Até que a morte os una - (EM REVISÃO)
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Freddy´s Fazbear Pizza — 1987
Era mais um dia normal na pizzaria, os animatrônicos, atração principal do local, tocavam seus instrumentos e cantavam alegremente, enquanto um deles em particular contava as histórias de suas fantásticas aventuras pelos sete mares para um grupo de crianças em frente a sua atração.
– E então um dos meus marujos gritou ´´Terra a vista capitão! ´´ e foi então que eu peguei uma de minhas lunetas e observei ao longe a situação em que estávamos, quando eu vi... — fez uma pausa dramática para atiçar ainda mais a curiosidade das crianças.
– Viu o que capitão Foxy??? — um garoto ruivo o perguntou, apreensivo e curioso com a história que a raposa contava.
Foxy abriu um sorriso de leve por ter sucesso em sua tentativa e prosseguiu.
– Um Kraken! — bradou para o nada em particular, várias crianças pularam de susto dizendo não repetidas vezes enquanto outras pediam para o pirata continuar contando a história.
Foxy ria um pouco das diversas reações das crianças, sempre tão espontâneas, elétricas, alegres apesar de tudo e ...
Ouviu um solo de guitarra ao fundo seguido da voz de um certo coelho roxo, que cantava da maneira mais ritmada que conseguia.
Direcionou seu olhar ao palco, olhando com uma expressão um tanto surpresa, ele nunca tinha escutado aquela música antes, talvez fosse uma nova, será que Freddy pretendia escrever músicas diferentes?
Rapidamente sua resposta veio, Freddy e Chica também demonstravam surpresa enquanto o coelho cantava.
Abriu um sorriso, pelo visto Bonnie havia composto a canção.
Seus olhos inexplicavelmente ganharam um brilho a mais, tinha descoberto o que faltava em sua frase... sempre tão espontâneas, elétricas, alegres apesar de tudo... sim, isso se encaixava perfeitamente em Bonnie.
Passou a apenas apreciar a música, enquanto uma expressão serena invadia seu rosto, fazendo-o semicerrar os olhos, quase hipnotizado pela melodia.
As crianças rapidamente notaram seu comportamento diferenciado repentino e estranharam porque ele havia parado de contar a história.
O mesmo garoto ruivo de antes se aproximou de si, segurando a barra de seu casaco puxando de leve o tecido, tentando chamar sua atenção.
– Capitão Foxy? — chamou o garoto de forma tímida, tentando trazer a raposa de volta ao mundo real.
Depois de alguns segundos Foxy percebeu o chamado, saindo de transe, e se direcionando para o menino ao seu lado.
– Está tudo bem? — perguntou o menor, estranhando o comportamento do pirata.
Foxy sorriu, se abaixando de leve para falar melhor com o pequeno ser.
– Claro garotinho, eu só me distraí um pouco — falou com um tom de voz paterno, colocando a única mão que possuía sobre os cabelos ruivos do menor, afagando os mesmos — ok? — perguntou para confirmar se ele havia compreendido. O pequeno apenas acenou positivamente com a cabeça, retribuindo em parte o sorriso da raposa.
– Então volte para junto das outras crianças que eu irei continuar a história! — falou positivamente, tentando animar o garoto.
– Ok, capitão Foxy! — o menor se animou rapidamente, se afastando um pouco do pirata e voltando a se sentar na roda de crianças que havia formada ali.
– Pessoal desculpe eu parar a história, estava distraído — as crianças riram um pouco enquanto Foxy coçava a nuca.
– Pelo que capitão? — perguntou uma garotinha loira.
Foxy parou de repente com a pergunta da pequena, não sabia exatamente o que responder.
Virou seu olhar uma última vez em direção a Bonnie enquanto o mesmo encerrava sua nova música.
– Sabe que eu não sei? — as crianças riram ainda mais, deixando Foxy feliz em fazer as mesmas darem risadas.
– Bom, como eu dizia... apareceu um Kraken muito próximo de nós! Eu só tinha uma chance de salvar a tripulação... enfrentando aquela criatura gigantesca! — as crianças tiveram uma reação imediata, quase todas ficaram surpresas, imaginando como o capitão Foxy derrotaria um Kraken.
– Foi então que eu peguei uma de minhas espadas, corri em direção ao lugar mais alto do navio e esperei para ver se a criatura se aproximava de nós, até ela agarrar o mastro do navio! — as crianças a essa altura estavam extremamente atentas a história e Foxy dava cada vez mais realidade a isso com suas expressões e gestos para representar a narrativa.
– Foi aí que eu agi! Desci até onde um dos tentáculos da criatura estavam enrolados e decepei-o com minha espada! — os meninos ficavam cada vez mais maravilhados com a valentia da raposa e encorajavam-no a prosseguir com a história, enquanto algumas meninas faziam cara de nojo diante algumas situações que a raposa narrava e outras apenas a acompanhavam os meninos.
– A criatura recuou rapidamente, fazendo alguns marujos comemorarem, porém era cedo demais pra isso. Ela voltou com mais força e dessa vez exibindo sua gigantesca boca! Eu estava decidido a derrotá-la então, corri em sua direção e entrei em sua boca! Saquei minha espada novamente e comecei a perfurar a criatura por dentro várias vezes,enquanto ela berrava, só que eu não esperava por uma coisa...
– O que capitão??? — uma das crianças perguntou afoita.
– Um dos dentes da criatura estava próximo demais de mim, porém eu não me importei com isso, então ela tentou me matar em sua boca e fechou-a brutalmente! — algumas crianças pularam de susto com a revelação enquanto Foxy sustentava cada vez mais o sotaque de bárbaro dos mares — infelizmente esse mesmo dente perfurou um dos meus olhos — disse com a mão apalpando seu tapa olho.
– Então é por isso que você usa esse tapa-olho capitão Foxy? — perguntou o mesmo garoto ruivo de antes.
Foxy exibia um sorriso cada vez mais aberto, porem mantendo sua atuação dramática.
– Sim, marujo! — disse animadamente se aproximando de leve do garoto — e então eu consegui derrotar a criatura com grande esforço, e ela afundou no mar profundo e negro! Porém ela levou junto consigo o meu olho! — as crianças ficaram felizes e maravilhadas com a vitória de Foxy, porém ao mesmo tempo lamentavam a perda do olho do pirata.
– Você não sente falta do seu olho Foxy? — perguntou um garotinho moreno, um pouco tímido.
– Bem as vezes sim... mas eu fiquei muito melhor com esse tapa-olho, não acham? — as crianças quase caíram no chão de tanto rirem do comentário da raposa.
– Além do mais esse olho não me importa muito, eu tenho algo muito mais valioso comigo... — o pirata fez um ar de mistério.
– Ouro? — perguntou uma garota de cabelos negros e cacheados.
– Não — respondeu rapidamente o ruivo.
– Um baú de tesouro? — perguntou um garoto mais ao fundo.
– Não, é algo muito mais valioso do que isso — as crianças se aproximaram mais de si, cada vez mais curiosas.
Foxy direcionou seu olhar novamente para o palco, observando seus amigos darem um verdadeiro show, encantando diversas crianças.
Observava cada um atentamente, reparando na maneira com a qual eles cantavam e tocavam seus instrumentos de forma harmônica.
Freddy parecia manter sempre uma expressão séria, apesar de ter uma alegria evidente e uma voz melodiosa que era ouvida por todos graças ao microfone em suas mãos.
Chica se mantinha dançando ao som da música, sempre com um gingado impecável enquanto segurava seu cupcake rosa.
E Bonnie...
O pirata parou alguns segundos para poder observar melhor a figura do menor...
O coelho sempre sustentava aquela mesma expressão de felicidade, tocando sua guitarra com todas as forças que possuía e com uma voz comparável à de Freddy.
E seu olhar... era o que mais encantava Foxy, aquelas duas joias preciosas sempre preenchidas por um brilho encantador, deixavam a raposa nas nuvens e o hipnotizavam de uma maneira avassaladora, era estranho como Bonnie parecia ter um impacto maior sobre si do que os outros, mas ele nunca realmente se preocupou muito com isso, talvez fosse apenas uma admiração a mais que sentia pelo coelho... ele não sabia ao certo do que se tratava aquele sentimento.
– Uma família, e isso é melhor do que qualquer tesouro que eu poderia querer... — falou sem desviar seu olhar daquele palco, com sua visão perdida entre os amigos, especialmente de um certo coelho.
As crianças se surpreenderam um pouco com a resposta do saqueador de tesouros, e chegaram até mesmo a olhar na mesma direção que o ruivo, constatando que ele havia se referido a banda que tocava no palco.
– Freddy, Chica e Bonnie? — perguntou um garotinho loiro.
Foxy desviou sua atenção do local aonde se encontravam seus amigos e sorriu quando percebeu que as crianças haviam descoberto de quem ele havia se referido anteriormente.
– Sim — respondeu simplesmente com um olhar sereno — mas, enfim... crianças vocês querem outra história? — perguntou se animando rapidamente.
– SIM! — responderam todas, ansiosas para ouvirem mais um conto de uma das aventuras daquele pirata.
– Então vamos lá! Um dia eu estava... — havia iniciado a frase mas parou bruscamente.
Havia mirado os fundos do salão, avistando a figura de um homem de madeixas roxas, que interagia com os outros funcionários normalmente e utilizava o uniforme do estabelecimento, porém em cores arroxeadas, sempre exibindo um largo sorriso acompanhado de um par de olhos semicerrados que eram destacados em seu rosto por suas íris púrpuras.
Sentiu uma força desconhecida se apoderando de si, enquanto seus olhos se tornavam cada vez mais negros.
Começou a estremecer internamente, enquanto lutava para se manter no lugar aonde estava, porém uma espécie de instinto estava praticamente lhe obrigando a se mover, fazendo-o se levantar tendo diversos espasmos e torções.
Bonnie que permanecia no palco sentiu um calafrio percorrer todo o seu corpo, fazendo-o parar imediatamente de tocar sua guitarra.
Freddy e Chica olharam em sua direção, com um ar de preocupação, enquanto também haviam parado de dançar e tocar, pelo fato de Bonnie ter interrompido a melodia.
As pessoas no local começaram a ficar confusas com a situação, porque o coelho havia parado de tocar?
E também os funcionários começaram a ficar preocupados, estranhando o comportamento dos animatrônicos.
Bonnie olhou em direção ao chão, se ainda possuísse um coração poderia jurar que um pulsava rapidamente em seu peito naquele momento.
Freddy pôs a mão em seu ombro e chamou-o.
– Bonnie, está tudo bem? — perguntou apreensivo para o coelho, prevendo que algo estava acontecendo com seu amigo.
– Tem algo errado, Freddy — falou dirigindo seu olhar rapidamente para o urso, sentia que algo estava saindo de seu lugar, um desequilíbrio, uma pertubação estava se apoderando de si.
– Errado? O que houve? — perguntou o urso engravatado se sentindo cada vez mais aflito com a situação.
Bonnie se virou lentamente para a direção da Pirate Cove, por puro instinto.
– Eu não sei — respondeu minimamente.
Freddy olhou na mesma direção do outro e se preocupou mais ainda ao não ver nenhuma movimentação fora do comum no local, ao contrário do que seu colega alegava.
– Apenas siga a programação por enquanto, os funcionário já estão pensando em vir aqui — olhou rapidamente na direção da onde uma parte dos empregados ficavam, sendo seguido por Bonnie.
– O-ok — respondeu inseguro.
– Está tudo bem? — perguntou Chica do outro lado, estava começando a se preocupar com o comportamento repentino do coelho e estranhando os sussurros dos dois que a excluíam.
– Acho que sim, Chica — falou Bonnie sem rodeios, ainda com uma expressão apreensiva, tentando não preocupar a outra.
– Apenas siga a programação — alertou o urso a loira.
– Está bem — concordou a contragosto.
Freddy pediu desculpas pelo inconveniente e reiniciou a cantoria junto de seus colegas.
Foxy ainda permanecia praticamente travado no lugar, enquanto lutava para ter o controle da situação, e seus olhos já estavam totalmente foscos, com exceção de suas íris douradas.
As crianças estavam começando a ficarem assustadas com o comportamento repentino da raposa e com o seu olhar nebuloso.
Seu endoesqueleto parecia se mover de forma involuntária, enquanto ele tentava assumir o controle de seus sistemas novamente, que pulsavam rapidamente.
– É... ele, É ELE! — bradou mentalmente.
Então Freddy tinha razão, ele realmente trabalhava ali, mas com certeza não era um empregado regular.
– Mas isso não será problema — se assustou com a voz que sussurrou em sua mente, da onde aquilo havia vindo?
Seus olhos se assemelhavam a um abismo profundo que parecia não ter fim, o brilho que antes havia ali não deixara sequer o rastro de sua existência, sendo substituído por nada mais que o vazio.
Por um momento ele se deixou guiar pelo próprio instinto, tendo um desejo incessante de fazer aquele homem pagar por tudo o que fez a ele e a seus amigos.
Porém, ele sabia que isso não era o certo a se fazer no momento, Freddy ficaria decepcionado se ele agisse sozinho, da maneira que fosse.
Não sabia mais quem estava no controle, ele estava muito próximo de perder a sanidade.
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