Até que o Apocalipse nos Separe
6 Rastros de confiança
Notas iniciais
eu quis muito postar o capítulo 6 antes, mas tava sem tempo para terminá-lo :c Então me desculpem.
Acho que vocês vão gostar desse capítulo.
Ele é bem legal!
Boa leitura ♥
Depois de passar várias e malditas longas horas deitada desconfortavelmente sobre o colchão duro, minha barriga ronca. Encaro-a com certo receio e fecho os olhos por um minuto. Eles não vão me deixar aqui para sempre, penso em uma tentativa de autoestima, não podem.
Sinto mais uma vez o roncar da minha barriga e dessa vez foi tão alto e forte que doeu. Estou toda suada, estou com nojo de mim mesma. Fora o sangue seco que ainda está impregnado em minha pele. Movo-me várias vezes sobre o colchão, tentando achar uma posição confortável, mas não consigo. Sinto uma leve ânsia de vômito, uma imensa agonia. Eu quero sair daqui antes que restos de esquilo voltem do meu estômago e me sujem ainda mais. Estou com fome, estou com sede, eu quero mijar, quero sair daqui!
- Por favor... – Digo com um pouco de dificuldade. Será que alguém vai escutar? – Eu quero... – Nunca ouvi minha voz tão rouca – Água... – E ofego profundamente. O que está acontecendo comigo?, penso enquanto sinto minha cabeça girar. Falar nunca foi tão... cansativo e aterrorizante.
Olho para cima, para a parte de baixo do colchão superior. Está tudo tão embaçado... Não tem névoa, não estou chorando, não levei um soco no olho... Por que está assim?, penso desesperada enquanto volto a fechar os olhos. Estão doendo.
A vontade de vomitar aumenta e logo me vejo prestes a borrar as calças. Minha bexiga aperta. Tento cruzar as pernas, mas é como se a faca ainda estivesse lá. Até que ouço a porta se abrir mais uma vez.
Abro fracamente os olhos para ver quem é e logo penso em fechar, percebendo que perdi meu tempo abrindo-os. Era Rick. Ele entra com sua arma em mãos e fica bem ao meu lado enquanto uma jovem loura, magra e de aparência meiga entra com um cadeirão. Noto que é água e imediatamente tento me sentar. Foda-se se pareço uma louca desesperada.
- Calma... – A garota diz enquanto tira um copo cheio de água do cadeirão. Minha boca está tão seca que nem posso usar a expressão “água na boca”.
Rapidamente ela traz o copo aos meus lábios e de imediato uma onda de prazer circula o meu corpo enquanto sinto a água descer pela minha garganta. Termino numa rapidez incrível e ela percebe que preciso de mais. Logo mais água vem à minha boca e mais prazer eu sinto. Logo em seguida mais e mais, até eu ter certeza de que oito copos aliviaram-me provisoriamente da dor.
Deito-me exausta por causa do simples esforço em mover os lábios e fecho os olhos novamente.
- Está com fome? – A garota pergunta. É óbvio. Que pergunta imbecil, penso, mas por mais que eu queira dizer as palavras certas, elas não saem da minha boca. Apenas faço um leve e rápido movimento com a cabeça, indicando que sim – Tá... Volto já – Ela termina, pega o cadeirão e sai da minúscula sala.
Tento ignorar o “mau-humor” em pessoa que está ao meu lado e fecho rigidamente os olhos. Tenho certeza que ele pensa e está fazendo a mesma coisa que eu. Droga... Daryl é que devia estar aqui... Pelo menos ele conversa comigo...
Todos os dias eu tenho a pessoa certa para odiar. Ontem foi Jason, o dia antes desse foi Tomas. Hoje é Rick. Eu devia pegar essa arma e enfiar no rabo dele, para aprender a não desconfiar de Lyanna Stark.
Decido olha-lo de relance e tenho uma surpresa ao pega-lo olhando para mim. Que vergonha! Viro o rosto para esconder as minhas bochechas que estavam começando a corar, e, sem querer, meu olhar volta e fixa-se no dele. Tento desviar o olhar, mas algo está prendendo-me àquilo. Mudamos de expressão, franzimos as sobrancelhas, movemos o rosto, mas nada nos fez ou faria desgrudar os olhos um do outro agora. Por pouquíssimos segundos toda a minha opinião sobre ele mudou. Por um momento cheguei a ver o Rick de verdade. Há muito tempo não via olhos assim...
É tão lindo... Por que tem que ser tão rude? Ficamos nos encarando por dois longos e fascinantes minutos no mais puro silêncio até a garota voltar com uma vasilha de plástico nas mãos e eu rapidamente desviar minha atenção para ela. Sinto meus olhos piscarem involuntariamente, fazendo tudo ficar escuro por milésimos de segundo. Esqueço que Rick está ali.
Olho para a vasilha. O que está dentro não tem um cheiro muito bom, muito menos uma aparência agradável. Mas eu estou com fome e qualquer coisa é bem-vinda ao meu estômago. Estranho algo, e logo a garota percebe.
- Não temos muitos talheres... – Ela diz com um sorrisinho de constrangimento. Todo mundo sente vergonha aqui? Mas que droga. Estamos em um apocalipse, é mais do que normal não ter talheres.
- Normal... – Digo baixinho enquanto tento dar um sorriso de canto de boca. Fico em silêncio à espera de alguma reação de quem quer que seja, e ninguém faz nada.
- Não vai comer? – A garota pergunta e de imediato sinto uma vontade imensa de lhe dar uma tapa na cara. Calma, Lyanna... Calma... – Ah... – Ela diz e percebo que se arrepende de verdade por ter perguntado aquilo – Eu...
- Tudo bem.
- Desculpa... Eu tinha esquecido que...
- Tudo bem – Então rapidamente ela saia da sala. Qual o problema dessa garota?, pergunto-me totalmente confusa. Então lembro que Rick está do meu lado... Meu coração acelera. Ele ainda está aqui. Voltei a olha-lo e ele a olhar para mim. Só quero saber o que passa em sua cabeça agora. O que pensa de mim – Vai me soltar ou vou ter que comer igual uma cadela? – Pergunto seriamente, sem tirar meus olhos dos seus.
- E se você nos atacar? – Diz, e sinto lá no fundo uma pontada de sarcasmo.
- Claro, porque estou em perfeitas condições para realizar isso – Retribuo e sem querer ele deixa escapar um sorriso. Sorrio também, fascinada com aquele homem.
- Não vai sair daqui – Ele diz enquanto me livra das algemas.
Logo sinto um pouco de dor ao mover meus braços, mas logo em seguida um imenso alívio. Movo-os livremente para frente e para trás. Paro para olhar meus pulsos e então entro em choque. Estão muito vermelhos e um deles está até cortado. Toco levemente o corte e logo gemo de dor – Meu Deus...
Rick pega delicadamente minhas mãos – Nossa... Vou chamar o Hershel para dar uma olhada nisso – E sai da sala, trancando-a logo em seguida.
Por que ele pensa que vou sair daqui? Eu nem consigo andar. Sorrio sozinha enquanto pego a vasilha. Nunca fui de comer com as mãos, mas... É o jeito. E enquanto colocava a comida pouco a pouco em minha boca, pensei em Rick. Pensei em seus olhos. E que belos olhos...
Ele tem que me deixar ficar. Eu faço qualquer coisa para conseguir ficar no grupo.
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