua espada. A espada do líder Vollstrocker, sem sucesso, foi partida ao meio ao entrar em contato com a lâmina de Aaron, e o golpe acerta o peito de Tafan rasgando a cota de malho como um papel e machucando seu peito superficialmente.
Tafan cai sentado no chão, pasmo, sua espada Tizona estava completamente destruída logo ali a sua frente. Cortada como papel, ela parecia feita de plástico quando tocou a lâmina do inimigo.
Aaron estava a uns três metros de Tafan e apontava a ponta de sua espada para o mesmo, enquanto ignorava Tizona destruída no chão, como se já esperasse isso.
– Conheça “Glacius, a Lâmina Etérea”... Simplesmente a espada mais poderosa de toda Avalon.
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