Até que a morte os una - (EM REVISÃO)

1 Another day, same pain - (Revisado - Reescrito)


Notas iniciais
Esse é meu primeiro Yaoi, então, por favor, peguem leve comigo. Aqui os personagens estão em uma forma humanoide, ou seja ainda são animatrônicos (robôs), porém com uma forma humana, e eu mantive o termo animatrônico, pois eles ainda possuem partes animais como rabos e orelhas (apesar de não passar muito disso) e também porque eu imaginei o seguinte: animatrônico = animal + eletrônico, que é algo bem óbvio, no entanto se encaixa também em: animatrônico = animador (animadores de festa) + eletrônico, entenderam? Os direitos autorais dos personagens tratados a seguir pertencem a Scott Cawthon, o criador do jogo Five Night's at Freddy's, eu apenas os utilizei para escrever a história a seguir. Boa leitura! [ATUALIZAÇÃO] Bem, sim, eu revisei este capítulo, estava insatisfeita com ele e precisava muito refazê-lo, então aí está! E inclusive, logo os próximos serão revisados/reescritos também de uma maneira que eu me sinta satisfeita com a narração. Aproveitem e se puderem me digam o que acharam: melhorou realmente ou serviu só pra encher linguiça? Comentem por favor! Fiquem com isto até sair o próximo capítulo ;3 Eu particularmente recomendo as músicas: The cross of Eden by Kokusyoku Sumire (Vassalord OVA soundtrack) e Demon Hunter - I Will Fail You, ambas estão presentes no Youtube! Revisado somente três vezes, qualquer erro me avisem por favor! Novamente, boa leitura!

Parecia somente mais um dia normal de um típico fim de outono naquela pequena cidade do estado do Colorado, temperaturas irregulares e abaixo dos quinze graus era algo comum e frequente nessa época do ano, assim como as diversas pessoas transitando pelas ruas já com roupas de inverno e cachecóis de tricô coloridos enrolados em seus pescoços, os mesmos balançando junto do vento gelado inevitavelmente.

As folhas secas e de tons mesclados entre o laranja, o amarelo e o outrora verde, cobriam as calçadas e o asfalto por todos os lados, apesar de a maior parte ainda estar na base de suas antigas árvores, as quais agora se encontravam completamente nuas, com seus galhos evidentemente expostos, retorcidos em diferentes direções e formatos, o que lhes doava um aspecto um tanto medonho, como se não bastasse estarem tão carentes de suas antigas folhagens para protegê-las do frio eminente. Tudo isso, somado ainda a atmosfera úmida e gélida, eram fortes fatores que antecipavam com veemência a posterior chegada de um rigoroso inverno na região, que sem dúvida, traria consigo seu congelante cobertor de neve para colorir tudo ali existente de branco.

O que não impedia a funcionalidade daquele restaurante nas proximidades da entrada do pequeno município.

As doces risadas das crianças e as canções infantis preenchiam aquele local graciosamente, os diminutos corpos das criaturas ingênuas dançavam ao som das músicas dos animatrônicos que tanto admiravam, enquanto alimentavam-se e brincavam umas com as outras sem se importarem com mais nada. Os poucos adultos presentes ali, contentavam-se em usufruir do cardápio pouco diversificado e discutir sobre assuntos banais que estavam em alta no momento, enquanto seus membros mais jovens da família se divertiam.

Porém, algo a que poucos davam atenção, eram as cortinas púrpuras preenchidas com desenhos de estrelas no canto inferior do salão principal, adornados com uma placa com a seguinte inscrição: ‘’Fora de Serviço! Desculpe!’’, que informava, aparentemente, a falta de funcionamento do mesmo ser que aquelas franjas arroxeadas escondiam. E dentro dali, encontrava-se nada mais, nada menos do que Foxy, a raposa pirata, que ao contrário do que sugeria a tal tábua de madeira colocada em frente a sua atração, estava em perfeita função, bom... Talvez nem tanto, mas ainda assim não estava completamente desativado como era suposto ser, até porque, o mesmo permanecia a observar tudo o que acontecia à volta de sua famigerada ‘’Cova do Pirata’’ com um de seus olhos a espreita cuidadosamente entre as cortinas de seu antigo espaço de apresentação, sem ser percebido por ninguém.

Algumas crianças que passavam em frente ao local onde ele se encontrava, indagavam o que ou quem estava escondido lá dentro com curiosidade, porém, nunca recebiam resposta por parte de seus pais e nem de qualquer outra pessoa, já que somente os funcionários do local possuíam essa informação de qualquer maneira, e, apesar de alguns genitores terem conhecimento do que havia ali dentro graças a um trágico acidente passado da pizzaria, ainda assim não contavam aos filhos, tanto por não quererem traumatizar os mesmos com a antiga história sangrenta que todos os noticiários comunicaram na época, quanto para poupá-los de saberem de um acontecimento tão triste e que poderia, inclusive, lhes despertar um interesse ainda maior, o suficiente para se aproximarem daquele local e a situação acabar de maneira desastrosa.

E Foxy percebia isso, considerando sua audição extremamente apurada, e ainda o fato dele vigiar constante o salão principal, não era difícil ouvir essas mesmas conversas típicas e evasivas dos pais ali presentes para com seus filhos, e vislumbrar seus rostos assumirem semblante ou de dúvida ou de constrangimento. E essa era mais uma das razões pelas quais ele raramente saía de sua atração em período noturno, pois aquilo era somente mais uma circunstância consequente de seus erros do passado, mais uma situação diária para lembrá-lo de sua culpa constantemente e do quanto ele havia perdido após perder controle sobre si mesmo.

Ele nem se recordava mais do significado de felicidade, passava o resto de seus dias de ‘’vida’’ pós-morte isolado de tudo e de todos, com medo de machucar alguém, restringindo-se ao espaço de sua ‘’cova’’, literalmente e figurativamente. Só conseguindo odiar-se por dentro, sempre estando mal-humorado, martirizando-se internamente sem nem pensar, e deixando todos os sentimentos negativos e desoladores domarem-no sem dificuldades, o torturando em período integral, para que ele nunca se esquecesse de que estava nessa situação por algo que somente ele era responsável, que havia se colocado nessa situação e agora teria de suportar.

Desde 1987, sua vida naquele lugar nunca mais foi a mesma.

Não que sua existência fosse melhor antes dessa data, mas pelo menos naquela época ele ainda possuía a companhia das crianças, as inocentes criaturas que vinham até ele somente para ouvir suas histórias e cantarem suas canções de piratas junto de si com prazer, todas animadas e contentes com sua presença e entusiasmadas com as interpretações que ele fazia ao contar suas inúmeras aventuras que havia tido no alto mar como capitão de uma tripulação de vários outros humanos meio-animais.

E até isso havia sido tirado de si, tudo se fora, agora sim não sobrara mais nada.

Não podia interagir com seus antigos companheiros e amigos durante o dia, e se recusava a fazê-lo de noite de qualquer maneira, então tinha de contentar-se em ouvi-los cantar durante os seus shows, presos ao palco por sua culpa, já que antes da ‘’fatídica mordida’’ eles ao menos podiam transitar por onde quisessem durante o horário de funcionamento do local, e até fazerem um bico como ‘’garçons’’ uma vez aqui e ali, ainda que restringidos por seus sistemas, os quais comandavam e regiam suas ações, comportamentos e fala. E mesmo que, ao longo do tempo, tenham obtido — com grande esforço — um controle maior sobre essa mesma ‘’programação’’, eles tinham de disfarçar o fato, para não acabar com o pouco de credibilidade da qual aquele restaurante ainda tinha posse, e para os funcionários do local não tentarem modificar algo em suas placas mãe, reprogramá-los ou controlá-los direto por painéis cheios de botões e alavancas que poderiam tirar-lhes suas poucas liberdades de vez.

Sim, sua falta de sanidade em um momento crítico acabara prejudicando também seus colegas animatrônicos, que além de sem dúvida terem novas imagens e memórias traumáticas em suas mentes, provavelmente odiavam-no agora, por limitá-los ao palco e por colocar a Freddy FazBear Pizzaria em um risco ainda maior de ser fechado, interditado e até mesmo demolido em casos mais graves, pois eles sabiam muito bem que aquele estabelecimento era o último sinônimo de limpeza e preocupação com o bem estar do cliente, eles próprios eram extremamente mal cuidados e qualquer problema grande demais para ser resolvido eram deixados de lado sem piedade, o que era o caso de Foxy, abandonado e esquecido por todos, pelo que acreditavam ser uma falência total dos seus sistemas, mesmo que ele soubesse que essa não era a realidade.

Provavelmente só havia uma ‘’pessoa’’ que ainda tinha alguma consideração por si, e esse alguém era Bonnie. Sim, Bonnie The Bunny, o guitarrista do trio, e também o único que o ajudara quando estava realmente necessitado, o único que simplesmente ignorou o fato do ruivo ter se transformado num verdadeiro assassino em 1987, e correra a seu socorro sem pensar duas vezes, querendo ampará-lo desesperadamente, acreditando piamente que aquele monstro o qual vislumbrara naquele dia cravando seus dentes sem piedade no crânio de uma pequena criança inocente, não fosse Foxy, e sim alguma força maligna que o havia possuído ou algo assim, sem que a raposa pudesse fazer nada.

Mas o pirata sabia que decerto o outro agora o odiava também, pelo menos era no que acreditava, já que o arroxeado também sofrera com as consequências dos atos do ruivo mais tarde, e achava que ele provavelmente se arrependera de tê-lo auxiliado.

Largou as cortinas e simplesmente deixou-se ir ao chão, fechando os olhos e suspirando pesadamente, em seguida desferindo um tapa em seu próprio rosto — não forte o suficiente para lhe machucar – em frustração, depois deslizando a palma por sua testa até chegar a seus cabelos cor de fogo, passando a direcionar seu olhar para o teto após abri-lo novamente, as pálpebras agora semicerradas e o cenho franzido, a pura expressão de alguém que estava cansado de tudo, cansado daquela situação. Às vezes gostaria realmente de não ter tido uma ‘’segunda chance’’, de não ter se apossado de um corpo animatrônico, e simplesmente ter se desprendido de seu antigo revestimento de carne e se encaminhando para sabe-se-lá-onde os espíritos iriam depois de sua morte. Afinal, viver no domínio daquele robô pirata até o momento — em maior parte — só lhe causara angústia, problemas infindáveis, conflitos emocionais horríveis, colapsos de quase loucura e tristezas incomensuráveis.

Não suportava mais aquilo.

Examinou minuciosamente o tapa olho sobre sua testa com um semblante tedioso, não tinha muito para fazer por enquanto mesmo.

De repente a imagem de Bonnie viera a sua mente, o sorriso sincero e gentil esboçado em sua face pálida, os rubis encarando-lhe com ternura, e as orelhas roxas tornando-o ainda mais fofo. Era curioso e um tanto inusitado, mas pensar no coelho costumava lhe acalmar, e fazer-lhe esquecer de tudo o que havia a sua volta. Talvez fosse porque o rosto belo e de feições suaves do outro transmitisse uma serenidade e tranquilidade consideráveis para si, fazendo a raposa sentir-se melhor muitas das vezes em que imaginava sua imagem. Bem, era uma hipótese, e sim, admitia que ele era bonito, não iria negar isso.

Deixou a pequena atividade de lado e se levantou mais uma vez, a expressão ainda com o esgotamento e exaustação evidentes, mas ele fez esforço para criar algum ânimo a partir dali, a seguir se aproximando dos grossos tecidos púrpuros novamente e espionando entre os mesmos, lançando seu olhar desta vez sobre cada ponto do salão cuidadosamente, até pairar de maneira hipnotizada sobre certo animatrônico que tocava guitarra alegremente. Sorriu de leve com a cena, sentindo sensações boas invadirem seu corpo, ao menos Bonnie ainda podia fazer a felicidade das crianças, o que por pouco não fora arruinado por si também.

Tudo bem, Chica e Freddy estavam na mesma situação, mas sinceramente, ele se sentia mais aliviado pelo fato de Bonnie ainda ter alguma fonte de alegria do que por qualquer outra coisa ou pessoa, pois fora ele que se importara de verdade consigo quando seu corpo e mente foram despedaçados impiedosamente, fora ele que se juntara a si para catar suas partes quebradas após ser dilacerado profundamente por um sentimento horrível, o sentimento de ter se tornado igual a seu assassino.

Estava solitário a tempo demais, as ideias já começavam a divagar muito longe do recomendável, Bonnie só fizera o que qualquer ser que fosse consciente e tivesse ao menos uma moral relativa deveria fazer, e eram amigos também, talvez não fosse nada demais, e ele estava exagerando, mas a maneira como o coelho havia ficado perturbado com o que havia ocorrido consigo no dia da ‘’mordida’’ o intrigava de uma maneira inusitada, e isso o fazia ter pensamentos e fantasias além da conta.

Talvez ele saísse da ''Pirate Cove'' aquela noite... só talvez.

O tempo parecia andar cada vez mais devagar, vez ou outra o pirata observava discretamente o relógio que havia no extremo oposto do salão, apenas para se estressar cada vez mais vendo que o tempo parecia não colaborar consigo. Somente queria que anoitecesse para seu humor melhorar ao menos um pouco, não suportava mais ouvir as risadas das crianças, por mais que já as tivesse admirado profundamente, agora somente lhe traziam mais angústia e culpa para a alma, considerando o fato de que não era mais ele que gerava aquelas gostosas gargalhadas pueris.

Ele passou a apenas escutar e apreciar a melodia infantil que seus colegas geravam com a harmonia vocal e instrumental de que lhes era ponto de forte, enquanto murmurava a letra das canções que sabia de cor a mais de 10 anos, e vez ou outra, ele captava o som afinadíssimo de um solo de guitarra em meio à cantiga entusiasmante, que era executado com uma dedicação transbordante por – obviamente — Bonnie.

— Como esse coelho toca bem... — murmurou para si mesmo perdido entre as notas da harmonia musical, sempre apreciou a maneira como o arroxeado tocava sua guitarra, para a raposa soava quase sublime por alguma razão, e o coelho em raras ocasiões não parecera totalmente dedicado a isso quando o fazia, já que levava muito a sério a questão de dar o máximo de si na exuberante arte chamada de música.

Em um momento totalmente aleatório, Freddy ofereceu seu microfone para Bonnie, para que o mesmo pudesse ter a rara oportunidade de cantar para o público, o mais novo aceitando prontamente, porém ao trocarem o pequeno objeto eletrônico ente si, suas mãos se encostaram rapidamente, o toque mesmo sendo leve, ainda assim fazendo ambos pararem por um instante, encarando-se longamente e logo em seguida rirem e corarem um pouco da situação constrangedora.

Foxy percebeu isso, pois no momento em que Freddy parou de cantar, ele percebeu que havia algo de errado, até porque parar o show do nada, no meio da canção, não era algo comum e muito menos conveniente para seus colegas, com isso ele rapidamente abriu uma fresta novamente entre as franjas roxas de sua ‘’Pirate Cove’’ e levou sua visão até ali, podendo vislumbrar com seus olhos atentos a quase imperceptível aproximação entre seus colegas, o que mais tarde, seria algo que ele adoraria esquecer.

Segurou as cortinas firmemente, sua pupila minguou bruscamente até formar uma linha vertical negra extremamente fina — semelhante à de gatos — e em uma velocidade espantosa um instinto poderoso o dominou, o que culminou num impulso assustador feito pela raposa, que quase se jogara para fora de sua atração e avançara em direção ao palco sem pensar duas vezes, porém em outro movimento ríspido, deteu-se ao perceber o que estava prestes a fazer, estancando no mesmo lugar.

‘’Mas o quê?! Espera... o que... o que eu... estou fazendo?!’’ apertou o tecido entre os dedos com ainda mais força, seu olhar tornando-se estático, fechando-se em seguida com rigidez, a testa franzindo enquanto por algum motivo a raposa parecia estremecer de raiva ou no mínimo algum sentimento que lhe concedia uma amargura incrível, o pirata tentando acalmar-se vagarosamente de seu surto repentino e implorando mentalmente para que ninguém percebesse a movimentação do local onde estava, e após repetir inúmeras vezes um mantra que costumava utilizar quando se exaltava, encarou o piso abaixo de si com uma angústia terrivelmente despontante no entorno de sua íris, odiava se sentir assim, mas o que poderia fazer se isso já fazia parte de si de qualquer maneira?

Largou as franjas arroxeadas lentamente, com certo receio.

Bufou frustrado e em estresse, caminhado impaciente até o fundo do pequeno espaço e sentando-se bruscamente no chão, encostando-se a parede mais próxima, em seguida jogando a cabeça para trás exasperado e observando o teto com desgosto, passando a massagear as têmporas novamente com a única mão que possuía, tentando raciocinar algo em vão, e logo, subindo a palma pela testa e bagunçando ainda mais seus cabelos no processo.

‘’O que eu ia fazer?’’ indagou-se inconformado intimamente. Talvez a solidão e falta de sentimentos além dos lastimáveis o estivesse deixando tão fora de si, que quase fora capaz de fazê-lo sair de sua preciosa ‘’Pirate Cove’’ durante o dia — o que pioraria e muito toda a sua situação — apenas por causa de ciúmes.

Ciúmes?! É claro que não! Ele não tinha nem do que sentir ciúmes...!

Certo?

Ele já não sabia mais, agora todos os seus pensamentos giravam em torno somente daquela cena, que tivera um impacto totalmente estranho sobre si.

A voz de Bonnie, agora, ressoava ao fundo como uma perfeita trilha sonora para a sua confusão mental, uma melodia vocal que simplesmente tornava o raciocínio do pirata cada vez mais vago e lento com o passar do tempo, seu consciente dando atenção somente para as letras encantadoras que ecoavam no pequeno local, a qual o hipnotizava, sem nenhuma explicação, com seus tons, que para ele, soavam como uma voz enviada dos céus para salvá-lo dali, para libertá-lo de todo aquele sofrimento, para que lhe concedesse o direito de descansar em paz, finalmente, como um último suspiro para sua alma tão maltratada.

Tentava quase inutilmente ordenar as próprias ideias, no entanto sua visão somente se tornava mais turva e vertigens lhe invadiam o corpo sem permissão, seus olhos passaram a tornarem-se mais pesados e ficava somente mais difícil manter-se acordado a cada instante decorrido, sua íris aos poucos era preenchida por um brilho indescritível e uma expressão incompreensível desenhara-se em seu rosto bronzeado.

A raposa conflitava intimamente de maneira confusa, sentindo-se melhor graças à voz harmoniosa de seu amigo, mas esta também motivando-o de maneira insistente — sem nenhuma explicação- a querer abandonar a sua atração e ir até aquele palco, o que fazia o pirata brigar com suas próprias vontades e desejos mentalmente, tentando segurar-se ali e não pensar sobre aquilo para que não fizesse nenhuma estupidez novamente, e enquanto isso, sem saber de nada, Bonnie cantava distraidamente no palco com o microfone de Freddy, o qual colocara em um tripé pouco usado para poder dedilhar sua guitarra ao mesmo tempo em que expressava sua voz tão apaixonadamente , o urso a seu lado apenas batendo palmas para acompanhar o ritmo da canção, e a galinha dançando serenamente ao som do arranjo improvisado.

No entanto, de repente, o coelho sentiu um calafrio subir por sua espinha, um arrepio aterrorizante já conhecido dele, que se manifestara do nada, sem motivo aparente. Seus olhos antes cerrando com uma calmaria quase bela, abriram-se rapidamente e seus rubis se arregalaram, acompanhados de suas pupilas que se reduziram drasticamente, estancou, seu corpo congelando na mesma posição e ele rapidamente censurando bruscamente seu timbre afinado sem nem pensar, o instrumento de corda em suas mãos dando pequeno estalo pela parada repentina.

Ele teve o que poderia ser chamado de pressentimento ruim, porém a última vez que ele sentiu algo parecido foi... naquele dia.

Assustou-se com a própria recordação.

Desviou sua visão com urgência e apreensão na direção da ‘’Pirate Cove’’, buscando desesperadamente a figura sofredora e misteriosa que aquelas cortinas arroxeadas escondiam, uma aflição angustiante presente em cada um de seus mais minúsculos movimentos, seu olhar repleto de um medo aterrorizante, o medo de que tudo se repetisse de novo, e dessa vez ele definitivamente perdesse seu companheiro tão querido.

E ao observar bem, em meio a aqueles dois mantos púrpuros, quase ocultado pelo brilho das estrelas amareladas que adornavam as franjas penduradas ao teto, disfarçado pelas sombras e praticamente imperceptível para quem não fosse realmente atento, pôde vislumbrar aquele olhar opaco, quase morto, cravado em si, encarando-o fixamente, como que lendo-lhe a alma, e desbravando seus segredos mais íntimos, sem permissão, o que lhe provocou imediatamente um frio na barriga terrível e fez suas longas orelhas abaixarem-se instantaneamente, a pena dominando-lhe a mirada abatida.

As íris rubras, semelhantes a rubis, se cruzaram com aquele olhar dourado instigante de maneira intensa, agora, sequer conseguiam se desvencilharem um do outro, mesmo se o desejassem.

E apesar da aparente distância, Bonnie via claramente o que aquele globo áureo expressava mais do que tudo.

O mais sincero e doloroso pedido de socorro mudo que já testemunhara em toda sua vida.

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Notas finais
Não se esqueça de deixar um cometário incentiva muito os autores a continuarem escrevendo! Leiam as notas iniciais! Obrigado por ler! Kissus!