Notas iniciais
Não tive tempo de reler o capítulo para corrigir, então, se houver algum erro, desculpe.
Nesse capítulo, Lyanna revive mais uma lembrança em seus sonhos. Isso vai acontecer constantemente.
Espero que gostem!
Boa Leitura!

Eu estava perfeitamente contemplada por ter ganhado 2hrs sozinha nesse ovo que minha mãe otimista insiste em chamar de casa. Jason e ela tinham “negócios” para resolver, coisas que certamente não eram da minha conta, e decidiram sair para a casa de um amigo dele. Com certeza foi aquele drogado ninfomaníaco. Seus amigos são todos desse tipo.

Eu estava na sala assistindo um noticiário quando eles chegaram. Tive um susto ao ouvir a porta bater com força na parede. Levantei-me em um pulo, com o coração nas mãos.

- Você não tem que concordar com nada. Levei você apenas por levar, porque senão iria escutar e iria contar a droga da sua filha! – Jason grita enquanto entra e joga minha mãe pelo braço dentro da sala.

Ela está chorando. O coração que estava em minhas mãos imediatamente se quebra.

- Você não acha que isso é algo que ela iria saber mais cedo ou mais tarde? – Ela grita de volta, em prantos e com raiva – Minha filha não vai fazer isso! Ela é minha e eu que decido o que ela vai ou não fazer.

Eu não fazia a mínima ideia do que eles estavam falando, apenas fui em direção a minha mãe e a levantei. Vê-la assim era algo extremamente deprimente.

- Filha... – Ela disse parecendo nervosa enquanto se levantava – Vá para o seu quarto e não saia de lá até eu dizer que pode sair!

- Ela não vai a lugar algum – Gritou Jason enquanto me puxava pelo braço até o sofá – Senta aí – E me empurrou. Antes que eu pudesse impedir, minha mãe surtou e o empurrou também, fazendo-o se distanciar de mim.

- Nunca mais encoste um dedo nela! – Minha mãe gritou de volta. A essa altura eu já estava desabando em lágrimas, chorando tanto por mim quanto por ela.

Jason sorriu enquanto tentava manter o equilíbrio – Você não tem ideia da quantidade de lugares que eu já peguei em sua filhinha... – Falar disso só me fazia lembrar as cenas horríveis que ele me fez passar. Olho para a mancha roxeada em minha coxa e coloco a mão em cima.

Choro ainda mais.

Olhei para minha mãe e vi seus lábios tremendo. Ela sabia do que ele estava falando. Deve está se perguntando o porquê de eu não ter falado, o porquê do meu silêncio... Deve pensar que eu gostava! Não, não, não, ela não pode pensar assim, ela não pode pensar isso.

Ela desvia o olhar para mim, um olhar de tristeza junto com culpa, faz partir-se ainda mais meu coração e volta a olhar para Jason, mas agora com uma expressão de ódio. Pega o controle da TV e o arremessa com força.

Jason se abaixa rapidamente e o controle remoto acaba se quebrando na parede. Em poucos segundos minha mãe parte para coisas maiores. Joga os copos que estavam na mesa, o vaso, as almofadas do sofá, ela joga a televisão! Assusto-me com aquilo e não sei o que fazer.

Ela começa a gritar e a torturar os meus ouvidos enquanto Jason mantinha sua expressão de vitória. Ele foi se aproximando, ignorando todos os objetos que minha mãe encontrava e jogava, chegou bem próximo a ela e eu, apenas eu, vi algo brilhante que ele tirou do bolso, disfarçadamente. Minha visão estava turva devido as lágrimas, mas eu pude distinguir bem o que era. Era um canivete!

Sabia que ele iria enfiar aquilo em minha mãe, sabia que se não fosse rápida ele a mataria. Se eu não contasse ela iria se esfaqueada, se eu contasse ela iria ser esfaqueada do mesmo jeito. Então viera uma única solução em minha cabeça.

Antes que ele pudesse enfiar aquilo em suas costas enquanto ela procurava algo mais rígido para atingi-lo, acabo empurrando-a para o lado e Jason enfia o canivete próximo ao meu ombro. Grito absurdamente alto enquanto caio de costas no chão, em prantos. Minha mãe se desespera e corre em meu socorro. Imediatamente pega o celular e liga para alguém, suponho que para a ambulância. Não suporto olhar para o canivete que está há poucos centímetros do meu rosto.

Minha mãe está gritando mais que eu. Ela me puxa e me posiciona em seu coloco, à espera do socorro que ela já tinha pedido. Quando volto a olhar para Jason, ele já estava recuando uns passos. Não entendo o porquê daquilo e só então ele corre para a porta, deixando-nos sozinhas em meio ao sofrimento.

Acordo em um sobressalto, suada, ofegando desesperadamente. Está tudo tão escuro. Onde estou?, pergunto a mim mesma, nervosa. Vejo apenas uns feixes de luz atravessando as brechas da porta que, pelo que parece, está me trancando. Giro o olhar pela minúscula sala e noto que estou deitada na parte de baixo de um beliche e que ainda me puseram uma blusa.

Sinto uma gota de suor formar-se em minha testa. Levo minha mão até lá e logo percebo que estou algemada. O pingo escorre à medida que vou me inclinando para sentar. Algemaram-me numa posição extremamente desconfortável. Pergunto-me o porquê disso. E o homem da besta?, lembro-me, Ele deve ter feito isso!

Olho para a minha perna e entorto um pouco a cabeça, estranhando. Alguém havia removido a faca e enrolado um curativo. Tento movê-la, mas logo sinto uma dor dos infernos e paro o movimento. Encosto novamente a cabeça na almofada e penso no sonho, penso em meu ombro, lembrando-se de cada grito que fora dado naquela noite, cada lágrima derramada. Eu nunca descobri o motivo de estarem brigando. Nunca...

A ambulância chegou junta com a polícia 15 min depois que Jason havia fugido. Eu estava inconsciente quando chegaram e a única culpada por aquele atentado foi minha mãe. Levaram-na algemada e a prenderam-na por tentativa de homicídio, mesmo sem provas. Tentei contatá-la inúmeras vezes, mas fui impedida. E sem explicações...

Nunca mais a vi, não soube em que prisão estivera esse tempo todo, se pensava em mim. Jamais tornei a ver Jason, e de certa forma agradeço por isso. A única coisa que eu sabia era que ela havia pegado oito anos de cadeia. E por nada. Nunca me perdoei por não ter lutado por ela.

Minha sorte foi que fiz 18 anos naquela época. Se tivesse sido 10, estaria num orfanato até hoje. Ou não...

Meus pensamentos frustrados foram interrompidos quando ouvi o barulho da porta se abrindo. Tive um susto. Sentei-me imediatamente, com medo e ignorando a dor. Primeiro entrou um homem bastante alto, branco, mas que aparentemente está sujo, com barba e de cabelos ondulados castanhos escuros. Ele está com uma arma de fogo bem avançada em mãos, praticamente apontando-a para mim como se eu fosse uma ameaça. E de fato serei caso faça alguma besteira. Depois entrou Daryl, o deus da besta, e logo em seguida um senhor perneta de cabelos e barba brancos.

- Olá – O senhor diz gentilmente enquanto se aproxima. Tento me afastar dele, quase entrando pelas paredes – Não precisa temer nada. Eu que fiz o curativo em sua perna, vim apenas ver se está melhor – Olho para os dois homens armados e encaro-os desconfiada – Eles só estão aqui por... precaução, caso você surte ou algo parecido – “Caso eu surte”? Ele pensa que eu sou louca, por acaso? – Então... Posso? – Dou de ombros.

- Que lugar é esse? – Pergunto, enquanto deixo-o examinar o ferimento. Encaro Daryl por dois segundos e depois volto a atenção para minha perna. Aquela cena havia me deixado constrangida. Sinto que ele também está – Por que estou algemada? Trancada? – Ninguém me responde. Continuei fazendo perguntas e ainda assim ninguém me respondeu. Logo a raiva me consumiu, a paciência se esgotou e eu estava prestes a chutar o rosto do velho. Sinto-me uma idiota. Decidi ficar calada.

Depois de longos cinco minutos o velhinho afastou-se de minha perna. Já havia trocado o curativo e colocado algo estranho em cima do ferimento, talvez um remédio, uma erva, não sei. Só queria saber onde estava e o porquê de estar ali.

- Você vai ficar bem. Poderá andar normalmente daqui a uns dois, três dias – O senhor finalmente diz – Pode me chamar de Hershel. – E estica o braço, esquecendo-se de que eu estava algemada. Logo ele lembra e abaixa a mão, constrangido. – Não acha que deveríamos solta-la? Isso a está machucando. – Desviei novamente meu olhar para a perna, ignorando todos que estavam ali. Fizeram isso comigo e é isso que vão receber agora: Ignorância.

- Não – O homem mais alto que estava na sala falou – Quanto mais rápido ela for, melhor. – Era o de cabelos cacheados – E enquanto isso não acontecer, ela vai ficar aí, presa. – Olhei-o com antipatia e simplesmente virei o rosto. Logo em seguida ele sai da sala, com a cara emburrada.

- Esse é o Rick. – Diz Hershel, ainda constrangido devido a cena das algemas – Daryl... – Ele começa enquanto pega as muletas de volta – Fique de olho nela. Preciso conversar com Rick.

- Tudo bem. – O senhor saiu e logo fiquei sozinha e cara a cara com o homem que me salvou.

Ficamos um longo minuto em silêncio.

- Acho que ainda não agradeci... – Disse, meio nervosa – Obrigada. Se não fosse você... Não estaria aqui agora. – Ele sorriu com o canto da boca, fazendo-me sorrir também e se aproximou. Sentou onde Hershel estava sentado e ficou me olhando. Respirei fundo antes de falar novamente – Por favor... Que lugar é esse?

Sua expressão ficou séria com a pergunta. Eu sinto que ele quer falar, eu tenho certeza disso, mas algo o impede. Meus olhos enchem-se de lágrimas e movo-me desconfortavelmente sobre o colchão duro – Ok... – Continuo enquanto desvio o olhar para a parede ao meu lado.

- Eu... – Ele começa e logo sinto uma pontada em meu coração – Eu não posso contar... Rick acha que isso envolve a segurança do nosso grupo.

- Mas eu não sou uma ameaça...

- Isso eu não posso confirmar. Eu não posso colocar meu grupo em risco. É minha única família agora. – Então seu papel de herói galã sai de minha cabeça e por um segundo o odeio, o odeio simplesmente por ter mencionado a palavra família.

Encaro-o seriamente e lembro-me de Joe, da minha mãe, do meu pai... – Pelo menos você tem uma família. Todos vocês. – Digo rigidamente – E eu... Meu grupo me abandonou há dois ou três dias. Ataram-me a uma árvore. Deixaram-me sozinha com uma horda de zumbis, desprotegida, sem armas, nua! – Dou ênfase à última palavra – Talvez se você prestar mais atenção na história verá quem é a verdadeira ameaça. – E acabo desabando em lágrimas. Viro o rosto, indicando que não quero mais ouvi-lo e ele lentamente se levanta, vai à porta, tranca-a e sinto seus olhos em mim por um momento. Logo em seguida ele vai embora. Não era a primeira vez que me deixavam sozinha... sofrendo.

Notas finais
O que acharam? Não esqueçam de comentar ♥