Atmosphere
5 You're wonderful, girl
Notas iniciais
When I see your face
There's not a thing that I would change
'Cause you're amazing
Just the way you are
And when you smile
The whole world stops and stares for a while
'Cause girl you're amazing
Just the way you are
— Just The Way You Are, Bruno Mars
Bellamy dormiu no quarto de hóspedes naquela noite.
Após certificar-se de que não havia quebrado nada e que estava melhor, Clarke deixou que o mesmo ficasse por ali e que fosse embora no dia seguinte. A noite fora serena e tranquila. Desabafar daquela forma fora simplesmente um grande alívio para a moça. Sentia seu corpo mais leve e a mente relaxada o suficiente para ter, enfim, uma boa noite de sono. Deveriam ser dez de manhã quando a médica abriu os olhos azuis e encarou por breves segundos o teto de seu quarto, até levantar-se da cama com disposição e seguir para sua suíte fazer suas higienes matinais.
A casa era grande, três quartos com suíte, um banheiro, sala, cozinha, um sótão, quintal e uma piscina. Apesar disso, era um ambiente muito simples e aconchegante, justamente como Jake queria e planejava. O arquiteto era um homem muito reservado e humilde, tinha um bom coração e estava sempre disposto a ajudar aqueles que precisassem. Clarke se sentia honrada e agradecida por poder ficar com aquele lugar e pode chamá-lo de casa. Ela queria honrar o nome de seu pai o máximo que pudesse.
Depois de pronta, ela desceu as escadas e entrou na cozinha, encontrando um Bellamy acordado e sem camisa ali, preparando o café da manhã distraído enquanto equilibrava o telefone celular no seu ombro esquerdo. Curiosa, a garota dos olhos azuis permaneceu em silêncio, ouvindo a conversa do rapaz. Obviamente, não conseguiu entender muita coisa, pois sua mente estava voltada para as costas musculosas e bem definidas do garoto. Blake certamente não era um "maromba", mas definitivamente tinha músculos definidos e um corpo que invejaria qualquer homem que o visse. Ele era extremamente atraente. E Clarke praguejou mentalmente por ele estar parcialmente descoberto naquele momento.
— Eu estou ótimo, Octavia. — ele respondeu enquanto mexia os ovos na frigideira. A dona da casa preferiu não perguntar onde ele conseguira encontrar todos aqueles ingredientes, já que nem mesmo ela sabia onde estava. Conforme mexia os ovos naquele fogão, a médica examinava os músculos do Blake se movendo, quase como um relógio hipnotizante — Clarke deu alguns pontos no meu braço, nada demais. Não, querida, eu não quebrei nada. Relaxa, irmãzinha. Olhe, eu vou desligar, ok? Também te amo, O. Até mais tarde.
— Bom dia, Bellamy. — a loira sorriu, entrando na cozinha e sentando-se na mesa, fingindo que acabara de chegar no cômodo e que não ouvira a conversa alheia. O perfeito sorriso dos dentes alinhados e brilhantes voltou-se para ela.
— Bom dia, princesa. Eu sei que, bom, você fez muita coisa por mim, então pensei que um café da manhã pudesse ser um bom "presente". — Blake colocou os ovos mexidos no prato de Clarke e sorriu — Eu não sou nenhum Buddy Valastro da vida, mas faço o que posso. Bon appetit.
Enquanto Griffin cuidava dos ferimentos de Blake, ela pensava em como ele havia sido preciso. A loira iria acertar um soco em Finn e quebrar-lhe os dentes por ela mesma, mas Bellamy fora aquele quem agira mais rápido. Estava grata, obviamente, mas ao mesmo tempo um tanto irritada por ele ter saído em defesa dela, quando ela mesma iria se defender.
Ela iria protestar, dizer que ele havia feito muito mais coisa por ela, mas apenas abriu um sorriso e garfou o alimento, levando-o até a boca. Mastigou com cuidado devido à temperatura e arregalou os olhos, olhando para ele e sacudindo a cabeça positivamente com um sorriso sem dentes no rosto, logo depois erguendo o dedão em um sinal de "joinha". Os dois sentaram-se a mesa e logo comiam em silêncio, um silêncio confortável e pacífico que a fez suspirar.
— Você trabalha no que, Bellamy? — Clarke perguntou, curiosa para saber mais sobre o outro.
— Sou segurança chefe do Ark. — ele deu de ombros — Posso ter pavor de hospitais, mas dinheiro é dinheiro, preciso pagar as contas de casa e levar comida pra nossa mesa.
— Então foi você! — ela acusou, com um sorriso no rosto, enquanto ele não segurava o seu por muito tempo — Você conseguiu aquela intrevista pra mim, não foi?
O rapaz balançou a cabeça, rindo, numa clara expressão de "interprete como quiser" e se levantou, indo até a escada. Juntou os dois dedos na testa e os acenou enquanto subia os degraus, avisando que iria tomar um banho e finalmente ir para casa. Clarke revirou os olhos, com um sorriso, enquanto retirava a louça e a colocava na pia, pronta para lavá-la.
Uma sensação de paz preenchia seu coração. Por algumas horas, fora capaz de esquecer toda dor e sofrimento que sua mãe lhe fizera passar. Seu peito estava cheio de energia e positividade, contente por ter mais um porto seguro. Aqueles sentimentos também trouxeram mais um: a coragem. Quando Bellamy deixasse sua casa, a médica decidiu que pegaria seu telefone e ligaria para Wells. Iria certificar-se de que seu melhor amigo estava bem, e explicaria a ele como estava levando sua nova vida. Também diria a Raven o verdadeiro motivo de ter deixado Denver para trás, abandonando tudo o que havia criado naquela cidade.
Estava tão avoada, alienada em seus pensamentos, que mal reparou que sua pia já estava encharcada e as louças mais do que limpas. Colocou-as para escorrer e apoiou-se brevemente no mármore, respirando fundo, de olhos fechados. Um minúsculo sorriso nasceu involuntariamente em seu rosto. E de repente, um arrepio subiu sua coluna, justamente quando sentiu o hálito quente de Blake contra sua nuca, mais próximo do que ela gostaria e imaginava que ele pudesse chegar.
Desta vez, Bellamy estava devidamente vestido, com a camisa ainda manchada de sangue e a jaqueta de couro preta jogada em seus ombros. Imediatamente, o cérebro de Clarke contou os prós e contras de manter Bellamy Blake por perto.
Ele não era apenas arrogante, atraente, malicioso, agia de forma superior e era irônico. O rapaz também era um bom amigo e ouvinte, um piadista, exalava uma aura protetora e aconchegante, demonstrava preocupação tanto para Griffin quanto para sua própria irmã. Mas principalmente, Clarke se recordou de que ele era um problema. Era um Conquistador, tão grande quanto aqueles da Era Medieval. Raven havia lhe dito quantas mulheres geralmente caíam nas garras daquele rapaz e que até mesmo ela havia tido sua própria experiência. A loira não queria ser conhecida assim. Ela se virou com o rosto decidido e cruzou os braços logo abaixo dos seios, os colocando em certa evidência, e deixando o homem levemente desnorteado. Ergueu uma sobrancelha e um tímido sorriso vencedor nascera em seus lábios rosados.
— Eu vou indo. — Bellamy relatou, voltando sua atenção aos olhos azuis da moça — Recebi uma mensagem de Octavia, ela disse que vai passar aqui em dez minutos para "tirar o atraso" de vocês duas, seja lá o que isso signifique.
— Claro, claro. — ela riu. A menina Blake era realmente maluquinha. A médica mordiscou o interior de sua bochecha — Você, hun… Vai ficar bem, não vai?
— Foi só um arranhãozinho. Poderia ter sido pior. — ele sorriu sem mostrar os tão brancos dentes — Qualquer coisa, estou a duas casas daqui.
Ele se virou e caminhou até a porta da frente, as botas pesadas batendo contra o chão de madeira de carvalho polido, quando a voz suave de Griffin o chamou de volta. Ele apoiou a mão na pilastra da cozinha e colocou a cabeça para dentro do cômodo.
— Não se meta em confusão, ok? Seu braço pode piorar, e não queremos isso, certo?
— Pode deixar, Princesa. Vou ficar longe dos bares até meu corte sarar direitinho.
{…}
Octavia era realmente louca.
Imperativa, a garota lhe fazia perguntas de todos os tipos, quase todas voltadas para noite passada, quando seu irmão estava na casa da amiga. Clarke apenas ria e desconversava, não queria que ninguém soubesse do novo patamar que chegara a desenvolver com Bellamy.
— Ah, qual foi, Clarke! — Octavia riu — Meu irmão é um bom partido. Deus, nunca pensei que estaria dizendo isso na minha vida, mas verdades são algo a ser ditas.
— O, chega, ok? Eu não quero um relacionamento agora, se é isso que você está insinuando. Preciso organizar minha vida primeiro. — a moça dos cabelos dourados terminou o assunto — Mas e você? Como anda a sua vida, Octavia Blake?
— Muito boa. Eu e Lincoln finalmente nos entendemos depois de tanto rolo.
Clarke ergueu os braços e gritou um "meu casal!", enquanto a Blake ria e atirava uma almofada na direção da loira. Todos da vizinhança sabiam que aqueles dois se amavam. Lincoln era dedicado e sempre perguntava por Octavia, enquanto a mesma quase sempre fazia o mesmo por ele. No fim, a Griffin estava muito feliz pela amiga. Sabia que ele era um bom rapaz e apoiaria sua namorada no que desse e viesse. Por um segundo, sua mente lhe pegou perguntando a si mesma se ela conseguiria ter um relacionamento como o de Octavia.
De repente, batidas na porta irromperam as risadas e comemorações das duas moças. A dona da casa franziu o cenho, olhando para sua amiga, que apenas deu de ombros, tão confusa quanto ela. Já eram quatro e meia da tarde, uma leve geada cobria o chão do lado de fora e um vento forte soprava as folhas das árvores de um lado para o outro, enquanto o céu estava nublado e escuro. Quem seria louco de sair de casa naquele frio para ir bater na porta de outro?
Clarke abriu, dando de cara com uma Raven em lágrimas e encolhida num casaco de couro marrom, grande demais para pertencer a ela. A médica exclamou seu nome e a puxou para dentro, enquanto Octavia alimentava o fogo da lareira para que pudessem esquentar a amiga desamparada. Sem saber como agir, Griffin envolveu a morena num abraço apertado e afagou seus cabelos, enquanto a mesma derramava mais e mais lágrimas.
— Rav, o que aconteceu? — a anfitriã da casa perguntou, passando a mão pelos cabelos castanhos da amiga, num ato de carinho — Pode falar com a gente, somos suas amigas.
— Pode contar, Rav. E se o motivo for algum maldito, pode ter certeza de que eu mesma quebro os dentes desse bastardo. — Octavia fingiu raiva, o que fez Reyes dar uma pequenina risada.
— E-eu… — ela fungou e respirou fundo, endireitando a coluna — Finn e eu terminamos.
— Sério? — a Blake perguntou, com o cenho franzido — Ok, agora não sei se fico feliz ou triste por você.
— O! — a loira exclamou, lhe acertando um tapinha — Raven, eu sinto muito.
— Não sinta. — a mecânica suspirou — Ele me disse coisas horríveis e quase me bateu. Mas acertei um chute nas bolas dele e escapei o quanto antes.
— Essa é a minha garota! — Octavia berrou, enquanto as outras duas amigas riam.
A garota sorriu e abraçou as duas com força. Era bom ter verdadeiras irmãs ao seu redor, pois se caísse, com certeza as duas a segurariam. Elas poderiam ser diferentes e quase sempre irem umas contra as outras em diversos momentos, mas era certo de que jamais se separariam.
— Você é maravilhosa, Raven. — Clarke sorriu, limpando os resquícios de lágrimas que haviam nas bochechas da mecânica — Não se esqueça disso.
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